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Com o restabelecimento gradual das comunicações no Irã, após dias de bloqueio da internet durante os protestos contra o regime, começam a vir à tona os perfis de algumas das vítimas da repressão conduzida pelas autoridades. De acordo com a mídia estatal iraniana, 3.117 pessoas morreram desde o início das manifestações, deflagradas no mês passado em meio à crise econômica e reprimidas com violência letal, segundo ativistas.
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Um comunicado da Fundação de Veteranos e Mártires do Irã, citado pela televisão estatal, afirmou que 2.427 pessoas do total de mortos, incluindo integrantes das forças de segurança, são consideradas “mártires” segundo o islamismo e descritos como vítimas “inocentes”.
As autoridades iranianas classificaram o movimento de contestação como um incidente “terrorista”, marcado por “distúrbios” supostamente incentivados pelos Estados Unidos.
Por outro lado, grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que milhares de manifestantes foram mortos a tiros pelas forças de segurança.
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A ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, diz ter verificado a morte de 3.428 manifestantes pelas mãos das forças de segurança, mas alerta que o número real pode ser maior. Segundo a entidade, algumas estimativas indicam que “entre 5 mil e 20 mil manifestantes podem ter sido assassinados”.
De acordo com a instituição, a maioria dos mortos era formada por homens jovens, embora mulheres e menores de idade também estejam entre as vítimas.
As organizações que monitoram o número de vítimas afirmam que os esforços para determinar uma cifra precisa foram seriamente prejudicados pelo bloqueio da internet imposto pelas autoridades iranianas.
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A Netblocks, organização especializada em cibersegurança, afirma que essa obstrução das comunicações já dura mais de 300 horas.
A Fundação de Veteranos e Mártires, organização financiada pelo Estado, afirma ainda que muitos dos mortos “eram transeuntes” que morreram baleados durante os protestos.
O texto também sustenta que “alguns eram manifestantes que foram atingidos por tiros disparados por elementos terroristas organizados infiltrados na multidão”, sem apresentar provas ou detalhes.
Perfil das vítimas
Com a suspensão parcial do bloqueio da internet no país, histórias individuais começam a circular, revelando a diversidade de perfis atingidos pela repressão: profissionais liberais, artistas, trabalhadores autônomos e estudantes.
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Uma dessas vítimas é Negin Ghadimi, de 28 anos, formada em engenharia biotecnológica. Segundo relato de uma fonte próxima da família à IHR, Negin participava de uma manifestação em Tonekabon, na província de Mazandaran, quando foi baleada pelas forças de segurança.
Durante a dispersão do protesto, após o uso de gás lacrimogêneo, ela se separou do pai, que tentou convencê-la a deixar o local. “Por que deveríamos voltar? Do que você tem medo?”, teria respondido antes de ser atingida por um disparo. Ferida no lado do corpo, morreu antes de conseguir chegar a um hospital.
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Outro caso é o de Reza Eskandarpour, carpinteiro de 37 anos e dono de uma oficina em Teerã. Segundo a IHR, ele foi morto no dia 8 de janeiro, no oeste da capital, ao tentar socorrer um amigo baleado durante um protesto. Reza foi atingido por seis tiros disparados por um atirador posicionado no topo de um prédio próximo.
No enterro, realizado no cemitério Behesht Zahra, familiares entoaram slogans contra o governo. De acordo com uma fonte, agentes de segurança apagaram imagens da cerimônia dos celulares da família.
Entre as mulheres mortas, está Sara Behboodi, de 45 anos, montanhista experiente que havia escalado alguns dos principais picos do Irã. Ela morreu baleada na cidade de Rasht, uma das regiões que concentraram protestos mais intensos, segundo a IHR.
Imagens divulgadas pelo site IranWire mostram Sara sorrindo no topo do monte Kamal, no noroeste do país, dias antes de sua morte.
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Na cidade vizinha de Lahijan, Sanam Pourbabayi, professora de violino, também foi morta durante a repressão, de acordo com a ONG Hengaw, igualmente sediada na Noruega. Após sua morte, um vídeo em que ela aparece tocando violino ao lado de um guitarrista passou a circular nas redes sociais.
A ONG Hengaw afirma que ao menos 33 mulheres foram mortas desde o início das manifestações, entre elas uma mulher grávida e mães de crianças pequenas.
Apesar dos números divulgados oficialmente, entidades de direitos humanos alertam que a dimensão real da repressão pode ser significativamente maior, dificultada pelo controle estatal da informação e pelo bloqueio prolongado da internet no país.
(Com AFP)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (22), em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, que o governo está empenhado em garantir o controle de preços dos combustíveis no país. Ele defendeu que a fiscalização do poder público seja rigorosa contra reajustes abusivos. 

““Eu brigo todo santo dia para o preço da gasolina abaixar. Posso te garantir que toda semana faço uma reunião. Não tem porque aumentar o preço, o que temos é que colocar a Polícia Federal, a Agência Nacional do Petróleo na rua para fiscalizar, multar ou prender quem está aumentando sem necessidade de aumentar”, disse o presidente durante.

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O mercado de derivados de petróleo segue afetado pelos efeitos da guerra no Irã, que causa restrições no transporte de cargas no Oriente Médio, onde estão alguns dos maiores países produtores de petróleo.

Mais cedo, o Ministério do Planejamento e Orçamento informou que subvenção para a gasolina aos consumidores ficará em R$ 0,44 por litro. O valor foi definido no âmbito do programa emergencial de compensação temporária, criado na semana passada. A medida terá custo de cerca de R$ 1,2 bilhão por mês durante pelo menos dois meses.

Um outro programa do governo federal, em parceria com os estados, também já havia criado, em março, um subsídio para o diesel importado, insumo fundamental no transporte de carga.

Além disso, uma força-tarefa nacional tem atuado para conter aumentos abusivos de preços após o início da guerra no Oriente Médio, tendo fiscalizado milhares de postos e distribuidoras de combustíveis em todo o país.

Minerais críticos

Durante a entrevista, Lula foi questionado sobre as jazidas brasileiras de minerais críticos e das chamadas terras raras, que são elementos químicos encontrados no subsolo fundamentais na fabricação de componentes eletrônicos de equipamentos de alta tecnologia.

Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. Mas, segundo o presidente, apenas um terço do potencial brasileiro já foi mapeado.

“O Brasil, embora seja tratado como se fosse o segundo país do mundo em minerais críticos e terras raras, nós só conhecemos 30% do nosso território. Isso significa que temos que fazer um levantamento em 70% ainda. Eu criei um conselho nacional para tratar a questão das terras raras, e esse conselho vai ser ligado diretamente à Presidência da República, porque nós queremos tratar isso como uma questão de segurança nacional, uma coisa de Estado, é soberania nacional”, disse Lula.

“Nós não vamos mais fazer com os minerais críticos e as terras raras o que foi feito com o minério de ferro, [que] vai cavucando e vai vendendo. Nós queremos que o processo de transformação seja feito aqui no Brasil”, garantiu o presidente, que afirmou não ter veto a exploração por parte de empresas de qualquer país.

Controle das bets

Outro ponto abordado por Lula no Sem Censura foi o risco das apostas virtuais esportivas, as chamadas bets. Questionado pelo fato de ter sancionado, no fim de 2023, a lei que tributa e regula o setor, o presidente afirmou que o segmento é fundamental no mercado de futebol profissional, e que é preciso separar empresas ilegais daquelas que operam de forma regular.  

“Hoje, o futebol depende de bet. Você tem que saber qual é a bet séria e qual é a não séria”, disse Lula, dizendo que pretende fazer um controle maior relacionado à publicidade do negócio.

“Criamos uma secretaria especial no Ministério da Fazenda para cuidar das bets. Se depender da vontade do presidente da República, e vou dizer isso durante a campanha [eleitoral], eu sou favorável a acabar com todas aquelas bets que não estão prestando nenhum serviço e utilidade para o país”.

Um decreto publicado pelo governo talibã no Afeganistão atraiu a condenação das Nações Unidas e de grupos de direitos humanos por reconhecer implicitamente o casamento infantil e por corroer ainda mais os direitos das mulheres no país. O governo talibã, que impôs algumas das restrições mais severas do mundo contra mulheres e meninas desde que assumiu o poder no Afeganistão em 2021, rejeitou as acusações. O grupo que lidera o país também alega ter salvado milhares de mulheres e meninas de casamentos forçados. Eis um resumo do que diz o decreto:
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O casamento infantil parece ser implicitamente permitido
O decreto regulamenta o divórcio no Afeganistão, inclusive definindo as condições para a separação de meninas que se casaram antes da puberdade. O Artigo 5º afirma: “Ao atingir a puberdade, a menor tem a opção de dissolver o casamento” que um parente possa ter acordado em seu nome.
A puberdade geralmente ocorre entre os 8 e os 13 anos, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA. Mas Zabiullah Mujahid, porta-voz do Talibã, disse ao New York Times, em uma série de mensagens de voz, que a maioria das mulheres afegãs atingia essa fase entre os 15 e os 18 anos.
Fereshta Abbasi, pesquisadora do Afeganistão na Human Rights Watch, afirmou que o casamento infantil era legal sob governos anteriores, “mas apenas entre os 15 e os 16 anos” e com a permissão dos pais. Cerca de uma em cada três meninas afegãs se casava antes de completar 18 anos, antes da retomada do poder pelo Talibã em 2021, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Esse número tem aumentado nos últimos anos, afirmam grupos de direitos humanos, impulsionado por dificuldades econômicas, acesso limitado à Justiça para mulheres e proibição do ensino secundário e superior para meninas.
O decreto também estipula que, se uma menina não se opuser ao casamento arranjado ao atingir a puberdade, isso será considerado consentimento. Mulheres adultas — e meninos — devem consentir verbalmente.
“Ao dedicar um capítulo à separação de meninas que atingem a puberdade e são casadas, o decreto implica que o casamento infantil é permitido”, disse a missão da ONU no Afeganistão em um comunicado. “Também permite que o silêncio de uma menina ao atingir a puberdade seja interpretado como consentimento para o casamento.”
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O caminho para o divórcio para as mulheres continua sendo difícil
O decreto afirma que uma mulher pode pedir o divórcio se o marido a maltratar — semelhante ao que já era teoricamente possível. Mas o caminho para uma mulher obter o divórcio é tortuoso; os homens afegãos mantêm o direito unilateral ao divórcio.
“O decreto permite o divórcio, mas em termos muito abusivos para as mulheres: tem de passar por mediação, com o apoio da família e o consentimento do marido”, esclareceu Abbasi, que acrescentou ser praticamente impossível, na prática, uma criança pedir o divórcio.
— Como é que uma menina que esteve casada com um marido abusivo durante quatro ou cinco anos se atreveria a ir ao tribunal? — questionou. — Como é que ela teria condições para ir ao tribunal, ou como é que ela sequer saberia que pode ir ao tribunal?
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O que diz o governo talibã
Mujahid, porta-voz do governo talibã, afirmou ao Times, em mensagens de voz, que “nenhuma menina deve ser forçada a se casar por um membro da sua família”.
— Ela deve poder tomar a sua própria decisão, escolher por si própria e dar a sua própria aprovação antes de o casamento poder acontecer — declarou Mujahid.
Esse direito das mulheres afegãs adultas foi protegido por um decreto de 2021 emitido pelo líder do Talibã nos primeiros meses de seu governo. A situação, no entanto, é diferente para as meninas. Mujahid reconheceu que, na prática, os casamentos de meninas pré-púberes arranjados por um pai ou avô “ainda eram considerados válidos” — uma questão que o novo decreto resolveria, segundo ele. Citando a lei islâmica, o porta-voz do governo também defendeu o silêncio como sinal de consentimento para meninas solteiras.
— Um pedido de casamento é algo que pode deixar uma menina tímida ou constrangida, e ela pode não se sentir à vontade para dizer abertamente que aceita se casar — disse ele. — Portanto, seu silêncio é considerado consentimento.
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A proteção às mulheres está diminuindo
Grupos de direitos humanos descreveram o decreto como uma nova camada de discriminação contra mulheres e meninas. Meninas não são permitidas na escola após a sexta série, e mulheres são impedidas de exercer a maioria das profissões e frequentar espaços públicos. Elas não devem ser ouvidas em público e, muitas vezes, precisam estar acompanhadas por um homem ao sair de casa, de acordo com outros decretos emitidos pelo Talibã.
“A exclusão das mulheres é vista como normal — ou inevitável”, afirmou a ONU Mulheres, organização que trabalha pela igualdade de gênero, no ano passado, descrevendo as restrições como “um pilar fundamental da governança do Talibã”.
Um código penal publicado este ano estabelece que um marido que “agride gravemente” sua esposa pode ser condenado a 15 dias de prisão. Em comparação, uma pessoa considerada culpada de ferir alguém em geral pode ser condenada a seis meses.
De acordo com as Nações Unidas, as mulheres afegãs têm quatro vezes menos probabilidade de recorrer à Justiça do que os homens devido à falta de advogadas, que são excluídas dos tribunais, e à perda de serviços e instituições de justiça voltados para as mulheres.
Um juiz federal rejeitou acusações contra o salvadorenho Kilmar Abrego Garcia, que se tornou um dos conhecidos personagens da política migratória do governo de Donald Trump após ser deportado erroneamente para El Salvador. O Departamento de Justiça alegava que Garcia fazia parte de uma rede de tráfico humano, mas o magistrado disse que os promotores agiram por vingança.
“As provas apresentadas a este Tribunal refletem, lamentavelmente, um abuso do poder de acusação”, escreveu o juiz Waverly Crenshaw Jr, em uma decisão de 32 páginas repleta de referências em tom negativo aos promotores federais.
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Em março do ano passado, em meio a voos que transportavam imigrantes detidos pelas autoridades migratórias americanas para uma prisão de segurança máxima em El Salvador, surgiram detalhes sobre a deportação de Abrego, contrariando decisões judiciais que garantiam sua permanência nos Estados Unidos. O governo Trump reconheceu o “erro”, mas se recusava a repatriar o salvadorenho — o republicano chegou a associá-lo a uma das gangues armadas do país, sem provas. O caso se tornou um símbolo da ofensiva migratória de Donald Trump, e foi citado por ativistas como um exemplo da arbitrariedade das autoridades federais.
Semanas depois, um tribunal do estado de Maryland determinou que as autoridades viabilizassem o retorno do homem o mais rápido possível. Segundo o juiz Crenshaw, a reabertura de um processo antigo contra Abrego, ligado ao transporte de dois imigrantes em situação irregular, em 2022, só ocorreu por causa dessa decisão judicial. Depois de voltar, em junho, Abrego foi preso, ameaçado de deportação para outro país e libertado em dezembro. Ele ainda luta para permanecer nos EUA.
“O que o governo classifica como ‘novas provas’ não era novo do ponto de vista jurídico. A boa-fé subjetiva do promotor não elimina a mácula da retaliação”, afirma a decisão.
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A sentença dedicou mais algumas palavras duras à acusação.
“O então secretário de Justiça Robert H. Jackson alertou seus colegas promotores, há muito tempo, sobre o perigo de escolher primeiro a pessoa e depois o crime.‘Aí reside o poder mais perigoso do promotor: escolher pessoas que ele acha que deve prender, em vez de escolher casos que precisam ser processados’”, declara o magistrado. “Essa é a situação aqui.”
O Departamento de Justiça, que nos EUA acumula poderes similares aos de um procurador-geral, disse que vai recorrer da sentença, chamada de “errada e perigosa”.
— Mais um juiz ativista colocou a política acima da segurança pública — afirmou um porta-voz.
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Já o advogado de Garcia, Sean Hecker, saudou o que chamou de “Judiciário independente”.
— Kilmar Abrego Garcia é vítima de uma Casa Branca politizada e vingativa e de seus advogados no que antes era um Departamento de Justiça independente — declarou. — Estamos muito satisfeitos por ele ser um homem livre, e com toda a justiça.
Inspirado pelo movimento de uma tartaruga-mordedora observada durante um acampamento, o estudante canadense Evan Budz, de 15 anos, desenvolveu uma tartaruga robótica equipada com inteligência artificial (IA) para monitorar ameaças ambientais em ecossistemas aquáticos sem causar impactos à vida marinha. Antes disso, o olhar se direcionou para o meio-ambiente a partir de um desafio feito por seus pais, de deixar os lugares que visitava um pouco melhores.
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A tecnologia se tornou aliada para buscar soluções para o meio-ambiente. Além de pensar em como poderia contribuir, as características do animal e do ecossistema em que vive foram fonte de inspiração para o adolescente, que vive na cidade de Burlington, no sudeste do Canadá.
O projeto recebeu o nome de BURT, sigla para “Bionic Underwater Robotic Turtle” (“Tartaruga Robótica Subaquática Biônica”, em português). E foi pensado a partir do interesse do adolescente por biomimética — área que busca soluções tecnológicas inspiradas na natureza.
Ao perceber a forma silenciosa e suave com que a tartaruga se locomovia na água, Evan decidiu criar um robô capaz de reproduzir esses movimentos sem perturbar ambientes subaquáticos, diferentemente de drones submarinos tradicionais, por exemplo, que costumam produzir ruído e correntes de água intensas.
— Quando vi a tartaruga-mordedora, ela era tão graciosa, fluida e geralmente não atrapalhava o ambiente — disse Evan em entrevista ao site Popular Science. — Achei que seria muito interessante tentar replicar a cinemática natural da natação em um robô — complementou a respeito do estudo sobre o movimento do animal.
BURT, a tartaruga robótica equipada com IA criada por Evan Budz para monitorar ameaças ambientais em ecossistemas aquáticos
Evan Budz / Divulgação
Como BURT funciona
O equipamento possui quatro nadadeiras que imitam a anatomia de tartarugas marinhas reais: as dianteiras são responsáveis pela propulsão, enquanto as traseiras auxiliam na estabilidade e direção. O corpo é formado por um tubo acrílico que abriga os componentes eletrônicos, incluindo um microcomputador Raspberry Pi responsável pelo processamento dos modelos de inteligência artificial.
O projeto não só imita o design da tartaruga-mordedora, mas o funcionamento de seu corpo e de sua locomoção. Além de assistir a vídeos sobre tartarugas-marinhas, ele conversou com especialistas do aquário local em sua cidade. Em seguida, foi criado o design 3D, que depois ganhou forma por meio das peças, e foi desenvolvido o software.
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Além de câmera frontal e GPS para navegação, a BURT utiliza sensores capazes de detectar microplásticos, espécies invasoras e sinais de branqueamento de corais. Segundo os testes realizados pelo adolescente, a tartaruga robótica alcançou 96% de precisão na identificação de corais artificialmente branqueados. Recentemente, o projeto também passou a incorporar uma rede neural e um sistema holográfico voltado à identificação de microplásticos na água.
Outro diferencial do dispositivo é a autonomia operacional. A bateria permite até oito horas contínuas de funcionamento, podendo ter a duração ampliada com auxílio de um painel solar. O robô também foi projetado para operar na mesma velocidade de uma tartaruga real, cerca de 0,8 km/h, favorecendo uma navegação menos invasiva em recifes de coral e habitats sensíveis.
— Se eu quiser que ele nade mais rápido, posso simplesmente mudar a frequência de oscilação da nadadeira — disse Evan em entrevista ao site Popular Science.
A criação de Evan Budz já conquistou reconhecimento internacional. O adolescente venceu a Canada-Wide Science Fair, uma das principais competições científicas do Canadá, que reuniu cerca de 25 mil participantes, e também ficou em primeiro lugar no Concurso para Jovens Cientistas da União Europeia, realizado na Letônia em 2025.
Os primeiros testes da BURT aconteceram na piscina dos avós do estudante e também no Lago Ontário, próximo à cidade de Burlington, onde ele vive. Agora, a expectativa é expandir o uso da tecnologia para regiões oceânicas mais profundas e turvas. A proposta futura é utilizar frotas de tartarugas robóticas para monitorar ameaças ambientais em larga escala, ampliando a vigilância ecológica de forma não invasiva.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que vetará o projeto de lei da minirreforma eleitoral, aprovado pela Câmara dos Deputados, que muda a prestação de contas dos partidos, flexibiliza regras de controle e autoriza o envio de mensagens em massa a eleitores previamente cadastrados.

A declaração foi dada nesta sexta-feira (22), ao vivo, durante entrevista na edição especial do programa Sem Censura, apresentado por Cissa Guimarães, na TV Brasil, veículo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

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Lula destacou os impactos do uso da inteligência artificial nas eleições, que o presidente considera um risco para a democracia.  

“Acho que está na hora de a gente pensar que a inteligência artificial vale para muita coisa, mas ela não pode valer na disputa eleitoral para escolher um prefeito, um governador, um deputado. Não pode. E, agora, as bancadas aprovaram [na Câmara] uma coisa que vai fomentar o uso de robôs na eleição. Eu certamente vetarei. Primeiro, vou trabalhar para o Senado não aprovar, e depois eu vetarei”, afirmou.

A minirreforma eleitoral foi aprovada na última terça-feira (19), em rápida votação simbólica e sem registro em painel, e tem recebido críticas de diversas entidades da sociedade civil.

No ponto destacado por Lula, o texto do projeto permite o envio de mensagens automatizadas a eleitores previamente cadastrados. Esse envio não será considerado irregular quando direcionado ao público cadastrado.

Para críticos da medida, essa flexibilização pode ampliar o uso de ferramentas digitais com menor controle, especialmente em relação à disseminação de conteúdo em massa.

Lula também criticou o fato de parlamentares e partidos concentrarem vultosos recursos públicos, por meio de fundos eleitorais e partidários, além de emendas.  

“Eu era favorável a fundo partidário, a fundo eleitoral, hoje eu sou contra, porque levou à promiscuidade na política. Um deputado hoje tem R$ 50 milhões, R$ 60 milhões de emendas por ano”.

Violência política

Questionado pela apresentadora Cissa Guimarães sobre a diferença do mundo político atual em relação aos seus dois mandatos anteriores, Lula falou sobre como o extremismo, em sua visão, tem impactado o ambiente político, não apenas no Brasil.

“O mundo tá diferente, nervoso, polarizado. Não é [só] no Brasil. Nos EUA, democratas e republicanos, há 20 anos atrás, viviam como se fossem parceiros, só tinha disputa na época eleitoral. Hoje, 90% dos republicanos não aceitam que a filha se case com um democrata”, disse o presidente, que pregou a necessidade de se repensar a interferência dos algoritmos de redes sociais na organização do sistema social.

“Eu não quero perder o humanismo que tem dentro do ser humano, porque estamos sendo vítimas dos algoritmos”.

A entrevista exclusiva de Lula ao Sem Censura também conta com a participação da influenciadora digital Nath Finanças, da jornalista Luciana Barreto, âncora e editora-chefe do telejornal Repórter Brasil Tarde, e do também influenciador Muka, produtor de conteúdo nas redes e um dos apresentadores do vespertino.

Estrangeiros que solicitarem residência permanente nos Estados Unidos agora terão de retornar a seus países de origem para pedir o Green Card, anunciou nesta sexta-feira o Serviço de Cidadania e Imigração do país (USCIS). Para solicitar a residência permanente de dentro dos EUA, os estrangeiros precisarão provar que têm “circunstâncias extraordinárias”. Do contrário, correm o risco de ter o pedido negado.
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A maioria terá de ir ao exterior para solicitar um consulado americano, onde poderá perder o status legal que tinha nos EUA e ficar impedido de retornar. Na prática, a mudança representa uma transformação na forma como o sistema migratório funcionará e afetará tanto imigrantes em situação irregular quanto profissionais estrangeiros patrocinados por empresas.
Serão afetados especialmente os milhões de imigrantes que obtêm status legal ao se casar com um cidadão americano ou ao serem patrocinados por filhos americanos com mais de 21 anos — uma “brecha” que o governo do presidente Donald Trump já mirou anteriormente. No início do ano, a administração tentou acabar totalmente com o direito à cidadania por nascimento, medida cuja legalidade será analisada pela Suprema Corte no próximo mês.
— A principal motivação política do governo parece ser ter uma solução caso o processo sobre cidadania por nascimento não tenha o desfecho que eles desejam — disse Leon Fresco, ex-funcionário de imigração do Departamento de Justiça no governo Obama.
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Agora, se um imigrante sem status legal deixar o país, poderá enfrentar desde uma proibição de retorno de três anos até uma proibição vitalícia. O governo também trabalha em uma política conhecida como “public charge rule”, que permitiria a agentes negar pedidos de candidatos que, na avaliação deles, possam um dia depender de assistência social, seja por não terem educação ou patrimônio suficientes. Agentes consulares também foram orientados a analisar publicações de candidatos nas redes sociais em busca de posições anti-Israel ou outras opiniões consideradas contrárias aos chamados “valores americanos”.
“Daqui para frente, um estrangeiro que esteja temporariamente nos EUA e queira um Green Card terá de retornar ao seu país de origem para fazer o pedido”, afirmou o porta-voz do USCIS, Zach Kahler, em nota. “Quando estrangeiros fazem o pedido a partir de seus países de origem, reduz-se a necessidade de localizar e deportar aqueles que decidem entrar na clandestinidade e permanecer ilegalmente nos EUA após terem a residência negada.”
O comunicado afirma ainda que aqueles que entram nos Estados Unidos com vistos de não imigrante — incluindo estudantes, trabalhadores temporários e turistas — devem permanecer no país por um curto período e com um propósito específico. Segundo o texto, o sistema foi concebido “para que eles deixem o país quando a visita terminar”, de modo que “a estadia deles não deve funcionar como o primeiro passo do processo de Green Card”:
“Seguir a lei permite que a maioria desses casos seja tratada pelo Departamento de Estado em consulados americanos no exterior e libera os limitados recursos do USCIS para se concentrar no processamento de outros casos sob sua responsabilidade, incluindo vistos para vítimas de crimes violentos e tráfico humano, pedidos de naturalização e outras prioridades”, acrescentou, definindo o novo processo como “justo e eficiente”.
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Por sua vez, a HIAS, organização de ajuda que presta serviços a refugiados, entre outros grupos de imigrantes, afirmou que o USCIS está forçando sobreviventes de tráfico humano e crianças vítimas de abuso e negligência a retornarem aos países perigosos dos quais fugiram para processar seus pedidos de green card que lhes concederia residência permanente nos EUA. À ABC News, a advogada de imigração Rosanna Berardi citou alguns casos:
— Afegãos que ajudaram as forças americanas e ucranianos fugindo da guerra enfrentam uma armadilha específica: o memorando trata a escolha deles de solicitar um green card dentro dos EUA como um fator negativo, porque sua admissão foi temporária — disse. — Muitos não têm para onde retornar em segurança.
O advogado Todd Pomerleau afirmou que não é permitido, “com um golpe de caneta, derrubar uma lei”. Segundo ele, a nova medida anunciada é “ilegal e será barrada rapidamente nos tribunais”. Shev Dalal-Dheini, diretora de relações governamentais da American Immigration Lawyers Association, disse à ABC News que o Congresso criou o modelo de ajuste de status dentro dos EUA para evitar a separação de famílias e garantir que empresas americanas possam manter funcionários durante atrasos nos vistos.
— Desde os anos 1950, o Congresso permite especificamente que não imigrantes ajustem seu status nos EUA para o de portador de Green Card e, ao longo dos anos, expandiu lentamente essa classe elegível — disse. — O arcabouço legal está bastante consolidado e existe há muitas décadas. Esse governo diz que vai perseguir criminosos, mas, ao mesmo tempo, está desmontando o processo para pessoas que tentam seguir a lei.
(Com Bloomberg)
A Península Ibérica pode estar girando lentamente no sentido horário devido às tensões tectônicas geradas pela convergência entre a África e a Eurásia. Essa é uma das conclusões de um estudo publicado na revista Gondwana Research, que reconstruiu com alta resolução como as forças tectônicas estão distribuídas atualmente entre a Península Ibérica e o noroeste da África.
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‘Torção’ magnética: Cientistas encontram estrutura gigante oculta que ajuda a manter Via Láctea unida
A pesquisa analisou terremotos e movimentos da superfície terrestre em escala milimétrica medidos por satélites para entender como diferentes blocos de crosta continental e oceânica interagem no Mediterrâneo Ocidental.
Segundo os autores, a convergência entre a Eurásia e a África ocorre obliquamente em relação à margem sudoeste da Península Ibérica. Essa configuração, combinada com a estrutura geológica da região, poderia favorecer uma rotação no sentido horário da Península Ibérica.
O estudo explica que a região funciona como um sistema tectônico complexo, onde fragmentos da crosta terrestre com diferentes idades e características interagem. Para compreender essa dinâmica, os pesquisadores combinaram dois tipos de informação.
Por um lado, estudaram os mecanismos focais de terremotos, que permitem identificar como a rocha se fraturou durante um terremoto e qual o tipo de tensão atuante em profundidade.
Por outro lado, utilizaram dados GNSS, sistemas de posicionamento por satélite semelhantes ao GPS, capazes de medir deslocamentos extremamente pequenos na superfície da Terra.
Mapa mundi
Pexels
Com esses dados, criaram mapas de tensão tectônica e deformação da superfície com uma resolução mais detalhada do que a disponível anteriormente.
A pesquisa dividiu a região em quatro setores tectônicos principais: Atlântico, Gibraltar, Alborão e Argelino-Balearico. Cada um responde de forma diferente à pressão entre a África e a Eurásia.
No setor Atlântico, as tensões tectônicas são transmitidas mais diretamente entre as duas placas. Mais a leste, parte dessa energia é absorvida em áreas onde a crosta terrestre é mais fina, especialmente no Mar de Alborão e ao longo das margens continentais do Arco de Gibraltar e da Cordilheira de Tell.
Os pesquisadores também identificaram atividade tectônica em regiões interiores distantes dos principais limites das placas tectônicas.
Embora essas áreas apresentem baixas taxas de deformação horizontal, elas continuam a registrar atividade associada à compressão regional e a processos geodinâmicos ligados ao estresse vertical.
O estudo também revisa a evolução tectônica da região, desde a fragmentação da Pangeia e a abertura do Oceano Atlântico até a formação de estruturas como os Pirenéus, as Montanhas Atlas e o Arco de Gibraltar.
Atualmente, a convergência entre a Eurásia e a África continua a deformar o Mediterrâneo Ocidental por meio de compressão, deslocamento lateral e atividade sísmica.
Os autores concluem que a combinação de dados sísmicos e geodésicos permite uma melhor compreensão de como as tensões tectônicas estão distribuídas hoje em regiões onde múltiplos blocos crustais interagem.
Em mais um episódio de tensão política em La Paz, milhares de trabalhadores marcham nesta sexta-feira na capital política da Bolívia para exigir a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz. Com apenas seis meses no poder, o líder enfrenta pressão social, principalmente de povos indígenas, agricultores e mineiros, que mantêm bloqueios de estradas há três semanas, em meio à pior crise econômica do país em quatro décadas.
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— Que renuncie, caralho! — grita a multidão de camponeses, operários, mineiros, transportadores e professores que paralisa as ruas da capital, provocando escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos.
Vestidos com capacetes ou ponchos, os manifestantes, muitos deles carregando bandeiras indígenas, avançam em direção ao centro da cidade em meio ao barulho de rojões. Os acessos à praça de armas, em frente ao palácio do governo, estão protegidos por grades e vigiados por centenas de policiais de choque. Muitos comércios fecharam as portas, e vendedores ambulantes recolheram suas mercadorias por medo de saques.
— Seis meses de governo e ele não conseguiu resolver o básico, os preços da cesta básica. Temos que escolher entre comprar carne ou comprar leite — disse à AFP Melina Apaza, de 50 anos, da região mineradora de Oruro, no sul do país.
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Em meio à convulsão social, o governo anunciou nesta semana que reorganizaria seu Gabinete com funcionários com “capacidade de escuta”. Na primeira mudança, nomeou um novo ministro do Trabalho. Ao assumir o cargo, Williams Bascopé prometeu abrir canais de diálogo com os manifestantes, afirmando que vai conversar com “todos os líderes que, de forma aberta e sincera, apresentarem propostas que sejam obviamente razoáveis”.
— Precisamos nos sentar e ouvir como podemos colaborar e onde falhamos, sempre colocando os interesses do país e de seus cidadãos em primeiro lugar. Não precisamos de arrogância, precisamos de humildade e sinceridade — disse, ressaltando que, embora o direito de protesto seja respeitado, ele “tem várias condições”. — Precisamos aprimorar essa prática. Precisamos sentar e conversar; não podemos nos ferir mutuamente.
O tom foi semelhante ao adotado por Rodrigo Paz, que, na quarta-feira, disse que não dialogaria com “vândalos”, mas que manteria as “portas abertas” para “aqueles que respeitam a democracia”. No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores do país, Fernando Aramayo, denunciou os grupos que participam dos protestos por buscarem enfraquecer o governo e alterar a “ordem democrática e constitucional”. Bascopé substitui o ex-ministro Edgar Morales, que apresentou sua renúncia para “pacificar o país”.
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As reivindicações iniciais por aumentos salariais, combustíveis de qualidade e estabilização da economia se radicalizaram com o passar dos dias. Agora, os manifestantes pedem a saída do presidente, que pôs fim a 20 anos de governos socialistas liderados por Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce. O governo, por sua vez, alega que os protestos são orquestrados por Morales, um foragido da justiça por um caso de suposto tráfico de crianças.
Cerca de 50 bloqueios foram registrados nas estradas do país nesta sexta-feira, segundo dados oficiais. O governo informou que quatro pessoas morreram por não conseguirem chegar a tempo a centros médicos. Nos últimos dias, o governo foi obrigado a implantar uma ponte aérea, com voos de Santa Cruz (leste) e Cochabamba (centro) para abastecer a cidade com carnes e vegetais. Também anunciou um futuro “corredor humanitário” nas estradas.
A Bolívia atravessa sua pior crise econômica desde a década de 1980. O país esgotou suas reservas em dólares para sustentar uma política de subsídios aos combustíveis, que o presidente Paz eliminou em dezembro, e sua inflação anual atingiu 14% em abril.
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Em meio à tensão, o Ministério das Relações Exteriores anunciou na quarta-feira a expulsão da embaixadora colombiana, Elizabeth García, por considerar que o presidente Gustavo Petro se envolveu em “interferência direta” nos assuntos da Bolívia. Petro descreveu os protestos como uma “insurreição popular” e, à rede colombiana Caracol Radio, reagindo à expulsão da embaixadora, afirmou que a Bolívia está “caminhando rumo ao extremismo”.
— A Bolívia, como está neste momento, merece se abrir para um grande diálogo nacional (…), ou a consequência poderá ser um massacre da população — acrescentou o presidente colombiano.
Na terça-feira, o governo Paz, um novo aliado do presidente Donald Trump, recebeu apoio público dos Estados Unidos. O subsecretário de Estado Christopher Landau expressou sua solidariedade, afirmando que a Bolívia está enfrentando um “golpe de Estado”. Em março, os EUA anunciaram o Escudo das Américas, uma aliança de segurança com 17 países da região, incluindo a Bolívia, para enfrentar o crime organizado.
A ascensão de Paz ao poder pôs fim a 20 anos de administrações socialistas lideradas por Morales e Luis Arce (2020-2025).
A chefe da inteligência dos EUA, Tulsi Gabbard, anunciou sua renúncia nesta sexta-feira, encerrando o mandato de uma figura controversa de longa data que parecia estar em desacordo com o presidente Donald Trump sobre a guerra com o Irã. Em uma carta a Trump publicada no X, Gabbard afirmou que estava renunciando ao cargo de Diretora de Inteligência Nacional para cuidar do marido, após ele ter sido diagnosticado com uma “forma extremamente rara de câncer ósseo”. Fontes ouvidas pela agência Reuters, no entanto, afirmaram que a Casa Branca forçou a sua renúncia.
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“Infelizmente, devo apresentar minha renúncia, com efeito a partir de 30 de junho de 2026”, escreveu ela em uma carta a Trump. “Meu marido, Abraham, foi recentemente diagnosticado com uma forma extremamente rara de câncer ósseo. Ele enfrentará grandes desafios nas próximas semanas e meses. Neste momento, preciso me afastar do serviço público para estar ao seu lado e apoiá-lo integralmente nesta batalha. Não posso, em sã consciência, pedir a ele que enfrente essa luta sozinho enquanto continuo nesta posição exigente e que consome muito do meu tempo.”
Trump, por sua vez, elogiou Gabbard em uma mensagem na sua rede social, Truth Social. “Tulsi fez um trabalho incrível e sentiremos saudades dela”, disse o republicano, acrescentando que seu vice, Aaron Lukas, assumiria como diretor interino.
Como diretora de Inteligência Nacional, Gabbard comandava todas as agências que compõem a Comunidade de Inteligência dos EUA: a CIA (Agência Central de Inteligência), a NSA (Agência de Segurança Nacional) e o FBI (Departamento Federal de Investigação), entre outros órgãos.
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Gabbard é a mais recente integrante do Gabinete de Trump a deixar o cargo, após as demissões de Kristi Noem, secretária de Segurança Interna, e Pam Bondi, secretária de Justiça. Sua renúncia já era aventada por alguns funcionários da Casa Branca nas últimas semanas, embora ela negasse os rumores.
Ela raramente era vista presente quando Trump tomava decisões importantes em matéria de segurança nacional e era amplamente considerada, tanto dentro do governo quanto por parlamentares no Congresso, como uma integrante não essencial da equipe de segurança nacional do presidente.
Divergências sobre a guerra
Seu mandato como chefe da inteligência americana foi marcado por desavenças com Trump, particularmente sobre a guerra dos EUA com o Irã. Segundo relatos, ela não estava presente na sala quando Trump se reuniu com seus principais assessores imediatamente antes do lançamento dos ataques conjuntos EUA-Israel contra o país, em 28 de fevereiro.
Após o início da guerra, ela repetidamente contradisse ou deixou de apoiar integralmente as justificativas apresentadas pelo governo Trump para o lançamento da guerra. Ela se recusou repetidamente a endossar a alegação de Trump de que o Irã representava uma ameaça iminente, uma avaliação que o governo usou para justificar os ataques. Em depoimento ao Congresso, ela enfatizou que a decisão era “responsabilidade do presidente”.
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Mas antes mesmo da guerra, o presidente já havia insinuado em vários episódios suas divergências com Gabbard, afirmando, em uma ocasião, que ela era “mais branda” do que ele na questão de conter as ambições nucleares de Teerã.
— Não me importo com o que ela disse — respondeu Trump sobre declarações divergentes de Gabbard em março do ano passado, que iam contra as alegações de Israel de que o Irã estava correndo para desenvolver uma bomba. — Acho que eles estiveram muito perto de concretizar isso.
Escolha controversa
Ex-democrata, Gabbard foi uma escolha surpreendente para liderar o gigantesco aparato de espionagem dos EUA, dado seu histórico de questionamento de informações de inteligência e oposição às intervenções militares americanas no exterior.
Ainda como congressista, Gabbard já expressava oposição a uma guerra contra o Irã. Ela foi questionada sobre seu encontro em 2017 com o então líder sírio Bashar al-Assad, agora deposto, e sobre a disseminação de propaganda do Kremlin, particularmente teorias da conspiração falsas sobre a guerra na Ucrânia.
Ela também era vista com suspeita por alguns devido às suas opiniões sobre a vigilância do governo dos EUA e seu apoio a Edward Snowden, que vazou informações da NSA e foi considerado por ambos os lados do Congresso como alguém que colocou em risco a segurança dos americanos.
Com New York Times e AFP.
Um voo da United Airlines precisou fazer um pouso de emergência nos Estados Unidos após um passageiro tentar abrir uma das portas da aeronave durante o trajeto, segundo autoridades americanas. O caso aconteceu na quinta-feira, em um voo que partiu de Newark, em Nova Jersey, com destino à Cidade da Guatemala.
De acordo com registros de comunicação com a torre de controle, o passageiro tentou abrir a porta “2L” do avião enquanto a aeronave voava a cerca de 36 mil pés — aproximadamente 11 mil metros de altitude. Ainda segundo o relato, ele também teria agredido outro viajante durante a confusão a bordo.
O voo 1551, operado em um Boeing 737 MAX 8, transportava 145 passageiros e seis tripulantes. O piloto desviou a rota e pousou no Aeroporto Internacional Washington Dulles, na Virgínia. Policiais aguardavam a aeronave no local e retiraram o suspeito após o desembarque. Não houve registro de feridos.
Em nota, a United informou que o voo foi cancelado após o incidente e que os passageiros receberam hospedagem e foram realocados em outra aeronave na manhã seguinte.
O episódio ocorre semanas após outro incidente envolvendo um voo da companhia. No início de maio, um passageiro foi acusado de tentar invadir a cabine de comando e agredir um comissário durante um voo da United nos Estados Unidos.

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