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Mais de um mês depois de lançar, ao lado de Israel, a guerra contra o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, se vê sem respaldo ao exigir o apoio dos países da Otan, a principal aliança militar do Ocidente, nos bombardeios contra Teerã e em uma força-tarefa para reabrir o Estreito de Ormuz. Em uma série de queixas públicas, chamou seus aliados de “covardes”, os mandou “buscarem o próprio petróleo” e, reciclando uma velha ameaça, disse que considera sair da organização, liderada pelos próprios EUA.
— Nunca me deixei influenciar pela Otan. Sempre soube que eles eram um tigre de papel, e [o presidente da Rússia, Vladimir] Putin também sabe disso — afirmou Trump, em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, publicada nesta quarta-feira.
Insatisfação: ‘Não precisamos da ajuda de ninguém’, diz Trump após aliados da Otan negarem envio de navios de guerra ao estreito de Ormuz
Após pressão de Trump: Alemanha diz que guerra contra o Irã ‘não tem nada a ver com a Otan’
Apesar de poucos países criticarem abertamente a ofensiva no Oriente Médio — a Espanha foi uma rara exceção — e de todos atacarem as retaliações iranianas, ninguém se voluntariou para bombardear Teerã. Nações como a Itália negaram o acesso de aeronaves envolvidas na “Operação Fúria Épica” às suas bases, e a proposta de uma força-tarefa naval para Ormuz, como quer Trump, segue no campo das ideias. Revoltado, o republicano disse, na terça-feira, que os britânicos “deveriam buscar o próprio petróleo” no Golfo Pérsico.
— Eles não foram nossos amigos quando precisamos deles — disse Trump, em entrevista à agência Reuters, nesta quarta-feira. — Nunca pedimos muito a eles, é uma via de mão única.
Sede da Otan em Bruxelas
Simon Wohlfahrt / AFP
O desdém de Trump à Otan não é novo. Em 2018, em seu primeiro mandato, dizia não ver mais sentido na organização, e se queixava do que considerava ser um desequilíbrio nos gastos militares, no qual os EUA seriam os maiores prejudicados. Na ocasião, membros do governo o demoveram da ideia.
“Os países da Otan devem pagar MAIS, os Estados Unidos devem pagar MENOS. Muito injusto!”, escreveu Trump em 2018 na rede social X, então Twitter, chamando seus aliados de “inadimplentes” e a aliança de “obsoleta”.
Medida ‘temporária’: Otan afirma que sua missão no Iraque foi transferida para a Europa enquanto a guerra com o Irã se intensifica
Em seu retorno à Casa Branca, em 2025, mencionou os bilhões gastos pelos EUA para apoiar a Ucrânia contra a Rússia como pretexto para exigir maiores compromissos financeiros. Empoderado pela vitória nas urnas e diante de uma Europa fragilizada, obteve o compromisso quase unânime dos membros de elevar de 2% para 5% do PIB os investimentos em Defesa. Em uma reunião de cúpula, no ano passado, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, defensor do republicano, o chamou de “papai”. Trump não se incomodou.
— [Rutte] gosta de mim. Acho que ele gosta de mim. Se não gostar, eu te aviso. Volto e bato nele com força, tá bom? Ele disse isso de um jeito bem carinhoso: “Papai, você é meu papai” — afirmou o republicano em entrevista coletiva, ao ser perguntado se considerava os demais países da aliança como seus filhos.
Análise: Ao usar Groenlândia como arma de guerra comercial, Trump força a Europa a avaliar até onde pode reagir
Mas ao contrário da ameaça de saída de 2018, baseada no dinheiro, hoje o republicano parece guiado pela visão de que está sendo injustiçado. Ele com frequência cita o apoio dado à Ucrânia (que sofreu mudanças desde sua posse), a presença americana em solo europeu, incluindo os mísseis nucleares no continente, e os investimentos militares na região. Em janeiro, em meio às ameaças de anexar a Groenlândia, disse que “fez mais pela Otan do que qualquer outra pessoa desde a sua fundação, e a Otan deveria fazer algo pelos Estados Unidos”. A guerra contra o Irã, quando seus apelos por apoio militar não foram atendidos, foi uma nova gota d’água.
— Se a Otan se resume a defendermos a Europa de ataques, mas eles nos negam o direito de usar nossas bases quando precisamos delas, então não é um bom acordo — afirmou, em entrevista à rede al-Jazeera, o secretário de Estado, Marco Rubio. — Tudo isso terá que ser reexaminado.
Antes de discurso: Trump alega que ‘novo presidente’ do Irã pediu cessar-fogo, mas chanceler iraniano nega
Nos seus dois caóticos mandatos, Trump retirou os EUA de acordos cruciais — como o JCPOA, que estabelecia regras para o programa nuclear iraniano —, organizações internacionais — como a Organização Mundial da Saúde (OMS) — e promoveu mudanças controversas na máquina federal, especialmente ligadas à educação e a programas de ajuda externa. Mas afastar os EUA de uma organização criada na Guerra Fria e que é principal pilar defensivo da Europa e América do Norte é mais complexo e certamente envolverá batalhas políticas e judiciais.
Em julho de 2023, o senador democrata Tim Kaine e o então senador republicano Marco Rubio apresentaram um projeto exigindo que uma decisão presidencial de deixar a aliança fosse respaldada por dois terços do Senado, ou por um ato do Congresso, para ser válida. O texto está em vigor desde 2024, mas analistas afirmam que Trump pode passar por cima do Legislativo, alegando ter a palavra final sobre política externa.
— Não se trata de uma questão simples, o Congresso está dizendo que eles não podem fazer isso, e se ignorarem o Congresso, terão que enfrentar os tribunais — afirmou ao portal Politico, em novembro de 2024, Scott Anderson, pesquisador do centro de estudo Brookings, acrescentando que, em sua opinião, a legislação tem algumas brechas. — Mas é um terreno jurídico muito controverso e não está 100% claro.
Congresso dos EUA, em Washington
Kevin Dietsch/Getty Images/AFP
Jamais o Congresso acionou a Justiça para contestar a decisão de um presidente de abandonar uma organização internacional ou um tratado, e não está claro como isso aconteceria.
— Para que a questão seja levada à Justiça, seria necessário que alguém tivesse legitimidade para processar — disse o professor Curtis Bradley, da Faculdade de Direito da Universidade de Chicago, ao Politico — A única parte que consigo imaginar que teria legitimidade seria o próprio Congresso, mas não está claro se os republicanos apoiariam tal ação.
Com Rússia e China no radar: Otan lança operação para reforçar segurança no Ártico
Mesmo que consiga o apoio do Legislativo ou dos tribunais, o processo não é imediato. Pelo Artigo 13 do Tratado do Atlântico Norte, que rege a organização, o interessado em deixar a aliança deve enviar uma comunicação legal aos Estados Unidos — Estado depositário do acordo — e esperar um ano até a confirmação. Mesmo que não se concretize, a insistência do presidente é um sinal de que o modelo de compromisso mútuo de defesa, cravado no Artigo 5, já não é mais o mesmo.
— O presidente dos Estados Unidos não pode se retirar da Otan. Dito isso, o presidente pode envenenar a aliança. O presidente pode torná-la funcionalmente inoperante se quiser — disse à rede ABC o senador republicano Thom Tillis, em fevereiro. — Seria difícil encontrar um motivo, porque isso acarreta um risco enorme. Vidas americanas foram salvas pela aliança da Otan, e muitas vidas americanas serão perdidas sem ela.

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O Ministério da Saúde do Líbano informou que um ataque israelense à cidade de Saksakiyeh, no sul do país, matou pelo menos sete pessoas, incluindo uma menina, no mais recente ataque durante o cessar-fogo da guerra entre Israel e Hezbollah.
Operação inédita: Chefe da OMS desembarca na Espanha para acompanhar chegada de cruzeiro com hantavírus às Ilhas Canárias
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Em comunicado, o ministério afirmou que “o bombardeio do inimigo israelense à cidade de Saksakiyeh, no distrito de Sidon, resultou em um balanço preliminar de sete mártires, incluindo uma menina, e 15 feridos, entre eles três crianças”.
Matéria em atualização.
O Reino Unido anunciou neste sábado que vai deslocar para o Oriente Médio o destróier HMS Dragon, atualmente no Mediterrâneo, em preparação para uma futura missão internacional de proteção ao transporte marítimo no Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais estratégicas do planeta.
Segundo o Ministério britânico da Defesa, a decisão faz parte de um esforço de “planejamento rigoroso” para que o país esteja pronto “para garantir a segurança do estreito, quando as condições permitirem”, no âmbito de uma coalizão internacional co-liderada com a França.
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A movimentação amplia a resposta ocidental à instabilidade no Golfo Pérsico, em um momento em que o Estreito de Ormuz se tornou um dos principais focos de tensão geopolítica após o conflito iniciado em 28 de fevereiro com bombardeios israelense-americanos contra o Irã — ofensiva interrompida por uma trégua que entrou em vigor em 8 de abril.
Rota vital para energia global
Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passavam pelo Estreito de Ormuz, corredor marítimo estreito, mas crucial, entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico.
A quase interrupção do tráfego na região provocou impacto global: problemas no abastecimento de combustíveis na Ásia, pressão operacional sobre companhias aéreas e aceleração da inflação na Europa.
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O novo cenário agravou o embate entre Teerã e Washington.
O Irã passou a defender a cobrança de taxas para embarcações que cruzem o estreito — proposta rejeitada pelos Estados Unidos, que alegam defender a liberdade de navegação em águas internacionais.
Além disso, a república islâmica bombardeou embarcações na região em resposta à ofensiva israelense-americana.
Mesmo ferido e isolado: líder supremo do Irã influencia estratégia da guerra e negociações com EUA, diz CNN
Do outro lado, Washington endureceu sua pressão ao impor, desde 13 de abril, um bloqueio naval aos portos iranianos com o objetivo de impedir a exportação de petróleo pelo país.
Teerã questiona ‘seriedade’ dos EUA
Neste sábado (9), o Irã colocou em dúvida a “seriedade da diplomacia dos Estados Unidos” nas negociações em curso para o conflito no Oriente Médio, sem anunciar resposta à mais recente proposta apresentada por Washington.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, expressou ceticismo durante conversa telefônica com seu par turco, Hakan Fidan, um dia após novos confrontos aumentarem a temperatura da guerra.
Com uma ‘conta’ de US$ 270 bilhões: demandas do Irã por reparações de guerra são impasse em negociações com os EUA
“A recente escalada de tensões por parte das forças americanas e suas múltiplas violações do cessar-fogo reforçam nossas suspeitas sobre a motivação e a seriedade da parte americana na diplomacia”, afirmou Araghchi, informou a agência iraniana Isna.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou na sexta-feira que esperava uma resposta rápida dos iranianos à proposta destinada a pôr fim de maneira duradoura às hostilidades. “Devo recebê-la ainda nesta noite”, afirmou a jornalistas.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, citado pela televisão estatal, indicou que o Irã segue estudando a proposta americana.
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, desempenha papel crucial na estratégia da guerra e na condução das negociações com os Estados Unidos, revelou a rede CNN neste sábado, a partir de fontes da inteligência americana. Mojtaba não é visto em público desde o primeiro dia da guerra, quando seu pai, Ali Khamenei, e outros familiares morreram no ataque coordenado dos EUA e de Israel do dia 28 de fevereiro. De forma reservada ao Wall Street Journal, uma autoridade iraniana informou que o líder supremo tem ferimentos no joelho e nas costas, além de queimaduras graves que atingiram rosto, braço, tronco e perna.
Com uma ‘conta’ de US$ 270 bilhões: demandas do Irã por reparações de guerra são impasse em negociações com os EUA
Impasse diplomático: EUA aguarda resposta do Irã à proposta de paz enquanto ataque de Israel no Líbano põe em xeque cessar-fogo
A ausência da vida pública de Khamenei permanece, segundo autoridades, por uma questão de segurança. Parte da incerteza sobre a dimensão de sua influência nos processos internos do regime decorre do fato de o líder supremo não usar meios eletrônicos para se comunicar, interagindo apenas com os que visitam pessoalmente ou enviando mensagens através de interlocutor não identificado.
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Altos funcionários da Guarda Revolucionária Islâmica têm comandado as operações diárias no teatro de guerra, juntamente com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. No início da semana, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou à mídia estatal que teve uma reunião de duas horas e meia com Khamenei – que sucedeu seu pai após ele ter sido morto –, marcando o primeiro encontro presencial relatado entre uma alta autoridade iraniana e o líder supremo.
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, em discurso durante evento que marcou o aniversário de 47 anos da República Islâmica
Presidência do Irã/AFP
Khamenei permanece isolado, recebendo cuidados médicos. Na sexta-feira, Mazaher Hosseini, chefe do gabinete do líder supremo, afirmou que ele goza de “plena saúde”. Hosseini informou ainda que o pé e a região lombar de Khamenei sofreram ferimentos leves e que “um pequeno estilhaço o atingiu atrás da orelha”, mas que as feridas estão cicatrizando.
Um homem caminha ao lado de uma faixa instalada à beira da estrada em homenagem ao líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, em Teerã
AFP
— Ele está com boa saúde — disse Hosseini a uma multidão no Irã. — O inimigo está espalhando todo tipo de boatos e falsas alegações. Eles querem vê-lo e encontrá-lo, mas as pessoas devem ser pacientes e não se precipitar. Ele falará com vocês quando chegar a hora certa.
Em desafio a Trump: líder supremo afirma que Irã não abrirá mão de tecnologia nuclear e de mísseis
A manifestação foi a primeira em que o Irã divulgou publicamente os detalhes dos ferimentos sofridos pelo líder supremo. O corte atrás da orelha de Khamenei, ainda segundo Hosseini, não é visível pelo uso do turbante.
Em declaração escrita publicada em 30 de abril, Khamenei afirmou que o Irã garantiria a segurança da região do Golfo e acabaria com o que descreveu como “os abusos do inimigo” no Estreito de Ormuz, acrescentando que uma nova gestão da passagem traria “calma e segurança” para a região.
Questões sobre a saúde de Khamenei e sua posição dentro do hoje fragmentado regime iraniano têm representado um desafio para o governo Trump, já que altos funcionários americanos continuam a sugerir que não está claro quem detém agora a autoridade para de fato negociar um fim para o conflito, disseram as fontes.
— O sistema deles ainda é altamente fragmentado e também disfuncional, o que pode estar servindo de obstáculo — disse o secretário de Estado americano, Marco Rubio, na sexta-feira, ao comentar a resposta esperada do Irã à mais recente proposta do governo Trump para encerrar a guerra.
As consequências das operações americano-israelenses que mataram o pai de Khamenei e outros altos funcionários iranianos foram em grande parte antecipadas por avaliações contrárias da inteligência americana, afirma a CNN na reportagem deste sábado. Antes da decisão do presidente Donald Trump de iniciar o conflito, análises internas indicavam que a eliminação do então líder supremo dificilmente derrubaria o regime. “Mesmo que se remova o aiatolá, seus sucessores também são todos linha-dura”, disse a fonte, antecipando um governo iraniano amplamente controlado pela Guarda Revolucionária e outras figuras ideologicamente alinhadas com as que foram eliminadas.
Por outro lado, o presidente Trump tem repetido, desde a morte do Khamenei pai, de que o Irã passou por uma real mudança de regime, e descreveu os que agora negociam em nome de Teerã como “razoáveis”.
— Estamos lidando com pessoas diferentes de tudo que alguém já viu antes — disse Trump em março, mas as fontes de inteligência americana e o governo iraniano parecem atestar o contrário.
À CNN, Ali Vaez, diretor do projeto Irã no International Crisis Group, afirmou que, independentemente de o novo líder supremo estar ou não em posição de ajudar a conduzir de fato as negociações, “o sistema o utiliza para obter aprovação final para as grandes decisões estratégicas, e não para as táticas específicas de negociações”.
— O sistema deliberadamente destaca o envolvimento de Mojtaba, pois isso fornece um escudo protetor contra críticas internas — avaliou Vaez. — Ao contrário de seu pai, que aparecia regularmente para comentar o andamento das negociações, seu filho está, na prática, desaparecido em ação, portanto atribuir opiniões a ele é uma boa cobertura para que os negociadores iranianos se protejam de críticas.”
Uma das fontes familiarizadas com as recentes avaliações da inteligência americana ecoou essa visão à CNN, caracterizando a incerteza em torno do status de Khamenei como uma mistura de “O Mágico de Oz” com a franquia britânica “Todo Mundo Quase Morto”.
A busca do governo Trump por uma resolução negociada, frisa a CNN, tem sido prejudicada pelo que múltiplas fontes descreveram à rede de notícias como uma “incompreensão fundamental” de como os iranianos pensam e reagem a ameaças — independentemente de quem esteja de fato no comando.
Teerã questiona ‘seriedade’ dos EUA
Neste sábado (9), o Irã colocou em dúvida a “seriedade da diplomacia dos Estados Unidos” nas negociações em curso para o conflito no Oriente Médio, sem anunciar resposta à mais recente proposta apresentada por Washington.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, expressou ceticismo durante conversa telefônica com seu par turco, Hakan Fidan, um dia após novos confrontos aumentarem a temperatura da guerra.
“A recente escalada de tensões por parte das forças americanas e suas múltiplas violações do cessar-fogo reforçam nossas suspeitas sobre a motivação e a seriedade da parte americana na diplomacia”, afirmou Araghchi, informou a agência iraniana Isna.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou na sexta-feira que esperava uma resposta rápida dos iranianos à proposta destinada a pôr fim de maneira duradoura às hostilidades. “Devo recebê-la ainda nesta noite”, afirmou a jornalistas.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, citado pela televisão estatal, indicou que o Irã segue estudando a proposta americana.
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, desempenha um papel crucial na estratégia da guerra e na condução das negociações com os Estados Unidos, revelou a rede americana CNN, que citou fontes da Inteligência americana, neste sábado. Mojtaba não é visto em público desde o início da guerra, quando seu pai, Ali Khamenei, e outros familiares morreram em um ataque coordenado dos EUA e de Israel. Segundo uma autoridade iraniana, o líder supremo tem ferimentos no joelho e nas costas, além de queimaduras graves que atingiram rosto, braço, tronco e perna.
Com uma ‘conta’ de US$ 270 bilhões: demandas do Irã por reparações de guerra são impasse em negociações com os EUA
Impasse diplomático: EUA aguarda resposta do Irã à proposta de paz enquanto ataque de Israel no Líbano põe em xeque cessar-fogo
Mesmo com a avaliação da Inteligência dos EUA, uma fonte afirmou à CNN que, apesar da participação do líder supremo na estratégia iraniana, ele não tem a palavra final no processo decisório. A ausência da vida pública é mantida, segundo autoridades, para sua segurança. Parte da incerteza sobre a influência dele nos processos internos do regime decorre do fato de Khamenei não usar nenhum meio eletrônico para se comunicar, interagindo apenas com aqueles que podem visitá-lo pessoalmente ou enviando mensagens por meio de um interlocutor.
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— Não há indicação de que ele (Mojtaba Khamenei) esteja, de fato, dando ordens de forma contínua, mas nada prova que não esteja — disse uma fonte à CNN.
Como resultado, altos funcionários da Guarda Revolucionária Islâmica estão administrando as operações diárias juntamente com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
No início da semana, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse à mídia estatal que teve uma reunião de duas horas e meia com Khamenei – que sucedeu seu pai após ele ter sido morto –, marcando o primeiro encontro presencial relatado entre uma alta autoridade iraniana e o líder supremo.
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, em discurso durante evento que marcou o aniversário de 47 anos da República Islâmica
Presidência do Irã/AFP
Enquanto isso, Khamenei permanece isolado recebendo cuidados médicos. Na sexta-feira, Mazaher Hosseini, chefe do gabinete do líder supremo, afirmou que ele está “em plena saúde”. Hosseini informou que o pé e a região lombar de Khamenei sofreram ferimentos leves e que “um pequeno estilhaço o atingiu atrás da orelha”, mas que as feridas estão cicatrizando.
Um homem caminha ao lado de uma faixa instalada à beira da estrada em homenagem ao líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, em Teerã
AFP
— Graças a Deus, ele está com boa saúde — disse Hosseini a uma multidão no Irã. — O inimigo está espalhando todo tipo de boatos e falsas alegações. Eles querem vê-lo e encontrá-lo, mas as pessoas devem ser pacientes e não se precipitar. Ele falará com vocês quando chegar a hora certa.
Em desafio a Trump: líder supremo afirma que Irã não abrirá mão de tecnologia nuclear e de mísseis
É a primeira vez que o Irã divulgou publicamente os detalhes dos ferimentos sofridos pelo líder supremo. Khamenei, ainda segundo Hosseini, também tem um pequeno corte atrás da orelha, que foi tratado e não é visível por causa do turbante.
Em uma declaração escrita publicada em 30 de abril, Khamenei afirmou que o Irã garantiria a segurança da região do Golfo e acabaria com o que descreveu como “os abusos do inimigo” no Estreito de Ormuz, acrescentando que uma nova gestão da hidrovia traria “calma e segurança” para a região.
A nova presidente do Parlamento da Hungria, Ágnes Forsthoffer, determinou neste sábado o retorno da bandeira da União Europeia ao edifício do Legislativo, encerrando uma ausência de 12 anos do símbolo europeu no principal centro político do país.
Para entender: Hungria decide futuro de Orbán em eleição-chave para extrema direita global
‘Teorias da conspiração sem sentido’: União Europeia diz estar ‘preocupada’ com relatos de que Hungria vazou informações confidenciais para a Rússia
O anúncio foi feito poucos minutos após sua eleição por ampla maioria para comandar a nova legislatura e se tornou o primeiro gesto político simbólico da nova etapa aberta na Hungria após a saída de Viktor Orbán do poder.
“Que minha primeira decisão como presidente da Câmara seja o primeiro passo simbólico neste caminho (de volta à Europa). Ordeno, portanto, que, a partir de hoje, após 12 anos, a bandeira da União Europeia volte ao edifício do Parlamento húngaro.”
Na declaração, Ágnes Forsthoffer classificou a medida como “o primeiro passo simbólico” em um caminho “de volta à Europa”, vinculando o retorno da bandeira a uma inflexão política após mais de uma década em que o símbolo europeu esteve ausente do Parlamento durante a era Orbán.
Novo governo sinaliza mudança de rumo
A decisão ocorre no mesmo dia em que Peter Magyar chegou ao Parlamento húngaro para tomar posse como primeiro-ministro.
Descrito como conservador pró-Europa, Magyar assume o comando do governo com a promessa de promover uma “mudança de regime”, em um movimento que marca o encerramento de um longo ciclo político no país.
Ao recolocar a bandeira da União Europeia no prédio do Parlamento, a nova liderança húngara transforma um símbolo em mensagem política — e envia a Bruxelas um sinal de reaproximação após anos de tensões entre Budapeste e o bloco europeu.
O primeiro-ministro da Hungria e líder da extrema direita global, Viktor Orbán, de 62 anos, reconheceu ter sido derrotado pelo advogado Péter Magyar, de 45 anos, na eleição de 12 de abril, que teve comparecimento recorde no país. A vitória abre caminho para a transição de poder após 16 anos de um governo que marcou a Europa com um modelo que ficou conhecido como “democracia iliberal”.
Quem é Péter Magyar?
Péter Magyar é um antigo aliado de Orbán que se tornou o principal oponente do líder nacionalista nos últimos anos. Pouco antes de ganhar destaque, em 2024, após um escândalo envolvendo o perdão de abusos contra crianças, o advogado disse à AFP que era chamado de “eterno opositor” dentro do partido do atual primeiro-ministro.
Hábil comunicador, tanto nas redes sociais quanto em campanhas, o conservador agora promete mudança, desmontando “tijolo por tijolo” todo o sistema político de Orbán. Quem conhece Magyar afirma que ele é temperamental e um perfeccionista que exige o melhor de todos, mas que aceita pedir desculpas.
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O futuro primeiro-ministro percorreu o país quase sem parar nos últimos dois anos, com a promessa de combater a corrupção e melhorar os serviços públicos, o que levou seu partido a liderar as pesquisas. Sua condição de antiga figura do governo ajudou a ascensão meteórica, segundo Andrzej Sadecki, analista do Centro de Estudos Orientais, de Varsóvia:
— Soa mais convincente para alguns ex-eleitores do Fidesz quando afirma que o sistema está podre por dentro. De certa forma, Magyar é como Orbán há 20 anos, sem toda a bagagem, a corrupção e os erros no poder.
Nascido em uma família de conservadores de destaque, Magyar foi atraído pela política desde muito jovem. Em seus anos universitários, fez amizade com Gergely Gulyas, atual chefe de gabinete de Orbán, e conheceu Judit Varga, com quem se casou em 2006 e que viria a ser ministra da Justiça no governo do líder nacionalista.
Após servir como diplomata junto à União Europeia, Magyar liderou o órgão estatal de empréstimos para a educação e foi parte da diretoria de outras entidades sociais também do governo de Orbán. O casal, que tem três filhos, se divorciou em 2023.
Destaque após escândalo de abuso de crianças
A figura do Magyar ganhou destaque quando um escândalo pelo perdão de um caso de abuso infantil abalou o governo no início de 2024, provocando a renúncia da presidente Katalin Novak e de Varga, sua ex-esposa, como ministra da Justiça. O opositor denunciou a corrupção do governo de Orbán e também renunciou a seus cargos públicos.
Naquele momento, ele descartou ter aspirações políticas, mas foi considerado “corajoso, orientado para a ação e disposto a correr riscos”, diz Veronika Kovesdi, especialista em mídia da Universidade ELTE de Budapeste.
Suas mensagens nas redes sociais “ressoaram emocionalmente” junto dos seus seguidores, muitos dos quais o veem como um “herói que luta incansavelmente” por eles. O advogado assumiu o controle do desconhecido partido TISZA para poder disputar a eleição europeia de 2024, alcançando o segundo lugar, atrás da coalizão governante.
À medida que sua popularidade crescia, Magyar enfrentou um “tsunami de ódio e mentiras”, como ele o chamou. Ele ridicularizou algumas acusações e negou outras, como as de um suposto abuso doméstico contra Varga. Os ataques “o ajudaram a se legitimar como um líder realmente capaz de gerar mudança”, segundo Kovesdi.
Magyar prometeu combater a corrupção, melhorar serviços públicos como a saúde e impulsionar reformas para desbloquear bilhões de euros em fundos da União Europeia para a Hungria. No plano internacional, prometeu transformar o país em um sócio confiável da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da UE e ser crítico em relação à Rússia, ao contrário de Orbán, que é próximo de Moscou.
Assim como Orbán, Magyar se recusa a enviar armas à Ucrânia e se opõe a uma integração acelerada na UE, mas rejeita a retórica hostil da Rússia em relação a Kiev.
Em relação à pauta anti-imigração, sua postura é mais rígida que a de Orbán ao prometer encerrar o programa governamental de trabalhadores convidados. No entanto, sua visão sobre os direitos da população LGBTQIA+ tem sido vaga, embora defenda a igualdade perante a lei.
Israel deve libertar neste sábado dois ativistas, um espanhol e o brasileiro Thiago Ávila, detidos a bordo da flotilha para Gaza, que serão entregues às autoridades de imigração para serem deportados, segundo informou a organização de defesa dos direitos humanos Adalah, que os representa.
“A agência de segurança interna israelita Shabak informou a equipa jurídica da Adalah que os ativistas e líderes da flotilha Global Sumud (GSF), Thiago Avila e Saif Abukeshek, serão libertados hoje”, indicou a ONG num comunicado.
Eles serão entregues ainda hoje às autoridades de imigração israelitas e mantidos em detenção enquanto aguardam a sua deportação. Abukeshek e Avila foram levados a Israel para interrogatório na semana passada, após a interceptação pela marinha israelita da sua frota em águas internacionais ao largo da Grécia.
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou neste sábado que o Exército da Rússia enfrenta na Ucrânia uma força “agressiva” apoiada pela Otan, ao usar seu discurso do Dia da Vitória para reforçar a narrativa de Moscou sobre a guerra e exaltar soldados envolvidos na ofensiva militar.
“O grande sucesso da geração vitoriosa inspira hoje os soldados que realizam a operação militar especial [na Ucrânia]. Eles enfrentam uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da Otan”, declarou Putin diante de centenas de militares reunidos na Praça Vermelha, em Moscou.
“Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa, e será para sempre”, acrescentou.
O presidente russo, Vladimir Putin, participa de uma cerimônia de deposição de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, durante o desfile do Dia da Vitória, em Moscou
Alexander Nemenoiv /AFP
A comemoração pelos 81 anos da vitória soviética sobre a Alemanha nazista ocorreu em formato reduzido e sob forte esquema de segurança, após a entrada em vigor, de última hora, de uma trégua de três dias entre Rússia e Ucrânia anunciada na véspera pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O cessar-fogo afastou, ao menos temporariamente, o risco de ataques de drones ucranianos durante o evento — temor que pairava até as últimas horas sobre uma das datas mais simbólicas do calendário político russo.
Desfile enxuto e aliados em número reduzido
O tradicional desfile na Praça Vermelha durou apenas 45 minutos, começou às 10h no horário local (7h GMT) e terminou às 10h45. Pela primeira vez em quase duas décadas, Moscou reduziu significativamente a pompa da celebração: não houve exibição de armamentos, tampouco desfiles de cadetes ou de escolas militares.
Diferentemente do ano passado, quando cerca de 20 líderes internacionais — entre eles representantes de China e Brasil — estiveram presentes, desta vez compareceu apenas um grupo mais restrito de aliados, como os presidentes de Belarus, Cazaquistão e Laos, o rei da Malásia e o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico.
Segundo imagens exibidas pela televisão estatal russa, soldados da Coreia do Norte participaram das comemorações. Em 2025, militares norte-coreanos ajudaram Moscou a expulsar tropas ucranianas da região russa de Kursk.
No centro da capital, a internet móvel foi interrompida e diversas ruas ficaram praticamente vazias, sob rígidas medidas de segurança.
Trégua abre nova frente diplomática
Após duas tentativas frustradas de cessar-fogo nesta semana — primeiro proposta por Kiev e depois por Moscou — Trump anunciou na sexta-feira um novo acordo de trégua de três dias, acompanhado por uma troca de mil prisioneiros de cada lado.
“Esperamos que este seja o começo do fim de uma guerra muito longa, mortal e difícil”, escreveu Trump na plataforma Truth Social.
Pouco depois, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, aceitou a trégua e ordenou às Forças Armadas ucranianas que não realizassem ataques contra o desfile em Moscou.
“A Praça Vermelha é menos importante para nós do que a vida dos prisioneiros ucranianos que podem ser repatriados”, afirmou Zelenski.
Moscou também confirmou adesão ao cessar-fogo e ao acordo de troca de prisioneiros.
Após mais de quatro anos de guerra, a Rússia controla cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.
Trump afirmou que o fim do conflito está “cada vez mais próximo”, enquanto conversas entre negociadores ucranianos e americanos foram retomadas nesta semana na Flórida. Segundo Zelenski, enviados de Washington devem chegar à Ucrânia nas próximas semanas.
As equipes de resgate da Indonésia retomaram neste sábado a operação para localizar os corpos de três excursionistas mortos na erupção do monte Dukono, um dos vulcões mais ativos do país, em uma área de acesso proibido na ilha de Halmahera.
O vulcão entrou em erupção na manhã de sexta-feira, lançando uma gigantesca coluna de cinzas a cerca de 10 quilômetros de altura em uma região sem povoados ou vilarejos próximos.
Segundo o chefe da polícia local, Erlichson Pasaribu, a erupção matou dois excursionistas de Singapura e um indonésio. Oficialmente, porém, a agência nacional de busca e resgate ainda os considera desaparecidos até a recuperação dos corpos.
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Outros 17 montanhistas — entre eles nove singapurenses — conseguiram descer da montanha, em sua maioria sem ferimentos.
Busca ocorre sob risco de nova erupção
A operação de resgate havia sido interrompida na noite de sexta-feira por causa da atividade contínua do vulcão, que seguia emitindo estrondos e sinais de instabilidade.
Neste sábado, os trabalhos foram retomados com mais de 100 socorristas, incluindo policiais e militares, com apoio de drones para monitoramento aéreo da área.
“Estamos correndo contra o tempo nessa busca. Quando a situação e as condições forem seguras, vamos nos aproximar da cratera, e quando houver uma erupção, precisamos colocar toda a equipe de busca em segurança”, afirmou Iwan Ramdani, funcionário da agência de busca e resgate, em vídeo gravado na estação de monitoramento de Dukono, na vila de Mamuya.
Informações preliminares apontam que os corpos dos dois turistas de Singapura estariam entre 20 e 30 metros da borda da cratera. O paradeiro do excursionista indonésio, no entanto, ainda é desconhecido.
O caso reacende o alerta sobre incursões em áreas vulcânicas de alto risco na Indonésia, país localizado no Anel de Fogo do Pacífico e que abriga quase 130 vulcões ativos.
As autoridades venezuelanas exumaram nesta sexta-feira o corpo de Víctor Hugo Quero Navas, preso político cuja morte ocorreu em julho de 2025, mas só foi oficialmente reconhecida pelo Estado nesta quinta-feira — um intervalo de nove meses que provocou forte reação da sociedade civil, de organizações de direitos humanos e da oposição.
Familiares de Quero Navas denunciaram durante meses seu “desaparecimento forçado” e afirmam tê-lo procurado por 16 meses sem qualquer resposta oficial. Acusado de supostos atos de “terrorismo”, ele se somou a centenas de presos políticos detidos no país sob acusações semelhantes.
Segundo as autoridades, Quero Navas foi preso em janeiro de 2025. Desde então, sua mãe, Carmen Teresa Navas, de 81 anos, iniciou uma busca incansável pelo filho — sem jamais conseguir visitá-lo ou obter informações concretas sobre seu paradeiro.
Após a exumação, Carmen conseguiu reconhecer o corpo e providenciar um novo enterro em outro cemitério. Dois padres acompanharam o procedimento, registrado pela jornalista venezuelana Maryorin Méndez, colaboradora da AFP, que documentou o desaparecimento de Quero ao longo de meses.
Peritos forenses exumam o corpo do preso político Víctor Quero Navas no cemitério Parque Jardín La Puerta, em Caracas, em 8 de maio de 2026
AFP
Caso expõe ferida aberta
Segundo a ONG Foro Penal, 19 presos políticos morreram sob custódia do Estado venezuelano desde 2014. A organização calcula em 454 o número de pessoas presas por razões políticas na Venezuela até o fim de abril.
O caso de Quero, porém, marca um precedente grave: é a primeira vez que as autoridades reconhecem oficialmente a morte de um preso político denunciado como desaparecido meses após sua detenção e falecimento.
Na quinta-feira, Carmen foi informada pelo Ministério dos Serviços Penitenciários sobre a morte do filho. Em seguida, foi levada por funcionários ao cemitério onde o corpo havia sido enterrado e, diante da revelação, pediu a realização de um teste de DNA para confirmar a identidade.
A exumação, determinada pela Promotoria, ocorreu nesta sexta-feira na presença da mãe. A polícia bloqueou o acesso do público ao cemitério Parque Memorial Jardín La Puerta, nos arredores de Caracas, onde estavam os restos mortais.
“É preciso determinar quando ele morreu e em que condições”, afirmou à AFP, do lado de fora do cemitério, Lilia Navas, tia de Víctor Quero.
“É preciso fazer justiça (…) Para limpar o nome do rapaz, sobre quem jogaram não sei quantos crimes, como fizeram com tantos outros”, acrescentou.
Pressão por respostas
O Ministério dos Serviços Penitenciários informou que Quero Navas morreu aos 51 anos “por insuficiência respiratória”, após ser transferido ao Hospital Militar, em Caracas, “depois de apresentar hemorragia digestiva alta e síndrome febril aguda”.
A versão oficial, no entanto, não encerrou as dúvidas — ao contrário, ampliou a cobrança por esclarecimentos.
Ativistas afirmam que cerca de 200 pessoas seguem em situação de desaparecimento forçado na Venezuela.
“Não pode se normalizar que uma mãe busque durante meses informações sobre seu filho sem receber resposta das autoridades correspondentes”, protestou a ONG de direitos humanos Cofavic em comunicado.
O caso se soma ao debate sobre a situação dos presos políticos no país, em meio à libertação de detentos após a lei de anistia impulsionada pela presidente interina Delcy Rodríguez depois da captura de Nicolás Maduro, em janeiro, por forças americanas.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) convocaram, hoje (9), os moradores de nove aldeias no sul do Líbano a evacuarem imediatamente suas casas, em antecipação a possíveis ataques contra o Hezbollah, apesar do cessar-fogo com o Líbano que visava interromper os combates.
“Em vista da violação do acordo de cessar-fogo pelo grupo terrorista Hezbollah, as Forças de Defesa de Israel se veem obrigadas a agir com força”, publicou Avichay Adraee, porta-voz das FDI em árabe, listando nove aldeias.
“Para sua segurança, vocês devem evacuar suas casas imediatamente e manter-se afastados das aldeias e cidades a uma distância de pelo menos 1 mil metros, em direção a áreas abertas”, acrescentou.

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