“O grande sucesso da geração vitoriosa inspira hoje os soldados que realizam a operação militar especial [na Ucrânia]. Eles enfrentam uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da Otan”, declarou Putin diante de centenas de militares reunidos na Praça Vermelha, em Moscou.
“Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa, e será para sempre”, acrescentou.
O presidente russo, Vladimir Putin, participa de uma cerimônia de deposição de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, durante o desfile do Dia da Vitória, em Moscou
Alexander Nemenoiv /AFP
A comemoração pelos 81 anos da vitória soviética sobre a Alemanha nazista ocorreu em formato reduzido e sob forte esquema de segurança, após a entrada em vigor, de última hora, de uma trégua de três dias entre Rússia e Ucrânia anunciada na véspera pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O cessar-fogo afastou, ao menos temporariamente, o risco de ataques de drones ucranianos durante o evento — temor que pairava até as últimas horas sobre uma das datas mais simbólicas do calendário político russo.
Desfile enxuto e aliados em número reduzido
O tradicional desfile na Praça Vermelha durou apenas 45 minutos, começou às 10h no horário local (7h GMT) e terminou às 10h45. Pela primeira vez em quase duas décadas, Moscou reduziu significativamente a pompa da celebração: não houve exibição de armamentos, tampouco desfiles de cadetes ou de escolas militares.
Diferentemente do ano passado, quando cerca de 20 líderes internacionais — entre eles representantes de China e Brasil — estiveram presentes, desta vez compareceu apenas um grupo mais restrito de aliados, como os presidentes de Belarus, Cazaquistão e Laos, o rei da Malásia e o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico.
Segundo imagens exibidas pela televisão estatal russa, soldados da Coreia do Norte participaram das comemorações. Em 2025, militares norte-coreanos ajudaram Moscou a expulsar tropas ucranianas da região russa de Kursk.
No centro da capital, a internet móvel foi interrompida e diversas ruas ficaram praticamente vazias, sob rígidas medidas de segurança.
Trégua abre nova frente diplomática
Após duas tentativas frustradas de cessar-fogo nesta semana — primeiro proposta por Kiev e depois por Moscou — Trump anunciou na sexta-feira um novo acordo de trégua de três dias, acompanhado por uma troca de mil prisioneiros de cada lado.
“Esperamos que este seja o começo do fim de uma guerra muito longa, mortal e difícil”, escreveu Trump na plataforma Truth Social.
Pouco depois, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, aceitou a trégua e ordenou às Forças Armadas ucranianas que não realizassem ataques contra o desfile em Moscou.
“A Praça Vermelha é menos importante para nós do que a vida dos prisioneiros ucranianos que podem ser repatriados”, afirmou Zelenski.
Moscou também confirmou adesão ao cessar-fogo e ao acordo de troca de prisioneiros.
Após mais de quatro anos de guerra, a Rússia controla cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.
Trump afirmou que o fim do conflito está “cada vez mais próximo”, enquanto conversas entre negociadores ucranianos e americanos foram retomadas nesta semana na Flórida. Segundo Zelenski, enviados de Washington devem chegar à Ucrânia nas próximas semanas.









