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A nova presidente do Parlamento da Hungria, Ágnes Forsthoffer, determinou neste sábado o retorno da bandeira da União Europeia ao edifício do Legislativo, encerrando uma ausência de 12 anos do símbolo europeu no principal centro político do país.
Para entender: Hungria decide futuro de Orbán em eleição-chave para extrema direita global
‘Teorias da conspiração sem sentido’: União Europeia diz estar ‘preocupada’ com relatos de que Hungria vazou informações confidenciais para a Rússia
O anúncio foi feito poucos minutos após sua eleição por ampla maioria para comandar a nova legislatura e se tornou o primeiro gesto político simbólico da nova etapa aberta na Hungria após a saída de Viktor Orbán do poder.
“Que minha primeira decisão como presidente da Câmara seja o primeiro passo simbólico neste caminho (de volta à Europa). Ordeno, portanto, que, a partir de hoje, após 12 anos, a bandeira da União Europeia volte ao edifício do Parlamento húngaro.”
Na declaração, Ágnes Forsthoffer classificou a medida como “o primeiro passo simbólico” em um caminho “de volta à Europa”, vinculando o retorno da bandeira a uma inflexão política após mais de uma década em que o símbolo europeu esteve ausente do Parlamento durante a era Orbán.
Novo governo sinaliza mudança de rumo
A decisão ocorre no mesmo dia em que Peter Magyar chegou ao Parlamento húngaro para tomar posse como primeiro-ministro.
Descrito como conservador pró-Europa, Magyar assume o comando do governo com a promessa de promover uma “mudança de regime”, em um movimento que marca o encerramento de um longo ciclo político no país.
Ao recolocar a bandeira da União Europeia no prédio do Parlamento, a nova liderança húngara transforma um símbolo em mensagem política — e envia a Bruxelas um sinal de reaproximação após anos de tensões entre Budapeste e o bloco europeu.
O primeiro-ministro da Hungria e líder da extrema direita global, Viktor Orbán, de 62 anos, reconheceu ter sido derrotado pelo advogado Péter Magyar, de 45 anos, na eleição de 12 de abril, que teve comparecimento recorde no país. A vitória abre caminho para a transição de poder após 16 anos de um governo que marcou a Europa com um modelo que ficou conhecido como “democracia iliberal”.
Quem é Péter Magyar?
Péter Magyar é um antigo aliado de Orbán que se tornou o principal oponente do líder nacionalista nos últimos anos. Pouco antes de ganhar destaque, em 2024, após um escândalo envolvendo o perdão de abusos contra crianças, o advogado disse à AFP que era chamado de “eterno opositor” dentro do partido do atual primeiro-ministro.
Hábil comunicador, tanto nas redes sociais quanto em campanhas, o conservador agora promete mudança, desmontando “tijolo por tijolo” todo o sistema político de Orbán. Quem conhece Magyar afirma que ele é temperamental e um perfeccionista que exige o melhor de todos, mas que aceita pedir desculpas.
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O futuro primeiro-ministro percorreu o país quase sem parar nos últimos dois anos, com a promessa de combater a corrupção e melhorar os serviços públicos, o que levou seu partido a liderar as pesquisas. Sua condição de antiga figura do governo ajudou a ascensão meteórica, segundo Andrzej Sadecki, analista do Centro de Estudos Orientais, de Varsóvia:
— Soa mais convincente para alguns ex-eleitores do Fidesz quando afirma que o sistema está podre por dentro. De certa forma, Magyar é como Orbán há 20 anos, sem toda a bagagem, a corrupção e os erros no poder.
Nascido em uma família de conservadores de destaque, Magyar foi atraído pela política desde muito jovem. Em seus anos universitários, fez amizade com Gergely Gulyas, atual chefe de gabinete de Orbán, e conheceu Judit Varga, com quem se casou em 2006 e que viria a ser ministra da Justiça no governo do líder nacionalista.
Após servir como diplomata junto à União Europeia, Magyar liderou o órgão estatal de empréstimos para a educação e foi parte da diretoria de outras entidades sociais também do governo de Orbán. O casal, que tem três filhos, se divorciou em 2023.
Destaque após escândalo de abuso de crianças
A figura do Magyar ganhou destaque quando um escândalo pelo perdão de um caso de abuso infantil abalou o governo no início de 2024, provocando a renúncia da presidente Katalin Novak e de Varga, sua ex-esposa, como ministra da Justiça. O opositor denunciou a corrupção do governo de Orbán e também renunciou a seus cargos públicos.
Naquele momento, ele descartou ter aspirações políticas, mas foi considerado “corajoso, orientado para a ação e disposto a correr riscos”, diz Veronika Kovesdi, especialista em mídia da Universidade ELTE de Budapeste.
Suas mensagens nas redes sociais “ressoaram emocionalmente” junto dos seus seguidores, muitos dos quais o veem como um “herói que luta incansavelmente” por eles. O advogado assumiu o controle do desconhecido partido TISZA para poder disputar a eleição europeia de 2024, alcançando o segundo lugar, atrás da coalizão governante.
À medida que sua popularidade crescia, Magyar enfrentou um “tsunami de ódio e mentiras”, como ele o chamou. Ele ridicularizou algumas acusações e negou outras, como as de um suposto abuso doméstico contra Varga. Os ataques “o ajudaram a se legitimar como um líder realmente capaz de gerar mudança”, segundo Kovesdi.
Magyar prometeu combater a corrupção, melhorar serviços públicos como a saúde e impulsionar reformas para desbloquear bilhões de euros em fundos da União Europeia para a Hungria. No plano internacional, prometeu transformar o país em um sócio confiável da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da UE e ser crítico em relação à Rússia, ao contrário de Orbán, que é próximo de Moscou.
Assim como Orbán, Magyar se recusa a enviar armas à Ucrânia e se opõe a uma integração acelerada na UE, mas rejeita a retórica hostil da Rússia em relação a Kiev.
Em relação à pauta anti-imigração, sua postura é mais rígida que a de Orbán ao prometer encerrar o programa governamental de trabalhadores convidados. No entanto, sua visão sobre os direitos da população LGBTQIA+ tem sido vaga, embora defenda a igualdade perante a lei.

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O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, desempenha um papel crucial na estratégia da guerra e na condução das negociações com os Estados Unidos, revelou a rede americana CNN, que citou fontes da Inteligência americana, neste sábado. Mojtaba não é visto em público desde o início da guerra, quando seu pai, Ali Khamenei, e outros familiares morreram em um ataque coordenado dos EUA e de Israel. Segundo uma autoridade iraniana, o líder supremo tem ferimentos no joelho e nas costas, além de queimaduras graves que atingiram rosto, braço, tronco e perna.
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Mesmo com a avaliação da Inteligência dos EUA, uma fonte afirmou à CNN que, apesar da participação do líder supremo na estratégia iraniana, ele não tem a palavra final no processo decisório. A ausência da vida pública é mantida, segundo autoridades, para sua segurança. Parte da incerteza sobre a influência dele nos processos internos do regime decorre do fato de Khamenei não usar nenhum meio eletrônico para se comunicar, interagindo apenas com aqueles que podem visitá-lo pessoalmente ou enviando mensagens por meio de um interlocutor.
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— Não há indicação de que ele (Mojtaba Khamenei) esteja, de fato, dando ordens de forma contínua, mas nada prova que não esteja — disse uma fonte à CNN.
Como resultado, altos funcionários da Guarda Revolucionária Islâmica estão administrando as operações diárias juntamente com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
No início da semana, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse à mídia estatal que teve uma reunião de duas horas e meia com Khamenei – que sucedeu seu pai após ele ter sido morto –, marcando o primeiro encontro presencial relatado entre uma alta autoridade iraniana e o líder supremo.
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, em discurso durante evento que marcou o aniversário de 47 anos da República Islâmica
Presidência do Irã/AFP
Enquanto isso, Khamenei permanece isolado recebendo cuidados médicos. Na sexta-feira, Mazaher Hosseini, chefe do gabinete do líder supremo, afirmou que ele está “em plena saúde”. Hosseini informou que o pé e a região lombar de Khamenei sofreram ferimentos leves e que “um pequeno estilhaço o atingiu atrás da orelha”, mas que as feridas estão cicatrizando.
Um homem caminha ao lado de uma faixa instalada à beira da estrada em homenagem ao líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, em Teerã
AFP
— Graças a Deus, ele está com boa saúde — disse Hosseini a uma multidão no Irã. — O inimigo está espalhando todo tipo de boatos e falsas alegações. Eles querem vê-lo e encontrá-lo, mas as pessoas devem ser pacientes e não se precipitar. Ele falará com vocês quando chegar a hora certa.
Em desafio a Trump: líder supremo afirma que Irã não abrirá mão de tecnologia nuclear e de mísseis
É a primeira vez que o Irã divulgou publicamente os detalhes dos ferimentos sofridos pelo líder supremo. Khamenei, ainda segundo Hosseini, também tem um pequeno corte atrás da orelha, que foi tratado e não é visível por causa do turbante.
Em uma declaração escrita publicada em 30 de abril, Khamenei afirmou que o Irã garantiria a segurança da região do Golfo e acabaria com o que descreveu como “os abusos do inimigo” no Estreito de Ormuz, acrescentando que uma nova gestão da hidrovia traria “calma e segurança” para a região.
Israel deve libertar neste sábado dois ativistas, um espanhol e o brasileiro Thiago Ávila, detidos a bordo da flotilha para Gaza, que serão entregues às autoridades de imigração para serem deportados, segundo informou a organização de defesa dos direitos humanos Adalah, que os representa.
“A agência de segurança interna israelita Shabak informou a equipa jurídica da Adalah que os ativistas e líderes da flotilha Global Sumud (GSF), Thiago Avila e Saif Abukeshek, serão libertados hoje”, indicou a ONG num comunicado.
Eles serão entregues ainda hoje às autoridades de imigração israelitas e mantidos em detenção enquanto aguardam a sua deportação. Abukeshek e Avila foram levados a Israel para interrogatório na semana passada, após a interceptação pela marinha israelita da sua frota em águas internacionais ao largo da Grécia.
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou neste sábado que o Exército da Rússia enfrenta na Ucrânia uma força “agressiva” apoiada pela Otan, ao usar seu discurso do Dia da Vitória para reforçar a narrativa de Moscou sobre a guerra e exaltar soldados envolvidos na ofensiva militar.
“O grande sucesso da geração vitoriosa inspira hoje os soldados que realizam a operação militar especial [na Ucrânia]. Eles enfrentam uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da Otan”, declarou Putin diante de centenas de militares reunidos na Praça Vermelha, em Moscou.
“Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa, e será para sempre”, acrescentou.
O presidente russo, Vladimir Putin, participa de uma cerimônia de deposição de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, durante o desfile do Dia da Vitória, em Moscou
Alexander Nemenoiv /AFP
A comemoração pelos 81 anos da vitória soviética sobre a Alemanha nazista ocorreu em formato reduzido e sob forte esquema de segurança, após a entrada em vigor, de última hora, de uma trégua de três dias entre Rússia e Ucrânia anunciada na véspera pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O cessar-fogo afastou, ao menos temporariamente, o risco de ataques de drones ucranianos durante o evento — temor que pairava até as últimas horas sobre uma das datas mais simbólicas do calendário político russo.
Desfile enxuto e aliados em número reduzido
O tradicional desfile na Praça Vermelha durou apenas 45 minutos, começou às 10h no horário local (7h GMT) e terminou às 10h45. Pela primeira vez em quase duas décadas, Moscou reduziu significativamente a pompa da celebração: não houve exibição de armamentos, tampouco desfiles de cadetes ou de escolas militares.
Diferentemente do ano passado, quando cerca de 20 líderes internacionais — entre eles representantes de China e Brasil — estiveram presentes, desta vez compareceu apenas um grupo mais restrito de aliados, como os presidentes de Belarus, Cazaquistão e Laos, o rei da Malásia e o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico.
Segundo imagens exibidas pela televisão estatal russa, soldados da Coreia do Norte participaram das comemorações. Em 2025, militares norte-coreanos ajudaram Moscou a expulsar tropas ucranianas da região russa de Kursk.
No centro da capital, a internet móvel foi interrompida e diversas ruas ficaram praticamente vazias, sob rígidas medidas de segurança.
Trégua abre nova frente diplomática
Após duas tentativas frustradas de cessar-fogo nesta semana — primeiro proposta por Kiev e depois por Moscou — Trump anunciou na sexta-feira um novo acordo de trégua de três dias, acompanhado por uma troca de mil prisioneiros de cada lado.
“Esperamos que este seja o começo do fim de uma guerra muito longa, mortal e difícil”, escreveu Trump na plataforma Truth Social.
Pouco depois, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, aceitou a trégua e ordenou às Forças Armadas ucranianas que não realizassem ataques contra o desfile em Moscou.
“A Praça Vermelha é menos importante para nós do que a vida dos prisioneiros ucranianos que podem ser repatriados”, afirmou Zelenski.
Moscou também confirmou adesão ao cessar-fogo e ao acordo de troca de prisioneiros.
Após mais de quatro anos de guerra, a Rússia controla cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.
Trump afirmou que o fim do conflito está “cada vez mais próximo”, enquanto conversas entre negociadores ucranianos e americanos foram retomadas nesta semana na Flórida. Segundo Zelenski, enviados de Washington devem chegar à Ucrânia nas próximas semanas.
As equipes de resgate da Indonésia retomaram neste sábado a operação para localizar os corpos de três excursionistas mortos na erupção do monte Dukono, um dos vulcões mais ativos do país, em uma área de acesso proibido na ilha de Halmahera.
O vulcão entrou em erupção na manhã de sexta-feira, lançando uma gigantesca coluna de cinzas a cerca de 10 quilômetros de altura em uma região sem povoados ou vilarejos próximos.
Segundo o chefe da polícia local, Erlichson Pasaribu, a erupção matou dois excursionistas de Singapura e um indonésio. Oficialmente, porém, a agência nacional de busca e resgate ainda os considera desaparecidos até a recuperação dos corpos.
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Outros 17 montanhistas — entre eles nove singapurenses — conseguiram descer da montanha, em sua maioria sem ferimentos.
Busca ocorre sob risco de nova erupção
A operação de resgate havia sido interrompida na noite de sexta-feira por causa da atividade contínua do vulcão, que seguia emitindo estrondos e sinais de instabilidade.
Neste sábado, os trabalhos foram retomados com mais de 100 socorristas, incluindo policiais e militares, com apoio de drones para monitoramento aéreo da área.
“Estamos correndo contra o tempo nessa busca. Quando a situação e as condições forem seguras, vamos nos aproximar da cratera, e quando houver uma erupção, precisamos colocar toda a equipe de busca em segurança”, afirmou Iwan Ramdani, funcionário da agência de busca e resgate, em vídeo gravado na estação de monitoramento de Dukono, na vila de Mamuya.
Informações preliminares apontam que os corpos dos dois turistas de Singapura estariam entre 20 e 30 metros da borda da cratera. O paradeiro do excursionista indonésio, no entanto, ainda é desconhecido.
O caso reacende o alerta sobre incursões em áreas vulcânicas de alto risco na Indonésia, país localizado no Anel de Fogo do Pacífico e que abriga quase 130 vulcões ativos.
As autoridades venezuelanas exumaram nesta sexta-feira o corpo de Víctor Hugo Quero Navas, preso político cuja morte ocorreu em julho de 2025, mas só foi oficialmente reconhecida pelo Estado nesta quinta-feira — um intervalo de nove meses que provocou forte reação da sociedade civil, de organizações de direitos humanos e da oposição.
Familiares de Quero Navas denunciaram durante meses seu “desaparecimento forçado” e afirmam tê-lo procurado por 16 meses sem qualquer resposta oficial. Acusado de supostos atos de “terrorismo”, ele se somou a centenas de presos políticos detidos no país sob acusações semelhantes.
Segundo as autoridades, Quero Navas foi preso em janeiro de 2025. Desde então, sua mãe, Carmen Teresa Navas, de 81 anos, iniciou uma busca incansável pelo filho — sem jamais conseguir visitá-lo ou obter informações concretas sobre seu paradeiro.
Após a exumação, Carmen conseguiu reconhecer o corpo e providenciar um novo enterro em outro cemitério. Dois padres acompanharam o procedimento, registrado pela jornalista venezuelana Maryorin Méndez, colaboradora da AFP, que documentou o desaparecimento de Quero ao longo de meses.
Peritos forenses exumam o corpo do preso político Víctor Quero Navas no cemitério Parque Jardín La Puerta, em Caracas, em 8 de maio de 2026
AFP
Caso expõe ferida aberta
Segundo a ONG Foro Penal, 19 presos políticos morreram sob custódia do Estado venezuelano desde 2014. A organização calcula em 454 o número de pessoas presas por razões políticas na Venezuela até o fim de abril.
O caso de Quero, porém, marca um precedente grave: é a primeira vez que as autoridades reconhecem oficialmente a morte de um preso político denunciado como desaparecido meses após sua detenção e falecimento.
Na quinta-feira, Carmen foi informada pelo Ministério dos Serviços Penitenciários sobre a morte do filho. Em seguida, foi levada por funcionários ao cemitério onde o corpo havia sido enterrado e, diante da revelação, pediu a realização de um teste de DNA para confirmar a identidade.
A exumação, determinada pela Promotoria, ocorreu nesta sexta-feira na presença da mãe. A polícia bloqueou o acesso do público ao cemitério Parque Memorial Jardín La Puerta, nos arredores de Caracas, onde estavam os restos mortais.
“É preciso determinar quando ele morreu e em que condições”, afirmou à AFP, do lado de fora do cemitério, Lilia Navas, tia de Víctor Quero.
“É preciso fazer justiça (…) Para limpar o nome do rapaz, sobre quem jogaram não sei quantos crimes, como fizeram com tantos outros”, acrescentou.
Pressão por respostas
O Ministério dos Serviços Penitenciários informou que Quero Navas morreu aos 51 anos “por insuficiência respiratória”, após ser transferido ao Hospital Militar, em Caracas, “depois de apresentar hemorragia digestiva alta e síndrome febril aguda”.
A versão oficial, no entanto, não encerrou as dúvidas — ao contrário, ampliou a cobrança por esclarecimentos.
Ativistas afirmam que cerca de 200 pessoas seguem em situação de desaparecimento forçado na Venezuela.
“Não pode se normalizar que uma mãe busque durante meses informações sobre seu filho sem receber resposta das autoridades correspondentes”, protestou a ONG de direitos humanos Cofavic em comunicado.
O caso se soma ao debate sobre a situação dos presos políticos no país, em meio à libertação de detentos após a lei de anistia impulsionada pela presidente interina Delcy Rodríguez depois da captura de Nicolás Maduro, em janeiro, por forças americanas.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) convocaram, hoje (9), os moradores de nove aldeias no sul do Líbano a evacuarem imediatamente suas casas, em antecipação a possíveis ataques contra o Hezbollah, apesar do cessar-fogo com o Líbano que visava interromper os combates.
“Em vista da violação do acordo de cessar-fogo pelo grupo terrorista Hezbollah, as Forças de Defesa de Israel se veem obrigadas a agir com força”, publicou Avichay Adraee, porta-voz das FDI em árabe, listando nove aldeias.
“Para sua segurança, vocês devem evacuar suas casas imediatamente e manter-se afastados das aldeias e cidades a uma distância de pelo menos 1 mil metros, em direção a áreas abertas”, acrescentou.
O chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) viaja hoje (9) às Ilhas Canárias, na Espanha, para coordenar a evacuação dos passageiros do cruzeiro afetado por um surto de hantavírus, cuja chegada ao arquipélago espanhol está prevista para o dia seguinte, informaram as autoridades.
O último boletim da OMS divulgado nesta sexta-feira (8) registra um total de seis casos confirmados entre oito suspeitos.
Nele estão incluídos um casal de passageiros holandeses e uma mulher alemã falecidos por causa desta enfermidade pouco comum transmitida principalmente por roedores, para a qual não existe nem vacina nem tratamento.
A única cepa de hantavírus conhecida até agora como transmissível entre humanos — a Andes — foi confirmada entre os passageiros falecidos, o que alimentou a preocupação internacional.
A OMS, que lidera a resposta internacional ao surto, insistiu em que o perigo para a população em geral segue sendo mínimo, enquanto vários países se preparam para repatriar os passageiros do MV Hondius.
“A OMS avalia como baixo o risco que este incidente apresenta para a população mundial”, destacou a agência sanitária da ONU na noite desta sexta-feira.
O MV Hondius, também utilizado para expedições polares, zarpou de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril, para um cruzeiro através do Atlântico.
Em meio ao frágil cessar-fogo com o Irã que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça romper se não houver a assinatura de um acordo em breve, relatórios e informações de inteligência apontam que as ações militares de Teerã foram mais expressivas do que o admitido em público por Washington até o momento. Bombardeios iranianos destruíram ou danificaram 228 estruturas ou meios militares dos EUA no Oriente Médio desde o início da guerra, apontou uma investigação publicada pelo Washington Post nesta semana — em mais um elemento que demonstra que mesmo em inferioridade, as forças iranianas demonstraram capacidades de resistência. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A decisão da Arábia Saudita de negar aos Estados Unidos o uso de seu espaço aéreo e de bases militares no país levou o presidente americano, Donald Trump, a interromper o “Projeto Liberdade”, operação naval criada para ajudar embarcações presas há semanas — e, em alguns casos, meses — no Estreito de Ormuz a deixarem a região. O episódio expôs um raro atrito entre Washington e um de seus aliados históricos no Oriente Médio, e evidenciou a resistência saudita a uma nova escalada militar contra o Irã. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Uma mancha de petróleo está se expandindo diante da ilha de Kharg, no Irã, um terminal-chave de exportação de petróleo bruto da república islâmica, informou nesta sexta-feira o New York Times, que cita imagens de satélite. Ainda não estava claro o que havia causado o aparente derramamento, localizado diante da costa oeste da ilha.
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Segundo uma estimativa da Orbital EOS, que monitora derramamentos de petróleo, o vazamento parecia cobrir até quinta-feira mais de 52 quilômetros quadrados. Mais de 3.000 barris de petróleo podem ter sido derramados, informou a Orbital EOS. A mancha parecia se estender para o sul, em direção às águas sauditas.
A ilha de Kharg fica ao norte do estratégico Estreito de Ormuz e abriga o coração da indústria de exportação de petróleo do Irã, incluindo oleodutos e tanques de armazenamento.
O governo iraniano também restringiu o tráfego de navios pelo estreito, enquanto as negociações para a reabertura da passagem estão paralisadas. Além disso, embarcações e instalações sofreram danos em ataques americanos e israelenses, tornando-as vulneráveis ​​a vazamentos.
Isso deixou petroleiros encalhados, restringindo as exportações e fazendo com que o Irã ficasse rapidamente sem locais para armazenar seu petróleo, aumentando as preocupações com possíveis vazamentos ou outros acidentes no centro de operações da Ilha de Kharg. Grandes volumes de petróleo bruto estavam armazenados em petroleiros, aumentando o risco de vazamentos, disse Dalga Khatinoglu, que acompanha o setor de energia do Irã no Iran Open Data, uma iniciativa independente de dados.
Uma ruptura em um oleoduto submarino que liga o centro de operações ao campo petrolífero de Abuzar, um importante campo offshore a oeste da Ilha de Kharg, foi outra possível fonte do vazamento, afirmou Khatinoglu. O oleoduto, com décadas de uso e em péssimas condições de manutenção, sofreu diversos vazamentos nos últimos anos, incluindo uma ruptura em outubro de 2024, disse ele.
Outros especularam que o petróleo pode ter sido despejado deliberadamente no mar devido à falta de espaço para armazenamento, embora não haja evidências disso. No geral, “o bloqueio naval provavelmente colocou o sistema petrolífero do Irã em uma situação perigosa”, disse Nima Shokri, professor da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Técnica de Hamburgo.
Fechar poços de petróleo é complicado, explicou ele, porque isso pode obstruir os poços ou oleodutos, ou danificar o reservatório de petróleo abaixo, tornando a retomada da produção mais lenta e cara.
— Poços de petróleo não são máquinas que podem ser simplesmente desligadas e religadas à vontade — concluiu Shokri.
A mídia estatal iraniana não noticiou o vazamento. O Ministério das Relações Exteriores do Irã não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
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Keyvan Hosseini, especialista em energia e meio ambiente da Universidade de Southampton, afirmou que o vazamento reflete como as sanções, os conflitos e o subinvestimento crônico dificultaram a modernização, a manutenção e a substituição da infraestrutura petrolífera crítica do Irã.
O Golfo Pérsico, em grande parte raso, está sob crescente pressão devido ao calor, à salinidade, à poluição e ao desenvolvimento costeiro, disse ele. O petróleo pode se depositar nos sedimentos e no litoral, sendo particularmente prejudicial aos manguezais, comunidades de corais, aves marinhas, tartarugas e áreas de desova.
Um vazamento perto da Ilha de Kharg poderia afetar a pesca, as comunidades costeiras, as usinas de dessalinização, os habitats marinhos e os ecossistemas sensíveis do Golfo Pérsico, afirmou Hosseini. “Mesmo um vazamento aparentemente incontrolável pode se transformar em uma grande crise ambiental regional se a resposta for tardia”, concluiu.

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