O Irã afirmou que as negociações com os Estados Unidos ocorrerão na sexta-feira, em meio à manutenção das tensões entre os dois países após a repressão sangrenta de Teerã a protestos em todo o país no mês passado. O presidente Donald Trump manteve a pressão ao dizer que o líder supremo da República Islâmica deveria estar “muito preocupado”.
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O andamento dessas conversas foi colocado em dúvida na quarta-feira após a publicação de uma reportagem do site Axios, segundo a qual a comunicação entre Washington e Teerã estaria por um fio. O material divulgado provocou alta nos preços do petróleo e aumentou as especulações sobre uma possível ação militar dos Estados Unidos.
No entanto, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as conversas estão agora programadas para sexta-feira, em Omã. Diplomatas haviam indicado anteriormente que o encontro ocorreria na Turquia.
“As conversas nucleares com os Estados Unidos estão programadas para acontecer em Mascate. Sou grato aos nossos irmãos omanenses por providenciarem todos os arranjos necessários”, escreveu Araghchi em uma publicação na rede social X.
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De acordo com informações divulgadas pela AP, uma autoridade da Casa Branca confirmou que os Estados Unidos participarão de negociações de alto nível com o Irã em Omã.
Essa autoridade, que falou sob condição de anonimato, disse que vários líderes árabes e muçulmanos pressionaram o governo Trump, na quarta-feira, para que não abandonasse as negociações, mesmo diante da insistência de autoridades iranianas em restringir o escopo das conversas e mudar o local do encontro.
A fonte acrescentou que a Casa Branca continua “muito cética” quanto às chances de sucesso das negociações, mas concordou com a mudança de planos em respeito aos aliados da região.
Apesar disso, Trump, que reforçou significativamente a presença militar americana na região e se recusou a descartar novas ações militares, voltou a aumentar a pressão sobre o aiatolá Ali Khamenei.
— Eu digo que ele deveria estar muito preocupado, deveria mesmo — afirmou Trump em entrevista à emissora NBC News. — Como vocês sabem, eles estão negociando conosco.
Trump enviou um porta-aviões americano para a região do Oriente Médio e não descartou novas ações militares contra o Irã, como as realizadas em junho, quando instalações nucleares da República Islâmica foram destruídas.
“Coisas muito ruins”
O republicano afirmou ainda, na entrevista, que o Irã estaria planejando construir uma nova instalação nuclear.
— Ficamos sabendo disso e eu disse a eles: se fizerem isso, faremos coisas muito ruins — declarou.
A possibilidade de uma desescalada começou a ganhar forma no início da semana, quando veio a público que autoridades iranianas e americanas planejavam se reunir na sexta-feira. No entanto, desde então, diversas mensagens colocaram em dúvida a realização do encontro.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse na quarta-feira que Washington está disposto a se reunir com o Irã ainda nesta semana, desde que os programas nuclear e balístico de Teerã estejam na pauta.
— Se os iranianos quiserem se reunir, estamos dispostos — afirmou Rubio, sem confirmar uma reunião para sexta-feira. — Se mudarem de ideia, também não há problema — acrescentou.
Em negociações anteriores sobre seu programa nuclear, Teerã rejeitou discutir seu armamento.
Rubio também afirmou que Washington espera discutir uma série de preocupações além da questão nuclear, incluindo os mísseis balísticos do Irã, o apoio a redes de grupos aliados na região e o “tratamento dado à própria população”.
— A liderança clerical do Irã não reflete o povo iraniano. Não conheço outro país onde exista uma diferença tão grande entre quem governa e quem vive ali — afirmou Rubio a jornalistas.
O vice-presidente JD Vance disse ao programa The Megyn Kelly Show que as negociações diplomáticas com o Irã são difíceis devido ao sistema político do país, supervisionado por Khamenei.
— É um país muito estranho para se fazer diplomacia quando você não pode nem falar com quem está no comando. Isso torna tudo muito mais complicado e a situação muito mais absurda — disse Vance, observando que Trump pode falar diretamente por telefone com líderes da Rússia, China ou Coreia do Norte.
Vance afirmou que a principal linha vermelha de Trump é impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear, argumentando que outros países da região fariam o mesmo rapidamente.
O Irã sustenta há décadas que seu programa nuclear tem fins pacíficos. No entanto, autoridades iranianas vêm, nos últimos anos, ameaçando cada vez mais buscar a bomba.
Vance disse acreditar que Trump tentará “alcançar o que for possível por meios não militares” e que, se concluir que a opção militar é a única saída, “acabará escolhendo esse caminho”.
(Com AFP)
Corpos amontoados em necrotérios e famílias humilhadas: a indignidade após a repressão com estimados 10 mil mortos no Irã
Washington: EUA sancionam ‘frota fantasma’ do Irã por sustentar exportações ilegais de petróleo e financiar repressão ao ‘próprio povo’
O andamento dessas conversas foi colocado em dúvida na quarta-feira após a publicação de uma reportagem do site Axios, segundo a qual a comunicação entre Washington e Teerã estaria por um fio. O material divulgado provocou alta nos preços do petróleo e aumentou as especulações sobre uma possível ação militar dos Estados Unidos.
No entanto, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as conversas estão agora programadas para sexta-feira, em Omã. Diplomatas haviam indicado anteriormente que o encontro ocorreria na Turquia.
“As conversas nucleares com os Estados Unidos estão programadas para acontecer em Mascate. Sou grato aos nossos irmãos omanenses por providenciarem todos os arranjos necessários”, escreveu Araghchi em uma publicação na rede social X.
‘Em legítima defesa’: EUA afirmam ter derrubado drone iraniano que se aproximou de seu porta-aviões no Oriente Médio
De acordo com informações divulgadas pela AP, uma autoridade da Casa Branca confirmou que os Estados Unidos participarão de negociações de alto nível com o Irã em Omã.
Essa autoridade, que falou sob condição de anonimato, disse que vários líderes árabes e muçulmanos pressionaram o governo Trump, na quarta-feira, para que não abandonasse as negociações, mesmo diante da insistência de autoridades iranianas em restringir o escopo das conversas e mudar o local do encontro.
A fonte acrescentou que a Casa Branca continua “muito cética” quanto às chances de sucesso das negociações, mas concordou com a mudança de planos em respeito aos aliados da região.
Apesar disso, Trump, que reforçou significativamente a presença militar americana na região e se recusou a descartar novas ações militares, voltou a aumentar a pressão sobre o aiatolá Ali Khamenei.
— Eu digo que ele deveria estar muito preocupado, deveria mesmo — afirmou Trump em entrevista à emissora NBC News. — Como vocês sabem, eles estão negociando conosco.
Trump enviou um porta-aviões americano para a região do Oriente Médio e não descartou novas ações militares contra o Irã, como as realizadas em junho, quando instalações nucleares da República Islâmica foram destruídas.
“Coisas muito ruins”
O republicano afirmou ainda, na entrevista, que o Irã estaria planejando construir uma nova instalação nuclear.
— Ficamos sabendo disso e eu disse a eles: se fizerem isso, faremos coisas muito ruins — declarou.
A possibilidade de uma desescalada começou a ganhar forma no início da semana, quando veio a público que autoridades iranianas e americanas planejavam se reunir na sexta-feira. No entanto, desde então, diversas mensagens colocaram em dúvida a realização do encontro.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse na quarta-feira que Washington está disposto a se reunir com o Irã ainda nesta semana, desde que os programas nuclear e balístico de Teerã estejam na pauta.
— Se os iranianos quiserem se reunir, estamos dispostos — afirmou Rubio, sem confirmar uma reunião para sexta-feira. — Se mudarem de ideia, também não há problema — acrescentou.
Em negociações anteriores sobre seu programa nuclear, Teerã rejeitou discutir seu armamento.
Rubio também afirmou que Washington espera discutir uma série de preocupações além da questão nuclear, incluindo os mísseis balísticos do Irã, o apoio a redes de grupos aliados na região e o “tratamento dado à própria população”.
— A liderança clerical do Irã não reflete o povo iraniano. Não conheço outro país onde exista uma diferença tão grande entre quem governa e quem vive ali — afirmou Rubio a jornalistas.
O vice-presidente JD Vance disse ao programa The Megyn Kelly Show que as negociações diplomáticas com o Irã são difíceis devido ao sistema político do país, supervisionado por Khamenei.
— É um país muito estranho para se fazer diplomacia quando você não pode nem falar com quem está no comando. Isso torna tudo muito mais complicado e a situação muito mais absurda — disse Vance, observando que Trump pode falar diretamente por telefone com líderes da Rússia, China ou Coreia do Norte.
Vance afirmou que a principal linha vermelha de Trump é impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear, argumentando que outros países da região fariam o mesmo rapidamente.
O Irã sustenta há décadas que seu programa nuclear tem fins pacíficos. No entanto, autoridades iranianas vêm, nos últimos anos, ameaçando cada vez mais buscar a bomba.
Vance disse acreditar que Trump tentará “alcançar o que for possível por meios não militares” e que, se concluir que a opção militar é a única saída, “acabará escolhendo esse caminho”.
(Com AFP)










