Uma mulher de 56 anos morreu após cair em um bueiro aberto em Midtown Manhattan, em Nova York, nos Estados Unidos, durante a madrugada desta terça-feira. O acidente aconteceu na esquina da East 52nd Street com a Quinta Avenida, em frente à mansão Cartier, uma das áreas mais movimentadas e luxuosas da cidade. A vítima foi identificada como Donike Gocaj, moradora de Briarcliff Manor, no condado de Westchester.
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Segundo a polícia, ela havia estacionado seu SUV na noite de segunda-feira e, ao sair do veículo, caiu cerca de três metros em uma abertura de serviço que estava sem tampa.
A concessionária Con Edison informou que analisou imagens de câmeras de segurança e concluiu que a tampa pode ter sido deslocada por um caminhão de múltiplos eixos que fez uma conversão da Quinta Avenida para a East 52nd Street.
Segundo a empresa, o veículo passou pelo local 12 minutos antes de Gocaj estacionar o carro nas proximidades.
— Estamos revisando os detalhes e, embora isso seja raro, tampas de bueiro podem ser deslocadas por veículos pesados. Nossos pensamentos permanecem com a família dela, e a segurança continua sendo nossa principal prioridade — afirmou Anne Marie Corbalis, porta-voz da Con Edison.
Autoridades municipais afirmaram que a Con Edison tinha uma autorização de obra ativa no quarteirão, embora nenhum serviço estivesse sendo realizado no momento da queda.
Jeremy Edwards, porta-voz da prefeitura de Nova York, declarou que a cidade trabalha em conjunto com a concessionária para investigar o caso.
— Todas as perguntas precisam ser feitas e respondidas para que nenhum nova-iorquino viva uma tragédia como essa novamente — afirmou.
Testemunha ouviu vítima gritar: ‘Estou morrendo’
O acidente foi presenciado por Carlton Wood, diretor de segurança contra incêndio do hotel Lotte New York Palace. Segundo ele, a mulher desapareceu poucos segundos depois de sair do carro.
— Ela deu alguns passos e simplesmente desapareceu. Aconteceu muito rápido — relatou.
Wood afirmou que correu até o local após ouvir Gocaj gritando repetidamente: “Estou morrendo.”
Segundo o relato, o buraco estava sem qualquer sinalização e a tampa havia sido deslocada para o lado. Wood disse que a vítima estava sentada em uma poça d’água, com as pernas esticadas à frente.
Ele afirmou ter se afastado para ligar para a emergência enquanto outras pessoas tentavam ajudar usando lanternas.
Um homem chegou a tentar descer na abertura para que Gocaj pudesse se segurar em suas pernas, mas a profundidade impediu o resgate. Outra pessoa levou uma escada, mas ela também não alcançava a vítima.
A polícia respondeu à ocorrência às 23h19. Segundo The New York Times, quando os socorristas chegaram, Gocaj já estava inconsciente e sem reação.
Ela foi retirada do buraco cerca de 20 minutos depois. Wood relatou que a vítima saiu “em silêncio”, “imóvel” e “coberta de fuligem”.
— Eu esperava ouvir comemorações quando a tirassem dali — afirmou: — Achei que haveria sinal de positivo.
Os socorristas realizaram compressões torácicas antes de levá-la ao NewYork-Presbyterian/Weill Cornell Medical Center, onde ela foi declarada morta.
Cidade enfrenta histórico de problemas com bueiros
Donike Gocaj também utilizava o nome Donika nas redes sociais. Ela deixa uma filha, um filho e dois netos pequenos.
A Con Edison informou possuir cerca de 285 mil poços de manutenção, caixas de serviço e galerias subterrâneas em Nova York e nos subúrbios. O local da queda era utilizado para transporte de vapor.
Segundo a imprensa local, tampas de bueiro desaparecidas são um problema recorrente na cidade. Dados indicam que o Departamento de Proteção Ambiental recebeu mais de 700 solicitações neste ano relacionadas a estruturas do sistema de esgoto.
A reportagem relembra outros episódios envolvendo galerias subterrâneas na cidade, como a morte de um homem em situação de rua encontrado em um poço de manutenção em 2019, a queda de um homem em uma galeria infestada de ratos em 2020 e uma explosão em um poço de manutenção na Times Square em 2022.
Carlton Wood afirmou ter decidido falar publicamente para evitar especulações de que a vítima estivesse distraída no momento do acidente.
— Só quero que a família dela entenda que isso foi um acidente absurdo — declarou: 1 Se ela tivesse estacionado alguns metros adiante, talvez nada disso tivesse acontecido.