Contexto: Após interceptar petroleiro no sábado, EUA tentam abordar outro navio na costa da Venezuela
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Aqui está o que se sabe sobre a situação.
Fuga no Atlântico
Dados de rastreamento de navios mostraram que o Bella 1 estava a caminho para carregar petróleo bruto venezuelano e não transportava carga. O navio está sob sanções dos EUA desde o ano passado por transportar petróleo iraniano, que, segundo as autoridades, foi usado para financiar o terrorismo. Ele ainda não havia entrado em águas venezuelanas e não estava sob escolta naval. A carga que ele deveria pegar havia sido comprada pelo empresário panamenho Ramón Carretero, sancionado pelos EUA por ligações com a família Maduro, de acordo com dados da empresa estatal de petróleo da Venezuela, a PDVSA.
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As forças americanas aproximaram-se do Bella 1 no final do sábado. Mas este recusou-se a ser abordado, virando em vez disso e criando o que um oficial americano descreveu como “uma perseguição ativa”.
No domingo, o Bella 1 continuava a fugir das Caraíbas e a transmitir sinais de socorro para navios próximos, de acordo com mensagens de rádio analisadas pelo The New York Times e publicadas pela primeira vez online por um blogueiro marítimo. O navio estava viajando para nordeste em direção ao Oceano Atlântico, a mais de 300 milhas de Antígua e Barbuda, segundo as mensagens. No domingo à noite, o Bella 1 havia enviado mais de 75 alertas.
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Não está claro quais medidas os Estados Unidos estão tomando para perseguir o navio. A Casa Branca disse que Trump faria um anúncio nesta segunda-feira com seu secretário de Defesa e seu secretário da Marinha, mas não deu nenhuma indicação sobre o assunto.
Dois navios interceptados
Fuzileiro naval americano acompanha de helicóptero mobilização no Mar do Caribe
Staff Sgt. Brett Norman/ US MARINE CORPS/ AFP
No sábado, a Guarda Costeira parou e abordou o Centuries, um petroleiro que havia carregado recentemente petróleo venezuelano, supostamente para um comerciante chinês. As autoridades não tinham um mandado de apreensão para o navio com bandeira do Panamá e disseram que estavam verificando a validade de seu registro. Não ficou claro por quanto tempo o navio ficaria detido.
Em 10 de dezembro, os Estados Unidos apreenderam outro petroleiro, o Skipper, que transportava petróleo venezuelano, mas anteriormente havia transportado petróleo iraniano. O navio foi escoltado até Galveston, no Texas.
Maduro respondeu ordenando que a Marinha venezuelana escoltasse alguns petroleiros, aumentando o risco de um confronto armado no mar.
Objetivo: estrangular finanças
O governo Trump tem procurado justificar os esforços para restringir o tráfego de petroleiros que entram e saem da Venezuela, argumentando que é necessário cortar as receitas da exportação de petróleo que financiam o narcoterrorismo, de acordo com autoridades. Trump acusou Maduro de roubar petróleo de empresas americanas e usar as receitas do petróleo para financiar atividades criminosas, embora não tenha apresentado provas para essas alegações.
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A ameaça de apreensões adicionais já está influenciando as rotas dos petroleiros. Alguns navios que pareciam estar indo para a Venezuela deram meia-volta, de acordo com monitores globais de transporte marítimo. Grande parte do petróleo da Venezuela é vendida para a China, parte por meio de Cuba, e parte é licenciada para os Estados Unidos.
As ações alimentaram a incerteza sobre os objetivos finais do governo. Permitir que a maioria dos navios continue operando não seria um verdadeiro bloqueio — um ato de guerra —, mas sim uma série de operações de aplicação da lei.
Escalada contra Maduro
O governo Trump passou os últimos meses aumentando a presença militar no Caribe sob o pretexto de uma campanha contra o narcotráfico. Os Estados Unidos atacaram barcos que, segundo a Casa Branca, estavam contrabandeando drogas, matando pelo menos 104 pessoas. Trump acusou Caracas de inundar os EUA com fentanil. Mas a Venezuela não é produtora de drogas e não tem nenhum papel conhecido no comércio de fentanil. A maior parte da cocaína que transita pelo país tem destino na Europa, e muitos especialistas jurídicos afirmam que os ataques aos barcos são ilegais.
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Em particular, autoridades americanas dizem que a campanha tem como objetivo menos coibir o tráfico de drogas do que remover Maduro, há muito acusado por sucessivos governos democratas e republicanos de fraudar eleições, reprimir dissidentes e cometer violações dos direitos humanos.
Mais recentemente, Trump e seus assessores apontaram outro objetivo: ganhar influência sobre as vastas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo e a espinha dorsal de sua economia. A Venezuela já recebeu empresas de energia americanas, e Trump indicou que deseja ter acesso a esses recursos novamente.
A ‘frota fantasma’
Especialistas estimam que até 20% dos petroleiros globais transportam petróleo do Irã, da Venezuela e da Rússia, violando as sanções dos EUA. Esses navios costumam disfarçar sua localização e apresentar documentos falsos. O Bella 1, por exemplo, falsificou seu sinal de localização em uma viagem anterior.
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Autoridades americanas afirmam ter identificado outros petroleiros que transportam petróleo venezuelano e que, por terem se envolvido anteriormente no comércio de petróleo iraniano, estão sujeitos às sanções dos EUA. Trump disse na semana passada que mais apreensões podem ocorrer, anunciando um “bloqueio total” dos “petroleiros sancionados” que viajam de e para a Venezuela. Mas pelo menos um navio abordado pelas forças americanas, o Centuries, não aparece na lista pública de sanções do Departamento do Tesouro.
O governo da Venezuela condenou a abordagem do Centuries como roubo e sequestro, acusando os Estados Unidos de desaparecer à força com a tripulação.
Ataques em alto-mar sem precedentes
Trump ordenou o uso das Forças Armadas para atacar embarcações que, segundo ele, estariam envolvidas no contrabando de drogas, ao reivindicar autoridade para tratar o tráfico como um conflito armado. Historiadores ouvidos pela imprensa americana afirmam que os precedentes mais próximos desse tipo de ação em águas internacionais se limitam a operações contra piratas, como as ofensivas do presidente Thomas Jefferson contra corsários da Barbária, no início do século XIX, e o uso da força autorizado por Barack Obama contra piratas somalis, em 2009. No último caso, voltado sobretudo a missões de resgate, enquanto Jefferson reagia à captura de navios americanos.
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— Desde a década de 1970, os presidentes reivindicam o direito de tomar medidas militares, incluindo ataques mortais, contra atores não estatais que ameaçam os Estados Unidos — disse Jeremi Suri, professor da Universidade do Texas em Austin.
Segundo ele, no entanto, o país “em geral não tem como alvo traficantes de drogas dessa maneira”.
Para Manisha Sinha, professora de História Americana da Universidade de Connecticut, os EUA historicamente atuaram no apoio a governos da América Central para prender traficantes, não para matá-los:
— Nenhum presidente matou unilateralmente supostos traficantes de drogas em águas internacionais — afirmou.








