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Um dos locais onde houve grande número de demolições foi a Cidade de Gaza: na parte leste da cidade e no distrito de Shujayeh, centenas de prédios, alguns deles que pareciam intocados, foram abaixo nas últimas semanas, já com o cessar-fogo em vigor. Desde maio de 2024, com a adoção de uma nova política por parte de Israel, empreiteiros civis passaram a ser contratados para demolir ruas e bairros inteiros no enclave — em locais como Rafah, no sul, e o campo de refugiados de Jabalya, no norte, praticamente todos os edifícios e casas foram demolidos.
Além deles, 80% das estradas, 87% de terras agricultáveis e 80% das estufas não existem mais, afetando diretamente a vida de centenas de milhares de pessoas. Segundo especialistas, há 61 milhões de toneladas de escombros em Gaza, cuja retirada pode levar anos e envolve perigos ocultos, como explosivos não detonados e materiais tóxicos.
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Em paralelo, as imagens de satélite mostram a construção de novos acampamentos para refugiados em áreas controladas pelo Hamas Pelo acordo firmado em outubro entre Israel e Hamas, mediado pelos EUA, os israelenses seguem no controle de 53% de Gaza. Antes da guerra, um milhão de palestinos viviam nessa área, e os novos acampamentos sugerem que eles não conseguirão voltar para o que restou de suas casas tão cedo.
De acordo com um estudo da ONG israelense B’Tselem, em média, 90% dos palestinos perderam suas casas, e em média precisaram mudar de teto seis vezes desde 2023. O texto afirma que foram emitidas 161 ordens de retirada pelo Exército israelense, deixando os civis vulneráveis a doenças e à violência.
Ao longo da linha que delimita as áreas sob controle israelense do restante de Gaza, a chamada Linha Amarela, foram identificados ao menos 13 novos postos de controle militar. Ao todo são 48 postos em operação, ligados por estradas ao território israelense. O governo de Israel afirma que não tem planos para anexar Gaza, embora alguns membros do governo de Benjamin Netanyahu insistam na ideia.
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Desde a assinatura da primeira etapa do acordo de paz, promovido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, Israel e Hamas têm violado de maneira recorrente o compromisso de suspender os combates. Ataques israelenses deixaram dezenas de mortos no território, e a ação de milícias rivais do Hamas, algumas com apoio indireto de Israel, transformaram o ambiente de segurança em Gaza.
Mesmo assim, Trump parece disposto a seguir com as próximas etapas do plano, que envolvem a governança do território e a eventual reconstrução. Na semana que vem, Netanyahu se encontrará com o presidente americano nos Estados Unidos, e deve abordar pontos ainda em aberto, como sua demanda para que o Hamas se desarme por completo (o grupo palestino exige manter ao menos algumas armas).
Há divergências também sobre quem sucederá o Hamas no comando de Gaza e, em um ponto ainda mais sensível, em relação a um futuro Estado palestino, ao qual Netanyahu disse se opor, mas que encontra cada vez mais apoio internacional.








