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Um homem foi preso nesta terça-feira após bater em um dos veículos da comitiva do presidente argentino Javier Milei na cidade de Mar del Plata. Milei está na cidade litorânea, localizada a 400 quilômetros a sudeste de Buenos Aires, como parte de sua chamada “Turnê da Gratidão”, com a qual promete viajar por diferentes partes do país para se conectar com os eleitores que apoiaram seu governo nas eleições legislativas de 2025.
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Nesta terça-feira, ele saía de um teatro no centro da cidade após ensaiar a música que apresentaria naquela noite no show de sua ex-namorada, a comediante Fátima Flórez.
De acordo com imagens captadas por diversos veículos de imprensa, um homem se aproximou da comitiva e, em meio à multidão que aguardava para ver Milei, atingiu a lateral esquerda de um dos veículos com a mão aberta.
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As imagens não mostram se o presidente estava dentro do veículo. Segundos depois, o motorista parou o SUV, um dos membros da equipe de segurança saiu e ordenou que os outros detivessem o agressor. Uma dúzia de policiais armados cercou e algemou o homem.
A atividade mais importante de Milei na cidade será sua participação como palestrante principal em uma nova edição do La Derecha Fest, um evento que reúne figuras libertárias e apoiadores do governo.

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O Congresso Nacional derrubou, nesta quinta-feira (21), vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a quatro dispositivos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. Um deles permite que municípios com até 65 mil habitantes inadimplentes com a União possam realizar convênios e receber recursos federais.

Com a derrubada dos vetos, os dispositivos da lei passam a ser válidos e os textos seguem para promulgação.

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O trecho que entrará em vigor estabelece que esses municípios não dependem de adimplência fiscal para a emissão de nota de empenho, a realização das transferências de recursos e a assinatura de convênios, bem como a doação de bens, materiais e insumos.

Na justificativa do veto, o presidente Lula argumentou que a obrigatoriedade de adimplência fiscal e financeira para a celebração de transferências voluntárias está estabelecida na Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000), a qual define normas de finanças públicas destinadas à responsabilidade na gestão fiscal, com amparo no Artigo 163 da Constituição Federal.

Assim, não caberia à LDO, como lei ordinária de caráter temporário, afastar a aplicabilidade de lei complementar.

Além disso, segundo o governo federal, todas as possíveis exceções à inadimplência, referentes a ações de educação, saúde, assistência social, emendas parlamentares individuais e de bancada, já estão contempladas na legislação.

A mensagem de veto lembra ainda que a dispensa de adimplência para receber transferências voluntárias viola outro trecho da Constituição (Artigo 195, parágrafo 3º), que proíbe o Poder Público de beneficiar aqueles que devem à Seguridade Social.

Com a decisão do Congresso Nacional, a expectativa é que pelo menos 3,1 mil municípios sejam beneficiados.

Vetos derrubados

Outros dois trechos da LDO que serão promulgados estabelecem que a União destine recursos orçamentários para a construção e a manutenção de rodovias estaduais e municipais, para integrar transportes e escoar a produção, e para a malha hidroviária brasileira, mesmo que não sejam de competência federal.

Ao justificar o veto, a Presidência argumentou que isso amplia de forma significativa as exceções à competência da União, o que poderia descaracterizar a finalidade dos programas e ações orçamentárias, contrariando os princípios da especialização e da vinculação da despesa. Mas dispositivos semelhantes existem desde a LDO de 2008.

Também foi derrubado o veto ao dispositivo que permite a doação de bens, valores ou benefícios pela administração pública em período eleitoral. Para o Executivo, o tema não está incluído entre as competências da Lei de Diretrizes Orçamentárias e a medida cria exceção à norma de direito eleitoral.

O líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) explicou que o Executivo concordou com a derrubada desses quatro vetos para atender os pequenos municípios. Por outro lado, ele declarou que o governo defendia a manutenção do defeso eleitoral na questão das doações, período em que a lei restringe ações do poder público para evitar uso da máquina pública nas eleições.

Ao todo, a Presidência da República vetou 44 dispositivos da LDO de 2026. O Congresso Nacional ainda precisa analisar outros 40 vetos.

*Com informações da Agência Senado

 

Um trecho da escadaria da Torre Eiffel, composto por 14 degraus, foi arrematado nesta quinta-feira (21) por 450.160 euros (2,6 milhões de reais, na cotação atual) por um colecionador francês, anunciou a casa de leilões Artcurial.
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Com uma altura de 2,75 metros, procede da escada helicoidal original da “Dama de Ferro”, datada de 1889, que ligava o segundo ao terceiro andar do emblemático monumento de Paris.
Procedente de uma coleção particular, onde permaneceu por mais de 40 anos, este trecho estava estimado entre 120.000 e 150.000 euros.
Em 2016, uma peça semelhante vendida pela mesma casa de leilões alcançou 523.800 euros (1,8 milhão de reais, na cotação da época), enquanto o recorde foi estabelecido em 2008, na Sotheby’s, quando um comprador americano pagou 552.750 euros (1,82 milhão na cotação daquele ano) por outro trecho.
Em 1983, a instalação de um elevador entre os dois últimos andares da torre obrigou a desmontagem e o corte de uma escada em 24 partes.
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Segundo a Artcurial, dos trechos vendidos naquele ano, “poucos permaneceram na França e foram conservados por seus compradores originais”.
Vários elementos foram parar em locais prestigiosos ao redor do mundo: um está instalado nos jardins da Fundação Yoishii, em Yamanashi, no Japão; um segundo, perto da Estátua da Liberdade, em Nova York; e um terceiro, na Disney, ambos nos Estados Unidos. Outros pertencem a coleções particulares.
Com 324 metros de altura, a Torre Eiffel foi construída por Gustave Eiffel (1832-1923) para a Exposição Universal de 1889.

A aprovação da minirreforma eleitoral – em rápida votação simbólica e sem registro em painel – tem recebido críticas de diversas entidades da sociedade civil. O texto muda a prestação de contas dos partidos, flexibiliza regras de controle – limitando e parcelando multas a partidos que tiverem as contas desaprovadas, e autoriza o envio de mensagens em massa a eleitores previamente cadastrados.

A matéria foi apreciada na noite de terça-feira (19) pela Câmara dos Deputados, sem que o texto entrasse na pauta. A votação simbólica e sem registro no painel identificando como cada parlamentar votou, despertou críticas. 

Notícias relacionadas:

“A aprovação ocorreu por votação simbólica, sem identificação individualizada dos votos parlamentares, dificultando que a população conheça o posicionamento de seus representantes sobre as medidas”, diz nota de repúdio do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).

O texto segue agora para o Senado. Se aprovada e sancionada, a minirreforma trará mudanças relevantes na forma de fiscalização e punição de partidos políticos, limitando multas e protegendo os recursos do Fundo Partidário, que não poderá ser bloqueado. 

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Para o MCCE, formado por mais de 70 organizações da sociedade civil, caso se torne lei, a matéria vai fragilizar mecanismos de controle sobre o uso dos fundos Eleitoral e Partidário e representa um “grave retrocesso” para o país.

Já para o relator, deputado Rodrigo Gambale (Pode-SP), o projeto traz alterações estruturais e necessárias à Lei dos Partidos Políticos que vão otimizar a gestão partidária, garantir segurança jurídica das agremiações e harmonizar as normas de fiscalização com os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade.

Entenda

Em termos gerais, o projeto de lei aprovado (PL 4822/2025) altera regras da legislação eleitoral e partidária, modificando itens importantes como prestação de contas, punições e propaganda política.

Entre os principais pontos do projeto estão:

  • Limite de R$ 30 mil para multas por contas desaprovadas;
  • proibição de bloqueio ou penhora de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral;
  • autorização para envio de mensagens automatizadas a eleitores cadastrados;
  • redução do prazo para julgamento de contas pela Justiça Eleitoral, podendo levar ao encerramento do processo sem decisão definitiva;
  • possibilidade de parcelamento de dívidas de partidos em até 15 anos.

Parte dessas medidas é considerada sensível porque pode reduzir o alcance das sanções ou limitar instrumentos de controle do uso de recursos para partidos políticos.

Um dos exemplos é o teto para multas. Com a nova regra, irregularidades de alto valor passariam a ter punição limitada, o que reduz o caráter proporcional das penalidades.

Outro ponto é a proibição de penhora de recursos dos fundos Partidário e Eleitoral. Na prática, a medida restringe a possibilidade de bloquear esses valores para pagamento de dívidas – o que pode dificultar a execução de decisões judiciais.

Na área de fiscalização, a redução do prazo para julgamento das contas — de cinco para três anos — pode levar ao encerramento de processos sem decisão, caso não sejam analisados dentro do período.

Além disso, o projeto estabelece que cada diretório partidário responde apenas por suas próprias irregularidades, o que pode fragmentar a responsabilização e dificultar a atuação da Justiça Eleitoral em casos mais amplos.

Propaganda eleitoral

A proposta também altera regras de campanha ao permitir o envio de mensagens automatizadas a eleitores previamente cadastrados. Esse envio não será considerado irregular quando direcionado ao público cadastrado.

Para críticos da medida, esse ponto pode ampliar o uso de ferramentas digitais com menor controle, especialmente em relação à disseminação de conteúdo em massa.

MCCE

Em nota pública de repúdio, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral afirmou que o projeto representa “grave retrocesso” para a fiscalização e a transparência partidária, uma vez que “enfraquece mecanismos de fiscalização e transparência partidária”.

“O projeto flexibiliza regras de prestação de contas, amplia possibilidades de parcelamento e renegociação de multas com recursos públicos, enfraquece sanções aplicáveis a irregularidades cometidas por partidos políticos e aprofunda medidas de anistia relacionadas ao descumprimento de cotas de raça e gênero”, diz a nota.

Ainda segundo o MCCE, a proposta facilitará fusões partidárias, dificultando a responsabilização de legendas por irregularidades já apuradas, ao mesmo tempo em que fragiliza instrumentos de controle sobre o uso do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral.

“Também causa preocupação a autorização para disparos massivos automatizados de mensagens em campanhas eleitorais, medida que ignora os impactos da desinformação registrados nos últimos processos eleitorais”, acrescentou.

Tramitação sem debate

O MCCE também criticou diretamente a forma como o PL tramitou na Câmara:

“O tema foi incluído na pauta de maneira repentina, sem o necessário debate público com a sociedade civil, especialistas e instituições comprometidas com a defesa da integridade eleitoral.”

“O MCCE espera que o Senado Federal promova ampla discussão sobre a matéria e impeça a consolidação de medidas que representem retrocessos para a transparência, a igualdade política e a integridade eleitoral no Brasil”, conclui a nota.

O movimento tem, entre as entidades participantes, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e entidades de classe ligadas à Polícia Federal, aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

A história das orcas Wikie, de 23 anos, e de seu filho, Keijo, de 11, pode ganhar um novo capítulo nas próximas semanas. As duas gigantes ganharam notoriedade quando foram “deixadas para morrer” há cerca de um ano e meio com o encerramento das atividades do Marineland de Antibes, na França, um dos maiores parques marinhos da Europa. Esses dois animais seguem nos tanques onde antes exibiam seu show para o público, que agora acumula sujeira, longe das condições ideais, em especial quando comparado à natureza. Elas são as últimas em cativeiro no país.
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Desde então, grupos de direitos dos animais tentam uma solução, com transferência das duas orcas para santuários. O ministro francês da Transição Ecológica, Mathieu Lefèvre, fez uma visita surpresa ao espaço desativado no último dia 15. Na ocasião, ele falou que os dois animais devem ser transferidos “em breve” para o Loro Parque, em Tenerife, Espanha. Segundo Lefèvre, essa mudança deve ocorrer “nas próximas semanas, antes do final de junho”, destacou o jornal francês Le Figaro.
No antigo parque, hoje em ruínas, também estão 12 golfinhos-nariz-de-garrafa, que vivem há mais de um ano em tanques esverdeados. Desde que o parque Marineland foi fechado, as estruturas vêm apresentando sinais claros de deterioração. Um dos casos mais notáveis é o tanque onde permanecem Wikie e Keijo, que tem rachaduras.
— O risco, precisamente, é não fazer nada. Todos que se preocupam com o bem-estar desses cetáceos devem entender que precisamos romper o impasse e agir o mais rápido possível. O status quo não é uma solução — disse Mathieu Lefèvre durante a visita, destacou o Le Figaro.
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A negociação com o Loro Parque, na Espanha, foi longa. Em tratativas anteriores, no ano passado, o espaço recusou receber os dois mamíferos, alegando falta de capacidade. Ainda em 2025, o governo francês bloqueou duas tentativas de transferência — uma para um santuário no Canadá e outra para um parque no Japão.
— Todas as autorizações foram concedidas, a transferência agora é possível. Tudo está pronto — disse o ministro, enfatizando “a urgência da situação”.
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Estudos apontam que, na natureza, orcas têm expectativa de vida entre 60 e 90 anos, no caso das fêmeas. Quando em cativeiro, esse período reduz drasticamente, numa média de 30 anos, com muitos indivíduos não chegando a 20 anos. Esse foi o caso de Moama, irmã mais velha de Keijo, que morreu aos 12 anas, em outubro de 2023. O óbito ocorreu devido a uma infecção bacteriana na corrente sanguínea, que pode ter sido contraída por meio do consumo de peixes contaminados, lembrou o Conexão Planeta.
Inouk, irmão de Wikie, também morreu no Marineland, em março do ano passado, aos 25 anos. A orca já estava debilitada, com a barbatana dorsal comprometida e sem dentes em decorrência de roer as paredes do tanque onde era mantida. A morte ocorreu após a ingestão de um corpo estranho metálico.
Hoje, cerca de 40 funcionários do parque, incluindo os tratadores de animais, permanecem em seus postos.
Durante sua visita, Mathieu Lefèvre lembrou das duas mortes dos animais no parque.
— Lembro que dois cetáceos já morreram aqui — disse. E completou ao falar sobre a necessidade de tirar Wikie e Keijo e os 12 golfinhos do parque desativado. — Portanto, não vou correr o risco de isso acontecer novamente.
A previsão é que o transporte das orcas seja feito em enormes caixas por avião de carga até a Espanha. O preço da operação não foi divulgado, mas, segundo o CEO do Marineland, Pascal Ferracci, disse ao Le Figaro, deve custar “centenas de milhares de euros, talvez até milhões”.
O destino dos 12 golfinhos-nariz-de-garrafa deve ser diferente, com alguns levados para um parque em Valência e outro em Málaga, ambos na Espanha. Eles ficarão alojados até a construção e finalização de um recinto especializado no Zoológico de Beauval, na França.

A aprovação da minirreforma eleitoral – em rápida votação simbólica e sem registro em painel – tem recebido críticas de diversas entidades da sociedade civil. O texto muda a prestação de contas dos partidos, flexibiliza regras de controle – limitando e parcelando multas a partidos que tiverem as contas desaprovadas, e autoriza o envio de mensagens em massa a eleitores previamente cadastrados.

A matéria foi aprovada na noite de terça-feira (19) pela Câmara dos Deputados, sem que o texto entrasse na pauta. A votação simbólica e sem registro no painel identificando como cada parlamentar votou, despertou críticas: 

Notícias relacionadas:

“A aprovação ocorreu por votação simbólica, sem identificação individualizada dos votos parlamentares, dificultando que a população conheça o posicionamento de seus representantes sobre as medidas”, diz nota de repúdio do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).

O texto segue agora para o Senado. Se aprovada e sancionada, a minirreforma trará mudanças relevantes na forma de fiscalização e punição de partidos políticos, limitando multas e protegendo os recursos do Fundo Partidário, que não poderá ser bloqueado. 

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Para o MCCE, formado por mais de 70 organizações da sociedade civil, caso se torne lei, a matéria vai fragilizar mecanismos de controle sobre o uso dos fundos Eleitoral e Partidário e representa um “grave retrocesso” para o país.

Já para o relator, deputado Rodrigo Gambale (Pode-SP), o projeto traz alterações estruturais e necessárias à Lei dos Partidos Políticos que vão otimizar a gestão partidária, garantir segurança jurídica das agremiações e harmonizar as normas de fiscalização com os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade.

Entenda

Em termos gerais, o projeto de lei aprovado (PL 4822/2025) altera regras da legislação eleitoral e partidária, modificando itens importantes como prestação de contas, punições e propaganda política.

Entre os principais pontos do projeto estão:

  • Limite de R$ 30 mil para multas por contas desaprovadas;
  • proibição de bloqueio ou penhora de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral;
  • autorização para envio de mensagens automatizadas a eleitores cadastrados;
  • redução do prazo para julgamento de contas pela Justiça Eleitoral, podendo levar ao encerramento do processo sem decisão definitiva;
  • possibilidade de parcelamento de dívidas de partidos em até 15 anos.

Parte dessas medidas é considerada sensível porque pode reduzir o alcance das sanções ou limitar instrumentos de controle do uso de recursos para partidos políticos.

Um dos exemplos é o teto para multas. Com a nova regra, irregularidades de alto valor passariam a ter punição limitada, o que reduz o caráter proporcional das penalidades.

Outro ponto é a proibição de penhora de recursos dos fundos Partidário e Eleitoral. Na prática, a medida restringe a possibilidade de bloquear esses valores para pagamento de dívidas – o que pode dificultar a execução de decisões judiciais.

Na área de fiscalização, a redução do prazo para julgamento das contas — de cinco para três anos — pode levar ao encerramento de processos sem decisão, caso não sejam analisados dentro do período.

Além disso, o projeto estabelece que cada diretório partidário responde apenas por suas próprias irregularidades, o que pode fragmentar a responsabilização e dificultar a atuação da Justiça Eleitoral em casos mais amplos.

Propaganda eleitoral

A proposta também altera regras de campanha ao permitir o envio de mensagens automatizadas a eleitores previamente cadastrados. Esse envio não será considerado irregular quando direcionado ao público cadastrados.

Para críticos da medida, esse ponto pode ampliar o uso de ferramentas digitais com menor controle, especialmente em relação à disseminação de conteúdo em massa.

MCCE

Em nota pública de repúdio, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral afirmou que o projeto representa “grave retrocesso” para a fiscalização e a transparência partidária, uma vez que “enfraquece mecanismos de fiscalização e transparência partidária”.

“O projeto flexibiliza regras de prestação de contas, amplia possibilidades de parcelamento e renegociação de multas com recursos públicos, enfraquece sanções aplicáveis a irregularidades cometidas por partidos políticos e aprofunda medidas de anistia relacionadas ao descumprimento de cotas de raça e gênero”, diz a nota.

Ainda segundo o MCCE, a proposta facilitará fusões partidárias, dificultando a responsabilização de legendas por irregularidades já apuradas, ao mesmo tempo em que fragiliza instrumentos de controle sobre o uso do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral.

“Também causa preocupação a autorização para disparos massivos automatizados de mensagens em campanhas eleitorais, medida que ignora os impactos da desinformação registrados nos últimos processos eleitorais”, acrescentou.

Tramitação sem debate

O MCCE também criticou diretamente a forma como o PL tramitou na Câmara:

“O tema foi incluído na pauta de maneira repentina, sem o necessário debate público com a sociedade civil, especialistas e instituições comprometidas com a defesa da integridade eleitoral.”

“O MCCE espera que o Senado Federal promova ampla discussão sobre a matéria e impeça a consolidação de medidas que representem retrocessos para a transparência, a igualdade política e a integridade eleitoral no Brasil”, conclui a nota.

O movimento tem, entre suas entidades participantes, CNBB, OAB e entidades de classe ligadas à Polícia Federal, aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

 

O recente indiciamento do ex-presidente cubano Raúl Castro nos Estados Unidos pela derrubada de dois aviões da organização Brothers to the Rescue (Irmãos ao Resgate), em 1996, reacendeu um dos episódios mais tensos da história recente entre os dois países. Em 24 de fevereiro daquele ano, caças MiG cubanos derrubaram duas aeronaves civis, causando a morte de quatro pessoas. Um terceiro avião, no qual viajava José Basulto, chefe da organização fundada por exilados cubanos anticastristas, conseguiu escapar.
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Washington afirma que o ataque ocorreu sobre águas internacionais, enquanto Havana sustenta que agiu em legítima defesa em suas águas territoriais. Trinta anos depois, a Justiça americana acusa Castro – então ministro da Defesa – de assassinato, conspiração para matar cidadãos americanos e destruição de aeronaves, em meio a uma forte pressão da administração de Donald Trump sobre Cuba.
René González, piloto e ex-agente da inteligência cubana infiltrado nos Estados Unidos entre 1991 e 1998, participou da fundação do Irmãos ao Resgate e relatou à AFP sua versão dos fatos.
Um grupo ‘humanitário’
Em uma entrevista em sua casa em Havana, González conta que a organização era conhecida pelas missões de busca de balseiros cubanos que tentavam chegar à Flórida em embarcações precárias.
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— Por trás de um conceito humanitário de salvar vidas se esconde toda uma série de esquemas que não são públicos — disse, em referência a supostos planos violentos da organização em Cuba.
O ex-espião afirma que essa radicalização começou a se desenvolver em meados dos anos 1990.
— Eles foram escalando (…) sob a percepção de que isto [o governo comunista] já estava com os dias contados — explica, em referência à dura crise econômica que Cuba atravessava com a queda da União Soviética.
O ex-agente pondera, no entanto, que nem todos os integrantes compartilhavam essas intenções. “Entre os que caíram, há dois rapazes que me doem: Carlos Costa e Mario de la Peña, que queriam fazer horas de voo e salvar balseiros” e “não tinham nada a ver com o restante dos outros planos”.
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Ele também recordou uma incursão aérea sobre Havana em 1994, da qual participou com a organização: “Voamos a cerca de três milhas do Malecón, lançando sinalizadores, bombas de fumaça (…) foi uma violação flagrante [do espaço aéreo cubano] muito divulgada” por meios de comunicação americanos.
O dia da derrubada
Sobre 24 de fevereiro de 1996, González recorda o momento em que soube da notícia. Ele estava na cozinha de sua casa em Miami: “Para mim, foi um choque”.
Como espião cubano na Flórida, “foram dias difíceis, de estar constantemente em alerta, transmitindo informações, recebendo orientações [de Havana] sobre como lidar com o tema”, conta González, detido nos Estados Unidos em 1998 e condenado a 15 anos de prisão. Em sua opinião, a derrubada foi usada politicamente pelos setores do exílio mais radicais em sua postura em relação a Cuba.
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— Eles se sentiam felizes porque realmente conseguiram. Bem, fizeram quatro pessoas morrerem, mas conseguiram uma lei que nos causou muito dano — afirma, em referência à Helms-Burton, que transformou em lei federal o embargo contra Cuba.
Essa norma foi adotada pelo governo de Bill Clinton (1993-2001) como resposta à derrubada das aeronaves.
‘Não me surpreende’
González assegura que a acusação contra Raúl Castro, de 94 anos, responde à conjuntura política atual e faz parte de uma “estratégia mais ampla” de Washington para aumentar a pressão sobre Cuba.
— Não me surpreende, dado o contexto de agressividade que o governo Trump gerou.
Para o ex-agente, a imputação se insere em uma lógica impulsionada por setores do exílio anticastrista.
— Este indiciamento não é mais que (…) a ação desse setor [exílio anticastrista] para ver se finalmente empurra o governo americano contra Cuba — sustenta.
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Em sua opinião, alguns grupos desse entorno “sonham” há décadas com uma confrontação direta entre os dois países, o que “seria uma tragédia para Cuba e para os Estados Unidos”. González afirma: “Não gostaria de ter que atirar em um jovem americano”.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Cuba aceitou a oferta de US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões) em ajuda humanitária proposta por Washington, condicionada à distribuição dos recursos por meio da Igreja Católica. A iniciativa foi anunciada pelo Departamento de Estado em meio ao bloqueio naval imposto ao país caribenho desde o início do ano e após uma troca de acusações entre os dois governos sobre os termos do pacote.
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Segundo o Departamento de Estado, o montante não seria repassado diretamente ao governo cubano, mas entregue como “assistência humanitária direta ao povo”, com distribuição coordenada por organizações independentes, como a própria Igreja Católica. A medida, segundo Washington, busca garantir que os recursos não passem pelas autoridades da ilha.
A oferta ocorre em meio a um cenário de tensão entre os dois países. Antes da sinalização de aceitação mencionada por Rubio, autoridades americanas e cubanas trocaram acusações públicas sobre a existência e os termos do pacote. O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, chegou a classificar a proposta como uma “fábula”, afirmando que não havia sido formalmente apresentada pelos canais oficiais.
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Na semana passada, em publicações nas redes sociais, Rodríguez questionou a origem dos recursos e as condições da ajuda, sugerindo que a iniciativa poderia representar uma tentativa de interferência externa.
“Será uma doação, um engano ou um negócio sujo para cercear nossa independência? Não seria mais fácil levantar o cerco de combustível?”, escreveu na rede X, ao cobrar maior transparência sobre o plano.
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A proposta foi apresentada em meio ao endurecimento da política americana em relação à ilha. Desde o início do ano, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, impôs um bloqueio naval que restringiu o acesso de Cuba a combustíveis, com impactos diretos na economia e no cotidiano da população. O país enfrenta apagões frequentes, redução de voos internacionais e medidas emergenciais adotadas pelo governo local.
Diante desse cenário, órgãos internacionais têm alertado para a deterioração das condições de vida na ilha. Em abril, a ONU afirmou que as necessidades humanitárias em Cuba permanecem “agudas e persistentes”, citando também os efeitos ainda presentes de desastres naturais recentes.
* Matéria em atualização
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Cuba aceitou a oferta de US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões) em ajuda humanitária proposta por Washington, condicionada à distribuição dos recursos por meio da Igreja Católica. A iniciativa foi anunciada pelo Departamento de Estado em meio ao bloqueio naval imposto ao país caribenho desde o início do ano e após uma troca de acusações entre os dois governos sobre os termos do pacote.
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Segundo o Departamento de Estado, o montante não seria repassado diretamente ao governo cubano, mas entregue como “assistência humanitária direta ao povo”, com distribuição coordenada por organizações independentes, como a própria Igreja Católica. A medida, segundo Washington, busca garantir que os recursos não passem pelas autoridades da ilha.
A oferta ocorre em meio a um cenário de tensão entre os dois países. Antes da sinalização de aceitação mencionada por Rubio, autoridades americanas e cubanas trocaram acusações públicas sobre a existência e os termos do pacote. O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, chegou a classificar a proposta como uma “fábula”, afirmando que não havia sido formalmente apresentada pelos canais oficiais.
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Na semana passada, em publicações nas redes sociais, Rodríguez questionou a origem dos recursos e as condições da ajuda, sugerindo que a iniciativa poderia representar uma tentativa de interferência externa.
“Será uma doação, um engano ou um negócio sujo para cercear nossa independência? Não seria mais fácil levantar o cerco de combustível?”, escreveu na rede X, ao cobrar maior transparência sobre o plano.
* Matéria em atualização
Israel anunciou nesta quinta-feira que expulsou todos os ativistas estrangeiros da flotilha para Gaza capturados esta semana pelas forças israelenses em águas internacionais, após a indignação internacional com o tratamento que receberam durante a detenção. Após a divulgação de imagens dos ativistas com as mãos amarradas e a testa contra o chão, Espanha, Irlanda e Itália pediram sanções da União Europeia contra o ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, que publicou os vídeos.
Entenda o caso: Ministro israelense causa indignação ao divulgar vídeo de ativistas de flotilha a Gaza ajoelhados e com mãos amarradas; assista
Levantamento: Ocupação territorial de Israel desde ataques do Hamas equivale a 5% das fronteiras de 1949, aponta jornal britânico
Cerca de 430 tripulantes a bordo de aproximadamente 50 embarcações foram interceptados na segunda-feira pelo Exército israelense no Mediterrâneo, a oeste de Chipre, e levados à força para Israel, onde foram detidos na prisão de Ktziot, afirmou a ONG Adalah, que os representou legalmente.
— Todos os ativistas estrangeiros da flotilha da Solidariedade com a Palestina foram deportados de Israel. Israel não permitirá nenhuma violação do bloqueio naval legal sobre Gaza — declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Oren Marmorstein.
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A ONG havia indicado na noite de quarta-feira que eles deveriam comparecer à Justiça antes da expulsão, mas um porta-voz da organização ouvido pela AFP, Moatassem Zeidan, afirmou que, ao final, “não serão apresentados aos tribunais”.
A Adalah informou que os ativistas foram levados ao aeroporto de Ramon, perto de Eilat, no sul de Israel, para serem expulsos do país. Os ativistas egípcios e jordanianos foram transferidos para seus respectivos países, para Taba e Aqaba, próximas às fronteiras com Israel.
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No entanto, uma ativista germano-israelense que viajava no mesmo comboio marítimo — que partiu da Turquia após a interceptação, em abril, por parte de Israel, de uma flotilha anterior para Gaza ao largo da Grécia — deverá comparecer a um tribunal em Ascalão.
Europa pede sanções por tratamento a ativistas
Os ativistas da “Global Sumud Flotilla” (“sumud” significa resiliência em árabe) queriam chamar atenção para a situação humanitária na Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra entre Hamas e Israel, rompendo o bloqueio marítimo imposto pelo Estado israelense ao território palestino.
O ministro Ben Gvir provocou na quarta-feira uma onda de indignação no exterior e até dentro de seu próprio governo ao publicar um vídeo dos ativistas da flotilha ajoelhados e com as mãos amarradas.
Ministro israelense publica vídeo mostrando ativistas da flotilha detidos e amarrados
Uma jovem que grita “Libertem a Palestina” ao passar pelo ministro termina com a cabeça pressionada contra o chão por agentes de segurança.
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Ben Gvir, do partido Poder Judaico, foi criticado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pelo ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar.
Mas Netanyahu defendeu que seu país “tem pleno direito de impedir que flotilhas provocadoras de partidários terroristas do Hamas” entrem em suas águas territoriais e cheguem a Gaza”, em referência ao movimento que desencadeou a guerra ao lançar um ataque sem precedentes contra Israel em 7 de outubro de 2023.
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As reações internacionais, especialmente dos países cujos cidadãos foram detidos, não demoraram.
O chefe do governo da Espanha, Pedro Sánchez, classificou as imagens como “inaceitáveis” e anunciou que seu país vai defender a imposição de sanções da União Europeia contra o ministro israelense.
O tratamento dado aos detidos foi classificado como “inadmissível” pela Itália, e o chanceler Antonio Tajani declarou que pediu sanções contra o ministro.
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O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, solicitou ao Conselho Europeu, em carta obtida pela AFP, que a União Europeia adote “novas medidas” contra Israel.
A relatora especial da ONU para a situação dos direitos humanos nos Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, afirmou na rede X que o que esses ativistas sofreram é “um tratamento de luxo comparado ao que é infligido aos palestinos nas prisões israelenses”.
Alessandro Mantovani, detido com os ativistas e deportado antes dos demais, contou nesta quinta-feira ao chegar ao aeroporto de Roma-Fiumicino que ele e outros foram “levados ao aeroporto Ben Gurion com algemas e correntes nos pés, e colocados em um voo para Atenas”.
— Fomos espancados. Nos chutaram e nos deram socos — diz, referindo-se ao tratamento recebido pelas forças de segurança.
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Dario Carotenuto, também detido e deportado, relatou que foram apontados com rifles.
— Acho que foram os segundos mais longos da minha vida — afirma.
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta quinta-feira a favor de uma empresa portuária de propriedade americana, cujo terreno na orla foi confiscado em 1960, quando Fidel Castro chegou ao poder e nacionalizou a propriedade privada, possivelmente abrindo caminho para reivindicações semelhantes por parte de empresas e indivíduos americanos. A decisão de 8 a 1 a favor da Havana Docks Corporation ocorre em um momento em que o presidente Donald Trump aumenta a pressão sobre o país comunista, que enfrenta uma crise humanitária após os Estados Unidos bloquearem os carregamentos de petróleo da Venezuela e do México para a ilha.
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O governo Trump apoiou a entidade de propriedade americana que processou as principais companhias de cruzeiro que utilizavam os cais confiscados. O governo argumentou perante os juízes que os processos para permitir tal compensação, autorizados inicialmente pelo Congresso na década de 1990, eram uma importante ferramenta de política externa para desencorajar o investimento em Cuba.
O juiz Clarence Thomas, escrevendo pela maioria, disse que aqueles que usam propriedade “contaminada por uma confiscação anterior” são responsáveis ​​perante “qualquer cidadão dos Estados Unidos que tenha direito a essa propriedade”. Segundo ele, a Havana Docks só precisava demonstrar que as companhias de cruzeiro haviam usado propriedade apreendida sobre a qual a empresa detinha algum direito.
A juíza Elena Kagan, por sua vez, apresentou um voto divergente, argumentando que as docas sempre pertenceram ao governo cubano e que o direito da empresa sobre a propriedade havia expirado antes mesmo de as companhias de cruzeiro a utilizarem.
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A decisão do tribunal pode abrir caminho para outros processos semelhantes, mas seu impacto além das reivindicações contra as quatro empresas de cruzeiro não ficou imediatamente claro. Os juízes ainda não se pronunciaram em um segundo caso similar envolvendo as reivindicações da gigante americana de energia Exxon Mobil sobre seus ativos de petróleo e gás confiscados na ilha.
Antes da revolução comunista em Cuba, empresas americanas detinham ou controlavam 90% da geração de eletricidade da ilha, seu sistema telefônico, grande parte da indústria de mineração, os canaviais e muitas refinarias e armazéns de petróleo. Quando Castro ascendeu ao poder, há mais de 60 anos, começou a confiscar os bens de todas as empresas de propriedade americana. A maioria foi transferida para empresas estatais controladas pelo governo.
Investidores americanos apresentaram reclamações ao governo dos EUA por meio da Comissão de Liquidação de Reclamações Estrangeiras, uma agência do Departamento de Justiça. Em 1971, a comissão certificou a reclamação da Havana Docks Corporation no valor de US$ 9,1 milhões, ou quase US$ 100 milhões ajustados pela inflação (R$ 502 milhões) que permanece não paga. No total, a comissão certificou US$ 1,9 bilhão em reclamações de quase 6 mil requerentes, ou cerca de US$ 9,3 bilhões em valor atual (R$ 46,72 bilhões), de acordo com o Conselho de Comércio e Economia EUA-Cuba.
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Em 1996, o Congresso americano intensificou o embargo comercial dos EUA depois que caças cubanos abateram dois aviões pilotados por membros do grupo de exilados cubanos Irmãos ao Resgate. Três cidadãos americanos e um residente permanente morreram.
Os legisladores aprovaram a Lei de Liberdade e Solidariedade Democrática com Cuba, também conhecida como Lei Helms-Burton, que declarou que a resolução das reivindicações de propriedade era uma condição fundamental para o restabelecimento das relações econômicas e diplomáticas com Cuba. A lei incluía uma disposição que permitia aos americanos processar em tribunais federais o governo cubano pelo “tráfico” ou uso indevido de bens apreendidos — atualmente o ponto central dos processos na Suprema Corte.
Mas a lei dava aos presidentes um mecanismo para suspender a disposição e bloquear os processos judiciais, que eram controversos política e diplomaticamente. Presidentes de ambos os partidos haviam suspendido a disposição até que o primeiro governo Trump a ativou em 2019.
Essa mudança na política abriu caminho para que a Havana Docks Corporation processasse as companhias de cruzeiro por estacionarem seus navios nos cais e trazerem quase um milhão de pessoas para Havana. A empresa construiu, possuía e operava as instalações portuárias no início do século XX, como parte de um acordo de 99 anos com o governo cubano pré-Castro, que lhe permitia operar o porto até pelo menos 2004. Quando o regime comunista assumiu o poder e confiscou os cais, a empresa ainda tinha 44 anos restantes em seu contrato.
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A indústria de cruzeiros afirmou que agiu dentro da lei ao colaborar com o governo cubano e utilizar as docas, e que estava seguindo o exemplo do governo de Barack Obama, que incentivou viagens a Cuba em 2016 durante um breve período de retomada das relações diplomáticas.
Em 2022, um juiz federal do Distrito Sul da Flórida decidiu contra as companhias de cruzeiro, rejeitando sua alegação de que o uso das docas configurava viagem legal. O juiz ordenou que cada uma das quatro companhias de cruzeiro pagasse pelo menos US$ 110 milhões (R$ 552 milhões na cotação atual).
O Tribunal de Apelações do 11º Circuito dos EUA reverteu a decisão, considerando que os direitos da empresa sobre a propriedade e as operações do cais tinham um prazo de validade e teriam terminado em 2004, de acordo com o acordo original com o governo cubano.
Em atualização.

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