





É essa a bandeira usada em competições oficiais há quase 50 anos, e é a única reconhecida pela Fifa. Mas para a diáspora iraniana — são mais de 750 mil nos EUA —, ela é o símbolo de um regime que reprime sua população, mata seus dissidentes e que, hoje, não os representa. Por isso, a antiga bandeira dos tempos da dinastia Pahlevi, deposta pela revolução de 1979, predomina nos atos contra a República Islâmica no exterior.
Antes da partida desta segunda-feira, a Federação Iraniana de Futebol exigiu que a Fifa garantisse o veto à bandeira pré-revolucionária nos estádios da Copa. O presidente da federação, Mehdi Taj, afirmou que a entidade máxima do futebol é “responsável” pelo cumprimento dos protocolos, e que uma das regras é que “a bandeira oficial de um país deve estar presente no estádio”.
Já o ministro dos Esportes iraniano, Ahmad Donyamali, chegou a ameaçar retirar a seleção de campo em caso de atitudes consideradas desrespeitosas ao atual regime iraniano nos estádios. Ignorando as ameaças, um grupo de manifestantes se reuniu nos arredores do Sofi Stadium horas antes do jogo e, além da bandeira pré-revolucionária, exibiram fotos de Reza Pahlavi — que é filho do xá Mohammad Reza Pahlavi, deposto na revolução de 1979, e representante da oposição aos líderes islâmicos.
Processo judicial
Na última Copa, no Catar em 2022, torcedores iranianos que tentavam entrar nos estádios com a bandeira pré-revolucionária foram abordados por seguranças e não raro obrigados a abandoná-las. Em maio, a Fifa decidiu que a regra seria repetida em 2026, invocando seu Código de Conduta à torcida. Nele, a Fifa afirma que estarão proibidos materiais “que sejam de natureza política, ofensiva e/ou discriminatória”.
Atualmente, a Fifa é alvo de uma ação judicial nos Estados Unidos por ter vetado a entrada da bandeira iraniana pré-revolucionária nos estádios.
“A bandeira do Leão e do Sol é um símbolo de paz abraçado por milhões de iranianos que acreditam na liberdade, na democracia e no direito de expressar sua identidade sem medo ou censura”, disse, em comunicado, o Instituto para as Vozes da Liberdade, uma organização de oposição ao regime em Teerã, e que acionou a Justiça dos EUA para garantir o direito de levar as bandeiras aos jogos.
Para o Instituto, o veto é resultado da pressão do governo iraniano sobre a Fifa: em maio, quando a federação iraniana ameaçou se retirar do torneio devido à guerra contra EUA e Israel, uma das condições para participar era o “respeito à bandeira iraniana”.
Esse não é o único dilema da diáspora iraniana. Muitos veem o “Team Melli” (“Seleção Nacional”, em persa) como mais uma ferramenta de promoção do regime, e por isso têm se manifestado contra a seleção. Antes da partida desta segunda-feira, uma manifestante nos arredores do Sofi Stadium ergueu um cartaz com a frase “o time de futebol da república terrorista islâmica não representa o povo do Irã”, escrita em inglês.





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