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Recém-empossado no cargo de ministro das Relações Institucionais, José Guimarães disse que não vê com bons olhos a possibilidade de o governo implementar políticas de desoneração como forma de compensar setores que, eventualmente, possam ser prejudicados pela redução da atual jornada de seis dias de trabalho semanal.

“Sempre se tenta empurrar mais políticas de desoneração no Congresso Nacional. Isso não deu certo em outras situações, como vimos no governo da Dilma. O Brasil não pode seguir esse caminho”, disse nesta quinta-feira (16) o ministro, durante café da manhã com jornalistas.

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Para Guimarães, o comprometimento de receitas visando à desoneração de setores pode colocar em risco o equilíbrio federativo.

Ele, no entanto, garantiu que o governo estará sempre disposto a sentar à mesa para negociar, inclusive sobre a possibilidade de haver algum período de transição, desde que seja curto, para a implementação da nova regra.

“Nunca se votou matéria polêmica sem que as partes cedam. É possível discutirmos isso, mas esse debate terá de ser feito no Congresso Nacional”, disse. “Na política, você tem de fazer negociações no fio da navalha, mas sem mudar de lado”, acrescentou.

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Jornada desumana

José Guimarães disse que percebe, de forma quase consensual no Congresso, “uma visão de que essa jornada desumana tem de acabar”, possibilitando, ao trabalhador, pelo menos dois dias de descanso semanal.

Segundo ele, o governo pretende aproveitar que maio é o mês do trabalhador para dar ainda mais força ao debate, e que já estão agendadas para os próximos dias reuniões com os presidentes das duas casas legislativas, inclusive para definir se a matéria avançará por meio de PEC ou PL.

“Obviamente o presidente Lula considera que por meio de projeto de lei será mais fácil votar a matéria”, disse.

Pedido de vista

Na avaliação do ministro da SRI, o pedido de vistas feito pela oposição à matéria que prevê o fim da jornada 6 por 1, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, demonstra a falta de compromisso com a aprovação da matéria.

“Se quisessem votar, tinham de deixar votar. Isso mostra que a oposição e Flávio Bolsonaro não têm o compromisso de aprovar [a redução da jornada dos trabalhadores]. Mas vamos sentar com Hugo Motta [presidente da Câmara] para resolver”, complementou.

Prioridades

Durante o encontro com os jornalistas, Guimarães apresentou algumas das prioridades de sua pasta, tanto nas relações com o Legislativo como com os entes federados. Segundo ele, “tudo que for [do Planalto] ao Congresso Nacional” passará antes pela sua secretaria, de forma a dar unidade às propostas e prioridades do governo federal.

Ele lembrou que a SRI tem duas missões centrais: a articulação com o Congresso Nacional e a relação com os entes federados. Disse que o Congresso é a “prioridade das prioridades” e que ninguém governa sem uma relação saudável com o Legislativo.

Bets e endividamento

Guimarães disse que o governo está especialmente preocupado com duas questões que, inclusive, acabam de certa forma relacionadas: o endividamento das famílias e a falta de regulamentação das apostas online – as chamadas bets.

Tendo por base as conversas que já vinha mantendo com parlamentares, o ministro disse que vê uma maioria, no Congresso Nacional, disposta a regulamentar a atividade.

“O governo está preparando um conjunto de medidas para enfrentar este que é um dos piores males da atualidade, até pela relação que tem com o endividamento das famílias. Tributar já pode ser um grande passo”, antecipou o ministro.

Sobre a taxa básica de juros (Selic), algo que na avaliação de Guimarães prejudica ainda mais as famílias endividadas, ele afirmou que o Banco Central “perdeu oportunidades de reduzi-los, diante de um cenário de inflação baixa para os níveis históricos”.

PL dos aplicativos

Guimarães disse que o PL dos aplicativos não avançou no Legislativo por total falta de acordo entre as partes, o que abrange plataformas e entregadores. Segundo ele, ao contrário do que diz a oposição, este é o real motivo de a matéria não ter sido votada.

“Claro que a oposição se aproveita disso para acusar o governo de prejudicar motoristas de aplicativo. Mas a verdade é que quem não quis votar foram as partes envolvidas. Não foi o governo”, afirmou. Segundo o ministro, provavelmente, essa matéria só será votada após as eleições.

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O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou nesta sexta-feira a reunião de uma célula de crise para lidar com a onda de calor, cujo pico é esperado no domingo, com milhões de pessoas nas ruas por ocasião da ‘Fête de la Musique’ (Festa da Música).
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A célula se reunirá no sábado, quando mais de 41 milhões de franceses estarão em zonas sob alerta laranja, o segundo nível mais elevado do país, durante a segunda onda de calor registrada neste ano.
A preocupação das autoridades é ainda maior porque o pico do calor é esperado para domingo, quando a popular Festa da Música levará milhões de pessoas às ruas para aproveitar shows ao ar livre e consumir álcool.
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Alguns departamentos franceses podem passar para o “alerta vermelho por onda de calor” a partir de domingo, com temperaturas em torno de 30°C durante a noite e 40°C durante o dia, advertiu o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Na quinta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu para “cuidar das pessoas idosas, das mais vulneráveis”, porque “são dias difíceis”.
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Embora as autoridades tenham cancelado vários eventos esportivos e adiado em uma semana as provas orais para obtenção do diploma de bacharelado, de maneira geral, permitirão as festividades previstas para a Festa da Música. Algumas cidades as cancelaram.
No entanto, a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, pediu prudência.
— O álcool, com o calor, provoca consequências muito importantes (para a saúde), ficamos desidratados o dobro ou o triplo (e) acabamos nas emergências muito mais rápido — alertou.
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Em Paris, a Prefeitura espera cerca de dois milhões de pessoas nas ruas, como no ano passado, entre elas milhares de britânicos que, motivados pelas redes sociais, já se preparam para viajar à capital para reviver novamente a ‘Fête’.
— Em cada esquina havia uma festa — conta Serpico Collins, de 33 anos, que vive no bairro londrino de Camden e que no domingo voltará a percorrer as ruas de Paris em busca de música ao vivo e sets de DJ a partir de varandas.
A França vive a primavera mais quente desde que começaram os registros, no ano de 1900, com uma temperatura média nacional entre março e maio cerca de 1°C acima do normal.
Cientistas alertam que as ondas de calor na Europa estão cada vez mais frequentes como resultado das mudanças climáticas.
O GLOBOA relação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, se encontra em um momento de instabilidade desde o retorno do republicano à Casa Branca. Nesta semana, Trump afirmou que a líder italiana teria “implorado” para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7, realizada nesta semana em Évian, na França — declaração negada pela premiê e repudiada pelo ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, que respondeu com o cancelamento da sua visita aos Estados Unidos, que deveria acontecer em dois dias.
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Em resposta divulgada na rede social X, a premier afirmou em vídeo que o presidente americano “inventou completamente a história” e ressaltou que nem ela nem a Itália “imploram” por encontros ou fotografias.
— Não entendo por que o presidente dos EUA se comporta assim com seus próprios aliados; não é, aliás, a primeira vez — declarou.
— Só posso lamentar que ele não demonstre a mesma determinação em relação aos inimigos do Ocidente, aos inimigos dos EUA, a dirigentes com os quais, ao contrário, mostra-se muito mais conciliador — acrescentou.
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Como Giorgia mesmo mencionou, ela e Trump são aliados políticos. Além da polêmica mais recente, no entanto, o desgaste entre os dois líderes vem se acumulando há meses.
Meloni passou a adotar posições divergentes em relação a algumas iniciativas da Casa Branca, especialmente sobre o conflito envolvendo o Irã e sobre críticas feitas por Trump ao papa Leão XIV. A premier italiana chegou a considerar “inaceitáveis” ataques do presidente americano ao pontífice.
As divergências representam uma mudança significativa na dinâmica entre os dois governos. Desde a volta de Trump ao poder, Meloni era frequentemente apontada como uma das poucas líderes europeias com acesso privilegiado ao presidente americano. A italiana participou da posse presidencial em Washington e buscou atuar como ponte entre os Estados Unidos e a União Europeia.
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Apesar das tensões, os dois líderes tentaram demonstrar cordialidade durante o G7. Em um encontro nos bastidores da cúpula, ambos trocaram comentários bem-humorados sobre os recentes atritos. Meloni chegou a afirmar que os dois “sempre foram amigos”, enquanto Trump respondeu em tom de brincadeira que havia sido “abandonado”.
A nova troca de acusações, porém, indica que a reaproximação pode estar longe de acontecer: a crise ganhou contornos diplomáticos quando Tajani anunciou o cancelamento de sua visita oficial a Washington. O ministro das Relações Exteriores classificou as declarações de Trump como “graves” e “ofensivas”, afirmando que os comentários atingiam não apenas Meloni, mas todo o país.
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Integrantes do governo italiano acusaram Trump de prejudicar a histórica relação entre Estados Unidos e Europa, enquanto a Casa Branca evitou comentar oficialmente o episódio.
O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou nesta sexta-feira a proposta de criar centros de deportação para migrantes em situação irregular fora da União Europeia e afirmou que Paris se oporá a qualquer tentativa de financiá-los com recursos do bloco.
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Os chamados “centros de retorno”, localizados fora das fronteiras da UE, são um dos principais elementos do endurecimento das regras migratórias — criticado por organizações de defesa dos direitos humanos — que recebeu nesta semana a aprovação final do Parlamento Europeu.
— A França não apoia essa política — declarou Macron a jornalistas após uma cúpula de líderes europeus em Bruxelas.
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O presidente francês observou que as novas regras permitem enviar pessoas para países com os quais elas não possuem qualquer vínculo, que, por sua vez, poderiam receber recursos financeiros em troca.
— Não tenho certeza de que essa seja a Europa que queremos. Não tenho certeza de que esses sejam os princípios fundamentais sobre os quais nossa Europa foi construída. Além disso, não acredito que isso seja eficaz. A prova é que, até agora, não vi ninguém conseguir fazer isso funcionar — afirmou.
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Macron acrescentou que a França é favorável a regras mais rígidas para aumentar o retorno de pessoas sem direito de permanecer no país europeu onde se encontram, mas ressaltou que não pretende construir centros de retorno.
Embora outros países da UE sejam livres para avançar com esses projetos, Paris se opõe a uma iniciativa apoiada por vários Estados-membros para que recursos do bloco sejam utilizados em seu financiamento, disse o presidente francês.
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Organizações de defesa dos direitos humanos classificam esses centros como “buracos negros jurídicos”, argumentando que eles podem deixar migrantes presos em um limbo legal com pouca supervisão.
O Reino Unido já abandonou um plano para deportar migrantes em situação irregular para Ruanda, enquanto as instalações administradas pela Itália para processar pedidos de migrantes na Albânia enfrentaram contestações judiciais e uma implementação lenta.
O cessar-fogo entre Hezbollah e Israel aumenta as chances de avanço do acordo entre Estados Unidos e Irã. Foi justamente o bombardeio israelense no sul do Líbano, que matou 18 pessoas, o que levou Teerã a recuar nas negociações e cancelar a reunião que ocorreria hoje, em Genebra, entre representantes americanos e iranianos. A notícia da trégua ganhou destaque na manchete do jornal inglês Financial Times no fim da manhã. A reportagem mostrou que o anúncio chegou a provocar queda nos preços do petróleo. A commodity voltou a operar em leve alta, mas ainda na faixa dos US$ 80 por barril, muito distante dos US$ 100 alcançados nos momentos mais tensos do conflito. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Em meio à escalada de violência na Cisjordânia ocupada, o ex-primeiro-ministro de Israel Ehud Olmert acusou o governo israelense de conduzir uma “campanha sistemática de limpeza étnica e de crimes contra a Humanidade” contra palestinos no território, sendo conivente com a atuação de grupos de colonos responsáveis por ataques à população local. Em um artigo de opinião publicado nesta sexta-feira no jornal israelense Haaretz, o ex-premier defende que essas ações não podem mais ser tratadas como “isoladas” e perpetuadas por “extremistas”, como costuma justificar o governo israelense.
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“O que está acontecendo hoje na Cisjordânia não é obra de ’70 crianças… de lares desfeitos’, como o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tentou afirmar, de forma desonesta”, escreveu Olmert. “Tampouco são crimes cometidos por uma pequena minoria anômala entre os moradores dos assentamentos, como alguns líderes do movimento de colonos costumam alegar.”
Segundo Olmert, a responsabilidade recai sobre o governo de Netanyahu, incluindo o ministro da Defesa Israel Katz e outros integrantes do Gabinete. Ele também cita nominalmente os ministros de extrema direita Itamar Ben-Gvir, da Segurança Nacional, e Bezalel Smotrich, de Finanças, argumentando que suas posições radicais favorecem o movimento de anexação total da Cisjordânia sem a permanência da população palestina.
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O ex-primeiro-ministro descreve um cenário marcado por ataques a aldeias palestinas, incêndios, destruição de propriedades e roubos de rebanhos. Olmert afirma ainda que os autores desses atos contam com proteção, apoio e financiamento de diferentes níveis do governo israelense.
“Nunca antes acusações tão graves foram feitas contra um governo israelense e todo o aparato de defesa, certamente não por alguém que outrora detinha a responsabilidade máxima pela segurança de Israel. Mas, após um longo e doloroso período de contenção, não há outra escolha senão dizer estas coisas de forma clara e completa”, completa o ex-premier.
Embora reconheça que a ofensiva israelense após os ataques sem precedentes do movimento islamista palestino Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra em Gaza, foi marcada por extrema dureza e incluiu ações que “só podem ser descritas como crimes de guerra”, ele rejeita as acusações de genocídio formuladas por parte da comunidade internacional.
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Para o ex-premier, houve, sim, graves falhas na condução da campanha militar e nas decisões tomadas sem consideração pelas consequências para a população civil no enclave palestino, mas ele considera que essas violações não decorreram de uma política deliberada de extermínio e que o governo israelense não buscou promover assassinatos em massa de forma sistemática — diferentemente do caso da Cisjordânia, ocupada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
“Surgiram inúmeros casos em que soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF), tanto recrutas quanto reservistas, estiveram envolvidos em agressões e ataques contra palestinos. O porta-voz das IDF costuma responder dizendo que tais incidentes não refletem os valores ou a política do Exército. Mas isso se tornou pouco mais que um ritual vazio. A realidade é que soldados em vários locais continuam a participar de ataques violentos e, por vezes, até mesmo letais contra residentes palestinos”, escreveu.
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As críticas também abragem as instituições encarregadas da segurança e da aplicação da lei. Segundo Olmert, a polícia israelense frequentemente deixa de impedir os ataques e, em alguns casos, age de forma conivente com seus autores. Ele também aponta falhas das Forças Armadas e do serviço de inteligência interna, o Shin Bet, no combate ao que descreve como “terrorismo judaico”.
Para o ex-primeiro-ministro, a continuidade dessas práticas pode provocar reações mais duras da comunidade internacional, incluindo investigações e medidas por parte do Tribunal Penal Internacional (TPI), defendendo que o país precisa abandonar a complacência diante da violência praticada por seus próprios cidadãos e “enfrentar os inimigos internos”.
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“A resposta instintiva dos terroristas judeus e seus apoiadores – e, às vezes, de muitos israelenses decentes e bem-intencionados – é descartar críticas, hostilidade contra israelenses no exterior ou ações contra instituições israelenses e judaicas como antissemitismo”, conclui Olmert. “O antissemitismo, sem dúvida, existe e se intensificou nos últimos anos. Tem sido uma constante na história judaica. Mas não deve ser confundido com a condenação das ações do governo israelense ou com a oposição a políticas e ações realizadas em nome de Israel.”
Pressão sobre os assentamentos
Vários países ocidentais, incluindo Reino Unido e França anunciaram recentemente novas sanções contra colonos e organizações israelenses ligados à violência e à expansão ilegal dos assentamentos na Cisjordânia ocupada, medidas classificadas como “vergonhosas” por Israel. Esses países pedem a Israel que aja “rapidamente” para garantir que “os autores da violência na Cisjordânia prestem realmente contas” e não descartam “novas medidas”.
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O governo israelense, por sua vez, denunciou imediatamente “medidas vergonhosas”, tomadas em uma “tentativa de impor uma posição política sobre o direito dos judeus de se instalar na terra de Israel e sobre o conflito israelense-palestino”, reagiu o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Oren Marmorstein.
Sem contar Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, mais de 500 mil israelenses vivem atualmente em assentamentos na Cisjordânia considerados ilegais pela ONU, em meio a uma população de cerca de três milhões de palestinos.
Segundo dados da Nações Unidas, a violência dos colonos israelenses na Cisjordânia vive um ritmo “recorde”, com uma média de seis ataques diários.
O ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, anunciou nesta sexta-feira, na rede X, que cancelou sua visita aos Estados Unidos, prevista para os dias 21 e 22 de junho, após as “declarações graves e ofensivas” do presidente americano, Donald Trump, contra a primeira-ministra Giorgia Meloni.
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Em uma entrevista por telefone concedida à emissora de televisão italiana La7, Trump afirmou que Meloni havia “suplicado” para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7 na França, segundo a transcrição da conversa publicada pela emissora, que não divulgou a gravação de áudio original.
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Em resposta a essa publicação, Giorgia Meloni divulgou nesta sexta-feira, no X, um vídeo no qual se declarou “consternada” com as declarações “totalmente inventadas” de Trump.
— Não entendo por que o presidente dos EUA se comporta assim com seus próprios aliados; não é, aliás, a primeira vez — declarou.
— Só posso lamentar que ele não demonstre a mesma determinação em relação aos inimigos do Ocidente, aos inimigos dos EUA, a dirigentes com os quais, ao contrário, mostra-se muito mais conciliador — acrescentou.
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Em abril, Trump já havia criticado Meloni por recusar envolver o seu país na guerra no Irã, e disse então que havia ficado “surpreso” e decepcionado com sua falta de “coragem”.
Meloni, eleita em outubro de 2022 à frente de um governo de coalizão ultraconservador, vinha sendo até então uma das aliadas mais próximas de Trump no Velho Continente, esforçando-se frequentemente para desempenhar um papel de mediadora entre as posições divergentes dos EUA e da Europa.
As autoridades da Turquia proibiram a transmissão ao ar livre da partida entre a seleção nacional e o Paraguai, válida pela segunda rodada da Copa do Mundo de 2026. A medida impede a instalação de telões e realização de eventos públicos para acompanhar o jogo, sob a justificativa de não prejudicar estudantes em período de exames de acesso ao ensino superior, o “Enem turco”.
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Sem área de torcedores nem telão para o confronto, o Ministério do Interior enviou uma circular aos governadores das 81 províncias do país determinando que a partida da seleção turca no Mundial não seja exibida em espaços públicos.
Segundo o documento, a decisão foi tomada para “não distrair os candidatos que estão realizando exames universitários”.
O jogo está programado para as 6h no horário local (00h do horário de Brasília).

Vale destacar que na estreia da Turquia na Copa do Mundo, disputada em 14 de junho às 7h no horário local, milhares de torcedores acompanharam a partida em parques e anfiteatros espalhados por todo o território.
Mesmo assim, o entusiasmo não foi suficiente para impulsionar a equipe à vitória. Em seu retorno a uma Copa do Mundo após 24 anos de ausência, a seleção turca foi derrotada por 2 a 0 pela Austrália.

O acordo-quadro firmado nesta semana entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio não aborda de forma suficiente a situação dos direitos humanos na República Islâmica, afirmaram nesta sexta-feira especialistas da ONU.
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O memorando de entendimento assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e por seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, tem como objetivo pôr fim ao conflito desencadeado em 28 de fevereiro pelos ataques americanos e israelenses que mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
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Um grupo de 18 especialistas independentes da ONU em direitos humanos afirmou receber positivamente o acordo, mas advertiu em comunicado que “qualquer acordo que não aborde a situação dos direitos humanos no Irã será fundamentalmente incompleto”.
— O memorando se concentra quase exclusivamente na retirada militar, na reabertura do Estreito de Ormuz, nos compromissos nucleares, no levantamento das sanções e em um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) — afirmaram. — O povo iraniano, que sofreu enormemente tanto com a agressão militar externa quanto com a repressão interna, quase não aparece nesse acordo.
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Os especialistas, que possuem mandato do Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas não falam em nome da organização, afirmaram que a guerra teve um impacto devastador no Irã e em toda a região, com milhares de civis mortos em bombardeios e milhões de pessoas forçadas a deixar suas casas.
Paralelamente, “as autoridades iranianas têm atuado com grande agressividade contra a dissidência”, destacaram.
Segundo os especialistas, pelo menos 156 pessoas foram executadas no Irã desde o início da guerra.
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Desse total, ao menos 42 foram executadas por acusações relacionadas à espionagem e à segurança nacional.
Outros milhares de iranianos “foram detidos e, segundo relatos, torturados, vítimas de desaparecimentos forçados, submetidos a falsas execuções ou obrigados a fazer confissões diante das câmeras”, acrescentaram.
— Um acordo que atende a interesses geopolíticos enquanto deixa de lado o povo iraniano não é um acordo de paz digno desse nome — insistiram os especialistas.
A princesa Leonor e o rei Felipe VI protagonizaram nesta sexta-feira um momento simbólico para a monarquia espanhola ao realizarem o primeiro voo de instrução conjunto desde que a herdeira iniciou sua formação militar. A atividade ocorreu na Academia Geral do Ar e do Espaço, em San Javier, na região de Múrcia, durante as comemorações dos 12 anos de reinado do monarca.
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Embora tenham participado da mesma missão, pai e filha voaram em aeronaves diferentes do modelo Pilatus PC-21. A decisão segue uma tradição não escrita adotada por casas reais para preservar a continuidade da linha sucessória, evitando que o soberano e o herdeiro direto compartilhem a mesma aeronave em operações aéreas.
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Antes da decolagem, Felipe VI e Leonor participaram juntos da preparação técnica do voo, revisando detalhes da operação. Em seguida, sobrevoaram a região de La Manga del Mar Menor em trajetos paralelos. A princesa foi acompanhada pela instrutora, capitã Elena Gutiérrez.
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O voo representa mais um marco na formação militar de Leonor, que está na etapa final de um programa iniciado há três anos. A herdeira já passou pela Academia Geral Militar do Exército de Terra e pela Escola Naval Militar da Marinha. Atualmente, conclui sua preparação na Academia Geral do Ar e do Espaço. Nos últimos meses, a princesa participou de preparações pré-voo, briefings operacionais, inspeção de aeronaves e voos de treinamento, além de treinamento em simulador de voo.
Nos próximos meses, a princesa receberá as patentes correspondentes aos três ramos das Forças Armadas espanholas. Recentemente, ela também concluiu um curso básico de paraquedismo na Base Aérea de Alcantarilla, tornando-se a primeira integrante da família real espanhola a obter essa qualificação.
Princesa Leonor celebra primeiro voo com colegas da Academia Geral de Aviação
Divulgação | Casa Real da Espanha
A princesa Leonor passa por uma longa preparação para assumir, no futuro, o trono espanhol. Felipe VI, que foi proclamado rei em 19 de junho de 2014, também teve formação militar completa e possui habilitação como piloto militar. Após a conclusão da carreira militar, Leonor cursará Ciências Políticas na Universidade Carlos III de Madrid.
Um vírus sem vacina, um território marcado pela atuação de grupos armados e uma população desconfiada: o Ebola voltou a surgir em meados de maio na região de fronteira entre a República Democrática do Congo (RDC), Uganda e Sudão do Sul. Desde então, as autoridades de saúde travam uma corrida contra o tempo para conter a epidemia.
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Em 15 de maio, a República Democrática do Congo declarou a 17ª epidemia de Ebola de sua história. No dia anterior, exames realizados em um laboratório da capital, Kinshasa, haviam confirmado a presença do vírus.
O epicentro da crise está localizado em Ituri, uma província instável do nordeste congolês, caracterizada pela intensa circulação de pessoas ligada à atividade mineradora. Naquele momento, já haviam sido registrados 246 casos suspeitos, incluindo 80 mortes.
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Na mesma noite, a vizinha Uganda anunciou uma morte causada pelo vírus em seu território. A vítima era um congolês que estava de passagem pela capital, Kampala. O governo ugandês enfatizou que se tratava de um caso “importado”. O país, que atualmente contabiliza 19 casos confirmados e duas mortes, fechou sua fronteira com a RDC.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de interesse internacional e alertou para a “amplitude e rapidez” da epidemia, que provavelmente durará meses. Já o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), agência sanitária da União Africana, estima que dez países africanos da região estejam ameaçados.
— No início, pensávamos que se tratava de uma epidemia fora do comum — afirmou à AFP o virologista congolês Jean-Jacques Muyembe, um dos descobridores do vírus Ebola.
Entenda: Ebola na RD Congo tem taxa de mortalidade de 23% em quase um mês após início da epidemia
O Ebola, que provoca febre hemorrágica e é transmitido pelo contato com fluidos corporais, matou mais de 15 mil pessoas na África nos últimos 50 anos. A epidemia mais letal registrada na RDC ocorreu entre 2018 e 2020, causando cerca de 2.300 mortes entre 3.500 casos identificados.
‘Bundibugyo’
Durante uma entrevista coletiva, o ministro da Saúde da RDC, Samuel Roger Kamba, alertou:
— Bundibugyo não tem vacina nem tratamento específico.
As vacinas atualmente disponíveis são eficazes apenas contra a cepa Zaire do vírus, responsável pelas maiores epidemias de Ebola no passado. Por isso, a resposta sanitária depende principalmente do isolamento dos pacientes e do rastreamento de pessoas que tiveram contato com eles.
Ebola: diretor-geral da OMS visita epicentro da epidemia na República Democrática do Congo
O anúncio gerou preocupação além das fronteiras africanas. Os Estados Unidos passaram a restringir a concessão de vistos para estrangeiros que viajaram por áreas consideradas de risco.
Em uma mensagem publicada na rede X, o presidente congolês, Félix Tshisekedi, pediu “calma” à população e garantiu ter determinado a adoção de “todas as medidas necessárias para reforçar a resposta sanitária”.
Uma semana após a declaração da epidemia, o número de mortes provavelmente causadas pelo vírus havia chegado a 204, entre 867 casos suspeitos.
As autoridades congolesas suspenderam temporariamente os voos de e para Bunia, capital de Ituri. O aeroporto da cidade, no entanto, é fundamental para o transporte de equipamentos e profissionais humanitários até a área afetada.
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O diretor do Africa CDC, Jean Kaseya, prometeu uma vacina contra a cepa Bundibugyo até o fim do ano. Estudos clínicos estão sendo avaliados.
Com a Copa do Mundo de 2026 em andamento nos EUA, Canadá e México, Washington solicitou que países europeus com ligações aéreas com nações africanas em risco — como França, Bélgica e Itália — também suspendessem a emissão de vistos. Os governos europeus recusaram o pedido.
Canadá, Bahamas, Bahrein, Jordânia e Maurício adotaram restrições de entrada.
‘Médicos confundidos’
O vírus se espalha rapidamente, enquanto a capacidade de testagem da RDC permanece limitada. Duas semanas após o anúncio oficial da epidemia, já haviam sido registrados quase 1.140 casos suspeitos, incluindo 246 mortes provavelmente relacionadas à doença.
Em Bunia, jornalistas da AFP testemunharam cenas alarmantes. Pacientes com hemorragias chegavam às pressas aos centros de saúde na garupa de mototáxis. Na maioria dos casos, nem os passageiros nem os motoristas utilizavam qualquer tipo de proteção.
Em Ituri, a resposta sanitária demorou a se organizar, embora moradores entrevistados pela AFP relatassem uma sequência de mortes inexplicáveis desde março. Entre as comunidades, espalhou-se o rumor de que uma “doença mística” estaria causando os óbitos.
Surto de ebola: Diretor da OMS visita capital da República Democrática do Congo antes de viajar à cidade epicentro da epidemia
Profissionais humanitários e cientistas afirmam que as autoridades demoraram para detectar o vírus e manifestam preocupação com a lentidão das medidas de combate.
Os sinais hemorrágicos da variante Bundibugyo costumam aparecer tardiamente. Inicialmente, a doença apresenta sintomas semelhantes aos da malária.
— Os médicos ficaram confundidos — explica o professor Muyembe.
A OMS, porém, já havia recebido um alerta em 5 de maio sobre uma doença desconhecida e altamente letal surgida em Mongbwalu, cidade mineradora de cerca de 130 mil habitantes, onde quatro profissionais de saúde morreram em apenas quatro dias.
Entretanto, exames realizados em Bunia deram resultado negativo para Ebola. Segundo explicou mais tarde o ministro Samuel Roger Kamba, o laboratório local possuía reagentes para detectar a cepa Zaire, mas não a variante Bundibugyo.
‘Parar essa coisa’
Em Ituri, onde parte da população vive abandonada à violência de grupos armados responsáveis por frequentes massacres, o Estado congolês está ausente há anos, e os profissionais de saúde enfrentam a desconfiança das comunidades.
Incidentes foram registrados em alguns hospitais, provocados por moradores revoltados que exigiam a entrega dos corpos de parentes mortos em decorrência do vírus.
No fim de maio, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, visitou Kinshasa e Bunia.
— Mesmo que a situação seja complexa, acredito que podemos parar essa coisa — afirmou.
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O governo congolês criticou o que chamou de “alarmismo”, sustentando que a situação não é “como está sendo percebida internacionalmente”.
A organização Médicos Sem Fronteiras, presente na região, afirmou que os números oficiais “provavelmente refletem apenas parte da realidade”. Outras ONGs atuando no local também demonstraram preocupação com falhas graves na organização da resposta à epidemia.
Cientistas, trabalhadores humanitários e autoridades internacionais de saúde avaliam que a dimensão real da crise, que já se espalhou por três províncias da RDC e também por Uganda, ainda é desconhecida.
Segundo o balanço oficial mais recente, a epidemia já infectou 875 pessoas e provocou 202 mortes até o momento.

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