‘O chão fazia eu quicar’: Venezuelanos relatam pânico durante terremotos que devastaram prédios e deixaram centenas de mortos
‘Tudo desabou’: Imagens de satélite mostram antes e depois de área mais devastada por terremotos na Venezuela
Militares e equipes técnicas de Brasil, Estados Unidos, incluindo El Salvador, México e Suíça — em um total de 17 países — chegaram a Caracas nas últimas horas, somando-se a uma corrida contra o relógio liderada por bombeiros e civis venezuelanos para localizar sobreviventes sob as toneladas de concreto que ruíram na noite de quarta. Especialistas em resgate com vítimas soterradas definem o período de 48 a 72 horas após o incidente como uma janela com maior probabilidade de encontrar pessoas com vida. O Comando Sul das Forças Armadas dos EUA divulgaram uma imagem do general Kevin J. Jarrard no país, anunciando que ele será o responsável por coordenar as ações das Forças Armadas americanas em apoio às operações humanitárias.
Initial plugin text
Retroescavadeiras e equipes com cães-farejadores foram flagradas trabalhando durante a madrugada em Caracas, onde os impactos foram extensos. Em La Guaira, departamento a norte da capital, foram mais de 100 edifícios que caíram em decorrência dos tremores, segundo fontes venezuelanas — com um número potencial de milhares de vítimas: os Serviços Geológicos dos EUA (USGS, na sigla em inglês) indicaram probabilidade de 39% que o número total de vítimas ficasse entre mil e 10 mil.
Ofertas de apoio chegaram de diversas partes do mundo, com Suíça, Espanha, França, Portugal e México entre os países que enviaram especialistas e equipes de resgate. China, Índia, Brasil e o Irã, devastado pela guerra, também ofereceram ajuda, enquanto o papa Leão XIV enviou uma primeira contribuição de 100 mil euros (cerca de US$ 114.050). O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar “profundamente entristecido” com a tragédia, enquanto a organização prometeu prestar assistência à Venezuela.
Equipe de resgate com cães-farejadores holandesa embarca rumo à Venezuela para auxiliar em resgates
Rob Engelaar/ANP/AFP
Embora o balanço oficial permaneça em 235 mortos e 4,3 mil feridos, plataformas on-line criadas para localizar desaparecidos somam milhares de registros. Não há confirmação se os listados estão soterrados ou apenas perderam comunicação com suas famílias em razão do caos. O presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, informou na quinta-feira que mais de 200 pessoas estariam sob os destroços — um número que é questionado por observadores, enquanto as vítimas são identificadas.
Autoridades diplomáticas em Portugal e Espanha confirmaram nesta sexta-feira que nove cidadãos portugueses e três espanhóis morreram nos terremotos, além de 155 cidadãos cujo paradeiro é desconhecido — 99 espanhóis e 56 lusitanos. Cidadãos venezuelanos relatam uma busca incessante por parentes.
Veja imagens do maior abalo registrado na Venezuela em mais de um século
— Ele está aqui — disse entre entre lágrimas Alessandro del Giudice, um jovem de 23 anos que tentava encontrar o pai sob uma montanha de escombros em La Guaira, ouvido pela AFP, enquanto sua avó, Amparo, tentava retirar as ruínas com as próprias mãos.
Em uma entrevista à TV pública do país, o vice-presidente setorial de Obras Públicas e Serviços da Venezuela, Juan José Ramírez, explicou que as operações estão sendo realizadas com diversos tipos de maquinário e fez um pedido à população para que permita que as equipes especializadas de proteção civil realizem o trabalho técnico.
— Muitas vezes, voluntários que tentam ajudar podem, na verdade, piorar a situação — disse Ramírez, apontando que a prioridade é “salvar vidas”. (Com AFP)









