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Os corpos foram descobertos durante uma inspeção surpresa realizada em agosto do ano passado na funerária Davis Mortuary, na cidade de Pueblo, pelo Escritório de Serviços de Ciências Funerárias e Mortuárias do Colorado. Durante a fiscalização, os inspetores seguiram um forte odor de decomposição até uma porta bloqueada por um painel de papelão.
Depois que o painel foi retirado, Brian Cotter pediu que os inspetores não entrassem no cômodo. Mesmo assim, a equipe prosseguiu com a inspeção e encontrou, segundo registros estaduais, “vários corpos em diferentes estágios de decomposição”.
Brian Cotter informou aos inspetores que alguns dos restos mortais aguardavam cremação havia até 15 anos. Dos 24 corpos encontrados, 19 já haviam sido identificados no momento citado pelas autoridades.
Investigação apura entrega de cinzas erradas
Brian Cotter atuava como legista do condado de Pueblo e renunciou ao cargo pouco depois da descoberta dos corpos, segundo o Conselho de Comissários do Condado de Pueblo.
As investigações também levantaram a possibilidade de que algumas famílias tenham recebido cinzas que não pertenciam a seus parentes. Durante a inspeção, Brian Cotter afirmou aos fiscais que poderia ter entregue restos cremados incorretos aos familiares.
— As evidências descobertas durante esta investigação revelam um completo desrespeito à dignidade dos falecidos e uma profunda traição à confiança depositada na Davis Mortuary pelas famílias de nossa comunidade — afirmou Armando Saldate, diretor do Departamento de Investigação do Colorado.
Um juiz do condado de Pueblo fixou fiança de US$ 1 milhão para cada um dos irmãos.
Funerária funciona desde 1905
O site da Davis Mortuary permanecia no ar e informava que a empresa familiar atende moradores de Pueblo e região desde 1905. A funerária afirma ter inaugurado o primeiro crematório do sul do Colorado em 1971 e informa que Brian e Christopher Cotter adquiriram o negócio em 1989.
Na apresentação dos proprietários, o site dizia: “Brian e Chris Cotter são capazes de atender seus amigos e vizinhos de toda a região com uma compaixão que hoje em dia às vezes é rara no setor funerário”.
Colorado registra outros casos envolvendo funerárias
O caso se soma a outras investigações envolvendo funerárias no Colorado.
Em fevereiro, Jon Hallford foi condenado a 40 anos de prisão por armazenar pelo menos 190 corpos em decomposição e entregar às famílias cinzas falsas de seus parentes. Em março, sua esposa, Carie Hallford, foi condenada a 18 anos de prisão, segundo promotores federais.
Outro caso ocorreu em 2022, quando Megan Hess e sua mãe, Shirley Koch, foram processadas por roubo e venda de partes de corpos. Megan Hess foi condenada a 20 anos de prisão em 2023, enquanto Shirley Koch recebeu pena de 15 anos, de acordo com promotores federais.









