Contexto: Ucrânia aprimora drones e ataca estradas e ferrovias estratégicas para impor ‘bloqueio logístico’ à Rússia
Entenda: Escassez de soldados leva Ucrânia a ampliar uso de robôs para conter avanço russo no campo de batalha
O anúncio ocorre em meio à escassez de combustível e aos cortes de energia provocados pelos ataques ucranianos às cadeias logísticas e às instalações petrolíferas na Crimeia, no restante da Ucrânia ocupada pela Rússia e no sul do território russo. Em mensagem no Telegram, Aksionov escreveu que “foi tomada a decisão (…) de assinar decretos declarando situação de emergência em nível regional na República da Crimeia e na cidade de Sebastopol”.
Segundo o governador, a situação de emergência permitirá uma “rápida resolução das questões relacionadas à garantia do funcionamento estável de todos os setores”. Um dia antes, ele havia reconhecido que a Crimeia “está passando por um momento difícil” e que “a situação do combustível é a mais complicada”, acrescentando:
“Não posso dizer exatamente quanto tempo isso levará, nem divulgar publicamente o plano de ação específico. No entanto, estamos tomando medidas”, disse, admitindo que a Rússia não consegue proteger totalmente a península. “Infelizmente (…) não existem sistemas de defesa aérea no mundo que sejam absolutamente perfeitos em termos de segurança e eficácia”.
A medida foi anunciada após a Ucrânia intensificar os ataques aéreos que, segundo Kiev, são uma resposta aos bombardeios quase diários da Rússia contra civis e infraestrutura energética ucraniana desde o início da guerra, em fevereiro de 2022. O Ministério da Defesa da Rússia informou nesta sexta-feira que suas defesas aéreas derrubaram 660 drones ucranianos durante a noite, incluindo aparelhos que sobrevoavam Moscou e a Crimeia anexada, um dos maiores números registrados desde o início da guerra.
A Ucrânia tem concentrado seus ataques em instalações russas de processamento e exportação de petróleo, numa tentativa de reduzir uma importante fonte de receita do Kremlin para financiar o esforço de guerra. Na semana passada, um ataque ucraniano provocou um grande incêndio em uma refinaria no sudeste de Moscou, cobrindo os subúrbios da capital com densas colunas de fumaça preta.
Em entrevista por telefone à AFP, uma moradora de Moscou que passava férias em Feodosia, na costa sudeste da Crimeia, disse que “todos estão com medo: moradores e visitantes”. Após um ataque ocorrido durante a madrugada, ela relatou:
— Tivemos medo de nunca mais acordar, rezamos a noite inteira. O céu parecia Star Wars.
Apesar da guerra, que matou dezenas de milhares de pessoas e devastou extensas áreas da Ucrânia, a Crimeia continua sendo um destino turístico popular entre os russos. Na segunda-feira, o Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que os ataques de suas forças estavam “encerrando a temporada de praia na Crimeia”. Ao listar ofensivas contra depósitos de petróleo, estações compressoras de gás e sistemas de defesa aérea, o ministério escreveu nas redes sociais que “a previsão para os turistas é desfavorável”.
A Rússia anexou a Crimeia em 2014, movimento que não é reconhecido pela maior parte da comunidade internacional, incluindo muitos aliados de Moscou. O território às margens do Mar Negro é considerado estratégico pelo presidente Vladimir Putin, que classificou a anexação como uma vitória histórica e, desde então, destinou recursos para a península. A Ucrânia sustenta que a Crimeia é parte inalienável de seu território e afirma que jamais abrirá mão dela formalmente.
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