Sem cessar-fogo definitivo: controle de Ormuz, estoques de urânio e ativos travam acordo entre EUA e Irã no Paquistão
‘É o último alerta’: Por rádio, Irã adverte navios de guerra dos EUA que testaram controle iraniano sobre Estreito de Ormuz
O anúncio foi feito por Trump neste domingo, em publicações na rede Truth Social, um dia após os EUA informarem que dois navios de guerra entraram na região do estreito e as negociações com o Irã terminarem sem um acordo definitivo no Paquistão.
Especialistas em direito internacional apontam que países tendem a evitar o uso da classificação de ‘bloqueio’ por suas implicações, preferindo termos como “embargo”, voltado a restringir bens específicos, ou “quarentena”, usada para conter ameaças sem caracterizar formalmente um conflito.
Initial plugin text
O uso da palavra não é inédito. Trump já havia falado em “bloqueio” ao mencionar planos para interromper exportações de petróleo da Venezuela, pouco antes de ordenar ações militares no país.
Historicamente, líderes buscaram alternativas semânticas para evitar a escalada formal de conflitos. Em 1962, durante a crise dos mísseis em Cuba, o então presidente John F. Kennedy optou por classificar como “quarentena” a tentativa de impedir o envio de armamentos soviéticos à ilha. Analistas apontam que a China poderia adotar estratégia semelhante em relação a Taiwan, evitando o termo “bloqueio” para não sinalizar o início de uma guerra.
De acordo com definição da Oxford University Press, um bloqueio é uma operação militar destinada a impedir a entrada ou saída de embarcações e aeronaves — tanto de países inimigos quanto neutros — de áreas sob controle de uma nação adversária.
Após fracasso no Paquistão: ‘EUA agora têm de decidir se podem ganhar nossa confiança ou não’, diz negociador-chefe do Irã
Nos EUA, a iniciativa também enfrenta questionamentos no campo político. O senador Mark Warner, principal democrata no Comitê de Inteligência do Senado, criticou a lógica da medida e disse não ver como ela poderia levar o Irã a reabrir o estreito.
— Não entendo como bloquear o estreito vai, de alguma forma, pressionar os iranianos a reabri-lo — afirmou, em entrevista à CNN.
Warner destacou ainda que o Irã mantém uma frota de centenas de pequenas embarcações de ataque capazes de operar na região, o que, segundo ele, limita a eficácia da estratégia americana. O senador acrescentou que relatórios de inteligência indicam que a atual liderança iraniana é mais radical do que a anterior.
— A ideia de que o presidente age como se estivesse surpreso com o fechamento do estreito ou com ataques a aliados no Golfo mostra que ele ou não está sendo devidamente informado, ou não está acompanhando os relatórios — disse.
Levantamento: Ataques dos EUA e de Israel deixaram escolas e hospitais em ruínas no Irã
Segundo ele, esse cenário ajuda a explicar por que nenhum outro presidente americano adotou uma medida semelhante ao longo de décadas.









