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Dias antes de o premier israelense, Benjamin Netanyahu, anunciar a expansão de uma “zona-tampão” em território libanês, através de novas operações terrestres, o chefe do Estado-Maior do país, Eyal Zamir, fez um alerta ao governo: o Exército corre hoje o risco de “entrar em colapso sob o próprio peso”, citando a exaustão das tropas após dois anos e meio de combates em múltiplas frentes, o déficit de novos soldados e os questionados benefícios concedidos a uma parcela da sociedade do país.
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Se dirigindo aos membros do Gabinete de segurança do governo, na quarta-feira passada, Zamir disse que estava “levantando 10 bandeiras vermelhas antes que as Forças Armadas de Israel (IDF, na sigla em inglês) entrem em colapso”, citando especificamente a falta de soldados.
— Em breve, as IDF não estarão preparadas para suas missões de rotina e o sistema de reservas não se sustentará — disse Zamir, citado pelo Canal 13.
Segundo o Exército, há um déficit de 15 mil soldados, incluindo 8 mil para ações de combate. No começo de janeiro, semanas antes da guerra contra o Irã, Zamir afirmou a Netanyahu e outras lideranças políticas que a inação deles poderia afetar a prontidão militar e tornar o país menos seguro.
“A realidade da segurança nos últimos dois anos trouxe desafios sem precedentes e impactos significativos nas diversas unidades de pessoal das Forças de Defesa de Israel”, escreveu Zamir em carta a Netanyahu.
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Desde outubro de 2023, quando o Hamas realizou o maior ataque da História de Israel e matou quase 1,2 mil pessoas, o Exército israelense se vê em estado constante de guerra. A começar por Gaza, em um conflito destinado a eliminar o grupo palestino e recuperar os 250 reféns capturados na invasão. A ofensiva terrestre se estendeu por todo o território, e mesmo após o cessar-fogo firmado em outubro do ano passado as tropas seguem em zonas controladas por Israel. Mais de 70 mil palestinos foram mortos e centenas de milhares ficaram feridos — entre os militares israelenses, foram 472 mortos.
Um menino palestino procura material reciclável em um aterro sanitário tendo como pano de fundo prédios destruídos em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza
Bashar Taleb / AFP
Mas a pegada militar foi mais ampla. Israel lançou, em outubro de 2024, uma ofensiva terrestre contra o grupo Hezbollah no Líbano, em conjunto com ataques aéreos que eliminaram lideranças do grupo e destruíram boa parte da infraestrutura civil do país árabe. No final daquele ano, forças israelenses invadiram a Síria após a queda do ditador Bashar al-Assad e estabeleceram uma “zona de segurança”, similar à que Netanyahu quer criar em sua nova ofensiva contra o território libanês, iniciada há cerca de duas semanas e que deixou mais de mil mortos, deslocando um milhão de civis.
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Na Cisjordânia ocupada, o governo Netanyahu avançou com leis que ampliam o acesso de terras palestinas aos colonos judeus, e os ataques recorrentes contra a população árabe contam com o aval e o apoio dos militares israelenses. Em janeiro do ano passado, Israel deu início à “Operação Muro de Aço”, que ampliou ataques contra cidades e vilas palestinas, sob pretexto de prender membros de grupos extremistas, como o Hamas. Na reunião, Zamir afirmou que novos comandos militares foram mobilizados para a região para conter o avanço de atos de terrorismo realizados pelos colonos judeus, e disse que deve precisar de mais um batalhão em breve.
Gravação registrou momento em que palestinos foram mortos por soldados israelenses na Cisjordânia
Palestine TV
A guerra contra o Irã, embora travada à distância, exigiu um reforço em postos da Marinha, Força Aérea, Inteligência e especialistas em operações de busca e resgate. No dia 1º de março, quando começou o conflito, Netanyahu convocou 100 mil reservistas. Segundo a rádio estatal KAN, o premier deve anunciar a convocação de 400 mil reservistas nos próximos dias, citando a expansão no Líbano.
— Esta é a sua política, mas ela exige segurança e um pacote completo de proteção, porque a realidade no terreno mudou completamente, e isso requer mão de obra — afirmou Avi Bluth, chefe do Comando Central, na mesma reunião em que Zamir fez o alerta ao Gabinete de segurança, citado pelo Jerusalem Post.
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Há um ponto crucial nas críticas dos generais: a pouca disposição do governo Netanyahu — apoiado por partidos religiosos — para obrigar os judeus ultraortodoxos (haredim) a servirem nas Forças Armadas. Desde a criação do Estado de Israel, eles recebem uma espécie de “passe livre” para não cumprir o serviço militar obrigatório, mas a oposição a essa política ganhou corpo em meio às guerras. De acordo com o ex-premier Naftali Bennett, há hoje 100 mil homens ultraortodoxos aptos a servir.
— Estamos sendo solicitados a cobrir uma gama crescente de missões — disse, na quinta-feira passada, o porta-voz do Exército, Effie Defrin, ao comentar as declarações de Zamir, que cobrou a convocação dos haredim. — O chefe do Estado-Maior é obrigado a expressar sua posição em relação à prontidão das Forças Armadas de Israel, e o que se exige é a aprovação do projeto de lei [sobre a convocação dos ultraortodoxos].
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Em junho de 2024, a Suprema Corte de Israel determinou que os ultraortodoxos deveriam ser convocados, e ordens de prisão chegaram a ser emitidas aos que ignoraram o chamado, mas o governo Netanyahu não parece disposto a aprovar uma lei sobre o tema. No começo do mês, o premier anunciou que o projeto em tramitação no Parlamento sobre os haredim sairia de pauta para garantir o apoio dos partidos religiosos na votação do Orçamento, aprovado no domingo. O texto destinou o equivalente a R$ 1,3 bilhão a programas de instituições ultraortodoxas.
“O governo precisa parar com a covardia e suspender imediatamente todos os repasses de verbas para os desertores haredim. Enviem a polícia militar atrás dos desertores e convoquem os haredim sem hesitar”, afirmou o líder da oposição, Yair Lapid, na rede social X, na semana passada. “O aviso foi dado. A responsabilidade é de vocês. Está em suas mãos. Vocês não podem continuar abandonando a segurança de Israel, em tempos de guerra, por questões políticas mesquinhas.”
Sem forças de combate regulares à disposição, os reservistas servem como recurso básico para manter as guerras de Netanyahu. Depois de cumprir o serviço militar obrigatório, praticamente todos os cidadãos aptos passam a fazer parte da reserva, e podem ser mobilizados às pressas. Mas ao contrário das missões de curto prazo, como era de praxe até tempos recentes, desde 2023 os convocados às vezes passam mais de 100 dias no Exército, congelando suas vidas por semanas. A insatisfação é evidente, e o número de reservistas que ignoram os chamados é cada vez maior.
— Temos batalhas para travar em casa — disse ao portal YNet um reservista que não atendeu à convocação em dezembro. —Há caras na equipe que foram demitidos de seus empregos, outros cujas famílias mal conseguem se sustentar, ou que estão prolongando seus estudos há muito tempo. Este é um problema, uma complexidade difícil de descrever.

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Um avião da Frontier Airlines atingiu e matou uma pessoa na pista enquanto decolava do Aeroporto Internacional de Denver, nos Estados Unidos, na noite desta sexta-feira, informaram as autoridades locais. Os pilotos abortaram a decolagem, e a aeronave foi evacuada após o relato de um incêndio no motor.
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O jato Airbus A321, com 224 passageiros e sete tripulantes, partia no voo 4345 para o Aeroporto Internacional de Los Angeles quando colidiu com o indivíduo, segundo comunicados da Frontier e da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA).
Foi relatada a presença de fumaça dentro da aeronave, e os passageiros foram evacuados em segurança por escorregadores de emergência como medida de precaução, disse a companhia aérea.
Em nota na manhã deste sábado, a FAA disse que investiga o caso. Já o aeroporto de Denver informou que a vítima havia pulado a cerca perimetral e foi atingida minutos depois enquanto atravessava a pista. A pessoa, que ainda não foi identificada, não seria funcionária do aeroporto, acrescentou a nota.
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O aeroporto examinou a linha de cercas após o incidente e afirmou que ela estava intacta. Sean Duffy, secretário de Transportes dos EUA, descreveu a vítima como um invasor que “violou a segurança do aeroporto internacional de Denver, escalou deliberadamente uma cerca perimetral e correu até uma pista”.
Uma gravação publicada pelo aplicativo ATC.com, que retransmite comunicações de rádio do tráfego aéreo, captou os pilotos descrevendo o incidente. “Estamos parando na pista”, disse um deles à torre de controle de tráfego aéreo. “Acabamos de atingir alguém. Temos um incêndio no motor”, continuou. Mais tarde, um piloto informou à torre que “um indivíduo estava caminhando pela pista”.
Depois, a tripulação informou ao controle de tráfego aéreo que estava evacuando o avião na pista por causa da fumaça no interior da aeronave. Segundo o aeroporto, o episódio aconteceu por volta das 23h20 no horário local, e os bombeiros apagaram um incêndio no motor do avião.
De acordo com uma reprodução de dados do site de rastreamento de voos Flightradar24, o avião parou bruscamente na pista logo após começar a acelerar para a decolagem. Os passageiros foram levados de volta ao terminal dentro de um ônibus. Ao todo, 12 pessoas tiveram ferimentos leves, e cinco foram encaminhadas a hospitais próximos.
Assim como a FAA, a Frontier Airlines e o aeroporto afirmaram que as investigações estão em andamento. O aeroporto informou ainda que o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) foi notificado. Em nota, o NTSB disse que trabalha para reunir informações em conjunto com a FAA e agências locais.
Apesar do ocorrido, o aeroporto de Denver não relatou grandes interrupções nas operações aéreas. A pista 17L, que foi fechada após a colisão, é uma das seis do aeroporto.
A Rússia e a Ucrânia se acusaram mutuamente, neste sábado, de violar um cessar-fogo de três dias mediado pelos Estados Unidos e anunciado pelo presidente americano, Donald Trump. O mandatário russo, Vladimir Putin, disse ainda que não recebeu uma proposta da Ucrânia sobre troca de prisioneiros.
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Segundo o Exército ucraniano, desde o começo do dia, o número de ataques russos ao país chegou a 51. Enquanto isso, o Ministério da Defesa da Rússia afirma que, “apesar da declaração de cessar-fogo, os grupos armados ucranianos lançaram ataques com drones e artilharia contra as posições de nossas tropas”.
Neste sábado, Putin também sinalizou para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) durante a comemoração da vitória soviética contra os nazistas. Neste ano, a celebração na Praça Vermelha de Moscou foi realizada em formato reduzido, com duração de apenas 45 minutos, incluindo o discurso presidencial. Não foram exibidos armamentos devido ao temor de ataques ucranianos.
De modo diferente do ano passado, quando compareceram cerca de vinte dirigentes internacionais de países como China e Brasil, desta vez participaram apenas alguns líderes aliados, de nações como Belarus, Cazaquistão, Malásia e Eslováquia.
Em seu discurso, Putin afirmou que “o grande sucesso da geração vencedora (da Segunda Guerra Mundial) inspira hoje os soldados que realizam a operação militar especial (na Ucrânia)”.
— Eles enfrentam uma força agressiva, armada e apoiada pelo conjunto do bloco da Otan. Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa e será para sempre — continuou.
Após mais de quatro anos de conflito, a Rússia controla cerca de 20% da Ucrânia, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.
Nas comemorações, exibidas na televisão russa, participaram soldados da Coreia do Norte, que em 2025 ajudaram Moscou a expulsar as tropas ucranianas da região russa de Kursk.
A celebração, que teve início às 10h do horário local, é um evento-chave que permite a Putin exaltar a memória do triunfo soviético em 1945 e unir a população russa em apoio à campanha militar na Ucrânia.
Neste ano, porém, as comemorações estavam ameaçadas pelos incessantes ataques com drones de Kiev e, apesar do cessar-fogo, os moradores de Moscou não pareciam esperançosos de que a paz retornaria em breve.
O fim do conflito “não será tão cedo, por mais que todos queiramos a paz”, disse à AFP Elena, uma economista de 36 anos que preferiu não informar o sobrenome e que estava principalmente contrariada com o corte da internet.
A conexão móvel foi cortada no centro de Moscou durante o ato, e muitas ruas da capital estavam quase vazias, constataram jornalistas da AFP.
O 9 de maio é “um dia como qualquer outro”, acrescentou Daniil, de 26 anos, a caminho da academia. Questionado se esta breve trégua é o prelúdio para a paz, o russo respondeu com um breve “não”.
Após duas tentativas de trégua, primeiro ucraniana e depois russa, que não foram respeitadas nesta semana, Trump anunciou na sexta-feira um cessar-fogo de três dias entre as partes a partir deste sábado.
“Esperemos que seja o princípio do fim de uma guerra muito longa, mortal e difícil”, escreveu o mandatário americano em sua plataforma Truth Social, ao especificar que a medida seria acompanhada de uma “troca” de mil prisioneiros de cada país.
Trump considerou que o fim da guerra está “cada vez mais próximo”, enquanto nesta semana foram retomadas as conversas entre negociadores ucranianos e americanos na Flórida.
Essas conversas haviam ficado em segundo plano desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. Na sexta-feira, Volodymyr Zelensky disse que espera a chegada à Ucrânia, nas próximas semanas, dos enviados de Washington.
O Ministério da Saúde do Líbano informou que um ataque israelense à cidade de Saksakiyeh, no sul do país, matou pelo menos sete pessoas, incluindo uma menina, no mais recente ataque durante o cessar-fogo da guerra entre Israel e Hezbollah.
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Em comunicado, o ministério afirmou que “o bombardeio do inimigo israelense à cidade de Saksakiyeh, no distrito de Sidon, resultou em um balanço preliminar de sete mártires, incluindo uma menina, e 15 feridos, entre eles três crianças”.
Matéria em atualização.
O Reino Unido anunciou neste sábado que vai deslocar para o Oriente Médio o destróier HMS Dragon, atualmente no Mediterrâneo, em preparação para uma futura missão internacional de proteção ao transporte marítimo no Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais estratégicas do planeta.
Segundo o Ministério britânico da Defesa, a decisão faz parte de um esforço de “planejamento rigoroso” para que o país esteja pronto “para garantir a segurança do estreito, quando as condições permitirem”, no âmbito de uma coalizão internacional co-liderada com a França.
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A movimentação amplia a resposta ocidental à instabilidade no Golfo Pérsico, em um momento em que o Estreito de Ormuz se tornou um dos principais focos de tensão geopolítica após o conflito iniciado em 28 de fevereiro com bombardeios israelense-americanos contra o Irã — ofensiva interrompida por uma trégua que entrou em vigor em 8 de abril.
Rota vital para energia global
Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passavam pelo Estreito de Ormuz, corredor marítimo estreito, mas crucial, entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico.
A quase interrupção do tráfego na região provocou impacto global: problemas no abastecimento de combustíveis na Ásia, pressão operacional sobre companhias aéreas e aceleração da inflação na Europa.
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O novo cenário agravou o embate entre Teerã e Washington.
O Irã passou a defender a cobrança de taxas para embarcações que cruzem o estreito — proposta rejeitada pelos Estados Unidos, que alegam defender a liberdade de navegação em águas internacionais.
Além disso, a república islâmica bombardeou embarcações na região em resposta à ofensiva israelense-americana.
Mesmo ferido e isolado: líder supremo do Irã influencia estratégia da guerra e negociações com EUA, diz CNN
Do outro lado, Washington endureceu sua pressão ao impor, desde 13 de abril, um bloqueio naval aos portos iranianos com o objetivo de impedir a exportação de petróleo pelo país.
Teerã questiona ‘seriedade’ dos EUA
Neste sábado (9), o Irã colocou em dúvida a “seriedade da diplomacia dos Estados Unidos” nas negociações em curso para o conflito no Oriente Médio, sem anunciar resposta à mais recente proposta apresentada por Washington.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, expressou ceticismo durante conversa telefônica com seu par turco, Hakan Fidan, um dia após novos confrontos aumentarem a temperatura da guerra.
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“A recente escalada de tensões por parte das forças americanas e suas múltiplas violações do cessar-fogo reforçam nossas suspeitas sobre a motivação e a seriedade da parte americana na diplomacia”, afirmou Araghchi, informou a agência iraniana Isna.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou na sexta-feira que esperava uma resposta rápida dos iranianos à proposta destinada a pôr fim de maneira duradoura às hostilidades. “Devo recebê-la ainda nesta noite”, afirmou a jornalistas.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, citado pela televisão estatal, indicou que o Irã segue estudando a proposta americana.
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, desempenha papel crucial na estratégia da guerra e na condução das negociações com os Estados Unidos, revelou a rede CNN neste sábado, a partir de fontes da inteligência americana. Mojtaba não é visto em público desde o primeiro dia da guerra, quando seu pai, Ali Khamenei, e outros familiares morreram no ataque coordenado dos EUA e de Israel do dia 28 de fevereiro. De forma reservada ao Wall Street Journal, uma autoridade iraniana informou que o líder supremo tem ferimentos no joelho e nas costas, além de queimaduras graves que atingiram rosto, braço, tronco e perna.
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Impasse diplomático: EUA aguarda resposta do Irã à proposta de paz enquanto ataque de Israel no Líbano põe em xeque cessar-fogo
A ausência da vida pública de Khamenei permanece, segundo autoridades, por uma questão de segurança. Parte da incerteza sobre a dimensão de sua influência nos processos internos do regime decorre do fato de o líder supremo não usar meios eletrônicos para se comunicar, interagindo apenas com os que visitam pessoalmente ou enviando mensagens através de interlocutor não identificado.
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Altos funcionários da Guarda Revolucionária Islâmica têm comandado as operações diárias no teatro de guerra, juntamente com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. No início da semana, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou à mídia estatal que teve uma reunião de duas horas e meia com Khamenei – que sucedeu seu pai após ele ter sido morto –, marcando o primeiro encontro presencial relatado entre uma alta autoridade iraniana e o líder supremo.
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, em discurso durante evento que marcou o aniversário de 47 anos da República Islâmica
Presidência do Irã/AFP
Khamenei permanece isolado, recebendo cuidados médicos. Na sexta-feira, Mazaher Hosseini, chefe do gabinete do líder supremo, afirmou que ele goza de “plena saúde”. Hosseini informou ainda que o pé e a região lombar de Khamenei sofreram ferimentos leves e que “um pequeno estilhaço o atingiu atrás da orelha”, mas que as feridas estão cicatrizando.
Um homem caminha ao lado de uma faixa instalada à beira da estrada em homenagem ao líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, em Teerã
AFP
— Ele está com boa saúde — disse Hosseini a uma multidão no Irã. — O inimigo está espalhando todo tipo de boatos e falsas alegações. Eles querem vê-lo e encontrá-lo, mas as pessoas devem ser pacientes e não se precipitar. Ele falará com vocês quando chegar a hora certa.
Em desafio a Trump: líder supremo afirma que Irã não abrirá mão de tecnologia nuclear e de mísseis
A manifestação foi a primeira em que o Irã divulgou publicamente os detalhes dos ferimentos sofridos pelo líder supremo. O corte atrás da orelha de Khamenei, ainda segundo Hosseini, não é visível pelo uso do turbante.
Em declaração escrita publicada em 30 de abril, Khamenei afirmou que o Irã garantiria a segurança da região do Golfo e acabaria com o que descreveu como “os abusos do inimigo” no Estreito de Ormuz, acrescentando que uma nova gestão da passagem traria “calma e segurança” para a região.
Questões sobre a saúde de Khamenei e sua posição dentro do hoje fragmentado regime iraniano têm representado um desafio para o governo Trump, já que altos funcionários americanos continuam a sugerir que não está claro quem detém agora a autoridade para de fato negociar um fim para o conflito, disseram as fontes.
— O sistema deles ainda é altamente fragmentado e também disfuncional, o que pode estar servindo de obstáculo — disse o secretário de Estado americano, Marco Rubio, na sexta-feira, ao comentar a resposta esperada do Irã à mais recente proposta do governo Trump para encerrar a guerra.
As consequências das operações americano-israelenses que mataram o pai de Khamenei e outros altos funcionários iranianos foram em grande parte antecipadas por avaliações contrárias da inteligência americana, afirma a CNN na reportagem deste sábado. Antes da decisão do presidente Donald Trump de iniciar o conflito, análises internas indicavam que a eliminação do então líder supremo dificilmente derrubaria o regime. “Mesmo que se remova o aiatolá, seus sucessores também são todos linha-dura”, disse a fonte, antecipando um governo iraniano amplamente controlado pela Guarda Revolucionária e outras figuras ideologicamente alinhadas com as que foram eliminadas.
Por outro lado, o presidente Trump tem repetido, desde a morte do Khamenei pai, de que o Irã passou por uma real mudança de regime, e descreveu os que agora negociam em nome de Teerã como “razoáveis”.
— Estamos lidando com pessoas diferentes de tudo que alguém já viu antes — disse Trump em março, mas as fontes de inteligência americana e o governo iraniano parecem atestar o contrário.
À CNN, Ali Vaez, diretor do projeto Irã no International Crisis Group, afirmou que, independentemente de o novo líder supremo estar ou não em posição de ajudar a conduzir de fato as negociações, “o sistema o utiliza para obter aprovação final para as grandes decisões estratégicas, e não para as táticas específicas de negociações”.
— O sistema deliberadamente destaca o envolvimento de Mojtaba, pois isso fornece um escudo protetor contra críticas internas — avaliou Vaez. — Ao contrário de seu pai, que aparecia regularmente para comentar o andamento das negociações, seu filho está, na prática, desaparecido em ação, portanto atribuir opiniões a ele é uma boa cobertura para que os negociadores iranianos se protejam de críticas.”
Uma das fontes familiarizadas com as recentes avaliações da inteligência americana ecoou essa visão à CNN, caracterizando a incerteza em torno do status de Khamenei como uma mistura de “O Mágico de Oz” com a franquia britânica “Todo Mundo Quase Morto”.
A busca do governo Trump por uma resolução negociada, frisa a CNN, tem sido prejudicada pelo que múltiplas fontes descreveram à rede de notícias como uma “incompreensão fundamental” de como os iranianos pensam e reagem a ameaças — independentemente de quem esteja de fato no comando.
Teerã questiona ‘seriedade’ dos EUA
Neste sábado (9), o Irã colocou em dúvida a “seriedade da diplomacia dos Estados Unidos” nas negociações em curso para o conflito no Oriente Médio, sem anunciar resposta à mais recente proposta apresentada por Washington.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, expressou ceticismo durante conversa telefônica com seu par turco, Hakan Fidan, um dia após novos confrontos aumentarem a temperatura da guerra.
“A recente escalada de tensões por parte das forças americanas e suas múltiplas violações do cessar-fogo reforçam nossas suspeitas sobre a motivação e a seriedade da parte americana na diplomacia”, afirmou Araghchi, informou a agência iraniana Isna.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou na sexta-feira que esperava uma resposta rápida dos iranianos à proposta destinada a pôr fim de maneira duradoura às hostilidades. “Devo recebê-la ainda nesta noite”, afirmou a jornalistas.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, citado pela televisão estatal, indicou que o Irã segue estudando a proposta americana.
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, desempenha um papel crucial na estratégia da guerra e na condução das negociações com os Estados Unidos, revelou a rede americana CNN, que citou fontes da Inteligência americana, neste sábado. Mojtaba não é visto em público desde o início da guerra, quando seu pai, Ali Khamenei, e outros familiares morreram em um ataque coordenado dos EUA e de Israel. Segundo uma autoridade iraniana, o líder supremo tem ferimentos no joelho e nas costas, além de queimaduras graves que atingiram rosto, braço, tronco e perna.
Com uma ‘conta’ de US$ 270 bilhões: demandas do Irã por reparações de guerra são impasse em negociações com os EUA
Impasse diplomático: EUA aguarda resposta do Irã à proposta de paz enquanto ataque de Israel no Líbano põe em xeque cessar-fogo
Mesmo com a avaliação da Inteligência dos EUA, uma fonte afirmou à CNN que, apesar da participação do líder supremo na estratégia iraniana, ele não tem a palavra final no processo decisório. A ausência da vida pública é mantida, segundo autoridades, para sua segurança. Parte da incerteza sobre a influência dele nos processos internos do regime decorre do fato de Khamenei não usar nenhum meio eletrônico para se comunicar, interagindo apenas com aqueles que podem visitá-lo pessoalmente ou enviando mensagens por meio de um interlocutor.
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— Não há indicação de que ele (Mojtaba Khamenei) esteja, de fato, dando ordens de forma contínua, mas nada prova que não esteja — disse uma fonte à CNN.
Como resultado, altos funcionários da Guarda Revolucionária Islâmica estão administrando as operações diárias juntamente com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
No início da semana, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse à mídia estatal que teve uma reunião de duas horas e meia com Khamenei – que sucedeu seu pai após ele ter sido morto –, marcando o primeiro encontro presencial relatado entre uma alta autoridade iraniana e o líder supremo.
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, em discurso durante evento que marcou o aniversário de 47 anos da República Islâmica
Presidência do Irã/AFP
Enquanto isso, Khamenei permanece isolado recebendo cuidados médicos. Na sexta-feira, Mazaher Hosseini, chefe do gabinete do líder supremo, afirmou que ele está “em plena saúde”. Hosseini informou que o pé e a região lombar de Khamenei sofreram ferimentos leves e que “um pequeno estilhaço o atingiu atrás da orelha”, mas que as feridas estão cicatrizando.
Um homem caminha ao lado de uma faixa instalada à beira da estrada em homenagem ao líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, em Teerã
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— Graças a Deus, ele está com boa saúde — disse Hosseini a uma multidão no Irã. — O inimigo está espalhando todo tipo de boatos e falsas alegações. Eles querem vê-lo e encontrá-lo, mas as pessoas devem ser pacientes e não se precipitar. Ele falará com vocês quando chegar a hora certa.
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É a primeira vez que o Irã divulgou publicamente os detalhes dos ferimentos sofridos pelo líder supremo. Khamenei, ainda segundo Hosseini, também tem um pequeno corte atrás da orelha, que foi tratado e não é visível por causa do turbante.
Em uma declaração escrita publicada em 30 de abril, Khamenei afirmou que o Irã garantiria a segurança da região do Golfo e acabaria com o que descreveu como “os abusos do inimigo” no Estreito de Ormuz, acrescentando que uma nova gestão da hidrovia traria “calma e segurança” para a região.
A nova presidente do Parlamento da Hungria, Ágnes Forsthoffer, determinou neste sábado o retorno da bandeira da União Europeia ao edifício do Legislativo, encerrando uma ausência de 12 anos do símbolo europeu no principal centro político do país.
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O anúncio foi feito poucos minutos após sua eleição por ampla maioria para comandar a nova legislatura e se tornou o primeiro gesto político simbólico da nova etapa aberta na Hungria após a saída de Viktor Orbán do poder.
“Que minha primeira decisão como presidente da Câmara seja o primeiro passo simbólico neste caminho (de volta à Europa). Ordeno, portanto, que, a partir de hoje, após 12 anos, a bandeira da União Europeia volte ao edifício do Parlamento húngaro.”
Na declaração, Ágnes Forsthoffer classificou a medida como “o primeiro passo simbólico” em um caminho “de volta à Europa”, vinculando o retorno da bandeira a uma inflexão política após mais de uma década em que o símbolo europeu esteve ausente do Parlamento durante a era Orbán.
Novo governo sinaliza mudança de rumo
A decisão ocorre no mesmo dia em que Peter Magyar chegou ao Parlamento húngaro para tomar posse como primeiro-ministro.
Descrito como conservador pró-Europa, Magyar assume o comando do governo com a promessa de promover uma “mudança de regime”, em um movimento que marca o encerramento de um longo ciclo político no país.
Ao recolocar a bandeira da União Europeia no prédio do Parlamento, a nova liderança húngara transforma um símbolo em mensagem política — e envia a Bruxelas um sinal de reaproximação após anos de tensões entre Budapeste e o bloco europeu.
O primeiro-ministro da Hungria e líder da extrema direita global, Viktor Orbán, de 62 anos, reconheceu ter sido derrotado pelo advogado Péter Magyar, de 45 anos, na eleição de 12 de abril, que teve comparecimento recorde no país. A vitória abre caminho para a transição de poder após 16 anos de um governo que marcou a Europa com um modelo que ficou conhecido como “democracia iliberal”.
Quem é Péter Magyar?
Péter Magyar é um antigo aliado de Orbán que se tornou o principal oponente do líder nacionalista nos últimos anos. Pouco antes de ganhar destaque, em 2024, após um escândalo envolvendo o perdão de abusos contra crianças, o advogado disse à AFP que era chamado de “eterno opositor” dentro do partido do atual primeiro-ministro.
Hábil comunicador, tanto nas redes sociais quanto em campanhas, o conservador agora promete mudança, desmontando “tijolo por tijolo” todo o sistema político de Orbán. Quem conhece Magyar afirma que ele é temperamental e um perfeccionista que exige o melhor de todos, mas que aceita pedir desculpas.
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O futuro primeiro-ministro percorreu o país quase sem parar nos últimos dois anos, com a promessa de combater a corrupção e melhorar os serviços públicos, o que levou seu partido a liderar as pesquisas. Sua condição de antiga figura do governo ajudou a ascensão meteórica, segundo Andrzej Sadecki, analista do Centro de Estudos Orientais, de Varsóvia:
— Soa mais convincente para alguns ex-eleitores do Fidesz quando afirma que o sistema está podre por dentro. De certa forma, Magyar é como Orbán há 20 anos, sem toda a bagagem, a corrupção e os erros no poder.
Nascido em uma família de conservadores de destaque, Magyar foi atraído pela política desde muito jovem. Em seus anos universitários, fez amizade com Gergely Gulyas, atual chefe de gabinete de Orbán, e conheceu Judit Varga, com quem se casou em 2006 e que viria a ser ministra da Justiça no governo do líder nacionalista.
Após servir como diplomata junto à União Europeia, Magyar liderou o órgão estatal de empréstimos para a educação e foi parte da diretoria de outras entidades sociais também do governo de Orbán. O casal, que tem três filhos, se divorciou em 2023.
Destaque após escândalo de abuso de crianças
A figura do Magyar ganhou destaque quando um escândalo pelo perdão de um caso de abuso infantil abalou o governo no início de 2024, provocando a renúncia da presidente Katalin Novak e de Varga, sua ex-esposa, como ministra da Justiça. O opositor denunciou a corrupção do governo de Orbán e também renunciou a seus cargos públicos.
Naquele momento, ele descartou ter aspirações políticas, mas foi considerado “corajoso, orientado para a ação e disposto a correr riscos”, diz Veronika Kovesdi, especialista em mídia da Universidade ELTE de Budapeste.
Suas mensagens nas redes sociais “ressoaram emocionalmente” junto dos seus seguidores, muitos dos quais o veem como um “herói que luta incansavelmente” por eles. O advogado assumiu o controle do desconhecido partido TISZA para poder disputar a eleição europeia de 2024, alcançando o segundo lugar, atrás da coalizão governante.
À medida que sua popularidade crescia, Magyar enfrentou um “tsunami de ódio e mentiras”, como ele o chamou. Ele ridicularizou algumas acusações e negou outras, como as de um suposto abuso doméstico contra Varga. Os ataques “o ajudaram a se legitimar como um líder realmente capaz de gerar mudança”, segundo Kovesdi.
Magyar prometeu combater a corrupção, melhorar serviços públicos como a saúde e impulsionar reformas para desbloquear bilhões de euros em fundos da União Europeia para a Hungria. No plano internacional, prometeu transformar o país em um sócio confiável da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da UE e ser crítico em relação à Rússia, ao contrário de Orbán, que é próximo de Moscou.
Assim como Orbán, Magyar se recusa a enviar armas à Ucrânia e se opõe a uma integração acelerada na UE, mas rejeita a retórica hostil da Rússia em relação a Kiev.
Em relação à pauta anti-imigração, sua postura é mais rígida que a de Orbán ao prometer encerrar o programa governamental de trabalhadores convidados. No entanto, sua visão sobre os direitos da população LGBTQIA+ tem sido vaga, embora defenda a igualdade perante a lei.
Israel deve libertar neste sábado dois ativistas, um espanhol e o brasileiro Thiago Ávila, detidos a bordo da flotilha para Gaza, que serão entregues às autoridades de imigração para serem deportados, segundo informou a organização de defesa dos direitos humanos Adalah, que os representa.
“A agência de segurança interna israelita Shabak informou a equipa jurídica da Adalah que os ativistas e líderes da flotilha Global Sumud (GSF), Thiago Avila e Saif Abukeshek, serão libertados hoje”, indicou a ONG num comunicado.
Eles serão entregues ainda hoje às autoridades de imigração israelitas e mantidos em detenção enquanto aguardam a sua deportação. Abukeshek e Avila foram levados a Israel para interrogatório na semana passada, após a interceptação pela marinha israelita da sua frota em águas internacionais ao largo da Grécia.
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou neste sábado que o Exército da Rússia enfrenta na Ucrânia uma força “agressiva” apoiada pela Otan, ao usar seu discurso do Dia da Vitória para reforçar a narrativa de Moscou sobre a guerra e exaltar soldados envolvidos na ofensiva militar.
“O grande sucesso da geração vitoriosa inspira hoje os soldados que realizam a operação militar especial [na Ucrânia]. Eles enfrentam uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da Otan”, declarou Putin diante de centenas de militares reunidos na Praça Vermelha, em Moscou.
“Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa, e será para sempre”, acrescentou.
O presidente russo, Vladimir Putin, participa de uma cerimônia de deposição de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, durante o desfile do Dia da Vitória, em Moscou
Alexander Nemenoiv /AFP
A comemoração pelos 81 anos da vitória soviética sobre a Alemanha nazista ocorreu em formato reduzido e sob forte esquema de segurança, após a entrada em vigor, de última hora, de uma trégua de três dias entre Rússia e Ucrânia anunciada na véspera pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O cessar-fogo afastou, ao menos temporariamente, o risco de ataques de drones ucranianos durante o evento — temor que pairava até as últimas horas sobre uma das datas mais simbólicas do calendário político russo.
Desfile enxuto e aliados em número reduzido
O tradicional desfile na Praça Vermelha durou apenas 45 minutos, começou às 10h no horário local (7h GMT) e terminou às 10h45. Pela primeira vez em quase duas décadas, Moscou reduziu significativamente a pompa da celebração: não houve exibição de armamentos, tampouco desfiles de cadetes ou de escolas militares.
Diferentemente do ano passado, quando cerca de 20 líderes internacionais — entre eles representantes de China e Brasil — estiveram presentes, desta vez compareceu apenas um grupo mais restrito de aliados, como os presidentes de Belarus, Cazaquistão e Laos, o rei da Malásia e o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico.
Segundo imagens exibidas pela televisão estatal russa, soldados da Coreia do Norte participaram das comemorações. Em 2025, militares norte-coreanos ajudaram Moscou a expulsar tropas ucranianas da região russa de Kursk.
No centro da capital, a internet móvel foi interrompida e diversas ruas ficaram praticamente vazias, sob rígidas medidas de segurança.
Trégua abre nova frente diplomática
Após duas tentativas frustradas de cessar-fogo nesta semana — primeiro proposta por Kiev e depois por Moscou — Trump anunciou na sexta-feira um novo acordo de trégua de três dias, acompanhado por uma troca de mil prisioneiros de cada lado.
“Esperamos que este seja o começo do fim de uma guerra muito longa, mortal e difícil”, escreveu Trump na plataforma Truth Social.
Pouco depois, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, aceitou a trégua e ordenou às Forças Armadas ucranianas que não realizassem ataques contra o desfile em Moscou.
“A Praça Vermelha é menos importante para nós do que a vida dos prisioneiros ucranianos que podem ser repatriados”, afirmou Zelenski.
Moscou também confirmou adesão ao cessar-fogo e ao acordo de troca de prisioneiros.
Após mais de quatro anos de guerra, a Rússia controla cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.
Trump afirmou que o fim do conflito está “cada vez mais próximo”, enquanto conversas entre negociadores ucranianos e americanos foram retomadas nesta semana na Flórida. Segundo Zelenski, enviados de Washington devem chegar à Ucrânia nas próximas semanas.
As equipes de resgate da Indonésia retomaram neste sábado a operação para localizar os corpos de três excursionistas mortos na erupção do monte Dukono, um dos vulcões mais ativos do país, em uma área de acesso proibido na ilha de Halmahera.
O vulcão entrou em erupção na manhã de sexta-feira, lançando uma gigantesca coluna de cinzas a cerca de 10 quilômetros de altura em uma região sem povoados ou vilarejos próximos.
Segundo o chefe da polícia local, Erlichson Pasaribu, a erupção matou dois excursionistas de Singapura e um indonésio. Oficialmente, porém, a agência nacional de busca e resgate ainda os considera desaparecidos até a recuperação dos corpos.
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Outros 17 montanhistas — entre eles nove singapurenses — conseguiram descer da montanha, em sua maioria sem ferimentos.
Busca ocorre sob risco de nova erupção
A operação de resgate havia sido interrompida na noite de sexta-feira por causa da atividade contínua do vulcão, que seguia emitindo estrondos e sinais de instabilidade.
Neste sábado, os trabalhos foram retomados com mais de 100 socorristas, incluindo policiais e militares, com apoio de drones para monitoramento aéreo da área.
“Estamos correndo contra o tempo nessa busca. Quando a situação e as condições forem seguras, vamos nos aproximar da cratera, e quando houver uma erupção, precisamos colocar toda a equipe de busca em segurança”, afirmou Iwan Ramdani, funcionário da agência de busca e resgate, em vídeo gravado na estação de monitoramento de Dukono, na vila de Mamuya.
Informações preliminares apontam que os corpos dos dois turistas de Singapura estariam entre 20 e 30 metros da borda da cratera. O paradeiro do excursionista indonésio, no entanto, ainda é desconhecido.
O caso reacende o alerta sobre incursões em áreas vulcânicas de alto risco na Indonésia, país localizado no Anel de Fogo do Pacífico e que abriga quase 130 vulcões ativos.

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