Para entender: Hungria decide futuro de Orbán em eleição-chave para extrema direita global
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— A responsabilidade e a oportunidade de governar não nos foram dadas — afirmou Orbán em um discurso, em que descreveu o resultado como “doloroso para nós, mas claro” e prometeu manter-se ativo na vida política. — Serviremos nosso país e a nação húngara na oposição.
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As primeiras parciais foram divulgadas pouco mais de uma hora após o fechamento das seções eleitorais, às 19h (14h em Brasília). Com 45,71% dos votos apurados, as projeções apontavam que o Tisza conquistaria 135 cadeiras – confirmando a desejada maioria de dois terços no Parlamento – contra 57 do Fidesz (União Cívica Húngara), de Orbán, e 7 do Mi Hazank, sigla ainda mais à direita. Além dos candidatos eleitos pelo voto direto depositado em 106 distritos eleitorais, uma contagem paralela define 93 parlamentares, escolhidos a partir de listas partidárias sob um sistema proporcional complexo. Se nenhum partido obtiver maioria clara na votação direta, é possível que o vencedor só seja conhecido em dias.
Em uma declaração à imprensa após o fechamento das urnas, Magyar disse estar “cautelosamente otimista” quanto à vitória. À medida que a apuração avançou e os números projetados confirmavam maioria para a oposição, o líder disse ter recebido uma ligação de Orbán, que o teria parabenizado pela vitória.
O candidato fez campanha sob as promessas de rever a orientação pró-Moscou e anti-UE dos anos Orbán, além de melhorar a economia, combater a corrupção e restaurar a independência da mídia e do Judiciário — que passou por uma ampla nomeação de juízes leais.
Além das pesquisas favoráveis, a participação recorde dos eleitores é vista com otimismo pela oposição. A Comissão Eleitoral húngara informou que meia hora antes do fechamento das urnas, a participação já era de 77,8% — acima da máxima histórica de 70,5% registrada nas eleições de 2002. Analistas apontam que a participação ampla pode favorecer ao candidato de oposição.
Orbán votou em Budapeste. Ao deixar a seção eleitoral, o premier voltou a atacar a UE, afirmando que não permitiria que a política de Bruxelas privasse a Hungria de “seu futuro e sua soberania”.
— Felizmente, temos muitos amigos no mundo. Da América à China, passando pela Rússia e o mundo turco — declarou o premier.
Ao deixar a seção eleitoral, Orbán foi recebido por manifestantes que zombavam de seus laços com a Rússia — embora tenha recebido apoio expresso do presidente americano, Donald Trump, durante a campanha eleitoral, o líder húngaro é apontado como um grande aliado do presidente da Rússia, Vladimir Putin, na Europa.
— Imprimimos uma passagem de embarque para o primeiro-ministro Viktor Orbán para Moscou. Se ele perder esta noite, ainda poderá ir para Moscou — disse o manifestante Eniko Toth, de 32 anos, ouvido pela AFP. (Com NYT e AFP)









