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Renato Araújo/Câmara dos Deputados
Conselho de Ética e Decoro Parlamentar durante reunião

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados reúne-se nesta quarta-feira (10), às 12 horas, no plenário 16, para seguir com a oitiva de deputados acusados de adotar conduta incompatível com o decoro parlamentar durante a ocupação do Plenário, no início de agosto, e testemunhas do caso.

Serão ouvidos os deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) e pessoas indicadas por eles e pelo relator, o deputado Moses Rodrigues (União-CE). As representações (REP 24/25, REP 25/25 e REP 27/25) contra os parlamentares foram reunidas e são analisadas em conjunto.

Após as oitivas, em reunião agendada inicialmente para as 16 horas, está prevista a discussão e votação do parecer preliminar referente a representação movida pelo partido Novo contra o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) (REP 9/25).

O relator, Fernando Rodolfo (PL-PE), apresentou parecer preliminar pela admissibilidade da representação. O Novo acusa Lindbergh de divulgar, em redes sociais, imputações falsas ao deputado Marcel van Hattem (Novo-RS).

A análise do parecer é etapa inicial do processo no colegiado e pode levar à abertura de investigação sobre possível quebra de decoro parlamentar.

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O governo federal informou que há dois brasileiros entre as vítimas do terremoto que ocorreu na Venezuela nesta quarta-feira. Os tremores deixaram ao menos 188 mortos e 1.520 feridos e tiveram magnitude 7,5, a mais forte registrada no país em mais de um século, segundo dados históricos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
A informação foi divulgada pelo Ministério de Relações Exteriores na note desta quinta-feira.
“O MRE informa, com grande pesar, o falecimento de uma cidadã e um cidadão brasileiros em consequência dos terremotos que atingiram a Venezuela. O MRE informa estar prestando assistência consular às famílias das vítimas”, diz a nota.
Na quarta-feira, um primeiro tremor de magnitude 7,2 foi registrado às 18h04 no horário local (19h04 no horário de Brasília), a cerca de 200 quilômetros a oeste da capital venezuelana. Pouco depois, um segundo abalo, de magnitude 7,5, ocorreu a cerca de 45 quilômetros do primeiro epicentro. Após os dois terremotos, foram registradas cerca de 30 réplicas de abalos secundários, segundo a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez.
Os dois terremotos devastadores provocaram destruição generalizada de prédios e cenas de pânico em Caracas e outras partes do país, segundo relatos oficiais.
O governo venezuelano decretou estado de emergência em todo o país, fechou o Aeroporto Internacional de Maiquetía devido aos danos estruturais e mantém equipes de resgate mobilizadas em busca de sobreviventes. Dezenas de edifícios desabaram ou sofreram graves avarias, especialmente em Caracas e no estado de La Guaira, apontado pelas autoridades como uma das regiões mais atingidas. Os tremores também foram sentidos em países vizinhos, incluindo a Colômbia e cidades do Norte do Brasil, como Belém, Manaus, Santarém, Macapá e Cutias do Araguari.
Ajuda brasileira
Ministros do governo se reuniram nesta quarta-feira em Brasília para discutir o envio de ajuda humanitária para o país. Na manhã de sexta-feira, será enviado um avião, que sairá do Aeroporto de Guarulhos, com 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e outros quatro técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações. No voo, irá nove toneladas de equipamentos para ajudar na busca e socorro às vítimas.
Já no sábado, o governo brasileiro enviará um novo voo com equipamentos para a montagem de um hospital de campanha, cem purificadores de água com painel solar, medicamentos e material médico para cirurgias.
Terremotos na Venezuela: desastre deixou pelo menos 188 mortos e mil feridos Comunidade internacional mobiliza equipes de resgate, ajuda humanitária e médica e apoio logístico
A atual epidemia do vírus ebola na África circulou por seis semanas sem ser detectada e deve crescer de cerca de 1.000 casos em junho para 8.000 em setembro, indica um novo estudo.
A estimativa, feita por um grupo de cientistas da Organização Mundial de Saúde (OMS), foi baseada em um modelo de simulação por computador da epidemia atual, alimentado com dados colhidos em tempo real pela entidade.
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Os resultados do trabalho, liderado pelo epidemiologista Dick Chamla, foram publicados hoje pela revista The Lancet Infectious Diseases.
No cenário mais provável projetado na pesquisa, existe 70% de risco de o surto entrar também no Sudão do Sul, após ter se iniciado na República Democrática do Congo e ter passado também para Uganda.
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A atual epidemia é causada pela variante Bundibugyo do vírus, para a qual ainda não existe vacina. Para entender como a situação pode evoluir, os cientistas desenharam três cenários com graus diferentes de pessimismo sobre a taxa de transmissão do ebola e a capacidade de reação dos países afetados.
“Com base nos dados mais recentes de casos confirmados em laboratório, o surto está mais próximo do previsto pelo cenário central, mesmo com a resposta intensificada na República Democrática do Congo”, escreve Chamla. “No entanto, ainda há incertezas em relação ao número de casos notificados devido à baixa taxa de rastreamento de contatos.”
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O cientista reconhece que existem muitas limitações para que um modelo epidemiológico consiga prever a evolução de uma epidemia. Ele afirma, porém, que o trabalho desenvolvido agora tem se mostrado útil para autoridades de saúde.
Os pesquisadores mostram que a simulação, mesmo tendo sido feita com poucas semanas de circulação, conseguiu antecipar a quantidade de casos e mortes pela epidemia com números dentro de sua margem de erro, mesmo antes de o vírus entrar em Uganda.

“No cenário central, o conjunto de projeções indicou uma mediana de 990 casos confirmados acumulados até a semana 12 da epidemia (24 de junho) e 174 óbitos”, escrevem os cientistas. “Em 22 de junho de 2026, a República Democrática do Congo apresentava 1048 casos confirmados e 267 óbitos confirmados, e Uganda, 20 casos confirmados, dois óbitos confirmados e um óbito provável.”
Segundo o estudo, a data mais provável em que o surto começou com o primeiro caso foi 1º de abril deste ano.
Com base na escala de tempo e na evolução prevista até aqui, a projeção central indica que no meio de setembro, após 24 semanas, o número de casos deve chegar a 8.210. Se considerada uma margem de erro com intervalo de confiança de 50%, esse número varia de 6.636 a 10.287. O número de mortes deve ficar em torno de 1.440, com uma taxa de letalidade de 17,6%.
Cautela na interpretação
Em um comentário sobre o trabalho de Chamla, o epidemiologista Claude Muvunyi, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC) afirma que é preciso cautela na interpretação dos dados.
Para ele, apesar de a simulação ter tido sucesso em antever a epidemia até agora, isso não significa que o mesmo vai ocorrer a partir de agora. A ideia é que, com medidas de conenção ampliadas, a disseminação do ebola se desacelere.
“Além de estimar o risco de contágio entre países, essas descobertas podem ser aproveitadas para orientar a alocação oportuna de recursos para vigilância, diagnóstico e resposta, possibilitando, assim, estratégias de preparo mais direcionadas e proativas”, escreveu Muvunyi.
Segundo a simulação, apesar de o risco de a epidemia chegar ao Sudão do Sul ser alto, a possibilidade de o vírus cruzar a fronteiras para outras nações africanas é menos provável. O risco de entrada em Ruanda foi estimado em 8,5%, e de entrada no Burundi em 2,0%.
O tempo durante o qual o vírus circulou em território congolês sem ser detectado, dizem os cientistas, é um dos principais pontos de preocupação na vigilância. No estudo, eles delineiam uma série de recomendações para autoridades de países africanos.
“O planejamento da preparação deve priorizar urgentemente o fortalecimento da vigilância nas fronteiras, a prevenção e o controle de infecções, as equipes de resposta rápida e os mecanismos de coordenação transfronteiriça nos países de maior risco”, afirma Chamla. “A intensificação da vigilância nos pontos de entrada formais e informais é essencial para detectar precocemente casos suspeitos e prevenir a transmissão silenciosa.”

Dois tremores consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, sacudiram a Venezuela na noite de quarta-feira, provocaram a morte de ao menos 164 pessoas e deixaram quase mil feridos, além de um número indeterminado de desaparecidos sob os escombros em várias regiões do país. Ao norte, de frente para o Caribe, La Guaira, a 40 minutos de Caracas e onde se encontra o aeroporto internacional de Maiquetía, foi a região mais afetada. O governo interino a declarou “zona de desastre”. Imagens de satélite publicadas pela AFP mostram o antes e depois de diversos pontos da região, onde vários edifícios desapareceram.
Vídeos, fotos, mapas AO VIVO: acompanhe a nossa cobertura da tragédia venezuelana em tempo real
Serviço Geológico dos EUA: Terremoto de magnitude 7,5 é o mais forte na Venezuela em mais de 100 anos
Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira
Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
— Foi terrível. Tudo, tudo desabou — lamentou Yilsmaris Blanco, de 39 anos, à AFP enquanto observava, atônita, o desastre em que se transformou Catia La Mar, uma das localidades mais afetadas pelo duplo terremoto que arrasou dezenas de edifícios no estado venezuelano de La Guaira. — Damos graças a Deus porque (…) estamos vivos, mas há pessoas que estão agora sofrendo com seus familiares soterrados, com seus familiares presos sob os escombros, que não conseguem tirar.
Alguns desses prédios permanecem de pé como podem, com grandes rachaduras e paredes abertas visíveis do lado de fora, constatou uma equipe da AFP em um percurso pelo local.
— Não temos nada agora, nem sequer forças, nem coragem para entrar ali — afirmou Larry Rojas, de 49 anos, um dos milhares de moradores afetados em uma área de Catia La Mar com quase 200 torres residenciais.
Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira
Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
Muitos moradores passaram a noite na rua. Na manhã desta quinta-feira, não havia eletricidade em boa parte da área.
— Precisamos que venham nos ajudar. Há gente viva ali, há gente morta — declarou à AFP Paola Sanoja, de 31 anos, apontando para um prédio que ficou torto e com os apartamentos à mostra, onde um de seus familiares está desaparecido. — Precisamos saber dos nossos familiares.
Ao fundo, dezenas de pessoas se aglomeravam em torno de um prédio que permaneceu de pé, ao lado de uma avenida movimentada por motocicletas e carros buzinando. Dezenas de outros edifícios ficaram totalmente destruídos e reduzidos a escombros.
— Minha casa desabou completamente, perdi familiares, minha sogra morreu, minha filha está desaparecida — relatou à AFP Jean Alexander Capote, de 48 anos, morador de Catia La Mar.
Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira
Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
Em Playa Grande, Dani Rizo pedia ajuda para resgatar uma menina que eles ouviam há horas sob os escombros de uma casa desabada.
— Ela está presa desde ontem à noite, se eles vierem [com ajuda] nós conseguimos tirá-la, precisamos de uma retroescavadeira — contou desesperado à AFP esse morador de 48 anos.
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Dezenas de socorristas trabalhavam como podiam entre os escombros, enquanto as autoridades observavam de perto cidadãos que tentavam por conta própria encontrar seus parentes, gritando seus nomes. Jornalistas da AFP presenciaram familiares recuperando os corpos de um homem e de uma mulher e colocando-os na parte de trás de uma caminhonete durante a madrugada.
Uma conhecida farmácia de Catia La Mar ficou com as portas de vidro destruídas e as prateleiras vazias, mas as autoridades não confirmaram se houve saques após a emergência.
— O que está faltando é ajuda — principalmente com os equipamentos técnicos, os que estão em Caracas — [pessoas] que sabem quais [ferramentas] usar, que podem vir ajudar aqui em La Guaira, que venham — pediu ofegante José Pacheco, chefe de operações do Grupo Rescate Unido de Venezuela. Socorrista de 52 anos e três décadas de experiência, ele afirmou que “nunca” viu “algo parecido”.
Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira
Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
Antonio Bermúdez, 48 anos, morador de La Guaira, estava na sala de sua casa quando “de repente” o tremor começou.
— Eu comecei a me mover, procurei refúgio debaixo de uma coluna. Estava entre meu quarto e o chuveiro. Tremia mais forte, tremia mais forte — lembrou. — Eu me segurei na parede, me segurei na parede, me segurei na parede e o prédio começou a desabar — relatou, enquanto tenta ajeitar uma perna que não consegue mexer depois que uma “placa” caiu sobre ele enquanto tentava sair debaixo dos escombros.
Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira
Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
Em meio à escuridão, alguns moradores corriam pelas ruas com lanternas, enquanto os veículos de emergência iluminavam brevemente as ruas com suas sirenes e os sobreviventes procuram refúgio.
— Também não temos água, estamos morrendo de sede, entramos na estrutura e temos medo de que ela também desabe — acrescentou Larry Rojas. — Que realmente alguém nos ajude, que enviem máquinas. É isso que precisamos para entrar nos prédios que desabaram.
Uma transmissão ao vivo da streamer venezuelana Gabriella Suárez, conhecida nas redes como Feirlygab, viralizou após registrar o momento exato em que um forte terremoto atingiu a Venezuela, nesta quarta-feira. A influenciadora jogava Minecraft quando percebeu o tremor e interrompeu imediatamente a live para deixar o local em segurança.
No vídeo, Gabriella aparece concentrada na partida até notar que o ambiente começava a tremer. Assustada, ela interrompe a transmissão e diz:
— Meu Deus… Tenho que ir, tenho que ir. Está tremendo — afirma. Em seguida, ela se levanta e deixa a câmera ligada enquanto sai do cômodo. Veja o vídeo do momento:
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O trecho passou a circular em diferentes plataformas, como X, Instagram e Facebook. O tremor foi sentido em diversas regiões da Venezuela e levou moradores a evacuarem prédios e residências por precaução. Horas depois, Suárez compartilhou o vídeo do momento em sua conta no X, onde tentou tratar a situação com humor ao escrever:
— Quando disseram que iam aumentar a dificuldade do Minecraft Extremo 3, não imaginei que acrescentariam efeitos especiais.
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Na mesma rede social, ela acrescentou:
— Desculpem pela minha reação. Nunca tinha vivido um terremoto, achei que fosse apenas um tremor. A única coisa em que pensei foi sair do meu setup caso algo caísse em cima de mim, mas o choque me deixou daquele jeito.
Terremotos de quarta-feira
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), pouco depois das 18h de quarta-feira, um primeiro terremoto, de magnitude 7,2, atingiu o país com epicentro a 21 quilômetros a oeste de Morón, no norte do território. Quase um minuto depois, ocorreu outro ainda mais forte, de magnitude 7,5, considerado o mais intenso a atingir a Venezuela desde 1900.
Os especialistas classificaram o fenômeno como um “dupleto sísmico”: dois terremotos de grande magnitude ocorridos com apenas alguns segundos de diferença na mesma região. Os abalos provocaram ao menos 188 mortos e 1.520 feridos. O governo interino decretou estado de emergência nacional e declarou o estado de La Guaira como zona de desastre.
O terremoto que atingiu a Venezuela na noite da última quarta-feira (24) pode ter réplicas que continuarão ocorrendo durante semanas ou até meses, segundo alerta o especialista em sismologia Ziggy Lubkowski. Embora esses novos tremores costumem ser menos intensos, eles ainda podem provocar danos adicionais, especialmente em construções já enfraquecidas pelo abalo inicial. O alerta foi feito em entrevista publicada no site da revista científica Science Media Centre.
— Espera-se a ocorrência de réplicas após um terremoto dessa magnitude, e elas podem continuar por semanas ou meses. As primeiras réplicas já foram registradas. Embora geralmente sejam de menor intensidade, ainda podem causar danos adicionais, principalmente em edificações que já tenham sido enfraquecidas — afirma.
Lubkowski é diretor associado e especialista em sismologia da Arup, consultoria global com atuação em serviços técnicos e de assessoria. Ele também possui mestrado em Engenharia de Terremotos (MSc in Earthquake Engineering) e atua como professor visitante da Royal Academy of Engineering (RAEng) na área de engenharia geotécnica de terremotos.
Segundo o especialista, a sequência de tremores registrada no terremoto venezuelano pode ter aumentado o potencial de destruição. Ele explica que grandes terremotos como este nem sempre ocorrem de maneira contínua e podem liberar energia em diferentes estágios:
— Em alguns casos, o que parece ser dois terremotos distintos pode, na verdade, fazer parte de um único processo complexo de ruptura. Uma grande ruptura nem sempre se propaga de forma contínua ao longo de uma falha; ela pode ocorrer em estágios ou pulsos.
Lubkowski acrescenta que as duas liberações de energia ocorridas em curto intervalo provavelmente foram percebidas pela população como um único e prolongado período de tremores intensos. Ele destaca que estruturas já afetadas por um primeiro tremor podem se tornar mais vulneráveis diante de novos abalos.
— Isso é importante porque tremores prolongados ou repetidos podem aumentar significativamente os danos. Estruturas enfraquecidas por um tremor inicial podem ter menor capacidade de resistir a tremores subsequentes. Embora esse tipo de comportamento de “dupleto” (que ocorreu na mesma noite) seja raro, é uma característica reconhecida de grandes eventos sísmicos.
Terremoto na Venezuela
Vídeo/ O GLOBO
Além dos danos provocados diretamente pelo tremor, Lubkowski chama atenção para riscos secundários, como a liquefação do solo e os deslizamentos de terra. Segundo ele, áreas com solos soltos e saturados de água podem sofrer liquefação, fenômeno em que o terreno perde temporariamente sua resistência.
— Terremotos não causam danos apenas pelo tremor em si. Eles também podem desencadear uma série de riscos secundários, que frequentemente contribuem de forma significativa para o impacto geral. Onde existem solos soltos e saturados de água, comuns em áreas costeiras e de baixa altitude, o tremor do solo pode causar liquefação, fenômeno no qual o solo se comporta temporariamente como um líquido. Isso pode levar à inclinação ou ao colapso de edifícios e à falha de infraestruturas, como estradas e tubulações — completa.
Outro risco importante é de deslizamentos em regiões montanhosas ou instáveis, especialmente em terrenos acidentados ou instáveis. Esses deslizamentos podem danificar edifícios, bloquear vias de transporte e dificultar as operações de resgate. Ele avalia que esses fenômenos podem já ter ocorrido nas áreas afetadas, embora a dimensão dos danos ainda dependa de avaliações em campo.
Ao comentar a possibilidade de prever o terremoto, Lubkowski afirma que a ciência ainda não consegue determinar quando e onde um abalo ocorrerá. Segundo ele, o foco da engenharia sísmica está na preparação das cidades e das construções para suportar esses eventos.
— Atualmente, não é possível prever terremotos quanto ao momento exato, à localização e à magnitude. O que podemos fazer é identificar onde é provável que ocorram terremotos, com base no contexto tectônico, e projetar nossa infraestrutura de acordo com essa realidade — completa Lubkowski
Pessoas vasculham os escombros ao redor de um carro preso sob os restos de um prédio residencial que desabou após um terremoto em Catia La Mar
FEDERICO PARRA / AFP
Marina Ramos / Câmara dos Deputados
Hugo Motta (C) preside reunião de líderes partidários

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), agendou para a próxima terça-feira (30) uma reunião dos líderes partidários para discutir a pauta da semana. De acordo com o presidente, serão debatidos os projetos remanescentes do mês e novos itens que serão analisados no encontro.

Entre as matérias que podem ser votadas está o Projeto de Lei 1828/23, do deputado Rodrigo Gambale (Pode-SP), que autoriza a instalação de câmeras de reconhecimento facial em estações ferroviárias e rodoviárias, vagões, vias públicas e repartições públicas. O relator é o deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL).

Outra proposta é o Projeto de Lei 424/15, do deputado Jorge Solla (PT-BA), que permite a dispensa de licitação para a aquisição de hemoderivados pelo SUS. O relator de Plenário é o deputado Clodoaldo Magalhães (PV-PE).

Também pode entrar na pauta o Projeto de Lei 192/26, da ex-deputada Heloísa Helena (Rede-RJ), que fixa o tempo máximo de espera para atendimento de crianças e adolescentes na saúde. A relatora é a deputada Dra. Alessandra Haber (Pode-PA).

O plano de evacuação do Estreito de Ormuz foi suspenso nesta quinta-feira (25) após um ataque, no Golfo de Omã, contra um navio que havia atravessado o estreito, anunciou a Organização Marítima Internacional (OMI) em um comunicado.
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“Decidi suspender temporariamente sua implementação para confirmar novamente que as garantias de segurança necessárias continuam vigentes tanto para os navios que figuram em nossa lista de evacuação quanto para todos aqueles que se encontram na região”, declarou o secretário-geral da agência da ONU, o panamenho Arsenio Domínguez.
Mais cedo, a agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que um projétil de origem desconhecida atingiu um navio cargueiro no Estreito de Ormuz, a 7,5 milhas náuticas (14 km) a sudeste de Dahit, uma localidade do sultanato de Omã.
O incidente ocorreu após mais de uma semana de relativa calma no estreito, depois que Teerã e Washington suspenderam bloqueios mútuos como parte de um memorando de entendimento destinado a pôr fim à guerra no Oriente Médio.
“Um navio cargueiro foi atingido a estibordo por um projétil de origem desconhecida, causando danos na ponte de comando. O capitão não informou vítimas nem impacto ambiental”, informou a UKMTO.
A empresa britânica de segurança marítima Vanguard Tech identificou a embarcação como o porta-contêineres Ever Lovely, de bandeira de Cingapura.
O memorando de entendimento prevê a livre passagem, sem cobrança de pedágios, pelo Estreito de Ormuz durante um período de 60 dias. No entanto, o Irã pretende impor taxas de trânsito nessa rota estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos, medida à qual Washington se opõe de forma categórica.
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Omã afirmou no início da semana que estava discutindo a questão com o Irã, mas esclareceu nesta quinta-feira que não estão previstas “taxas de passagem”.
As autoridades omanenses também anunciaram a abertura de um “corredor marítimo temporário”, descrito como uma iniciativa conjunta com a ONU.
A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou responder com “medidas apropriadas” a qualquer tentativa de transitar pelo estreito sem sua autorização prévia.
Em 12 de junho, um navio também foi atingido por um projétil de origem desconhecida no estreito, em frente à costa de Omã, segundo informou a UKMTO.
A onda de calor que atinge a Europa desde o início desta semana tem impactado diretamente a saúde de milhões de pessoas no velho continente. Cidades que enfrentam as altas temperaturas, algumas recordes para o verão, têm se adaptado para evitar a exposição de trabalhadores e moradores ao calor excessivo — apenas na Espanha já foram registradas mais de 200 mortes. Paris está em alerta devido à superlotação em hospitais. A capital francesa tem feito uma série de adaptações para este período. Uma das medidas mais recentes é a proibição do consumo de álcool em locais públicos.
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Essa mudança, segundo decreto publicado, passa a valer a partir do meio-dia de sexta-feira (horário local) e se estende até as 7h de sábado. A proibição então volta a valer ao meio-dia e segue até as 7h do domingo. No mesmo período fica vedada a venda para consumo fora do estabelecimento a partir das 18h.
“Essa proibição não se aplica às áreas públicas normalmente ocupadas por restaurantes e bares que possuem as licenças necessárias”, esclareceu a Prefeitura de Polícia.
O álcool, além do efeito diurético, interfere no hormônio antidiurético, aumentando a perda de líquidos e mascarando sinais de fadiga. A desidratação é um dos fatores que podem levar à internação em períodos prolongados de calor excessivo, como o que a Europa enfrenta com este fenômeno. A redução de bebidas alcoólicas pode minimizar os efeitos das altas temperaturas no corpo.
O prefeito da polícia de Paris, Patrice Faure, alertou, nesta quinta-feira (25), que os hospitais da capital francesa estão chegando ao limite de sua capacidade, um motivo de preocupação nos últimos dias.
— Estamos chegando a um ponto de saturação nas instalações hospitalares — declarou Patrice Faure, observando que o número de internações “continua a aumentar”.
No início desta semana, a empresa que administra a Torre Eiffel e o Louvre anunciou que os importantes pontos turísticos passam a fechar mais cedo devido à onda de calor. Esses são dois dos monumentos mais visitados do mundo.
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A Torre Eiffel, que recebe quase 7 milhões de visitantes por ano, dos quais aproximadamente 75% são estrangeiros, antecipou seu horário de fechamento nesta terça-feira para as 16h (11h em Brasília), em vez das 00h45 (19h45 em Brasília) que normalmente fecha durante a alta temporada.
Já o Museu do Louvre fechará suas portas às 16h, em vez das 18h, de quarta a sábado, para lidar com a onda de calor que torna “as condições de visitação e trabalho difíceis”, anunciou a administração na terça-feira (23).
A França enfrenta temperaturas que chegam a 40°C em algumas áreas. Até mesmo o setor de educação foi afetado. Nesta semana, mais de 800 escolas ficaram fechadas e outras 1.800 tiveram horários adaptados no país.
Em Paris, uma diretora descreveu sua escola como uma “panela de pressão” após uma semana de temperaturas elevadas. Dentro do prédio, os termômetros ultrapassaram os 30°C, atividades esportivas foram canceladas e funcionários relataram dores de cabeça. Em uma sala do segundo ano, duas crianças chegaram a adormecer sobre as carteiras durante a tarde.
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Onda de calor mortal
Mais de 100 milhões de pessoas na Europa experimentam, nesta quinta-feira (25), temperaturas acima de 35ºC, em meio a uma onda de calor longa e mortal que, segundo um instituto científico espanhol, causou mais de 200 mortes no país.
A onda de calor bateu recordes de temperaturas em vários países para um mês de junho e provocou as duas noites mais quentes já registradas na França, cuja capital, Paris, abriu os parques durante toda a noite para oferecer um espaço verde aos seus moradores.
“A diferença de temperatura entre a rua e aqui, debaixo das árvores, é alucinante!”, surpreende-se Agathe Chebassier, uma jovem pintora que buscou refúgio na última noite em um parque parisiense.
O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, informou, nesta quinta-feira, um “aumento da mortalidade” na cidade, onde os termômetros superaram, na quarta-feira, os 40ºC pela quarta vez em 150 anos.
O Ministério da Saúde reportou, por sua vez, 25 paradas cardíacas em 24 horas, diante das dez que ocorrem habitualmente.
Além disso, o país lamentou dezenas de mortos por afogamento de pessoas que se refrescavam em zonas não habilitadas para o banho ou sem vigilância, além de três crianças mortas dentro de veículos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que telefonou para a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, oferecendo ajuda do governo brasileiro ao país. A Venezuela foi atingida por um terremoto de magnitude 7,5 na quarta-feira, deixando ao menos 188 mortos e 1.520 feridos, é o mais forte registrado no país em mais de um século, segundo dados históricos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Lula disse ainda que ministros estão reunidos em Brasília para discutir o envio de ajuda humanitária para o país. Os abalados tiveram epicentros a oeste de Caracas e são considerados os mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século.
— Vocês sabem que essa madrugada teve terremoto na Venezuela, até agora, sabemos que teve 180 mortos. Fizemos uma reunião com vários ministros agora, falei com a presidente Delcy da Venezuela, do carro, para perguntar o que ela precisava que a gente fizesse. Nós estamos reunindo os ministros para mandar tudo que for necessário mandar para Venezuela: água, bombeiro, defesa civil, remédio — afirmou Lula em evento de entrega de títulos de terra em Ponta Porã (MS).
O governo venezuelano decretou estado de emergência em todo o país, fechou o Aeroporto Internacional de Maiquetía devido aos danos estruturais e mantém equipes de resgate mobilizadas em busca de sobreviventes. Dezenas de edifícios desabaram ou sofreram graves avarias, especialmente em Caracas e no estado de La Guaira, apontado pelas autoridades como uma das regiões mais atingidas. Os tremores também foram sentidos em países vizinhos, incluindo a Colômbia e cidades do Norte do Brasil, como Belém, Manaus, Santarém, Macapá e Cutias do Araguari.
Pela manhã, em publicação nas redes sociais, Lula disse ter recebido a notícia do desastre “com grande preocupação e consternação” e informou que o governo brasileiro acompanha a situação para verificar como pode contribuir com o país vizinho.
“Instrui o Ministério das Relações Exteriores que avalie, juntamente com a Embaixada do Brasil em Caracas, a situação no país e as medidas de assistência que o Brasil possa adotar”, escreveu.
Na quarta-feira, um primeiro tremor de magnitude 7,2 foi registrado às 18h04 no horário local (19h04 no horário de Brasília), a cerca de 200 quilômetros a oeste da capital venezuelana. Pouco depois, um segundo abalo, de magnitude 7,5, ocorreu a cerca de 45 quilômetros do primeiro epicentro. Após os dois terremotos, foram registradas cerca de 30 réplicas de abalos secundários, segundo a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez.
Os dois terremotos devastadores provocaram destruição generalizada de prédios e cenas de pânico em Caracas e outras partes do país, segundo relatos oficiais.

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