— Espera-se a ocorrência de réplicas após um terremoto dessa magnitude, e elas podem continuar por semanas ou meses. As primeiras réplicas já foram registradas. Embora geralmente sejam de menor intensidade, ainda podem causar danos adicionais, principalmente em edificações que já tenham sido enfraquecidas — afirma.
Lubkowski é diretor associado e especialista em sismologia da Arup, consultoria global com atuação em serviços técnicos e de assessoria. Ele também possui mestrado em Engenharia de Terremotos (MSc in Earthquake Engineering) e atua como professor visitante da Royal Academy of Engineering (RAEng) na área de engenharia geotécnica de terremotos.
Segundo o especialista, a sequência de tremores registrada no terremoto venezuelano pode ter aumentado o potencial de destruição. Ele explica que grandes terremotos como este nem sempre ocorrem de maneira contínua e podem liberar energia em diferentes estágios:
— Em alguns casos, o que parece ser dois terremotos distintos pode, na verdade, fazer parte de um único processo complexo de ruptura. Uma grande ruptura nem sempre se propaga de forma contínua ao longo de uma falha; ela pode ocorrer em estágios ou pulsos.
Lubkowski acrescenta que as duas liberações de energia ocorridas em curto intervalo provavelmente foram percebidas pela população como um único e prolongado período de tremores intensos. Ele destaca que estruturas já afetadas por um primeiro tremor podem se tornar mais vulneráveis diante de novos abalos.
— Isso é importante porque tremores prolongados ou repetidos podem aumentar significativamente os danos. Estruturas enfraquecidas por um tremor inicial podem ter menor capacidade de resistir a tremores subsequentes. Embora esse tipo de comportamento de “dupleto” (que ocorreu na mesma noite) seja raro, é uma característica reconhecida de grandes eventos sísmicos.
Terremoto na Venezuela
Vídeo/ O GLOBO
Além dos danos provocados diretamente pelo tremor, Lubkowski chama atenção para riscos secundários, como a liquefação do solo e os deslizamentos de terra. Segundo ele, áreas com solos soltos e saturados de água podem sofrer liquefação, fenômeno em que o terreno perde temporariamente sua resistência.
— Terremotos não causam danos apenas pelo tremor em si. Eles também podem desencadear uma série de riscos secundários, que frequentemente contribuem de forma significativa para o impacto geral. Onde existem solos soltos e saturados de água, comuns em áreas costeiras e de baixa altitude, o tremor do solo pode causar liquefação, fenômeno no qual o solo se comporta temporariamente como um líquido. Isso pode levar à inclinação ou ao colapso de edifícios e à falha de infraestruturas, como estradas e tubulações — completa.
Outro risco importante é de deslizamentos em regiões montanhosas ou instáveis, especialmente em terrenos acidentados ou instáveis. Esses deslizamentos podem danificar edifícios, bloquear vias de transporte e dificultar as operações de resgate. Ele avalia que esses fenômenos podem já ter ocorrido nas áreas afetadas, embora a dimensão dos danos ainda dependa de avaliações em campo.
Ao comentar a possibilidade de prever o terremoto, Lubkowski afirma que a ciência ainda não consegue determinar quando e onde um abalo ocorrerá. Segundo ele, o foco da engenharia sísmica está na preparação das cidades e das construções para suportar esses eventos.
— Atualmente, não é possível prever terremotos quanto ao momento exato, à localização e à magnitude. O que podemos fazer é identificar onde é provável que ocorram terremotos, com base no contexto tectônico, e projetar nossa infraestrutura de acordo com essa realidade — completa Lubkowski
Pessoas vasculham os escombros ao redor de um carro preso sob os restos de um prédio residencial que desabou após um terremoto em Catia La Mar
FEDERICO PARRA / AFP









