










“No cenário central, o conjunto de projeções indicou uma mediana de 990 casos confirmados acumulados até a semana 12 da epidemia (24 de junho) e 174 óbitos”, escrevem os cientistas. “Em 22 de junho de 2026, a República Democrática do Congo apresentava 1048 casos confirmados e 267 óbitos confirmados, e Uganda, 20 casos confirmados, dois óbitos confirmados e um óbito provável.”
Segundo o estudo, a data mais provável em que o surto começou com o primeiro caso foi 1º de abril deste ano.
Com base na escala de tempo e na evolução prevista até aqui, a projeção central indica que no meio de setembro, após 24 semanas, o número de casos deve chegar a 8.210. Se considerada uma margem de erro com intervalo de confiança de 50%, esse número varia de 6.636 a 10.287. O número de mortes deve ficar em torno de 1.440, com uma taxa de letalidade de 17,6%.
Cautela na interpretação
Em um comentário sobre o trabalho de Chamla, o epidemiologista Claude Muvunyi, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC) afirma que é preciso cautela na interpretação dos dados.
Para ele, apesar de a simulação ter tido sucesso em antever a epidemia até agora, isso não significa que o mesmo vai ocorrer a partir de agora. A ideia é que, com medidas de conenção ampliadas, a disseminação do ebola se desacelere.
“Além de estimar o risco de contágio entre países, essas descobertas podem ser aproveitadas para orientar a alocação oportuna de recursos para vigilância, diagnóstico e resposta, possibilitando, assim, estratégias de preparo mais direcionadas e proativas”, escreveu Muvunyi.
Segundo a simulação, apesar de o risco de a epidemia chegar ao Sudão do Sul ser alto, a possibilidade de o vírus cruzar a fronteiras para outras nações africanas é menos provável. O risco de entrada em Ruanda foi estimado em 8,5%, e de entrada no Burundi em 2,0%.
O tempo durante o qual o vírus circulou em território congolês sem ser detectado, dizem os cientistas, é um dos principais pontos de preocupação na vigilância. No estudo, eles delineiam uma série de recomendações para autoridades de países africanos.
“O planejamento da preparação deve priorizar urgentemente o fortalecimento da vigilância nas fronteiras, a prevenção e o controle de infecções, as equipes de resposta rápida e os mecanismos de coordenação transfronteiriça nos países de maior risco”, afirma Chamla. “A intensificação da vigilância nos pontos de entrada formais e informais é essencial para detectar precocemente casos suspeitos e prevenir a transmissão silenciosa.”
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