A Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), agência da ONU, suspendeu na quinta-feira o plano de evacuação de mais de 11 mil marinheiros e centenas de embarcações retidos no Golfo Pérsico após um navio cargueiro ser atingido no Estreito de Ormuz. O ataque ocorreu poucas horas depois de o Irã advertir que embarcações não deveriam utilizar uma rota organizada pela ONU sem autorização de Teerã.
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Segundo uma autoridade americana ouvida pela agência americana Associated Press sob anonimato, o navio foi atingido por um drone iraniano operado pela Guarda Revolucionária. O diretor-geral da IMO, Arsenio Dominguez, disse que a operação de retirada de embarcações ficará suspensa até que a agência possa confirmar as garantias de segurança para os navios que permanecem na região.
“Sempre reiterei que a segurança dos marítimos continua sendo a principal prioridade. Portanto, para garantir uma abordagem coordenada e a segurança da navegação, o plano de evacuação será suspenso até que haja maior clareza sobre a situação”, disse ele em nota.
A embarcação atingida foi o Ever Lovely, um porta-contêineres de bandeira de Singapura pertencente à Evergreen. Segundo a empresa, o navio seguia a rota recomendada pelo centro britânico United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), próxima à costa de Omã, quando foi atingido. Os danos foram limitados, os tripulantes permaneceram em segurança e que a embarcação conseguiu completar a travessia, disse.
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O ataque ocorreu poucas horas depois de a Guarda Revolucionária alertar que embarcações não deveriam utilizar a rota organizada pela IMO e por Omã. Em nota divulgada pela agência estatal IRNA, o braço naval da Guarda afirmou que a única rota autorizada para atravessar o Estreito de Ormuz é a declarada pela República Islâmica e classificou a alternativa criada durante o conflito como “inaceitável e perigosa”.
“O tráfego de embarcações fora dessas rotas é extremamente perigoso e proibido. Os infratores serão tratados adequadamente”, acrescentou.
Após o ataque, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, órgão criado pelo governo iraniano para controlar a navegação na região, afirmou que embarcações que transitarem fora das rotas autorizadas não terão garantia de passagem segura. No X, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou que a segurança da navegação no Estreito de Ormuz não pode ser garantida por “acordos vagos, sistemas paralelos de navegação ou processos de tomada de decisão que excluam o Irã como Estado costeiro”.
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O ataque evidenciou uma das principais ambiguidades do memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã. Embora o presidente americano, Donald Trump, tenha declarado que o estreito está aberto à navegação irrestrita, o acordo não define claramente quem terá autoridade para regulamentar a passagem. O entendimento prevê um período de 60 dias para negociações sobre o programa nuclear iraniano e outras medidas destinadas a encerrar a guerra iniciada após ataques americanos e israelenses contra o Irã em fevereiro.
Em visita ao Golfo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos estão comprometidos com a nova rota organizada por Omã e pela IMO e que garantirão que embarcações possam atravessar o estreito sem cobrança de tarifas.
Após reunião com ministros das Relações Exteriores do Conselho de Cooperação do Golfo, os EUA e os seis países do bloco divulgaram uma declaração conjunta defendendo a navegação “livre, incondicional e irrestrita” pelo Estreito de Ormuz e rejeitando qualquer tentativa de um país exercer controle sobre a hidrovia estratégica.
— Não há nada neste acordo que comprometa, de qualquer forma, a segurança, a estabilidade ou a prosperidade de qualquer um de nossos parceiros na região do Golfo — afirmou Rubio durante a reunião.
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O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, por onde, antes da guerra, transitava cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural comercializados globalmente. Após os ataques contra o Irã, Teerã fechou na prática a hidrovia e afirmou ter instalado minas no corredor central utilizado tradicionalmente pelos navios. Pelo menos uma mina já foi avistada na região. A rota alternativa criada por Omã e pela IMO acompanha a costa omanense.
Embora o fluxo de embarcações tenha aumentado nas últimas semanas, o movimento continua abaixo dos níveis anteriores ao conflito. Segundo a Lloyd’s List Intelligence, 125 embarcações atravessaram o estreito na última semana, contra 33 na semana anterior.
Dados da S&P Global apontam que a quarta-feira registrou 78 travessias, o maior número desde o início da guerra, mas ainda inferior à média diária anterior ao conflito, de mais de 130. Ainda assim, os mercados reagiram com relativa tranquilidade à escalada das tensões. Embora os preços do petróleo tenham subido logo após o ataque ao Ever Lovely, voltaram a cair diante da continuidade da circulação de navios-tanque. O barril do Brent recuou para cerca de US$ 73, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) passou a ser negociado entre US$ 69 e US$ 70, níveis próximos aos registrados antes do início da guerra.
(Com New York Times)