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O Parlamento do Japão aprovounesta quarta-feira uma proposta com mudanças na Lei da Casa Imperial, que dispõe, dentre outros temas, sobre a sucessão ao Trono do Crisântemo, a mais antiga monarquia contínua do mundo. O texto traz brechas para a ampliação do número de homens aptos a assumir o trono nas próximas décadas, mas evita avançar sobre um tema espinhoso: a inclusão das mulheres na linha sucessória.
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A Casa Imperial tem apenas 16 membros, entre eles o imperador Naruhito, de 66 anos, e as regras em vigor permitem que apenas homens da linha paterna possam ocupar o trono. Com isso, a sucessão conta com três nomes: os príncipes Akishino (irmão do imperador), Hisahito (filho de Akishino e o único da “nova geração”, com 19 anos) e Hitachi, de 90 anos, irmão mais novo do imperador Akihito, que abdicou em 2019. O projeto aprovado pelo Parlamento não altera essa disposição.
— Embora existam diversas opiniões sobre o assunto, conseguimos elaborar a melhor versão — disse o presidente da Câmara Baixa, Eisuke Mori, após a reunião do painel na quarta-feira, acrescentando que o plano deve ser adotado em definitivo até o mês que vem.
A proposta sugere que homens de antigos ramos da família imperial, desde que sejam da linha paterna, poderiam recuperar seu status real. Eles não terão direito de serem considerados à sucessão, mas os legisladores não bateram o martelo sobre os filhos deles, em uma questão que ainda passará por novas análises. Na prática, seria a reversão parcial da retirada do status de 51 homens de 11 ramos da família imperial, adotada em 1947, após a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial.
— O governo levará isso a sério e começará a elaborar o projeto de lei o mais breve possível. Apresentaremos ao presidente e ao vice-presidente [do Parlamento] uma minuta o quanto antes — afirmou a premier Sanae Takaichi, citada pelo jornal Asahi Shimbun.
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Ricardo Stuckert / PR
Em um ponto polêmico, os parlamentares propuseram que as mulheres mantenham seus direitos imperiais caso se casem com “plebeus”, revertendo a legislação atual, apesar das críticas de setores conservadores. A medida afetaria as princesas Aiko, filha de Naruhito, e Kako, filha de Akishino, além de mulheres de outros ramos imperiais, mas deixou em aberto o status dos futuros filhos delas. A regra não é retroativa, e não se aplicaria à princesa Mako, que em 2021 se casou com seu antigo colega de faculdade Kei Komuro e perdeu seus direitos junto ao Trono do Crisântemo.
“Considerando que as princesas atuais viveram suas vidas sob o sistema atual, certas considerações devem ser feitas na fase de transição, incluindo o respeito aos seus desejos sobre se querem ou não permanecer na família imperial”, disse a comissão parlamentar que discutiu a reforma, em um comunicado divulgado na segunda-feira.
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A discussão sobre mudanças na Lei da Casa Imperial se arrasta há alguns anos, e envolveu uma opinião pública cada vez mais aberta à ideia de ter uma mulher no trono: a popular princesa Aiko, de 24 anos. Ela é formada em Literatura Japonesa na Universidade Gakushin, em Tóquio, e no ano passado foi ao Laos, em sua primeira viagem internacional representando o pai. Em maio, uma pesquisa do Asahi Shimbun mostrou que 72% dos entrevistados eram favoráveis a Aiko na linha sucessória.
— Se o Japão não mudar o sistema agora, precisará para sempre de um descendente do sexo masculino da linhagem paterna — disse Hideya Kawanishi, professor da Universidade de Nagoya, ao portal Japan Times. — Considerando a pressão que a então princesa herdeira Masako (mãe de Aiko) sofreu [para dar à luz um herdeiro homem], as gerações futuras passarão por algo semelhante, a menos que mudemos o sistema para permitir que herdeiros de ambos os sexos sucedam ao trono.
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No projeto enviado à premier Takaichi, os parlamentares fecharam a porta para a ampliação da linha sucessória às mulheres neste momento. Em março, durante uma sessão no Parlamento, ela disse que “é um fato histórico que houve imperatrizes no passado, e seria desrespeitoso negar esse passado”, mas acredita que uma mudança na regra patriarcal “tornaria a sucessão imperial instável”. Na milenar História japonesa, oito mulheres já ocuparam o trono.
— Há uma sobreposição de bases de apoio entre aqueles que se opõem a imperatrizes governantes e aqueles que se opõem a sobrenomes separados para casais — afirmou Kawanishi ao Japan Times, apontando para a mentalidade sexista local, especialmente entre os conservadores. — Se uma imperatriz fosse permitida, [os conservadores] sabem que isso acabaria levando à permissão de uma linha de sucessão feminina.
No ano passado, ao ser perguntada sobre o tema, a princesa Aiko desconversou.
— Nestas circunstâncias, espero cumprir sinceramente todos os meus deveres oficiais e ajudar o imperador e a imperatriz, bem como os demais membros da família imperial.
Os termômetros passavam dos 30 graus Celsius em Liège, no fim de maio, quando um grupo restrito de jornalistas atravessou os portões da unidade da Thales Belgium em Herstal, na região francófona da Valônia. Pela primeira vez em anos, a empresa abriu à imprensa suas instalações após uma expansão que transformou a fábrica em um dos símbolos mais visíveis do maior ciclo de rearmamento europeu desde a Guerra Fria. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Em 10 de junho de 1926, Antoni Gaudí, o visionário arquiteto que projetou a espetacular e ainda inacabada Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, morreu após ser atropelado por um bonde. Um século depois, um dos arquitetos que tentam concluir sua construção teme ser atropelado pelos entregadores de bicicleta que circulam pela cidade. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Entre as reviravoltas no discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a guerra contra o Irã — que em menos de 24 horas passou de uma sinalização à iminência de um acordo de paz para uma ordem de ataque aéreo e ameaças de retomada de um conflito de alta intensidade —, uma série de declarações contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, revelou que as insatisfações do republicano sobre os desdobramentos no Oriente Médio também alcançam o aliado na empreitada bélica, em uma relação sob pressão que dá sinais de desgaste. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Os Estados Unidos lançaram uma nova onda de ataques aéreos contra o Irã na noite desta quarta-feira, informou o Exército americano. É o segundo dia consecutivo de ataques contra a República Islâmica, após a derrubada de um helicóptero dos Estados Unidos na segunda-feira por um drone iraniano. O Comando Central dos EUA (Centcom) justificou os ataques como uma resposta à “agressão injustificada e contínua do Irã”. O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que os Estados Unidos vão retomar os ataques contra o Irã, após acusar Teerã de brincar com Washington, enquanto o secretário-geral da ONU alertou para o risco de retorno a uma “guerra total” no Oriente Médio.
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“As forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar ataques adicionais de autodefesa hoje, às 17h15 no horário do leste dos EUA (18h15 em Brasília), contra múltiplos alvos no Irã, sob ordens do Comandante-em-Chefe. Os ataques são uma resposta à agressão injustificada e contínua do Irã”.
A mídia iraniana relatou explosões na manhã de quinta-feira (horário local) perto do Estreito de Ormuz. Explosões foram ouvidas na cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do país, na ilha de Qeshm e nas cidades de Minab e Sirik, segundo relatos. A agência de notícias Tasnim, afiliada à Guarda Revolucionária, informou que os Estados Unidos atacaram uma planta petroquímica no campo de gás de South Pars, localizado em Asalouyeh. Mais cedo, a televisão estatal iraniana havia relatado a ativação das defesas aéreas ao redor da planta de energia em Asalouyeh. Atacar infraestrutura energética crítica representaria uma escalada significativa nos recentes ataques mútuos.
— Vamos atacá-los… atacá-los com muita força — disse Trump na Casa Branca, acrescentando que isso vai acontecer a partir de hoje. — Estávamos realmente perto de um acordo, mas eles continuam protelando, continuam nos fazendo de bobos.
Trump havia dito ontem que um acordo para encerrar os mais de três meses de guerra seria anunciado em até três dias, mas, na madrugada de hoje, houve fogo cruzado. O presidente americano indicou ao canal Fox News que pensa cada vez mais em lançar ataques contra centrais elétricas e pontes iranianas.
“A infraestrutura crítica é vital. As ameaças de atacá-la não são uma demonstração de força, e sim um sinal de desespero”, publicou no X o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta quarta-feira que os EUA comprometeram os esforços diplomáticos para um cessar-fogo definitivo no Oriente Médio com os ataques lançados na noite de terça contra Teerã, em resposta ao abate de um helicóptero militar americano Apache pelas forças iranianas. A condenação diplomática ocorre em meio a uma campanha de retaliação que os militares da nação persa dizem ter alcançado instalações americanas em Bahrein, Jordânia e Kuwait — enquanto, internamente, autoridades tentam conter os danos provocados pela ofensiva americana.
— Infelizmente, os EUA estão prejudicando o processo diplomático com as mensagens contraditórias que estão enviando, com suas reiteradas mudanças de posição e de demandas e, o pior de tudo, com suas repetidas violações do cessar-fogo — afirmou em vídeo o principal porta-voz da chancelaria do Irã, Esmaeil Baghaei. — Qualquer processo diplomático é prejudicado pelo uso da força e pelo recurso a ações ilegais no terreno.
A condenação no campo diplomático ocorre em meio a uma campanha retaliatória que voltou a afetar toda a região do Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária do Irã disse ter “atingido e destruído quatro grandes alvos” na Jordânia, segundo um comunicado transmitido pela na rede estatal IRNA. Um vídeo obtido pela rede americana CNN mostrou o que parece ser uma explosão nos arredores de uma base americana em Manama, capital do Bahrein.
Ao todo, o Corpo da Guarda Revolucionária disse ter lançado 21 ataques contra bases dos EUA na região, além de ter abatido um drone MQ-9 sobre a região iraniana de Jam. Uma fonte americana ouvida pelo New York Times afirmou que o relato iraniano é falso.
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O Exército jordaniano informou que derrubou cinco mísseis iranianos, sem relatar vítimas ou danos materiais, enquanto as Forças Armadas do Kuwait afirmaram que suas defesas aéreas repeliram “alvos aéreos hostis”, sem mencionar inicialmente a origem do ataque. Militares do Bahrein afirmaram ter interceptado projéteis iranianos nesta quarta e acusaram Teerã de violar o direito internacional humanitário com os ataques.
A diplomacia iraniana afirmou nesta quarta-feira que países vizinhos do Golfo têm a “responsabilidade legal e moral” de impedir os ataques americanos e israelenses a partir de seus territórios. O regime dos aiatolás já afirmaram que qualquer meio militar americano na região será visto como alvo lícito.
(Com AFP e NYT)
Quatro pessoas morreram e outras 38 foram hospitalizadas após consumirem uma tequila supostamente adulterada em uma festa de 15 anos realizada no estado de Guanajuato, no México. Entre os mortos estão o pai e o tio da aniversariante. O caso ocorreu no último sábado a comunidade de Puerto de Valle, no município de Salamanca, e é investigado pelas autoridades locais.
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Logo após a festa, os convidados começaram a apresentar sintomas graves, incluindo vômitos, dores de cabeça e visão turva, enquanto outros chegaram a ficar inconscientes. Inicialmente, familiares acreditaram que se tratava apenas dos efeitos do consumo excessivo de álcool, mas a gravidade do quadro levou diversas pessoas a procurarem atendimento médico.
De acordo com os veículos locais Periódico Correo e AM, as vítimas fatais foram identificadas como Sanjuana González, de 36 anos, José Guadalupe Ramblás, de 33, José Antonio Cárdenas, de 39 — pai da aniversariante —, e Martín Robles, de 28 anos, tio da jovem.
Ramblás, que jogava futebol, foi homenageado pela Liga De Fútbol Valtierrilla em uma publicação no Facebook.
— Mais sinceras condolências à família Ramblas pelo falecimento de José Guadalupe Ramblas López. Que familiares e amigos encontrem em breve resignação e conforto diante dessa perda — diz a publicação.
Liga De Fútbol Valtierrilla homenageou jogador Jose Guadalupe Ramblas López, morto após consumir tequila supostamente adulterada no México
Reprodução | Facebook
Dos 38 intoxicados, 28 foram atendidos em um hospital de Salamanca, enquanto os demais foram encaminhados para outras unidades de saúde da região. Até o início desta semana, seis pessoas continuavam internadas. Entre os pacientes estavam dois adolescentes de 15 e 16 anos, segundo o jornal Reforma.
Familiares das vítimas cobram esclarecimentos sobre a origem da bebida e responsabilização dos envolvidos. O Ministério Público do estado de Guanajuato abriu uma investigação para determinar se a tequila consumida na festa era falsificada ou contaminada e identificar quem forneceu o produto. Até o momento, as autoridades não divulgaram conclusões sobre a causa exata das mortes.
O chefe da Nasa, Jared Isaacman, defendeu nesta quarta-feira a composição da tripulação da terceira missão do programa Artemis, que busca levar seres humanos de volta à Lua, formada exclusivamente por homens. O anúncio de uma tripulação 100% masculina gerou questionamentos e críticas sobre uma possível interferência política, já que, desde seu retorno à Casa Branca, o presidente Donald Trump ordenou que as agências federais eliminassem iniciativas relacionadas à diversidade e inclusão.
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Isaacman, porém, ressaltou nas redes sociais que a seleção da tripulação “não está ligada a decisões políticas”. “O Escritório de Astronautas designa a tripulação que oferece à missão a melhor possibilidade de cumprir seus objetivos”, afirmou, acrescentando que fatores como perfil, experiência e disponibilidade dos astronautas são levados em consideração.
A terceira fase do programa Artemis III consistirá em testar a espaçonave Orion e realizar manobras de encontro e acoplamento com módulos de pouso lunar. Ela não incluirá uma viagem à Lua.
A tripulação anunciada na terça-feira inclui os astronautas americanos Randy Bresnik, Andre Douglas e Frank Rubio, além do italiano Luca Parmitano, o primeiro europeu a participar de uma missão Artemis.
Promessa de diversidade
A Nasa prometeu levar à Lua uma mulher e uma pessoa negra. No ano passado, porém, a Nasa retirou de algumas de suas páginas na internet referências a esse compromisso e, de forma mais ampla, à diversidade. Isso não significa necessariamente que a promessa tenha sido abandonada, mas ela deixou de ser explicitamente mencionada.
Isaacman afirmou que aqueles que levantam essa preocupação talvez não conheçam bem a forma como as tripulações são organizadas e lembrou que já há astronautas em treinamento específico para a Lua que se encaixariam melhor em futuras missões de alunissagem.
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‘Testemunha passiva’
Em fevereiro, a Nasa anunciou que, em vez de ir à Lua, como previsto originalmente para a Artemis III, a missão serviria como um voo de teste para demonstrar a capacidade de encontro e acoplamento com pelo menos um módulo de pouso lunar em órbita baixa da Terra. Essa mudança prepara o terreno para duas tentativas de pouso na Lua pela Nasa em 2028, durante as missões Artemis IV e V.
Apesar do otimismo, especialistas expressam ceticismo quanto à viabilidade de fazê-lo até 2028.
— Acho que eu e a maioria das pessoas diríamos que não é uma data realista — disse ao New York Times Casey Dreier, chefe de política espacial da Sociedade Planetária.
Missão Artemis II retorna à Terra
NASA / AFP
Segundo Dreier, o envolvimento de empresas privadas, como a Blue Origin e a SpaceX, permite que o plano de voltar à Lua seja realizado a um custo muito menor do que durante a era Apollo — mas também significa que as aspirações lunares da agência estão em grande parte à mercê dos caprichos de dois bilionários, Elon Musk e Jeff Bezos.
— É muita potência e muita esperança depositadas em apenas duas pessoas para fornecer uma capacidade que é realmente essencial para um objetivo nacional — disse ele. — A Nasa é uma testemunha passiva do seu próprio destino.
Nem a SpaceX nem a Blue Origin concluíram o desenvolvimento de um módulo de pouso lunar. Os foguetes que deveriam levar esses módulos à Lua também não estão prontos: a Starship da SpaceX sofreu repetidas falhas durante voos de teste, e o New Glenn da Blue Origin explodiu e danificou a única plataforma de lançamento da empresa em maio. Essas circunstâncias podem muito bem atrasar a meta da Nasa de pousar na Lua em 2028. Fatores externos, como mau tempo ou paralisações governamentais, também podem afetar esse cronograma.
“É irrealista”, escreveu Phil McAlister, ex-diretor da divisão espacial comercial da Nasa, em um e-mail. “Ao mesmo tempo, não vou dizer que é impossível.”
Pousar na Lua sempre foi difícil, mesmo para missões não tripuladas. Em 2023, a Rússia tentou seu primeiro pouso lunar desde a década de 1970, mas a espaçonave colidiu com a superfície. Uma espaçonave japonesa, transportando dois veículos exploradores, pousou de cabeça para baixo na Lua em 2024. A Intuitive Machines, uma empresa privada com sede em Houston, pousou um veículo que tombou de lado no ano passado.
A China, por outro lado, tem tido um sucesso notável com os pousos na Lua. Ela enviou veículos exploradores à superfície lunar em 2013 e 2019, e coletou amostras de poeira lunar do lado visível em 2020 e do lado oculto em 2024. O país planeja levar humanos à Lua até 2030.
Com AFP e New York Times.
O governo da Índia convocou o representante dos EUA no país depois que três marinheiros indianos foram dados como desaparecidos após um ataque americano contra o petroleiro onde eles trabalhavam no Golfo de Omã, na noite de terça-feira. Segundo com o Pentágono, o navio tentava romper o bloqueio imposto aos portos iranianos, e “não cumpriu as ordens das forças americanas”.
“Dos 24 tripulantes indianos a bordo, 21 foram resgatados até o momento e 3 estão desaparecidos”, afirmou a Chancelaria em nota, na qual também criticou a ação contra o petroleiro M/T Settebello, de bandeira de Palau. “Reiteramos nosso apelo pela imediata redução das tensões e pela conclusão das negociações em andamento para uma solução diplomática, de modo que a paz e a estabilidade possam retornar à região.”
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O encarregado de negócios da Embaixada dos EUA na Índia, Jason Meeks, também foi convocado pela Chancelaria indiana em protesto, embora não tenha ocorrido uma queixa formal pelos canais diplomáticos.
Em comunicado, o Comando Central dos EUA, responsável pelas operações no Oriente Médio, relatou que, na noite de terça-feira, o Settebello foi atingido por “munições de precisão na casa de máquinas do navio, depois que a tripulação falhou repetidamente em cumprir as instruções das forças americanas” perto da costa de Omã.
Pouco depois, a embarcação emitiu um alerta pelo rádio, relatando um incêndio a bordo. A Marinha omanense ajudou no resgate dos tripulantes. As primeiras informações diziam que duas pessoas estavam mortas, enquanto uma terceira estava desaparecida, números atualizados por Nova Délhi. A bordo havia 28 tripulantes, sendo que 24 eram indianos.
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Embora não figure em listas internacionais de sanções, o M/T Settebello — que também navegou sob o nome Hana — é citado como uma das embarcações da “frota fantasma” usada pelos iranianos para transportar burlar bloqueios e embargos ao petróleo e gás. De acordo com o portal Maritime Executive, responsáveis pelo navio dizem que ele estava parado perto da costa de Omã, aguardando instruções, mas os militares dos EUA rejeitam a versão. Dentre as centenas de navios parados nos arredores de Ormuz devido ao fechamento, um número considerável carrega petróleo iraniano aguardando compradores.
Desde a imposição do bloqueio aos portos e navios iranianos, em abril, o Comando Central dos EUA afirma ter “desabilitado” oito embarcações que, garantem os militares, descumpriram ordens para mudar de rota. A medida é uma das apostas do Pentágono para impor custos elevados a Teerã, e forçar um acerto mais palatável ao governo do presidente Donald Trump. Mas até agora, não há qualquer sinal de fissura na cúpula do regime.
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O ataque ao Settebello foi o segundo em menos de 24 horas na região do Golfo de Omã. Na noite de segunda-feira, o M/T Marivex, também de bandeira de Palau e presente na lista de sanções dos EUA, foi atacado em águas internacionais, sob alegação de que estava a caminho do Irã. A bordo havia 24 tripulantes indianos, resgatados pela Marinha de Omã e repetindo o roteiro da terça-feira.
Os bloqueios na região do Estreito de Ormuz — pelos EUA e pelo Irã —, ligados à guerra lançada por Trump em fevereiro, produziram um dos maiores choques do setor de energia em décadas. Até agora, os esforços internacionais pela liberação da passagem, por onde transitavam 20% das exportações globais de petróleo e gás, foram ineficazes, e parecem depender de um complicado acerto entre Teerã e Washington. Neste contexto, os ataques a navios civis são um complicador difícil de ignorar.
“Condeno veementemente qualquer ato de qualquer parte que coloque em risco a vida dos marítimos e a segurança da navegação internacional. Isso é simplesmente inaceitável”, disse, em comunicado, o secretário-geral da Organização Marítima Internacional, ligada à ONU, nesta quarta-feira. “Todas as ações que afetam a navegação internacional devem respeitar integralmente o direito internacional e a segurança da vida no mar. A proteção dos marítimos é uma responsabilidade compartilhada que deve permanecer primordial.”
Mais conhecido pela Sagrada Família, o arquiteto espanhol Antoni Gaudí pode se tornar santo da Igreja Católica. Enquanto seu processo de canonização avança no Vaticano, o catalão é homenageado nesta quarta-feira, data que marca os 100 anos de sua morte, com uma missa celebrada pelo Papa Leão XIV na basílica de Barcelona — na qual ele dedicou grande parte da vida e que, apesar da grande fama, ainda não terminou de ser construída.
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Atualmente, Gaudí está na etapa de “Venerável”, um dos estágios iniciais do processo de canonização da Igreja Católica. Em abril de 2025, o Papa Francisco, que morreu dias depois, reconheceu oficialmente suas “virtudes heroicas”, concedendo-lhe esse título e colocando o arquiteto catalão formalmente no caminho para a santidade.
A causa de Gaudí é antiga. Movimentos em favor de sua beatificação existem desde a década de 1990, e o processo formal avançou ao longo dos anos com a análise de sua vida espiritual, de seus escritos e de testemunhos sobre sua devoção religiosa. O Vaticano considera que o arquiteto transformou sua atividade profissional em uma forma de testemunho de fé, especialmente nos últimos anos de vida, quando se dedicou quase exclusivamente à construção da Sagrada Família.
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Nascido em 1852 em uma família católica de caldeireiros no sul da Catalunha, Gaudí tornou-se um dos arquitetos mais requisitados da Barcelona de sua época. Importantes burgueses e empresários logo passaram a encomendar projetos ao jovem de temperamento forte e fascinado pela natureza, que já havia chamado atenção durante seus anos de universidade. Mas uma série de mortes de pessoas próximas levou o arquiteto a realizar um jejum extremo em 1894.
Sua fé saiu fortalecida daquela crise e, a partir de então, Gaudí adotou um estilo de vida austero, quase místico, no qual alguns seguidores acreditaram reconhecer traços de santidade.
— Não é que Gaudí fosse um bon vivant, mas ainda vivia ligado a coisas muito humanas, como a vaidade e a ambição. E então, naquele momento, ele começa a colocar o próprio eu depois de Deus — disse Armand Puig Tàrrech, sacerdote e teólogo que participou da elaboração do documento de 1,7 mil páginas entregue ao Vaticano para solicitar sua beatificação.
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Dono de um temperamento difícil que nunca conseguiu domar, Gaudí, que permaneceu solteiro durante toda a vida, detestava bajuladores e até mesmo se recusava a posar para fotografias, segundo relatam seus biógrafos — um contraste enorme com os milhões de pessoas que visitam suas obras todos os anos e transformaram seu nome em uma marca altamente lucrativa para o turismo de massa em Barcelona.
— O milagre mais evidente para mim é que ele criou um edifício que todo mundo quer conhecer — avaliou Gijs van Hensbergen, autor de uma das biografias de Gaudí. — Ateus, budistas e pessoas de todo o mundo vêm a Barcelona para ver esse edifício milagroso.

Vista geral da Basílica da Sagrada Família, obra de Antoni Gaudí, em Barcelona, antes da visita do Papa Leão XIV à Espanha
Lluis Gene/AFP

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Mais de um século de história
Em 19 de março de 1882, o bispo Urquinaona lançou a pedra fundamental do templo em Barcelona. O projeto, inicialmente concebido pelo arquiteto diocesano Francisco de Paula del Villar, seguia as diretrizes neogóticas da época: janelas ogivais, contrafortes, arcobotantes e uma torre sineira pontiaguda. Divergências sobre o custo dos materiais, no entanto, levaram à substituição de del Villar, em 1883, por um jovem que começava a se destacar em seu tempo.
Profundamente ambicioso e devoto católico, Gaudí tinha dois objetivos declarados ao assumir o projeto, segundo o historiador da arte e biógrafo Gijs van Hensbergen:
— Criar, antes de tudo, uma Bíblia em pedra, que é a Sagrada Família. Mas também corrigir todos os erros dos estilos arquitetônicos anteriores — disse Hensbergen à BBC.
Para isso, Gaudí voltou os olhos a uma das maravilhas do mundo antigo: o Arco de Taq-i Kisra, construído entre os séculos III e VI d.C. na antiga Ctesifonte, região do atual Iraque. A estrutura é um dos primeiros exemplos do chamado arco catenário, que distribui por igual o peso e as tensões de tração da construção. Com esse princípio, projetou as colunas da nave principal, que se ramificam como árvores e sustentam tanto o próprio peso quanto o das 18 torres do edifício.
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As grandes igrejas neogóticas da época dependiam de arcobotantes, estruturas de pedra projetadas das paredes superiores para níveis mais baixos, para sustentar seus tetos abobadados. Gaudí as considerava “muletas” para edifícios incapazes de suportar seu próprio peso. Sua alternativa exigiu décadas de pesquisa e domínio matemático:
tenárias para encontrar as formas mais eficientes. É uma forma extremamente elegante e, ao mesmo tempo, funcional. Ela se sustenta sozinha — explicou à rede britânica Liam Duff, engenheiro estrutural da empresa Arup, hoje envolvido nas obras da basílica.
Invenções divinas
Para Gaudí, a solução não era apenas técnica. Ele acreditava que a gravidade e o arco catenário eram invenções divinas e, por isso, via na estrutura um motivo recorrente de homenagem a Deus como o grande arquiteto. Em 1914, passou a dedicar-se exclusivamente ao templo e, quase dez anos depois, em 1925, viu concluída a única torre que terminaria em vida: a sineira de São Barnabé, na Fachada da Natividade. No ano seguinte, morreu atropelado enquanto se dirigia à igreja.
A obra continuou sob a direção de seu discípulo Domènec Sugranyes, mas passou por sobressaltos. Em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola, a Sagrada Família foi vandalizada. Plantas e fotografias foram queimadas, e os modelos de gesso de Gaudí, destruídos. A reconstrução foi possível graças ao material salvo da oficina do arquiteto e ao que havia sido publicado anteriormente em plantas e fotografias.
Foi somente a partir de 1939, sob a direção de Francesc de Paula Quintana, que as obras foram retomadas. Cinco gerações já haviam acompanhado o avanço da construção quando, em 2005, a Fachada da Natividade e a cripta foram declaradas Patrimônio Mundial pela Unesco. Em 2010, o Papa Bento XVI (1927-2022) consagrou a basílica para o culto religioso e a elevou à categoria de basílica menor.
Sagrada Família de Barcelona é considerada a igreja mais alta do mundo, tendo recentemente tomado o recorde da Catedral de Ulm, na Alemanha
Lluis Gene/AFP

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, advertiu nesta quarta-feira Cuba para que não adquira nem busque acesso a armamentos que possam representar uma ameaça ao território americano. A declaração foi feita durante visita à base militar dos EUA na Baía de Guantánamo. A viagem, anunciada de forma inesperada na véspera, ocorre em meio ao aumento da pressão de Washington sobre Havana, com a imposição de sanções a dirigentes cubanos e medidas que restringem o acesso do país ao petróleo.
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— Seria imprudente que o governo de Cuba tentasse adquirir ou obter acesso a tipos de armas que pudessem alcançar esta base ou o território dos Estados Unidos — declarou Hegseth aos militares, acrescentando que uma iniciativa desse tipo significaria que Cuba estaria “abrindo a porta para um confronto” que não teria condições de sustentar.
Nas últimas semanas, veículos de imprensa americanos divulgaram informações sobre uma suposta compra, por parte de Havana, de 300 drones militares. Os equipamentos poderiam ser utilizados contra a base de Guantánamo ou até mesmo contra a Flórida, situada a cerca de 150 quilômetros da costa cubana. Autoridades americanas disseram ao site Axios que Cuba adquiriu drones de ataque da Rússia e do Irã desde 2023 e busca ampliar esse arsenal.
O governo cubano rejeitou as acusações, com o chanceler Bruno Rodríguez afirmando que Washington está construindo “um dossiê fraudulento para justificar a guerra econômica impiedosa contra o povo cubano e uma eventual agressão militar”.
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A visita de Hegseth ocorre após uma série de contatos entre autoridades dos dois países. No fim de maio, o principal general americano responsável pelas operações na América Latina esteve em Guantánamo, onde se reuniu com comandantes militares cubanos. Duas semanas antes, o diretor da CIA, John Ratcliffe, visitou Havana para encontros com autoridades locais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também tem buscado utilizar a base de Guantánamo como centro de detenção para migrantes deportados.
Discurso às tropas
Vestindo uniforme camuflado, Hegseth fez um discurso aos soldados da base, instalada em 1903 e transformada em um dos principais pontos de atrito entre Washington e Havana após a Revolução Cubana de 1959.
— O que acontecer no futuro de Cuba está nas mãos do presidente dos Estados Unidos — afirmou, destacando que espera que os dois países possam desenvolver uma relação mais próxima no futuro. — Esperamos muito em breve nos tornar amigos da liderança de Cuba. Por enquanto, vamos ver o que acontece.
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As declarações foram recebidas com aplausos em diversos momentos pelos militares presentes. Hegseth afirmou ainda que cabe ao governo cubano decidir quais reformas pretende implementar.
— Cuba tem que tomar decisões sobre que tipo de reformas quer empreender. Não cabe a mim tomar essa decisão por eles.
Operações contra o narcotráfico
Durante a visita, o secretário de Defesa também mencionou as operações conduzidas pelo Pentágono no Caribe e no Pacífico contra embarcações suspeitas de envolvimento com o narcotráfico. Segundo o texto original, essas ações resultaram na morte de cerca de 210 pessoas desde setembro.
— Estamos caçando essas pessoas da mesma forma que caçamos a al-Qaeda e o ISIS no Oriente Médio: as mesmas redes, a mesma inteligência e as mesmas capacidades — afirmou.
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Especialistas e representantes da ONU têm criticado essas operações, classificando-as como execuções extrajudiciais.
O governo Trump, por sua vez, não apresentou provas que demonstrem que todas as embarcações atingidas estavam efetivamente envolvidas em atividades de tráfico. Ainda assim, Washington sustenta perante o Congresso que possui autoridade para agir preventivamente, utilizando procedimentos semelhantes aos empregados por administrações anteriores em países como Iêmen e Somália contra suspeitos de terrorismo.

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