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A recorrência dos episódios de calor extremo está levando a agricultura “ao limite” em todo o mundo e ameaça a saúde e os meios de subsistência de mais de um bilhão de pessoas, alertam nesta quarta-feira a Organização das Nações Unidas para alimentação e agricultura (FAO) e a Organização Meteorológica Mundial. O fenômeno, vinculado ao aquecimento climático gerado pelas atividades humanas, provoca a perda de 500 bilhões de horas de trabalho na agricultura a cada ano. Destinado a se intensificar, ameaça a segurança alimentar mundial, destaca o relatório “Calor extremo e agricultura”.
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O calor extremo refere-se a temperaturas “excepcionalmente altas” em comparação com o normal, tanto de dia quanto de noite. Sua intensidade pode dobrar se o mundo atingir +2 °C em relação à era pré-industrial (e quadruplicar a +4 °C), alertam os cientistas. O calor extremo também atua sobre a umidade ou a radiação solar, gerando chuvas torrenciais ou secas “repentinas”.
“É o principal detonador”, explica Kaveh Zahedi, diretor do Escritório de Mudança Climática da FAO à AFP, que citou o Brasil como exemplo:
— O vimos há dois anos no Brasil. Um calor extremo prolongado, combinado com seca, provocou incêndios na Amazônia e o secamento de afluentes do Amazonas, com um impacto imediato em todo o sistema alimentar, incluindo a pesca e a aquicultura. Mais ao sul gerou chuvas anormalmente intensas.
Os casos se acumulam nos Estados Unidos, Rússia, China e todos os setores são afetados. Para o gado, quando o calor extremo não provoca falhas digestivas ou cardiovasculares, reduz a produção de leite e seu conteúdo de proteínas.
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Os peixes podem sofrer falhas cardíacas em águas cujo nível de oxigênio se reduz devido às altas temperaturas. Em 2024, 91% do oceano em nível global experimentou ao menos uma onda de calor, das quais a metade foi considerada “forte”, assinala o relatório.
Para a maioria dos cultivos, os rendimentos começam a diminuir acima dos 30 °C, inclusive antes no caso das batatas ou da cevada. O desaparecimento de polinizadores, as doenças ou a falta de alimento aumentam os riscos, agravados pela uniformidade das variedades.
‘Construir resiliência mas sem substituir uma ação climática decidida’
No Marrocos, seis anos de seca provocados por duas ondas de calor históricas, em 2023 e 2024, reduziram os rendimentos dos cereais em 40% e arruinaram as colheitas de azeitonas e cítricos, recorda Zahedi.
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Isso também ocorre em zonas montanhosas, como na primavera de 2025, quando temperaturas superiores a 30°C (10 °C acima do normal) na cordilheira de Ferganá, no Quirguistão, submeteram frutas e cereais a um choque térmico e a uma invasão de gafanhotos. Resultado: 25% menos colheitas.
Por último, no leste do Mar de Bering, uma onda de calor marinha em 2018–2019 provocou a morte de 90% dos caranguejos-das-neves, o que levou ao fechamento de uma das pescarias “mais rentáveis” do Ártico, assinala o relatório.
Diante dessa situação “vemos exemplos de ações inovadoras”, destaca Zahedi, que menciona a Índia, onde os agricultores testam variedades de arroz mais precoces. Grande desafio para um país que obtém desse cultivo 70% de suas calorias e onde a agricultura sustenta milhões de trabalhadores.
Os picos de calor já afetam mais de um bilhão de pessoas: em primeiro lugar os agricultores e suas famílias (em quesitos como saúde e produtividade) e também enfraquecem uma segurança alimentar já muito incerta (em 2024, 2,3 bilhões de pessoas sofriam algum tipo de insegurança alimentar).
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O relatório aconselha a adotar sementes e raças adaptadas às novas condições e a colocar sistemas de alerta à disposição dos agricultores, já que o calor extremo é um dos fenômenos meteorológicos mais previsíveis.
“Vemos ações, mas são insuficientes”, insiste o responsável da FAO, sublinhando a importância “crítica” dos sistemas de alerta.
Mas, sem uma redução “ambiciosa” dos gases de efeito estufa, “a gravidade dos calores extremos superará cada vez mais a capacidade de adaptação”, assinala o relatório. “Construir resiliência é essencial, mas não pode substituir uma ação climática decidida”, destaca.
O dispositivo utilizava muitos dos mesmos componentes eletrônicos das armas mais letais da guerra moderna. Era operado remotamente. Podia reconhecer imagens. Disparava um laser.
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Bem, um apontador laser. O dispositivo, Petcube, foi criado por um empreendedor ucraniano, Yaroslav Azhnyuk, e sua equipe. Trata-se de um aparelho controlado por smartphone para observar e entreter cães e gatos remotamente quando estão sozinhos em casa. Quando Azhnyuk o testou pela primeira vez no cachorro solitário e incessantemente latindo de um colega, o animal pulou freneticamente perseguindo o laser, contou ele.
A Petcube já é vendida em dezenas de países. Mas os fundadores da empresa partiram para uma nova ideia, que reflete uma transformação mais ampla da indústria de tecnologia civil da Ucrânia em um polo de contratos militares.
A virada para drones de combate
Após inicialmente brincar sobre a criação de um Petcube militar, com lasers mais potentes para atingir tropas russas, Azhnyuk e sua equipe voltaram-se para drones com visão em primeira pessoa (FPV). Esses pequenos quadricópteros, que transportam explosivos, tornaram-se onipresentes no campo de batalha na Ucrânia.
A equipe, agora atuando em duas novas empresas chamadas Odd Systems e The Fourth Law, integrou um sistema de reconhecimento de imagem baseado em inteligência artificial ao drone. Em vez de identificar um cachorro ou um gato, o sistema pode ser instruído a detectar veículos militares, peças de artilharia ou soldados inimigos.
O reconhecimento de imagem está integrado a um programa de piloto automático usado para ataques. Os operadores utilizam uma abordagem de mira chamada YOLO, ou “você só olha uma vez”. Após identificarem um alvo, acionam o sistema automatizado, e o drone percorre os últimos 400 metros de forma autônoma, tornando-se imune a interferências russas.
Interceptadores e novas tecnologias
A Odd Systems também produz um interceptor de drones projetado para neutralizar os drones Shahed, de fabricação iraniana. A Rússia vem lançando esses drones baratos, triangulares e explosivos, contra a Ucrânia há anos, e o Irã os utilizou recentemente para atacar bases e interesses americanos no Oriente Médio.
O interceptor da empresa, chamado Zerov, é uma aeronave veloz, com formato de foguete e quatro hélices, programada para identificar os drones Shahed, voar em sua direção e explodir.
Os ataques do Irã despertaram interesse nas tecnologias ucranianas anti-Shahed. A Odd Systems não divulga se exporta ou pretende exportar seus produtos para o Oriente Médio.
Na Ucrânia, drones FPV com reconhecimento de imagem já são usados regularmente na linha de frente. Versões que voam de forma autônoma ao longo de rotas programadas e atacam alvos identificados em bancos de dados estão em fase de testes.
Debate sobre o uso de IA em ataques
A Cruz Vermelha e outros grupos que monitoram as leis da guerra se opõem ao uso de inteligência artificial para realizar ataques sem controle humano completo. Azhnyuk, por sua vez, afirma que esses avanços são necessários para enfrentar um adversário implacável e que devem se tornar comuns em conflitos futuros.
A Odd Systems e a Fourth Law são exemplos do crescimento de startups de armamentos na Ucrânia. Investidores enxergam oportunidades tanto durante o conflito quanto em um cenário pós-guerra, com possibilidade de exportação.
Ideias antes consideradas exóticas já chegaram ao campo de batalha: balões de hélio que lançam drones, armas que disparam redes, embarcações explosivas controladas remotamente, robôs de resgate e drones subaquáticos.
Esses últimos, descritos como estruturas pretas e lisas com hélices, já foram usados para atingir um submarino russo atracado, segundo o exército ucraniano, evidenciando vulnerabilidades de equipamentos navais.
Investimentos e disputa tecnológica
Drones FPV são hoje uma das principais prioridades tanto para a Ucrânia quanto para a Rússia, sendo responsáveis pela maioria das baixas militares. Enquanto Moscou aposta na produção em larga escala, Kiev investe em diversidade de projetos, embora enfrente dificuldades industriais.
Segundo a Brave1, fundo ligado ao Ministério da Transformação Digital, mais de 2.000 startups de tecnologia militar estão ativas no país.
O investimento estrangeiro direto no setor chegou a cerca de US$ 100 milhões no ano passado, ante US$ 40 milhões no anterior. Entre os negócios recentes, a Swarmer captou US$ 15 milhões para desenvolver IA de enxames de drones, enquanto o consórcio U-Force levantou US$ 50 milhões, atingindo avaliação superior a US$ 1 bilhão.
Parcerias e sigilo
Além do capital privado, países europeus também financiam empresas ucranianas, muitas vezes com contrapartidas industriais. Em outro modelo, empresas estrangeiras trocam tecnologia por acesso ao campo de batalha para testes.
A discrição é regra: fábricas são alvos frequentes de ataques russos, o que leva empresas a evitar publicidade sobre investimentos.
Da tecnologia civil à guerra
Antes da guerra, o setor tecnológico ucraniano já tinha projeção global, com empresas como Grammarly e Ring. A tecnologia da informação era o terceiro maior produto de exportação do país até 2022.
Azhnyuk, que dividia seu tempo entre Kiev e São Francisco, deixou o comando da Petcube no início da invasão russa para se dedicar à defesa do país. Em 2023, fundou as novas empresas focadas em tecnologia militar.
Automação e riscos
Cerca de 90% dos drones não atingem seus alvos, devido a interferências ou perda de sinal. O sistema de mira automática busca resolver esse problema.
Segundo Azhnyuk, retirar parcialmente os humanos da operação “não é tão assustador quanto parece”. Os drones operam dentro de zonas georreferenciadas para evitar atingir civis ou retornar ao operador.
A empresa já recebeu investimentos iniciais, incluindo um aporte da Axon Enterprises, fabricante de armas de eletrochoque, cujo valor não foi divulgado.
Sem arrependimentos
Azhnyuk afirma não se arrepender de desenvolver tecnologia capaz de tomar decisões de vida ou morte.
Segundo ele, o atraso na adoção de inteligência artificial em armamentos poderia colocar países em desvantagem frente a rivais como Rússia e China.
Ele diz que se sente obrigado a continuar o trabalho: “Fiz um juramento de defender meu país quando estava nos escoteiros”.
A União Europeia aprovou de forma preliminar nesta quarta-feira a liberação de um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 524,4 bilhões no câmbio atual) para a Ucrânia, destravando um esperado recurso para Kiev, que havia sido bloqueado pela Hungria, quando ainda sob comando absoluto do líder de extrema direita Viktor Orbán. O avanço acontece após o governo ucraniano liberar o bombeamento de petróleo russo para Hungria e Eslováquia — um movimento estratégico que pode ter aberto caminho para a quebra do impasse. A decisão final sobre o empréstimo deve ser anunciada na quinta-feira.
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O Chipre, que ocupa a Presidência rotativa da UE, disse que embaixadores dos 27 Estados-membros do bloco concordaram em iniciar um “procedimento escrito” para a aprovação do empréstimo até o final da tarde de quinta. A decisão ainda está nas mãos de Budapeste, que tem 24 horas para dar sua aprovação definitiva, e disse estar aguardando a chegada de petróleo pelo oleoduto Druzhba, que corta o território ucraniano.
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Acordado inicialmente em dezembro, o empréstimo foi bloqueado em fevereiro por Orbán, que alegou que a Ucrânia estaria propositalmente impedindo a chegada de petróleo russo ao país e à Eslováquia, que ainda importam combustível de Moscou. Kiev afirmou que o oleoduto foi danificada por ataques russos em janeiro, mas Orbán acusou o o governo ucraniano de atrasar deliberadamente os reparos.
A compra de petróleo e gás russos pelos aliados europeus é um ponto de tensão na delicada relação entre Kiev e o bloco, que desempenha um papel substancial na resistência do país à invasão russa. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, nunca escondeu a oposição à manutenção da relação comercial, que oferece alívio econômico a Moscou — enquanto líderes vistos dentro do bloco como pró-Rússia apontam motivos estratégicos para manter o fornecimento.
Com a confirmação das autoridades ucranianas do retorno das operações do oleoduto, fontes ligadas aos setores energéticos e aos governos em Bratislava e Budapeste anunciaram que as previsões são de que o combustível chegue aos destinos finais a partir de quinta-feira. Ainda assim, há desconfiança sobre o funcionamento regular da estrutura autorizada por Kiev.
O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, que tem entrado repetidamente em conflito com Kiev e Bruxelas sobre a guerra com a Rússia, afirmou nesta quarta-feira que não ficaria surpreso se o empréstimo de 90 bilhões fosse liberado e então “o fornecimento de petróleo fosse cortado novamente”.
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Termos do empréstimo
Embora autoridades europeias tenham encontrado maneiras de manter o financiamento a Kiev nos últimos meses, o empréstimo atual proporcionará um apoio financeiro substancial à medida que a invasão em grande escala de Moscou entra em seu quinto ano e continua a fazer vítimas em solo. Bombardeios russos deixaram dois mortos nesta quarta-feira na Ucrânia, incluindo em um ataque a uma instalação de transporte no distrito de Zaporíjia. A Rússia denunciou as mortes de uma mulher e de uma criança em um ataque ucraniano com drone em seu território.
Apesar da Hungria ter bloqueado o empréstimo por meses, o valor não terá impacto orçamentário no país, que optou — ao lado de República Tcheca e Eslováquia —, por não participar do financiamento como condição para permitir a aprovação. O valor sairá do orçamento comum da União Europeia.
Estrategicamente, as condições do empréstimo são vistas com otimismo pela Ucrânia. O país só precisará reembolsar o valor, sem juros, caso a Rússia pague reparações no fim da guerra. Em contrapartida, o dinheiro é extremamente necessário para compras em sistemas de defesa aérea e equipamentos militares, que vem se esgotando rapidamente.
O premier da Hungria, Viktor Orbán, admite derrota em discurso em Budapeste
Attila KISBENEDEK / AFP
Peso de Budapeste
Além da reabertura de Druzhba, a derrota de Orbán nas eleições deste mês foi apontada por observadores como um fator que contribuiu para o avanço da medida — embora autoridades acreditassem que seria necessário esperar até que o novo governo húngaro eleito assuma de fato o Parlamento em maio.
Autoridades ucranianas e da União Europeia viram a oposição de Orbán ao empréstimo como um exemplo de posicionamento eleitoral antes da votação de 12 de abril, e suas campanhas publicitárias tinham tom anti-Ucrânia e cético em relação à União Europeia.
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Mas a derrota contundente para Péter Magyar, que rapidamente indicou que suspenderia o veto da Hungria ao empréstimo assim que assumisse o cargo no próximo mês antecipou o processo. Em poucos dias, Zelensky anunciou que o oleoduto estaria operacional.
Orbán publicou nas redes sociais em 19 de abril que o oleoduto poderia ser consertado em breve, e que isso destravaria a pauta europeia.
“Assim que as entregas de petróleo forem restabelecidas, não mais nos colocaremos no caminho da aprovação do empréstimo”, acrescentou.
Na Hungria, além de sinalizar que desbloquearia o empréstimo, Magyar adotou um tom mais amigável em relação à União Europeia do que Orbán. No entanto, ainda não está claro o quanto ele mudará a abordagem mais ampla da Hungria em relação à Ucrânia. Ele evitou apoiar ajuda financeira adicional a Kiev e deixou claro que se opõe a um cronograma acelerado para a integração da Ucrânia ao bloco. (Com NYT e AFP)
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, ordenou na terça-feira uma investigação sobre o papel desempenhado por dois funcionários dos Estados Unidos que, segundo relatos à imprensa, trabalhavam para a CIA em uma operação antidrogas no estado de Chihuahua, no norte do país. Os dois morreram em um acidente de carro no fim de semana, ao lado de outros dois investigadores mexicanos, após uma ação para destruir laboratórios clandestinos de drogas. De acordo com autoridades locais, o veículo saiu da pista, caiu em um barranco e explodiu na manhã de domingo.
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Versões divergentes, no entanto, foram apresentadas por autoridades dos dois países. Inicialmente, o embaixador dos EUA no México, Ronald Johnson, afirmou que os americanos eram “funcionários da embaixada”, versão endossada pelo procurador-geral do estado de Chihuahua, César Jáuregui. Segundo ele, ambos eram “oficiais instrutores” que realizavam o “trabalho de treinamento como parte do intercâmbio geral e normal” do país “com as autoridades americanas”.
A embaixada dos EUA, por sua vez, se recusou a identificar os indivíduos ou a entidade do governo para a qual trabalhavam, embora tenha afirmado que os dois estavam “apoiando os esforços das autoridades do estado de Chihuahua para combater as operações dos cartéis”. O Departamento de Estado americano e a CIA também se recusaram a comentar, enquanto Sheinbaum afirmou, na segunda-feira, que nem ela e nem integrantes de alto escalão da equipe federal de segurança foram informados sobre qualquer operação conjunta entre EUA e México.
A líder mexicana, que tem enfrentado pressão de seu homólogo americano, o presidente Donald Trump, para fazer mais a fim de conter o fluxo de drogas do México para os EUA, tem sido enfática ao dizer que autoridades estrangeiras só podem atuar em solo mexicano se houver autorização prévia em nível federal, insistindo que a soberania de seu país não pode ser violada. Sheinbaum afirmou que seu governo precisava “entender as circunstâncias em que” o caso aconteceu e, depois, “avaliar as implicações legais”.
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Segundo ela, membros de seu governo pediram informações tanto à embaixada dos EUA quanto às autoridades do estado de Chihuahua para determinar se a operação pode ter violado a lei de segurança nacional do México. A presidente ressaltou que, embora sua administração trabalhe com Washington, incluindo no compartilhamento de inteligência, “não há operações conjuntas em terra ou no ar”. A falta de clareza, no entanto, reacendeu o debate sobre a extensão do envolvimento americano nas operações de segurança do país.
Trump tem adotado uma postura mais agressiva em relação à América Latina, capturando o presidente da Venezuela, bloqueando remessas de petróleo para Cuba e lançando operações militares conjuntas no Equador, país também marcado pela violência criminal. Sobre vizinho mexicano, o líder republicano tem reiteradamente se oferecido para agir contra cartéis, uma intervenção que Sheinbaum classifica como “desnecessária”. O tema é sensível para ela, que busca manter equilíbrio com o governo Trump — preservando a relação bilateral para evitar ameaças de intervenção contra cartéis e possíveis tarifas comerciais, ao mesmo tempo em que enfatiza a soberania mexicana.
No ano passado, Sheinbaum afirmou que os Estados Unidos realizaram voos de vigilância com drones a pedido do México, após declarações públicas contraditórias sobre o tema. Outra controvérsia recente ocorreu em janeiro, com a detenção do ex-atleta canadense Ryan Wedding, um dos fugitivos mais procurados pelos EUA sob acusação de narcotráfico. Autoridades mexicanas disseram que ele se entregou na embaixada americana, enquanto autoridades dos EUA afirmaram que a captura foi resultado de uma operação binacional.
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Em setembro, uma investigação da Reuters concluiu que a CIA vinha conduzindo operações encobertas no México há anos para rastrear os traficantes mais procurados do país. A apuração também constatou que a agência trabalhava de perto com unidades especiais de caça ao narcotráfico dentro das Forças Armadas mexicanas. Com a aprovação do governo, a CIA forneceu a unidades selecionadas do México treinamento, equipamentos e apoio financeiro para operações, incluindo viagens.
Pelo menos duas unidades militares avaliadas pela CIA estão atualmente ativas, incluindo o grupo do Exército mexicano que capturou Ovidio Guzmán-López — filho do narcotraficante Joaquín “El Chapo” Guzmán e um dos líderes do Cartel de Sinaloa — e uma unidade especializada de inteligência da Marinha mexicana, informou a Reuters.
— Há um aumento de operações ocultas dos Estados Unidos no México sob Trump — disse à Associated Press o analista de segurança David Saucedo. — Elas são ocultas porque o governo mexicano sustenta o discurso de que não pode permitir a presença de agentes americanos armados, o que seria uma violação da soberania. O governo mexicano sempre tentou esconder essa colaboração.
A Nasa apresentou seu novo telescópio espacial Roman, projetado para explorar grandes áreas do universo em busca de exoplanetas e de respostas para mistérios ligados à matéria e à energia escuras.
O anúncio foi feito no centro Goddard, em Maryland, onde a montagem do equipamento foi concluída.
Segundo o diretor da agência, Jared Isaacman, o telescópio “oferecerá à Terra um novo atlas do universo”. O equipamento, com mais de 12 metros de altura, será transportado para a Flórida e lançado ao espaço no início de setembro a bordo de um foguete da SpaceX.
Desenvolvido ao longo de mais de uma década, com custo superior a 4 bilhões de dólares, o telescópio leva o nome da astrônoma Nancy Grace Roman, conhecida como a “mãe do Hubble”.
Capacidade ampliada e grande volume de dados
Mais de 35 anos após o Hubble entrar em operação, o Roman terá um campo de visão mais de 100 vezes maior, permitindo mapear grandes regiões do céu a partir de um ponto a 1,5 milhão de quilômetros da Terra.
— Ele nos enviará 11 terabytes de dados por dia, o que significa que apenas durante o primeiro ano já terá fornecido mais dados do que o telescópio Hubble reuniu ao longo de toda a sua vida — afirmou o engenheiro Mark Melton.
A expectativa da Nasa é que o telescópio permita a descoberta de dezenas de milhares de novos planetas e milhares de supernovas.
Foco em mistérios do universo
Além da busca por exoplanetas, o Roman terá como missão estudar a matéria e a energia escuras, que, embora invisíveis, são consideradas responsáveis por cerca de 95% do universo.
— Se o Roman ganhar um dia o Prêmio Nobel, provavelmente será por algo em que ainda nem pensamos — afirmou Melton.
Uma enfermeira do Texas luta pela vida após desenvolver uma doença considerada “potencialmente fatal” apenas dois dias depois de iniciar sua lua de mel no Japão. Sarah Danh, de 27 anos, foi transportada de volta aos Estados Unidos em um voo médico e chegou a San Antonio na noite de terça-feira, após uma exaustiva viagem de cerca de 20 horas.
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Golfinho: Animal nada com banhistas na França e vira ‘celebridade’ nas redes sociais; interação preocupa autoridades
Segundo informações divulgadas pela revista People, Sarah estava internada em um hospital japonês com falência hepática aguda. Ela e o marido, Luke Gradl, de 28 anos, estavam juntos havia sete anos e se casaram em 21 de março, no bairro de Spring Branch, em Houston, em uma cerimônia que ele descreveu como seu “casamento dos sonhos”. O casal embarcou para Tóquio em 8 de abril.
A enfermeira Sarah Danh e seu marido, Luke Gradl
Reprodução: Facebook
“Ao chegarmos ao hotel na tarde de 8 de abril, ela não estava se sentindo bem. Então decidimos descansar naquele dia, porque teríamos 16 dias no Japão, então poderíamos nos dar ao luxo de descansar meio dia”, relatou Gradl.
“Em 9 de abril as coisas começaram a piorar muito rapidamente, então eu a levei imediatamente ao hospital pouco antes da meia-noite, onde fomos atendidos no pronto-socorro, e no dia seguinte ela foi transferida para a UTI por causa de uma deterioração de saúde com risco de vida.
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”Entre os sintomas apresentados por Sarah estavam icterícia, dores no corpo e vômitos. Segundo o marido, ela não apresentava qualquer sinal de doença antes da viagem.
Médicos no Japão diagnosticaram falência hepática aguda. No entanto, Gradl afirmou que a esposa também sofreu falência renal e pressão intracraniana, descrevendo a situação como “um teste como nenhum outro”.
Funcionária do Methodist Stone Oak Hospital, Sarah precisa de um transplante de fígado. Uma amiga da família, Danniella Ongmanchi, criou uma campanha no GoFundMe que já arrecadou mais de US$ 175 mil para ajudar a cobrir as despesas médicas.
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“Estar longe de casa durante um momento tão vulnerável tem sido incrivelmente difícil para Sarah e seu marido, Luke, enquanto tentam lidar juntos com a incerteza e a preocupação”, disse Ongmanchi.
Durante a internação no Japão, o genro dos pais de Gradl participou de ligações com os médicos que acompanhavam o caso. “Não sei como teríamos conseguido sem ele”, afirmou Sally, mãe de Luke, à emissora Fox San Antonio.
Imagens obtidas pela WOAI mostram Sarah sendo transportada em uma maca e embarcando em uma aeronave médica no Japão, antes do longo voo que incluiu três paradas para reabastecimento.

Em uma publicação no Facebook, o tio da jovem, Khang Le, afirmou que a viagem de retorno foi um risco que valeu a pena. Uma equipe de transplante nos Estados Unidos já está de prontidão aguardando a paciente.

Um vídeo compartilhado nas redes sociais nesta segunda-feira (21) mostra um golfinho nadando ao lado de banhistas na baía de Saint-Jean-de-Luz, no sudoeste da França. As imagens, registradas por usuários no Instagram, rapidamente viralizaram e transformaram o animal em uma espécie de atração local.
Segundo o site de notícias francês, focado em ecologia e questões ambientais, Reporterre, trata-se de uma fêmea jovem de golfinho-nariz-de-garrafa, com cerca de 5 anos, que há aproximadamente seis meses passou a habitar a área próxima aos quebra-mares da cidade basca. Com cerca de dois metros de comprimento e peso estimado em 200 quilos, o animal tem sido visto frequentemente interagindo com turistas, que chegam a nadar ao seu lado.
Especialistas alertam para riscos da interação
Apesar do encantamento gerado pelas imagens, especialistas em comportamento animal e autoridades locais alertam para os riscos dessa proximidade. A etóloga e cetóloga Fabienne Delfour explicou ao Reporterre que o contato frequente com humanos pode alterar o comportamento do golfinho, além de representar perigos tanto para o animal quanto para as pessoas.
Entre as preocupações estão a possibilidade de transmissão de doenças entre espécies e o risco de acidentes, já que o golfinho é um animal forte e pode reagir de forma imprevisível. A especialista também aponta que o isolamento do animal, possivelmente afastado de seu grupo, pode explicar a busca por interação com humanos.
Segundo o Reporterre, a prefeitura de Saint-Jean-de-Luz lançou uma campanha de conscientização para evitar o contato direto. Placas foram instaladas nas praias e reforçam que é proibido se aproximar a menos de 100 metros do animal em áreas protegidas. A orientação é observar à distância, sem tentar interagir ou seguir o golfinho.
Durante o verão europeu, quando a cidade pode receber até um milhão de visitantes por mês, autoridades temem que o aumento do fluxo de turistas intensifique o problema. Para especialistas, o cenário ideal seria que o animal retornasse ao mar aberto e voltasse a conviver com outros golfinhos, reduzindo a dependência de contato humano.
Um homem acusado de roubo de túmulos nos Estados Unidos compareceu ao tribunal do Condado de Delaware na sexta-feira (17) e passou a responder a quase 500 novas acusações no caso. Segundo a emissora WTXF, afiliada da Fox na Filadélfia, Jonathan Gerlach abriu mão do direito a uma audiência preliminar, enquanto promotores incluíram novas denúncias por furtos em cemitérios de condados vizinhos.
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Preso em janeiro, Gerlach já era investigado após a polícia encontrar centenas de crânios e outros restos mortais humanos em sua residência. Duas acusações iniciais foram retiradas, mas o número total de crimes atribuídos ao suspeito aumentou significativamente, incluindo vilipêndio de cadáver, profanação de monumentos e roubo.
Investigação revelou coleção de restos humanos
O caso começou quando policiais avistaram Gerlach no cemitério Mount Moriah, na Filadélfia, com ossos e crânios visíveis no banco traseiro do carro. Após ser detido, ele confessou ter retirado cerca de 30 conjuntos de restos mortais do local. Investigações posteriores levaram à descoberta de mais de 100 conjuntos completos ou parciais em sua casa.
De acordo com as autoridades, parte dos restos tinha mais de 200 anos. Em um dos casos, foi encontrado um corpo ainda com um marcapasso implantado. O promotor do Condado de Delaware, Tanner Rouse, classificou o episódio como “um filme de terror que se tornou realidade” e afirmou que a situação é “verdadeiramente horrível”.
Gerlach também é acusado de invadir o mausoléu da família Prichard, construído no início do século XX. Integrantes da família acompanharam a audiência e relataram indignação com o caso. “Só de pensar que alguém pudesse fazer isso me causa repulsa”, afirmou Judy Prichard McCleary, em entrevista à WTXF.
Familiares disseram que pretendem continuar comparecendo às próximas audiências. Segundo a emissora, o cemitério Mount Moriah planeja realizar uma limpeza e revisão de suas estruturas após a repercussão do caso. O gabinete do promotor não comentou além das informações já divulgadas.
Um episódio semelhante foi registrado em 2024, quando uma mulher no Novo México foi encontrada com crânios humanos em um prédio abandonado, reacendendo discussões sobre a fiscalização e o comércio ilegal de restos mortais.
A Justiça italiana marcou para 26 de junho a audiência preliminar que vai decidir se os pais do adolescente acusado de matar a turista Chiara Jaconis irão a julgamento por homicídio culposo. O caso segue sob investigação, com promotores, advogados e autoridades analisando a responsabilidade dos responsáveis legais do jovem, enquanto a defesa tenta afastar qualquer culpa.
O episódio ocorreu em setembro de 2024, no bairro espanhol de Nápoles, e ganhou ampla repercussão após imagens do momento circularem nas redes sociais. As gravações mostram a vítima sendo atingida na cabeça por uma estatueta arremessada de uma sacada, desmaiando imediatamente enquanto o namorado pedia ajuda.
Assista:
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Tragédia durante viagem
Chiara, de 30 anos, passava férias com o companheiro após um fim de semana em uma ilha italiana. Funcionária da Prada em Paris, ela caminhava à frente do namorado, com malas, quando foi atingida pelo objeto de cerca de 2 kg lançado do terceiro andar de um prédio.
Socorrida e levada ao hospital, a turista foi submetida a uma cirurgia de emergência, mas morreu dois dias depois em decorrência de traumatismo cranioencefálico.
A polícia identificou como autor do lançamento um adolescente de 13 anos. Por ter menos de 14 anos, ele foi absolvido por um tribunal de menores, já que a legislação italiana não permite responsabilização criminal nessa faixa etária.
Disputa judicial
Apesar da absolvição do jovem, promotores sustentam que a morte poderia ter sido evitada caso os pais tivessem supervisionado adequadamente o filho, que, segundo a acusação, já teria se envolvido em comportamentos perigosos anteriormente.
A defesa nega as acusações e afirma que os responsáveis não tiveram qualquer envolvimento direto no episódio, além de alegar que a estatueta não lhes pertencia. Em um movimento incomum, os próprios pais recorreram da decisão que absolveu o filho, defendendo que a inocência dele seja reconhecida pelos fatos do caso, e não apenas pela idade.
O caso reacendeu, na Itália, o debate sobre responsabilidade parental e segurança em áreas urbanas densamente povoadas. A decisão da audiência de junho deve definir os próximos passos do processo.
Um ônibus que transportava mais de 60 pessoas caiu de uma altura de cerca de 30 metros em uma rodovia montanhosa na Caxemira controlada pela Índia, deixando ao menos 21 mortos e dezenas de feridos. O acidente ocorreu nesta segunda-feira (20), quando o veículo, que fazia o trajeto entre as cidades de Ramnagar e Udhampur, colidiu com um tuk-tuk ao contornar uma curva acentuada.
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Após o impacto, o ônibus saiu da pista e despencou por uma encosta íngreme e rochosa até a estrada abaixo. Equipes de resgate foram acionadas e iniciaram rapidamente a retirada das vítimas. Segundo o administrador civil Prem Singh, 19 passageiros morreram no local e outros dois não resistiram após serem levados ao hospital.
Resgate e investigação
Autoridades locais estimam que até 45 pessoas ficaram feridas, incluindo ocupantes do triciclo envolvido na colisão. Parte dos sobreviventes apresenta quadro grave e foi encaminhada a diferentes unidades de saúde da região. Uma investigação foi aberta para apurar as circunstâncias do acidente.
Em nota publicada nas redes sociais, o primeiro-ministro Narendra Modi afirmou estar “profundamente consternado” com a tragédia. Ele anunciou a concessão de 200 mil rúpias às famílias das vítimas e desejou pronta recuperação aos feridos.
A Índia registra uma das maiores taxas de mortalidade no trânsito do mundo, com centenas de milhares de vítimas todos os anos. Episódios recentes reforçam esse cenário. Em março, sete pessoas morreram após um ônibus cair de um penhasco durante retorno de um santuário religioso, segundo o chefe de polícia Suraj Aryal ao Hindustan Times. Já em outubro, ao menos 25 passageiros morreram quando um ônibus pegou fogo após colidir com uma motocicleta, em um acidente descrito por autoridades como de rápida propagação das chamas.

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