Após Artemis II: Quando vai haver um pouso na Lua novamente?
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Isaacman, porém, ressaltou nas redes sociais que a seleção da tripulação “não está ligada a decisões políticas”. “O Escritório de Astronautas designa a tripulação que oferece à missão a melhor possibilidade de cumprir seus objetivos”, afirmou, acrescentando que fatores como perfil, experiência e disponibilidade dos astronautas são levados em consideração.
A terceira fase do programa Artemis III consistirá em testar a espaçonave Orion e realizar manobras de encontro e acoplamento com módulos de pouso lunar. Ela não incluirá uma viagem à Lua.
A tripulação anunciada na terça-feira inclui os astronautas americanos Randy Bresnik, Andre Douglas e Frank Rubio, além do italiano Luca Parmitano, o primeiro europeu a participar de uma missão Artemis.
Promessa de diversidade
A Nasa prometeu levar à Lua uma mulher e uma pessoa negra. No ano passado, porém, a Nasa retirou de algumas de suas páginas na internet referências a esse compromisso e, de forma mais ampla, à diversidade. Isso não significa necessariamente que a promessa tenha sido abandonada, mas ela deixou de ser explicitamente mencionada.
Isaacman afirmou que aqueles que levantam essa preocupação talvez não conheçam bem a forma como as tripulações são organizadas e lembrou que já há astronautas em treinamento específico para a Lua que se encaixariam melhor em futuras missões de alunissagem.
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‘Testemunha passiva’
Em fevereiro, a Nasa anunciou que, em vez de ir à Lua, como previsto originalmente para a Artemis III, a missão serviria como um voo de teste para demonstrar a capacidade de encontro e acoplamento com pelo menos um módulo de pouso lunar em órbita baixa da Terra. Essa mudança prepara o terreno para duas tentativas de pouso na Lua pela Nasa em 2028, durante as missões Artemis IV e V.
Apesar do otimismo, especialistas expressam ceticismo quanto à viabilidade de fazê-lo até 2028.
— Acho que eu e a maioria das pessoas diríamos que não é uma data realista — disse ao New York Times Casey Dreier, chefe de política espacial da Sociedade Planetária.
Missão Artemis II retorna à Terra
NASA / AFP
Segundo Dreier, o envolvimento de empresas privadas, como a Blue Origin e a SpaceX, permite que o plano de voltar à Lua seja realizado a um custo muito menor do que durante a era Apollo — mas também significa que as aspirações lunares da agência estão em grande parte à mercê dos caprichos de dois bilionários, Elon Musk e Jeff Bezos.
— É muita potência e muita esperança depositadas em apenas duas pessoas para fornecer uma capacidade que é realmente essencial para um objetivo nacional — disse ele. — A Nasa é uma testemunha passiva do seu próprio destino.
Nem a SpaceX nem a Blue Origin concluíram o desenvolvimento de um módulo de pouso lunar. Os foguetes que deveriam levar esses módulos à Lua também não estão prontos: a Starship da SpaceX sofreu repetidas falhas durante voos de teste, e o New Glenn da Blue Origin explodiu e danificou a única plataforma de lançamento da empresa em maio. Essas circunstâncias podem muito bem atrasar a meta da Nasa de pousar na Lua em 2028. Fatores externos, como mau tempo ou paralisações governamentais, também podem afetar esse cronograma.
“É irrealista”, escreveu Phil McAlister, ex-diretor da divisão espacial comercial da Nasa, em um e-mail. “Ao mesmo tempo, não vou dizer que é impossível.”
Pousar na Lua sempre foi difícil, mesmo para missões não tripuladas. Em 2023, a Rússia tentou seu primeiro pouso lunar desde a década de 1970, mas a espaçonave colidiu com a superfície. Uma espaçonave japonesa, transportando dois veículos exploradores, pousou de cabeça para baixo na Lua em 2024. A Intuitive Machines, uma empresa privada com sede em Houston, pousou um veículo que tombou de lado no ano passado.
A China, por outro lado, tem tido um sucesso notável com os pousos na Lua. Ela enviou veículos exploradores à superfície lunar em 2013 e 2019, e coletou amostras de poeira lunar do lado visível em 2020 e do lado oculto em 2024. O país planeja levar humanos à Lua até 2030.
Com AFP e New York Times.








