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Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para três projetos de lei.

Confira:

PL 2158/23, do Senado, que estabelece regras para o funcionamento de farmácias dentro de supermercados. O projeto foi em seguida aprovado pelo Plenário e segue para sanção;

– PL 2951/24, do Senado, que amplia o alcance do seguro rural e seus benefícios; e

– PL 5764/25, do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) e outros, que proíbe classificar como sigilosos gastos públicos com hospedagem, viagens e outros do tipo.

As propostas com urgência podem ser votadas diretamente no Plenário, sem passar antes pelas comissões.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

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A capacidade dos pombos-correio de retornar ao ninho mesmo depois de serem soltos a centenas de quilômetros de distância continua intrigando a ciência. Agora, um estudo publicado na revista Science levanta uma hipótese inusitada: parte desse sofisticado sistema de orientação pode estar ligada ao fígado, e não apenas ao cérebro ou aos órgãos sensoriais tradicionalmente associados à navegação.
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Pesquisadores identificaram no órgão células do sistema imunológico carregadas de ferro, conhecidas como macrófagos, que poderiam atuar como sensores do campo magnético terrestre. A proposta é que essas estruturas ajudem as aves a perceber mudanças magnéticas do ambiente e utilizem essa informação para se localizar, especialmente quando referências visuais não estão disponíveis.
Segundo os autores, o mecanismo seria mais importante em situações de baixa visibilidade, como dias de neblina intensa ou céu encoberto. Nesses cenários, quando o Sol e elementos da paisagem deixam de servir como guia, os macrófagos ricos em ferro poderiam funcionar como uma espécie de sistema de navegação auxiliar.
Para testar a teoria, a equipe realizou experimentos com 34 pombos. Em 18 deles, foi aplicado um tratamento destinado a reduzir a quantidade dessas células, enquanto os demais permaneceram inalterados. Sob condições de nevoeiro, as aves que passaram pela intervenção apresentaram maior dificuldade para retornar ao pombal, enquanto o grupo de controle conseguiu completar um percurso de cerca de 19 quilômetros em aproximadamente 70 minutos.
Quando os testes foram repetidos em dias de céu limpo, porém, a diferença praticamente desapareceu: até mesmo os animais submetidos ao tratamento conseguiram encontrar o caminho de volta. O resultado reforça a hipótese de que a percepção magnética não substitui a navegação visual, mas pode servir como um recurso adicional quando outros pontos de referência deixam de existir.
Apesar do entusiasmo com a descoberta, a interpretação dos resultados ainda divide especialistas. Alguns pesquisadores argumentam que os efeitos observados podem estar relacionados a alterações na cognição, na motivação ou até na capacidade visual das aves, e defendem que estruturas como o ouvido interno continuam sendo as candidatas mais prováveis para explicar a percepção do campo magnético.
Os próprios autores reconhecem que ainda há perguntas sem resposta, como a forma pela qual um eventual sinal produzido no fígado chegaria ao cérebro. Ainda assim, consideram que a pesquisa abre uma nova frente para investigar um dos fenômenos mais impressionantes do reino animal: a habilidade dos pombos-correio de localizar o caminho de casa com uma precisão que desafia cientistas há décadas.
Um pequeno fragmento de meteorito originário de Marte revelou supreendeu um grupo de cientistas. Ao analisar a rocha, pesquisadores identificaram grãos de granada, mineral nunca antes encontrado em amostras marcianas. A descoberta, publicada na revista científica Geochemical Perspectives Letters, pode oferecer novas pistas sobre os processos geológicos que moldaram o planeta vermelho ao longo de seus 4,5 bilhões de anos de história.
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Os minerais foram encontrados em um fragmento de apenas 0,8 milímetro por 0,5 milímetro, menor que uma semente de papoula. Apesar do tamanho reduzido, a amostra pode funcionar como uma espécie de cápsula do tempo geológica, preservando informações sobre temperaturas, pressões e eventos que ocorreram em Marte há bilhões de anos.
Na Terra, a granada é conhecida tanto por seu uso em joias quanto por sua importância para a geologia. O mineral costuma se formar em ambientes submetidos a altas temperaturas e pressões, sendo utilizado por pesquisadores para entender a evolução da crosta e do interior dos planetas.
Segundo a pesquisadora Tanya Kizovski, da Universidade Brock, no Canadá, e uma das autoras do estudo, a presença da granada sugere que a rocha p”assou por processos geológicos complexos”. Na Terra, minerais desse tipo são frequentemente associados ao metamorfismo, fenômeno que transforma rochas sob condições extremas de calor, pressão ou ação de fluidos quentes.
Na Terra, granadas são frequentemente associadas ao metamorfismo, fenômeno que transforma rochas sob condições extremas de calor, pressão ou ação de fluidos quentes.
Banco de Imagens/Magnific (antiga Freepik)
A amostra analisada faz parte do meteorito marciano NWA 8171, atualmente preservado no Museu Real de Ontário, no Canadá. O mineral identificado não é a variedade vermelha popular em joias, mas sim a andradita, um tipo de granada rico em ferro que apresenta tonalidades amarelo-esverdeadas.
Inicialmente, os cientistas acreditavam que os grãos correspondiam a um mineral muito mais comum, o piroxênio. Uma análise mais detalhada, porém, revelou que sua composição química era diferente do esperado, levando à identificação inédita.
Agora, os pesquisadores tentam responder uma questão central: a granada se formou em Marte ou chegou ao planeta após o impacto de outro corpo celeste? Uma das hipóteses é que o mineral tenha surgido em decorrência de impactos de meteoritos na superfície marciana ou da atividade de magma no interior do planeta.
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Para esclarecer a origem da granada, a equipe pretende analisar a composição isotópica da rocha. O problema é que esse procedimento exige destruir parte da amostra, algo que os cientistas relutam em fazer devido à raridade do material.
Ainda segundo o estudo, a descoberta amplia significativamente o conhecimento sobre a evolução geológica de Marte, já que a identificação desse novo tipo de rocha “acrescenta uma peça inesperada ao quebra-cabeça da história marciana” e pode ajudar a compreender melhor os ambientes que existiam no planeta em seus primeiros bilhões de anos.
Os pesquisadores acreditam que futuras análises poderão revelar se a granada é um caso isolado ou se existem outros depósitos semelhantes espalhados pelo planeta vermelho. Se confirmada sua origem marciana, a descoberta poderá obrigar cientistas a revisar parte do que se sabe hoje sobre a formação e a evolução geológica de Marte.
Um avião realizou um pouso de emergência na manhã de sexta-feira após uma suposta falha no trem de pouso durante um voo de teste no aeroporto da cidade de Leszno, no oeste da Polônia. O incidente aconteceu por volta das 11h, durante os preparativos finais para o Antidotum Airshow, um dos principais eventos aeronáuticos do país.
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O avião envolvido é um OV-10 Bronco, aeronave de uso militar projetada nos Estados Unidos e frequentemente utilizada em demonstrações aéreas. Segundo os organizadores, o piloto realizava um voo de avaliação quando precisou efetuar o pouso de emergência.
De acordo com o Corpo de Bombeiros da região de Poznań, os primeiros levantamentos indicam que o trem de pouso não foi acionado no momento da aterrissagem. Mesmo assim, a aeronave conseguiu pousar sem sofrer uma queda ou incêndio.
“Apesar do pouso de emergência, o incidente não levou a uma colisão ou fogo”, informou o serviço de bombeiros em comunicado nas redes sociais.
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Equipes de resgate foram mobilizadas rapidamente para o local. Três unidades do Corpo de Bombeiros atuaram na área, aplicando espuma de combate a incêndio ao redor da aeronave como medida preventiva, para reduzir o risco de ignição em caso de vazamento de combustível.
A ação, segundo os bombeiros, teve caráter preventivo e buscou evitar qualquer risco adicional após a aterrissagem forçada.
O piloto conseguiu sair da aeronave por conta própria e recebeu atendimento médico ainda no local. A organização do evento informou que ele sofreu apenas ferimentos leves e estava em boas condições de saúde.
As autoridades polonesas já foram notificadas e a investigação do caso está a cargo da Comissão Estatal de Investigação de Acidentes Aéreos, que deve apurar as causas da falha.
Três equipes de bombeiros utilizaram espuma de combate a incêndio ao redor da aeronave.
Facebook/KW PSP Poznań
Apesar do incidente, o Antidotum Airshow teve início na parte da tarde conforme o previsto. No entanto, danos na pista provocados pelo pouso forçado obrigaram os organizadores a ajustar a programação, com a redução do espaço disponível para decolagens e pousos, o que impediu a participação de algumas aeronaves.
Em comunicado, a organização afirmou que equipes trabalharam ao longo do dia para recuperar a pista e manter o evento.
“O mais importante é que o piloto está seguro. Esperamos que, apesar das circunstâncias, um grande espetáculo ainda esteja por vir”, disseram os organizadores.
A polícia australiana apreendeu 2,7 toneladas de cocaína escondidas em embalagens plásticas enterradas nos arredores de Sydney, informaram as autoridades nesta segunda-feira. Esta é a maior apreensão de cocaína da história da Austrália, afirmou uma força-tarefa conjunta de combate ao crime organizado em um comunicado.
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De acordo com a polícia, um grupo criminoso descarregou as drogas de um navio no norte de Queensland antes de transportá-las para Sydney para distribuição.
“As investigações sobre a origem das drogas estão em andamento e trabalharemos com nossos parceiros internacionais e locais de aplicação da lei para identificar as quadrilhas criminosas envolvidas”, disse o comandante da Polícia Federal Australiana, Stephen Jay.
A carga de drogas tem um valor estimado de mercado de mais de 800 milhões de dólares australianos (cerca de R$ 2,88 bilhões), disse Jay em uma coletiva de imprensa.
O navio suspeito de transportar as drogas, o MV Wealth, foi detido pelas autoridades nas Ilhas Salomão para investigação, segundo a polícia. As nações insulares do Pacífico tornaram-se um ponto de trânsito para carregamentos de cocaína e metanfetamina com destino à Austrália e Nova Zelândia.
O incêndio que destruiu parte do resort Viva Dominicus Bayahibe, na República Dominicana, na sexta-feira (19), deixou um cenário de devastação em um dos destinos turísticos mais procurados do Caribe. A tragédia matou a italiana Francesca Valentino, de 46 anos, e obrigou cerca de 1.700 hóspedes e funcionários a deixarem o local às pressas. Agora, imagens de antes e depois do complexo revelam a dimensão dos danos causados pelo fogo.
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Natural de Caserta, na Itália, Francesca vivia havia mais de uma década na região de Bayahibe, para onde se mudou em busca de uma nova vida. Ela ficou conhecida no país natal por participar do programa de televisão “Mollo Tutto e Cambio Vita” (“Largo tudo e mudo de vida”), dedicado a pessoas que decidem recomeçar a vida no exterior. Segundo o jornal italiano Il Messaggero, ela é a única vítima fatal confirmada até o momento.
Das praias paradisíacas aos escombros
Antes do incêndio, o Viva Dominicus Bayahibe era divulgado como um resort “all inclusive” cercado por praias de areia branca e águas cristalinas. O complexo possuía quase 700 quartos, restaurantes, piscinas, bares e áreas de lazer distribuídas ao longo da orla caribenha. Frequentemente, turistas compartilhavam nas redes sociais imagens do local, conhecido pelas coberturas de palha, jardins tropicais e vista para o mar.
Após o incêndio, porém, os registros aéreos mostram uma paisagem completamente diferente. Vídeos e fotografias feitos por drones revelam telhados desabados, estruturas reduzidas a esqueletos de concreto e madeira carbonizada, além de áreas inteiras cobertas por cinzas. Em outros vídeos que circulam nas redes sociais, bombeiros aparecem combatendo as chamas enquanto uma densa fumaça escura encobre parte do resort.
Confira:
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Segundo o Centro de Operações de Emergência (COE) da República Dominicana, o fogo se espalhou rapidamente devido aos ventos e à presença de materiais inflamáveis em parte da cobertura da estrutura. O incêndio foi controlado após horas de trabalho das equipes de emergência, mas as causas seguem sob investigação. O serviço de emergência DAEH informou ainda que três pessoas foram hospitalizadas e outras seis receberam atendimento no local.
Veja também:
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A destruição chama atenção pelo contraste com a imagem que ajudou a transformar Bayahibe em um dos principais cartões-postais da República Dominicana. O país é atualmente o destino turístico mais visitado do Caribe e recebeu cerca de 5,6 milhões de turistas apenas nos cinco primeiros meses deste ano, segundo dados oficiais.
Antes e depois de resort no Caribe destruído por incêndio
Divulgação | AFP
As principais teorias de Albert Einstein já completaram mais de cem anos, mas cientistas que as estudam a fundo ainda podem encontrar novas implicações sobre elas, diz o físico teórico Brian Greene, autor best-seller de “O Universo elegante” e “Até o fim do tempo”. Professor da Universidade Columbia, de Nova York, Greene virá ao Brasil em agosto para uma palestra na Rio Innovation Week, onde vai contar sobre seu trabalho recente derivado da teoria da Relatividade Especial, que revolucionou a física mostrando que o tempo não passa da mesma maneira em todo lugar. Uma estranha conclusão derivada de Einstein, diz o cientista, é que em um universo com características específicas talvez seja possível enviar mensagens para o passado. Em entrevista ao GLOBO, Greene fala sobre os principais desafios teóricos de seu campo hoje e da dificuldade para conciliar as teorias do famoso físico alemão com a mecânica da física quântica, que completa um século. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Eleito presidente da Colômbia neste domingo após superar Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, Abelardo de la Espriella disse, em seu primeiro discurso como eleito, que não vai “prometer milagres”, afirmando que a recuperação do “exigirá trabalho, disciplina e perseverança”. Ele também prometeu que não descansaria “um único dia até restaurar a Colômbia ao lugar de grandeza que ela merece”.
‘Uma nova etapa para o país’: quem é Espriella, outsider apoiado por Trump que venceu as eleições na Colômbia
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“Apelo a vocês para a reconciliação, porque o futuro não pertence mais a poucos privilegiados. O futuro pertence, mais uma vez, ao povo da Colômbia. Nesta nova era, todos os cidadãos comuns serão bem-vindos. Hoje, a terrível noite terminou, dando lugar à luz que nos aguarda nesta nação próspera. Segura, alegre e cheia de esperança. Esta será a pátria de todos os colombianos, de todas as religiões, a pátria de todas as comunidades ancestrais, de todos os jovens, avós, agricultores, empreendedores — uma pátria de todos, para todos”, disse de la Espriella, diante de milhares de seus apoiadores em Barranquilla.
Em sua fala, ele também afirmou que restabeleceria relações com todos os “países que respeitam a democracia” e que cortaria vínculos com “países que não respeitam a liberdade e o Estado de Direito”.
“A missão de reconstruir a esperança e um sistema de saúde que não deixe nosso povo morrer”, declarou o presidente eleito. “Esta nação é maior do que qualquer partido, maior do que qualquer ideologia. A Colômbia merece ser grande. Hoje, meus concidadãos, somos um só povo: cada um com suas diferenças, com seus objetivos, mas unidos por um mandato maior, o de reconstruir a nação desde seus alicerces.”
Eleito presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella celebra vitória com a família
Juan Barreto/AFP
Quem é Espriella
Atrás de uma cabine de vidro à prova de balas, um advogado milionário e conhecido por suas declarações provocativas se transformou em um fenômeno político. Apelidado de “El Tigre”, ele capitalizou o desencanto com a classe política e com a esquerda para se aproximar da Presidência da Colômbia. Aos 47 anos, o outsider apoiado por Donald Trump venceu a disputa neste domingo por menos de 1 ponto percentual sobre o senador de esquerda Cepeda.
— Esse apoio histórico nos enche de gratidão, mas também de uma enorme responsabilidade. Hoje começa uma nova etapa para nosso país, uma etapa construída sobre a vontade livre e democrática de milhões de cidadãos que decidiram acreditar em uma Colômbia grande, segura, próspera e cheia de oportunidades — disse Espriella após o resultado. — Com a ajuda de Deus e o trabalho de todos os colombianos, a Pátria Milagre será uma realidade.
Onda de direita: Guinada conservadora na América do Sul e obstáculos internos frustram integração regional de Lula
Em resultado apertado: Abelardo de la Espriella vence eleição na Colômbia e leva direita apoiada por Trump ao poder
Caribenho e ultradireitista, define-se como “judaico-cristão”. Deixou para trás uma vida de luxo na cidade italiana de Florença para tentar governar a Colômbia com um discurso radical que desperta entusiasmo entre seus apoiadores e temor entre seus críticos.
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Em eventos marcados por fogos de artifício e rugidos de tigre, prometeu “reconstruir a República”, recuperar a segurança, defender a democracia “pela razão ou pela força” e tornar-se um “inimigo ferrenho” da esquerda.
Após deixar a direita tradicional fora do segundo turno, adotou um discurso antissistema: “A toda essa máfia que governa mal a Colômbia, digo: aqui há uma matilha, há um povo que não se ajoelha” e que veio enfrentá-los e “castigá-los”.
Convencido de que pode transformar o Estado em uma empresa próspera, inspirou-se nos presidentes argentino, Javier Milei; salvadorenho, Nayib Bukele; e americano, Donald Trump.
Recuo: Governo da Colômbia retira proposta de Assembleia Constituinte após derrota eleitoral
Cantor lírico amador, costuma vestir ternos impecáveis sem gravata e mocassins. Também usa frequentemente a camisa amarela da seleção colombiana, o que lhe rendeu críticas da esquerda por se apropriar do símbolo nacional, à semelhança do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
Com dupla nacionalidade americana e colombiana, enfrenta questionamentos sobre suas relações profissionais do passado e sobre a origem de sua fortuna. Antes de lançar sua candidatura, exibia nas redes sociais viagens em jatos particulares, roupas sob medida, chapéus e óculos de luxo.
Durante a campanha presidencial, foi criticado por declarações consideradas machistas e homofóbicas, que, no entanto, não afetaram sua popularidade.
‘Dolce vita’
Espriella apresenta-se como um empresário bem-sucedido.
— Não sou um vendedor de ilusões, sou um empresário de realidades — disse à AFP durante a campanha.
Ele circula protegido por dezenas de soldados, policiais e seguranças particulares após denunciar ameaças de morte.
Uniforme da seleção: Justiça proíbe candidato de extrema direita de usar camisa da Colômbia como ‘símbolo’
Pai de quatro filhos, afirma ter “coragem” para governar com “mão de ferro” o país com a maior produção de cocaína do mundo, mergulhado em um conflito armado que dura mais de seis décadas.
— No meu governo, bandido que não se submeter (à Justiça) será abatido — dizia.
Para combater as organizações criminosas, diz que pretende formar uma aliança militar com Estados Unidos e Israel. Também defende o fim do tribunal criado pelo acordo de paz firmado com a guerrilha das Farc em 2016, responsável por julgar os crimes mais graves do conflito armado. Afirma que vivia a “dolce vita” em Florença e que a campanha presidencial representa um “sacrifício” pela “pátria”.
Sua esposa declarou que, caso fosse derrotado no segundo turno, a família voltaria para a Itália, onde já tem “a vida resolvida”.
‘Firmes pela pátria’
Espriella apresenta-se como alguém combativo, disposto a formar um governo “inflexível diante do terrorismo”. Em atos públicos, aparece representado por um tigre de presas afiadas criado com inteligência artificial.
Nas redes sociais, publica imagens fumando charutos ou promovendo seus negócios de vinhos e rum. Também possui uma marca de roupas própria, chamada “Espriella Style”. Defende o porte de armas, a redução de 40% da estrutura do Estado e a construção de megapresídios, nos quais os detentos ficariam “dez andares abaixo da terra”, alimentados com “pão e água”.
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Com a saudação militar e um enfático “firmes pela pátria!”, conquista militares da reserva que o acompanham em seus comícios. Embora demonstre desprezo pelos políticos tradicionais, mantém “uma grande amizade” com o influente ex-presidente de direita Álvaro Uribe (2002-2010).
Espriella afirma viver “de acordo com os princípios judaico-cristãos”, embora anteriormente se declarasse ateu. Seu pai também é político, mas ele costuma dizer que vem de uma família de pecuaristas do Caribe colombiano, onde cresceu “ao estilo de Tom Sawyer”, pescando e brincando no campo.
Seu estilo de falar sem filtro já lhe trouxe problemas. Em certa ocasião, afirmou que era preciso “estripar” a esquerda na Colômbia, declaração pela qual depois pediu desculpas.
Em outra entrevista, contou que, quando jovem, se divertia amarrando fogos de artifício em gatos para lançá-los pelos ares, sugerindo que os animais morriam. Posteriormente, afirmou que se tratava de uma brincadeira.
Atrás de uma cabine de vidro à prova de balas, um advogado milionário e conhecido por suas declarações provocativas se transformou em um fenômeno político. Abelardo de la Espriella, apelidado de “El Tigre”, capitalizou o desencanto com a classe política e com a esquerda para se aproximar da Presidência da Colômbia. Aos 47 anos, o outsider apoiado por Donald Trump venceu a disputa neste domingo por menos de 1 ponto percentual sobre o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro.
— Esse apoio histórico nos enche de gratidão, mas também de uma enorme responsabilidade. Hoje começa uma nova etapa para nosso país, uma etapa construída sobre a vontade livre e democrática de milhões de cidadãos que decidiram acreditar em uma Colômbia grande, segura, próspera e cheia de oportunidades — disse Espriella após o resultado. — Com a ajuda de Deus e o trabalho de todos os colombianos, a Pátria Milagre será uma realidade.
Onda de direita: Guinada conservadora na América do Sul e obstáculos internos frustram integração regional de Lula
Em resultado apertado: Abelardo de la Espriella vence eleição na Colômbia e leva direita apoiada por Trump ao poder
Caribenho e ultradireitista, define-se como “judaico-cristão”. Deixou para trás uma vida de luxo na cidade italiana de Florença para tentar governar a Colômbia com um discurso radical que desperta entusiasmo entre seus apoiadores e temor entre seus críticos.
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Em eventos marcados por fogos de artifício e rugidos de tigre, prometeu “reconstruir a República”, recuperar a segurança, defender a democracia “pela razão ou pela força” e tornar-se um “inimigo ferrenho” da esquerda.
Após deixar a direita tradicional fora do segundo turno, adotou um discurso antissistema: “A toda essa máfia que governa mal a Colômbia, digo: aqui há uma matilha, há um povo que não se ajoelha” e que veio enfrentá-los e “castigá-los”.
Convencido de que pode transformar o Estado em uma empresa próspera, inspirou-se nos presidentes argentino, Javier Milei; salvadorenho, Nayib Bukele; e americano, Donald Trump.
Recuo: Governo da Colômbia retira proposta de Assembleia Constituinte após derrota eleitoral
Cantor lírico amador, costuma vestir ternos impecáveis sem gravata e mocassins. Também usa frequentemente a camisa amarela da seleção colombiana, o que lhe rendeu críticas da esquerda por se apropriar do símbolo nacional, à semelhança do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
Com dupla nacionalidade americana e colombiana, enfrenta questionamentos sobre suas relações profissionais do passado e sobre a origem de sua fortuna. Antes de lançar sua candidatura, exibia nas redes sociais viagens em jatos particulares, roupas sob medida, chapéus e óculos de luxo.
Durante a campanha presidencial, foi criticado por declarações consideradas machistas e homofóbicas, que, no entanto, não afetaram sua popularidade.
‘Dolce vita’
Espriella apresenta-se como um empresário bem-sucedido.
— Não sou um vendedor de ilusões, sou um empresário de realidades — disse à AFP durante a campanha.
Ele circula protegido por dezenas de soldados, policiais e seguranças particulares após denunciar ameaças de morte.
Uniforme da seleção: Justiça proíbe candidato de extrema direita de usar camisa da Colômbia como ‘símbolo’
Pai de quatro filhos, afirma ter “coragem” para governar com “mão de ferro” o país com a maior produção de cocaína do mundo, mergulhado em um conflito armado que dura mais de seis décadas.
— No meu governo, bandido que não se submeter (à Justiça) será abatido — dizia.
Para combater as organizações criminosas, diz que pretende formar uma aliança militar com Estados Unidos e Israel. Também defende o fim do tribunal criado pelo acordo de paz firmado com a guerrilha das Farc em 2016, responsável por julgar os crimes mais graves do conflito armado. Afirma que vivia a “dolce vita” em Florença e que a campanha presidencial representa um “sacrifício” pela “pátria”.
Sua esposa declarou que, caso fosse derrotado no segundo turno, a família voltaria para a Itália, onde já tem “a vida resolvida”.
‘Firmes pela pátria’
Espriella apresenta-se como alguém combativo, disposto a formar um governo “inflexível diante do terrorismo”. Em atos públicos, aparece representado por um tigre de presas afiadas criado com inteligência artificial.
Nas redes sociais, publica imagens fumando charutos ou promovendo seus negócios de vinhos e rum. Também possui uma marca de roupas própria, chamada “Espriella Style”. Defende o porte de armas, a redução de 40% da estrutura do Estado e a construção de megapresídios, nos quais os detentos ficariam “dez andares abaixo da terra”, alimentados com “pão e água”.
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Com a saudação militar e um enfático “firmes pela pátria!”, conquista militares da reserva que o acompanham em seus comícios. Embora demonstre desprezo pelos políticos tradicionais, mantém “uma grande amizade” com o influente ex-presidente de direita Álvaro Uribe (2002-2010).
Espriella afirma viver “de acordo com os princípios judaico-cristãos”, embora anteriormente se declarasse ateu. Seu pai também é político, mas ele costuma dizer que vem de uma família de pecuaristas do Caribe colombiano, onde cresceu “ao estilo de Tom Sawyer”, pescando e brincando no campo.
Seu estilo de falar sem filtro já lhe trouxe problemas. Em certa ocasião, afirmou que era preciso “estripar” a esquerda na Colômbia, declaração pela qual depois pediu desculpas.
Em outra entrevista, contou que, quando jovem, se divertia amarrando fogos de artifício em gatos para lançá-los pelos ares, sugerindo que os animais morriam. Posteriormente, afirmou que se tratava de uma brincadeira.
O senador colombiano Iván Cepeda, candidato do presidente Gustavo Petro, pediu “vigilância” em discurso a apoiadores após ser derrotado por menos de 1 ponto percentual pelo advogado ultradireitista Abelardo de la Espriella. Segundo a contagem rápida, Espriella venceu com 49,65% dos votos, contra 48,70% de Cepeda, uma diferença de cerca de 245 mil votos, em uma eleição acompanhada de perto internacionalmente após o apoio de Trump ao advogado e as críticas do presidente americano a Cepeda, a quem chamou de “marxista radical de esquerda”.
Contexto: Votação para presidente começa na Colômbia em segundo turno disputado
Abelardo de la Espriella: Advogado de figuras controversas, ‘El Tigre’ quer retomar o poder para a direita
— Assim que o resultado final da contagem de votos for divulgado e as verificações necessárias forem feitas, reconheceremos o resultado oficial resultante desse processo de contagem — disse a apoiadores após os resultados iniciais.
Com apoio declarado do líder americano, Donald Trump, Espriella chega ao poder prometendo uma guinada na política de segurança, conduzindo uma ofensiva contra grupos armados e narcotraficantes, além de uma agenda econômica de redução de impostos e do tamanho do Estado.
A vitória encerra uma das eleições mais polarizadas da história recente da Colômbia.
“As seções eleitorais sem assinaturas de jurados devem ser contestadas imediatamente”, escreveu o presidente no X. “O Cartório Eleitoral está enviando formulários sem assinaturas de jurados. Essas seções eleitorais devem ser contestadas imediatamente (…). O empate técnico, sem que nenhum candidato alcance 50%, nos obriga a aguardar os resultados oficiais”.
Esta é a segunda disputa de segundo turno mais apertada da história da Colômbia e a que registrou a maior participação de eleitores desde 1998. Um dos integrantes da campanha de Cepeda, Jorge Rojas anunciou que os resultados do pleito serão contestados onde teriam ocorrido compra de votos na região do Caribe colombiano. Ele também pediu que se aguarde a apuração oficial dos votos. Mais tarde, o candidato declarou:
— Uma vez que seja divulgado o resultado final da apuração e que tenham sido realizadas as verificações correspondentes, reconheceremos o resultado oficial que emergir desse processo de escrutínio — afirmou Cepeda, ao passo que o público presente gritou: “Resistência!”.
Já a ex-candidata à Presidência Paloma Valencia felicitou Espriella e seu companheiro de chapa, José Manuel Restrepo. Em publicação no X, ela escreveu: “Que Deus guie seus passos e permita que a Colômbia siga um caminho de progresso baseado em um Estado pequeno, na liberdade como princípio do desenvolvimento econômico e no bem-estar social para todos e cada um dos cidadãos”.
O presidente da Argentina, Javier Milei, foi um dos primeiros líderes a parabenizar o advogado. Também em publicação nas redes, o argentino afirmou: “Hoje, a maioria dos colombianos escolheu o caminho da liberdade econômica, da prosperidade, da segurança inabalável e disse BASTA ao crime organizado transnacional e ao narcotráfico”.
Espriella construiu sua candidatura sobre a promessa de combater com mão dura guerrilhas e organizações ligadas ao narcotráfico, defendendo megapresídios, retomada da exploração de petróleo e maior aproximação com Washington. Cidadão americano e filiado ao Partido Republicano, o advogado recebeu aprovação de Trump, que sinalizou que as relações entre os dois países melhorariam “significativamente” com sua vitória.
Cepeda, por sua vez, apostou na continuidade da agenda de Petro, com programas sociais, redistribuição de terras e negociações com guerrilhas e organizações criminosas para alcançar a chamada “Paz Total”. Ele, que contou com forte apoio entre colombianos de baixa renda, além de negros e indígenas, afirmava que aumentaria os impostos sobre os mais ricos e redistribuir terras para pequenos agricultores.
— É motivo de orgulho concluir hoje esta longa jornada eleitoral, prolongada. Fizemos uma campanha limpa, transparente, honesta, na qual apresentamos aos cidadãos nossas ideias, nosso programa, nossos princípios e nosso caminho e destino para a Colômbia nos próximos anos — disse Cepeda à imprensa após comparecer ao seu local de votação neste domingo. — Quando vencermos, vamos governar para todo o país, e não apenas para um setor.
Entenda: Polarização entre extrema direita e esquerda no segundo turno força limites institucionais na Colômbia
Espriella, por outro lado, votou usando a camisa da seleção colombiana de futebol, cercado por centenas de apoiadores vestidos da mesma forma, que gritavam “Fora, Petro!” em Barranquilla, seu principal reduto político. Em declaração à imprensa, ele, que se autodenomina “O Tigre”, disse que veio para “mudar a política para sempre”, definindo a votação deste domingo como “a mais importante da história da Colômbia”.
Divisão e violência
Espriella foi o mais votado no primeiro turno, com 43,7% dos votos e mais de 10,3 milhões de apoios, quase três pontos percentuais à frente dos obtidos por Cepeda, que até então era considerado o favorito. Petro, sem apresentar provas, lançou dúvidas sobre o resultado — postura que reiterou mais cedo neste domingo, afirmando que atores “tentaram escravizar o povo colombiano ao retirar sua liberdade de decidir”.
No X, Petro também denunciou supostas irregularidades na votação de colombianos no exterior. Segundo relatou, seu filho Andrés Petro foi votar e descobriu que uma mulher já havia votado em seu nome. Embora finalmente tenham permitido que seu filho votasse, o mandatário pediu mais fiscalização, escrevendo: “O cônsul disse que isso estava acontecendo muito e que antes não acontecia com tanta frequência. Deve aumentar a vigilância dos fiscais no exterior”.
Iván Cepeda: Senador, que teve pai morto pelo Estado, busca repetir milagre da esquerda
A votação foi amplamente vista como um referendo sobre o governo do atual presidente. Seus apoiadores atribuem ao governo a ampliação de programas sociais e o aumento da visibilidade política de grupos historicamente marginalizados. Já os críticos citam o que definem como uma problemática intervenção estatal no sistema de saúde e gastos públicos excessivos, que deixaram a dívida pública colombiana em níveis comparáveis aos registrados na pandemia.
Os eleitores também mancionaram preocupações com criminalidade, extorsão e o crescente poder de grupos armados em áreas rurais. A violência aumentou mesmo durante a campanha eleitoral, marcada pelo assassinato de um candidato à Presidência, pela morte de dois integrantes da campanha de Espriella e pelo sequestro temporário do candidato a vice-presidente de Cepeda.
Críticos afirmam que a estratégia de “Paz Total”, principal marca do governo Petro, permitiu que essas organizações se fortalecessem durante os cessar-fogos. Organizações humanitárias afirmam que a violência atingiu o nível mais alto desde o acordo de paz de 2016, embora a Colômbia continue sendo muito mais segura do que era durante o auge do conflito nas décadas de 1980 e 1990.
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Apenas em 2025, autoridades registraram 14,7 mil homicídios — incluindo o candidato presidencial conservador Miguel Uribe —, o maior número desde pelo menos 2015. Os casos de extorsão também dispararam, chegando a 13,4 mil ocorrências em 2025, mais que o dobro do registrado em 2015. Espriella responsabiliza Petro, a quem chama de “chefe da máfia” e ameaça levar à Justiça dos Estados Unidos. Cepeda, muito mais moderado, só elevou o tom na reta final: chamou o adversário de “banal”, “perigoso” e “sem escrúpulos”.
Considerado sóbrio e pouco carismático, o senador precisou se reinventar nas últimas três semanas. Ele mergulhou nas redes sociais, cercou-se de jovens e buscou proximidade com eleitores que lhe faltava para competir com a campanha digital e milionária de Espriella. Embora sua equipe acredite que ele conseguiu ganhar impulso, também reconhece que a nova postura pode ter sido adotada tarde demais.
Reação nos EUA
Algumas das promessas de campanha de Espriella lembram políticas adotadas por outros líderes de direita da América Latina, como Nayib Bukele, de El Salvador, e Javier Milei, da Argentina. Sua plataforma inclui a construção de dez megapresídios, a redução do tamanho do Estado e a cooperação com os EUA no combate ao narcotráfico.
Ele também é conhecido por recorrer à Justiça contra seus adversários, incluindo jornalistas. Depois de receber o apoio de Trump e de alguns parlamentares republicanos, Espriella passou a afirmar que perseguiria qualquer pessoa que o desafiasse com ajuda dos EUA.
Na semana passada, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, divulgou um memorando afirmando que a atuação do ativista Beto Coral, residente no Arizona, interferia na política externa americana, após ele criticar o então candidato. Coral, de 40 anos, foi detido por autoridades de imigração dos EUA na terça-feira, medida que foi condenada por democratas no Congresso e por organizações de direitos humanos.
— O que me preocupa é a polarização que existe entre nós: há dois lados muito extremos, e a violência é preocupante — disse à AP o advogado John Manrique, morador de Bogotá. — O que espero é que as pessoas aceitem quem vencer. (Com AFP, Bloomberg e New York Times)
O advogado ultradireitista Abelardo de la Espriella venceu neste domingo a eleição presidencial da Colômbia e derrotou o senador de esquerda Iván Cepeda, herdeiro político do presidente Gustavo Petro. Com apoio declarado do líder americano, Donald Trump, Espriella chega ao poder prometendo uma guinada na política de segurança, conduzindo uma ofensiva contra grupos armados e narcotraficantes, além de uma agenda econômica de redução de impostos e do tamanho do Estado.
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A vitória encerra uma das eleições mais polarizadas da história recente da Colômbia. Espriella venceu com 49,65% dos votos, contra 48,70% de Cepeda, em uma eleição acompanhada de perto internacionalmente após o apoio de Trump ao advogado e as críticas do presidente americano a Cepeda, a quem chamou de “marxista radical de esquerda”. A margem apertada levou Petro a afirmar que todos devem aguardar a “contagem final”, que começa na segunda-feira nas comissões eleitorais e deve prosseguir por diferentes instâncias — auxiliares, municipais, departamentais e o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
“As seções eleitorais sem assinaturas de jurados devem ser contestadas imediatamente”, escreveu o presidente no X. “O Cartório Eleitoral está enviando formulários sem assinaturas de jurados. Essas seções eleitorais devem ser contestadas imediatamente (…). O empate técnico, sem que nenhum candidato alcance 50%, nos obriga a aguardar os resultados oficiais”.
Um dos integrantes da campanha de Cepeda, Jorge Rojas anunciou que os resultados do pleito serão contestados onde teriam ocorrido compra de votos na região do Caribe colombiano. Ele também pediu que se aguarde a apuração oficial dos votos.
— Nossos advogados e observadores eleitorais começarão seus trabalhos amanhã de manhã. Já temos um sistema de monitoramento eleitoral em funcionamento. Conclamamos a uma fiscalização pacífica por parte dos cidadãos, a partir desta noite.
Espriella construiu sua candidatura sobre a promessa de combater com mão dura guerrilhas e organizações ligadas ao narcotráfico, defendendo megapresídios, retomada da exploração de petróleo e maior aproximação com Washington. Cidadão americano e filiado ao Partido Republicano, o advogado recebeu aprovação de Trump, que sinalizou que as relações entre os dois países melhorariam “significativamente” com sua vitória.
Cepeda, por sua vez, apostou na continuidade da agenda de Petro, com programas sociais, redistribuição de terras e negociações com guerrilhas e organizações criminosas para alcançar a chamada “Paz Total”. Ele, que contou com forte apoio entre colombianos de baixa renda, além de negros e indígenas, afirmava que aumentaria os impostos sobre os mais ricos e redistribuir terras para pequenos agricultores.
— É motivo de orgulho concluir hoje esta longa jornada eleitoral, prolongada. Fizemos uma campanha limpa, transparente, honesta, na qual apresentamos aos cidadãos nossas ideias, nosso programa, nossos princípios e nosso caminho e destino para a Colômbia nos próximos anos — disse Cepeda à imprensa após comparecer ao seu local de votação neste domingo. — Quando vencermos, vamos governar para todo o país, e não apenas para um setor.
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Espriella, por outro lado, votou usando a camisa da seleção colombiana de futebol, cercado por centenas de apoiadores vestidos da mesma forma, que gritavam “Fora, Petro!” em Barranquilla, seu principal reduto político. Em declaração à imprensa, ele, que se autodenomina “O Tigre”, disse que veio para “mudar a política para sempre”, definindo a votação deste domingo como “a mais importante da história da Colômbia”.
Divisão e violência
Espriella foi o mais votado no primeiro turno, com 43,7% dos votos e mais de 10,3 milhões de apoios, quase três pontos percentuais à frente dos obtidos por Cepeda, que até então era considerado o favorito. Petro, sem apresentar provas, lançou dúvidas sobre o resultado — postura que reiterou mais cedo neste domingo, afirmando que atores “tentaram escravizar o povo colombiano ao retirar sua liberdade de decidir”.
No X, Petro também denunciou supostas irregularidades na votação de colombianos no exterior. Segundo relatou, seu filho Andrés Petro foi votar e descobriu que uma mulher já havia votado em seu nome. Embora finalmente tenham permitido que seu filho votasse, o mandatário pediu mais fiscalização, escrevendo: “O cônsul disse que isso estava acontecendo muito e que antes não acontecia com tanta frequência. Deve aumentar a vigilância dos fiscais no exterior”.
Iván Cepeda: Senador, que teve pai morto pelo Estado, busca repetir milagre da esquerda
A votação foi amplamente vista como um referendo sobre o governo do atual presidente. Seus apoiadores atribuem ao governo a ampliação de programas sociais e o aumento da visibilidade política de grupos historicamente marginalizados. Já os críticos citam o que definem como uma problemática intervenção estatal no sistema de saúde e gastos públicos excessivos, que deixaram a dívida pública colombiana em níveis comparáveis aos registrados na pandemia.
Os eleitores também mancionaram preocupações com criminalidade, extorsão e o crescente poder de grupos armados em áreas rurais. A violência aumentou mesmo durante a campanha eleitoral, marcada pelo assassinato de um candidato à Presidência, pela morte de dois integrantes da campanha de Espriella e pelo sequestro temporário do candidato a vice-presidente de Cepeda.
Críticos afirmam que a estratégia de “Paz Total”, principal marca do governo Petro, permitiu que essas organizações se fortalecessem durante os cessar-fogos. Organizações humanitárias afirmam que a violência atingiu o nível mais alto desde o acordo de paz de 2016, embora a Colômbia continue sendo muito mais segura do que era durante o auge do conflito nas décadas de 1980 e 1990.
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Apenas em 2025, autoridades registraram 14,7 mil homicídios — incluindo o candidato presidencial conservador Miguel Uribe —, o maior número desde pelo menos 2015. Os casos de extorsão também dispararam, chegando a 13,4 mil ocorrências em 2025, mais que o dobro do registrado em 2015. Espriella responsabiliza Petro, a quem chama de “chefe da máfia” e ameaça levar à Justiça dos Estados Unidos. Cepeda, muito mais moderado, só elevou o tom na reta final: chamou o adversário de “banal”, “perigoso” e “sem escrúpulos”.
Considerado sóbrio e pouco carismático, o senador precisou se reinventar nas últimas três semanas. Ele mergulhou nas redes sociais, cercou-se de jovens e buscou proximidade com eleitores que lhe faltava para competir com a campanha digital e milionária de Espriella. Embora sua equipe acredite que ele conseguiu ganhar impulso, também reconhece que a nova postura pode ter sido adotada tarde demais.
Reação nos EUA
Algumas das promessas de campanha de Espriella lembram políticas adotadas por outros líderes de direita da América Latina, como Nayib Bukele, de El Salvador, e Javier Milei, da Argentina. Sua plataforma inclui a construção de dez megapresídios, a redução do tamanho do Estado e a cooperação com os EUA no combate ao narcotráfico.
Ele também é conhecido por recorrer à Justiça contra seus adversários, incluindo jornalistas. Depois de receber o apoio de Trump e de alguns parlamentares republicanos, Espriella passou a afirmar que perseguiria qualquer pessoa que o desafiasse com ajuda dos EUA.
Na semana passada, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, divulgou um memorando afirmando que a atuação do ativista Beto Coral, residente no Arizona, interferia na política externa americana, após ele criticar o então candidato. Coral, de 40 anos, foi detido por autoridades de imigração dos EUA na terça-feira, medida que foi condenada por democratas no Congresso e por organizações de direitos humanos.
— O que me preocupa é a polarização que existe entre nós: há dois lados muito extremos, e a violência é preocupante — disse à AP o advogado John Manrique, morador de Bogotá. — O que espero é que as pessoas aceitem quem vencer. (Com AFP, Bloomberg e New York Times)

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