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O laudo apontou que a ativista, de 41 anos, morreu após sofrer um golpe na cabeça e ser estrangulada. Defensores dos direitos humanos e colegas afirmam que Silva Koniuszek foi assassinada para ser silenciada devido ao trabalho que realizava na apuração de denúncias de corrupção e crimes ambientais no país.
Pessoas são vistas do lado de fora da casa da falecida ativista ambiental polonesa Monika Silva Koniuszek em Montañita, província de Santa Elena, Equador, em 12 de junho de 2026
GERARDO MENOSCAL / AFP
Um dia após a morte da ativista, o ministro do Interior do Equador, John Reimberg, declarou à imprensa local que as evidências encontradas no local indicavam suicídio. A conclusão foi contestada após a divulgação da autópsia realizada em Guayaquil.
— Com base nos laudos periciais, temos certeza de que se trata de uma morte violenta; portanto, a alegação de que teria sido um suicídio não se sustenta — afirmou a advogada Lita Martínez, diretora do Centro Equatoriano de Promoção e Ação da Mulher.
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Silva Koniuszek vivia há mais de uma década no Equador, onde denunciava casos de corrupção e crimes ambientais nas redes sociais e colaborava com jornalistas locais. Em seus perfis, costumava escrever que não era necessário nascer no país para defendê-lo.
— Monika foi a pessoa mais corajosa que já conheci — disse Beth Pitts, escritora britânica e ativista que colaborou com ela em campanhas locais.
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— Muitas vezes ela era uma voz solitária, denunciando de forma pública e contundente a corrupção e os crimes ambientais quando todos os demais tinham medo de se manifestar — afirmou Pitts, que vive no Equador há 13 anos e morava em uma comunidade vizinha à da ativista.
— Além do ativismo, era uma mãe solteira dedicada e uma amiga maravilhosa. Mesmo quando recebia ameaças de morte, encontrava tempo para perguntar como eu estava e oferecer apoio — acrescentou.
Segundo colegas, a ativista havia iniciado uma investigação sobre a Noboa Trading, conglomerado exportador de frutas pertencente à família do presidente Daniel Noboa. Ela apurava denúncias de que carregamentos de cocaína haviam sido apreendidos em contêineres de banana da empresa e que as investigações enfrentavam obstáculos dentro do sistema judicial equatoriano.
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Pouco antes de morrer, Silva Koniuszek teria informado a amigos de que havia entregado um dossiê sobre o caso à embaixada dos Estados Unidos em Quito. Ela também investigava denúncias de uma rede de grilagem e tráfico de terras envolvendo figuras politicamente influentes na província de Santa Elena.
Amigos relatam que a ativista vinha sofrendo ameaças de morte e perseguição judicial. Segundo eles, as intimidações estariam ligadas aos mesmos grupos criminosos apontados como responsáveis pelo assassinato do jornalista e ativista Robinson del Pezo, morto em novembro de 2025.
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A morte de Silva Koniuszek repercutiu na Polônia, seu país de origem. A amiga Joanna Cuper afirmou à emissora TVP Info que a ativista dizia estar sendo monitorada e perseguida.
— Nenhum de nós acredita que ela tenha tirado a própria vida — declarou. — Ela dizia que os cartéis haviam colocado um preço por sua cabeça. Há três anos, seu então marido levou as crianças para o Brasil porque ela recebia ameaças de que ela e as filhas seriam assassinadas.
Na semana passada, o Ministério Público da Polônia informou que solicitou cooperação jurídica às autoridades equatorianas e pretende acompanhar as investigações. A embaixada polonesa responsável pelo Equador pediu uma apuração rápida, independente e transparente do caso.
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O governo equatoriano também solicitou apoio da Argentina para acompanhar a investigação.
Após a morte de Silva Koniuszek, a delegação da União Europeia no Equador pediu uma investigação “independente” e “transparente” sobre o caso.
Moradores de Montañita montaram um memorial com flores, fotografias e velas em homenagem a ativista. Artistas locais também pintaram um mural em sua memória, e vizinhos chegaram a rebatizar uma rua com seu nome.
(Com AFP)







