Atirador da Austrália é acusado de 59 crimes, incluindo homicídio e terror, após assassinato de 15 pessoas em festividade judaica
Um homem e seu filho são acusados de abrir fogo contra uma multidão que celebrava a festa judaica do Hanukkah em 14 de dezembro, na famosa praia de Bondi, um dos pontos turísticos mais conhecidos do país.
Em meio ao luto, a Austrália observou um minuto de silêncio no domingo, exatamente uma semana após os primeiros disparos. De acordo com as autoridades, o crime foi motivado pela ideologia do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).
Os documentos policiais indicam que os suspeitos promoveram um “treinamento com armas de fogo”, aparentemente em uma área rural do estado de Nova Gales do Sul, onde fica Bondi. A polícia afirma que os acusados “planejaram meticulosamente” o atentado durante meses. Imagens divulgadas pelas autoridades mostram os dois homens disparando espingardas e realizando “movimentações táticas”.
Também foi encontrado no telefone de um dos suspeitos um vídeo em que ambos aparecem repudiando os “sionistas” diante de uma bandeira do EI, enquanto recitam um trecho do Alcorão e detalham suas motivações para o ataque.
As investigações revelam ainda que os atiradores fizeram uma viagem de “reconhecimento” à praia poucos dias antes do atentado, considerado um dos episódios de violência mais graves registrados no país em décadas.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, reiterou que apresentará projetos de lei mais rigorosos contra o discurso de ódio e o extremismo e pediu desculpas à comunidade judaica do país.
“Não vamos permitir que os terroristas inspirados pelo EI vençam. Não vamos deixar que dividam nossa sociedade e vamos superar isso juntos”, disse.
“O governo trabalhará todos os dias para proteger os judeus australianos, para proteger seu direito fundamental como australianos do orgulho de quem são, de praticar sua fé, de educar seus filhos e de participar da sociedade australiana da maneira mais plena possível”, prometeu.
Nesta segunda-feira, visitantes continuavam a prestar homenagens silenciosas em um memorial improvisado para as vítimas na praia de Bondi. Flores foram deixadas no local.
‘Reformas duras’
O governo federal australiano anunciou um pacote de mudanças nas leis sobre posse de armas e discurso de ódio, além de uma revisão dos serviços policiais e de inteligência. Albanese já havia anunciado um amplo plano de recompra para “retirar as armas” das ruas.
O governo de Nova Gales do Sul, estado mais populoso do país, convocou o Parlamento por dois dias a partir desta segunda-feira para apresentar o que definiu como as “reformas mais duras do país sobre armas de fogo”, além da proibição de símbolos terroristas.
“Não podemos fingir que o mundo é o mesmo de antes do incidente terrorista”, declarou o chefe do Executivo estadual, Chris Minns.
“Eu daria qualquer coisa para voltar uma semana, um mês, dois anos, para garantir que isso não tivesse acontecido, mas precisamos tomar medidas para que nunca mais aconteça”, acrescentou.
A nova regulamentação prevê limitar a quatro o número de armas por pessoa — ou até dez, no caso de indivíduos com permissões especiais, como agricultores. Segundo as autoridades, o estado possui mais de 1,1 milhão de armas registradas.
A legislação também proibiria a exibição de “símbolos terroristas”, incluindo a bandeira do EI, encontrada em um veículo ligado a um dos suspeitos. Além disso, permitiria às autoridades proibir protestos por até três meses após um atentado.
Um dos atiradores, Sajid Akram, de 50 anos, foi morto pela polícia durante o ataque. De nacionalidade indiana, ele entrou na Austrália com visto em 1998. O filho, Naveed, de 24 anos e cidadão australiano, foi transferido do hospital para a prisão nesta segunda-feira. Ele responde a diversas acusações, entre elas “terrorismo” e 15 homicídios.








