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Mejia deixou o Complexo Correcional do Condado de Travis pouco depois da meia-noite de 11 de março de 2026. Embora sua inocência tenha sido reconhecida dois dias antes, ela permaneceu detida temporariamente devido a uma ordem do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), emitida em razão da antiga condenação. Em 10 de março, porém, a agência informou que revogaria a ordem após a decisão judicial, permitindo sua libertação.
“Nunca perdi a fé e a esperança — nunca as perdi em 22 anos”, afirmou Mejia após deixar a prisão à imprensa local.
A exoneração ocorreu depois que o juiz P. David Wahlberg, do Tribunal Distrital do Condado de Travis, rejeitou formalmente a acusação de homicídio apresentada contra ela em 2003. A decisão foi baseada em um parecer do Tribunal de Apelações Criminais do Texas, a instância criminal mais alta do estado, que concluiu que novas evidências demonstravam que Mejia era “de fato inocente”.
Acidente doméstico reinterpretado pela Justiça
O caso teve origem em julho de 2003, quando Mejia cuidava de um bebê de 10 meses em casa, enquanto também estava com seus quatro filhos. Segundo a reconstrução feita anos depois, a filha mais velha tentou dar banho na criança enquanto a mãe amamentava outro filho. O aquecedor da casa, uma residência antiga sem dispositivos modernos de segurança, permitia que a água atingisse temperaturas extremamente altas.
Em poucos segundos, a água chegou a cerca de 64 °C, causando queimaduras graves no bebê, que morreu no hospital no mesmo dia. Na época, investigadores e peritos sustentaram que as lesões só poderiam ter sido provocadas intencionalmente por um adulto, tese que levou à condenação de Mejia por homicídio e lesão corporal contra uma criança. Ela recebeu pena de prisão perpétua.
Décadas depois, especialistas em queimaduras e segurança doméstica apresentaram novos pareceres afirmando que os ferimentos eram compatíveis com um acidente causado por água excessivamente quente. A própria médica legista responsável pela autópsia revisou sua avaliação e alterou a causa da morte para acidental em 2025.
Além disso, depoimentos gravados dos filhos de Mejia — que corroboravam a versão de acidente — haviam desaparecido antes do julgamento original, impedindo que o júri tivesse acesso às imagens.
Com base nas novas evidências, especialistas do próprio Estado retiraram depoimentos que sustentavam a hipótese de crime. O tribunal concluiu então que nenhum delito havia ocorrido.
Vida marcada pela separação da família
A condenação teve impactos profundos na vida de Mejia. Quando foi presa, seus quatro filhos tinham menos de oito anos. Eles foram adotados em um processo fechado e passaram mais de duas décadas sem contato com a mãe.
Apenas durante as audiências de revisão do caso, a partir de 2024, três das filhas voltaram a encontrá-la. Agora em liberdade, Mejia afirma esperar reconstruir o vínculo familiar após anos de separação.
Apesar da libertação, seu futuro ainda depende de decisões das autoridades migratórias. Nascida em Honduras, Mejia chegou aos Estados Unidos em 1995 e possuía Status de Proteção Temporária (TPS), que lhe permitia trabalhar legalmente no país até sua prisão.
O papel do Innocence Project
A revisão do caso foi conduzida com apoio do Innocence Project, organização jurídica sem fins lucrativos dedicada a identificar e corrigir condenações injustas. O grupo trabalha com advogados, especialistas e novos recursos científicos para revisar processos criminais e libertar pessoas inocentes, além de promover reformas no sistema de Justiça para evitar erros judiciais.









