— Se no final de 2021 havia 465 mil [presos], agora há 282 mil, dos quais 85 mil estão em centros de detenção provisória e instalações que funcionam como centros de detenção provisória — disse Arkady Gostev, diretor do Serviço Penitenciário Federal, em entrevista à agência Tass.
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Segundo Gostev, a redução ocorreu devido à “humanização das penas criminais por meio da expansão da prática de imposição de trabalhos forçados e outros tipos de punição não relacionados à prisão, penas suspensas e restrições à liberdade”. Mas ele reconheceu o impacto dos alistamentos, ofertados aos detentos — sem distinção sobre o crime que cometeram — desde 2022, de forma a incrementar a disponibilidade de soldados para uma guerra travada, prioritariamente, por terra.
Não há dados oficiais sobre quantos detentos assinaram contratos para combater na Ucrânia. Nos dois primeiros anos do conflito, o portal independente Mediazona relatou uma queda na população carcerária que chegou a 54 mil nas colônias penais masculinas. Em 2024, o Mediazona, em parceria com o serviço russo da rede BBC, afirmou que 48 mil prisioneiros se alistaram através da milícia Grupo Wagner, e que 17 mil deles morreram durante a batalha pelo controle de Bakhmut (2022-2023).
Segundo a inteligência ucraniana, os alistamentos prisionais, agora realizados diretamente pelo Ministério da Defesa, somaram 180 mil até o fim de 2025. Aos que voltam com vida, a promessa é de redução de penas ou de persão judicial.
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Muitos dos ex-detentos e agora veteranos retornam do front com traumas e ferimentos graves, e os casos de reincidência criminal se acumulam ao redor da Federação Russa. Especialistas dizem que alguns “sentem indiferença” em relação às vidas dos demais cidadãos, e que o abuso de álcool e drogas é prevalente. Em um país onde a violência doméstica é uma epidemia, as mulheres — especialmente as companheiras, mães, filhas e irmãs — são vítimas preferenciais dos ataques.
— Sabemos que veteranos de guerra são mais propensos a cometer violência doméstica do que homens que não passaram por essas experiências traumáticas — disse ao GLOBO, em 2025, Jenny Mathers, professora de Política Internacional da Universidade Aberystwyth, do Reino Unido. — Alguns desses homens já cometeram crimes de agressão e até assassinato em suas comunidades, o que aumenta a insegurança real e percebida que muitos russos sentem no dia a dia.
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Para os detentos que permanecem dentro do sistema prisional, um dos mais extensos do planeta e que não é conhecido por fornecer condições adequadas aos que ali cumprem suas penas, a guerra também se faz presente. À Tass, Gostev disse que muitos itens produzidos pelos prisioneiros (em um sistema de trabalho forçado herdado dos tempos soviéticos) vão para as Forças Armadas
— Ao longo de um ano, empregamos cerca de 16 mil detentos para esses fins, especificamente, para a produção desses produtos. Produzimos itens para as Operações Militares Especiais (nome oficial na Rússia da guerra na Ucrânia] no valor aproximado de 5,5 bilhões de rublos (R$ 389 milhões). No total, o volume de produção em 2025 foi de 47 bilhões de rublos (R$ 3,2 bilhões).








