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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (14) que os vínculos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras, é um caso de polícia. A declaração foi feita em resposta ao questionamento de uma jornalista durante visita do presidente à fábrica de fertilizantes nitrogenados na Bahia, a Fafen, em Camaçari, na região metropolitana de Salvador.  

“Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”, afirmou o presidente. 

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De acordo com a publicação, Flávio articulou repasses de R$ 134 milhões do banqueiro supostamente para financiar a realização de um filme sobre a trajetória política do pai, que governou o país entre 2019 e 2022.    

O banqueiro Daniel Vorcaro está preso suspeito de liderar uma organização criminosa que praticava fraudes financeiras por meio do Banco Master, que teve sua liquidação decretada no fim do ano passado, por decisão do Banco Central (BC), após a constatação da incapacidade da instituição em honrar com os depósitos e aplicações de clientes.

Ao revelar o envolvimento entre Flávio e Vorcaro, a reportagem do Intercept divulgou um áudio do próprio senador que menciona a importância do filme sobre o pai e a necessidade do envio dos recursos para pagar “parcelas para trás”.  

A reportagem revela também, com base em outras mensagens de WhatsApp vazadas, bem como em documentos e comprovantes bancários, que parte do valor teria sido pago entre fevereiro e maio de 2025.


São Paulo (SP), 04/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Ex-banqueiro Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro. Foto: Banco Master/Divulgação e Lula Marques/Agência Brasil

Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro – Foto: Banco Master/Divulgação e Lula Marques/Agência Brasil

Prisão

As últimas conversas entre ambos, mostradas pela reportagem, datam do início de novembro do ano passado, um período crítico para o Banco Master e Vorcaro. 

Pouco mais de uma semana depois dessa troca de mensagens, o Banco Central decretou a liquidação do Master e a Polícia Federal (PF) prendeu o banqueiro em um dos desdobramentos da operação sobre fraudes financeiras.

Vorcaro está preso na Superintendência da PF, em Brasília, e negocia um acordo de delação premiada.

O filme estaria sendo realizado por uma produtora no exterior, com atores e equipes estrangeiros, e tem previsão de ser lançado ainda este ano. 

Ainda segundo a matéria, o apoio envolve transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro a um fundo dos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. 

Deputados federais da base no governo apresentaram uma denúncia à PF e à Receita Federal para que apurem se houve ilegalidades nas transações e se os recursos podem estar relacionados a algum tipo de propina.

Outro lado

Horas após a publicação da reportagem, nesta quarta-feira (13), Flávio Bolsonaro, que inicialmente negou a situação, acabou admitindo ter pedido o recurso e ter mantido relação com Vorcaro, mas destacou tratar-se de uma questão privada.  

“É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, esclarece Flávio. 

“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, acrescentou o parlamentar na manifestação, horas após a publicação da matéria.

Ainda na nota, Flávio Bolsonaro negou ter combinado qualquer vantagem indevida no trato com o banqueiro.

“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do Master já”, completou.

Pouco depois de divulgar a nota, um vídeo de Flávio repetindo os mesmos argumentos também foi compartilhado nas redes sociais. Na gravação, ele disse que Vorcaro parou de honrar com as parcelas pendentes do patrocínio e informa que havia um contrato assinado a respeito desses repasses prometidos. Ele não deu informações a respeito do suposto contrato.

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Uma embarcação suspeita de atuar como um “arsenal flutuante” no Golfo de Omã teria sido apreendida por militares iranianos nesta quinta-feira, segundo a empresa britânica de gestão de riscos marítimos Vanguard. De acordo com a organização Operações de Comércio Marítimo (UKMTO), ligada ao comércio marítimo do Reino Unido, o navio agora segue em direção às águas territoriais do Irã. O caso ocorre após um navio de bandeira indiana ter sido atacado na quarta-feira na costa de Omã, naufragando em seguida.
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Dados de rastreamento analisados pela rede britânica BBC e pela plataforma MarineTraffic indicam que a embarcação, identificada como Hui Chuan e com bandeira de Honduras, transmitiu sua localização pela última vez a cerca de 70 km ao nordeste de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, na quarta-feira. Os dados de localização mostram ainda que a embarcação passou o último mês na costa nordeste de Omã e dos EAU.
Segundo os operadores, o navio funcionava como um depósito flutuante de armas usadas por empresas de segurança marítima para proteger embarcações contra ataques de piratas. A BBC afirmou, no entanto, que não conseguiu confirmar o que havia a bordo nem quem utilizava o material armazenado.
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O caso ocorre após um ataque a uma outra embarcação, essa com bandeira indiana, na costa de Omã, na quarta-feira. Dados da MarineTraffic mostram que a embarcação havia saído do porto de Berbera, na Somália, em 6 de maio, com destino a Sharjah, nos EAU. O navio transportava gado no momento do incidente.
Segundo autoridades indianas, o navio Haji Ali teria afundado após uma explosão possivelmente causada por um drone ou míssil. De acordo com a Vanguard, um incêndio começou a bordo, obrigando a tripulação de 14 membros a abandonar a embarcação antes do naufrágio.
“O ataque a um navio de bandeira indiana na costa de Omã ontem é inaceitável, e deploramos o fato de que a navegação comercial e os marinheiros civis continuem sendo alvos”, disse o Ministério das Relações Exteriores da Índia em um comunicado. “Todos os tripulantes indianos a bordo estão seguros, e agradecemos às autoridades omanitas por resgatá-los”.
Vários navios foram atacados no Estreito de Ormuz ou em suas proximidades, onde o Irã e os Estados Unidos se enfrentam por meio de bloqueios cruzados.
Desde o início da guerra com os Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, o Irã bloqueou a passagem pelo Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito. Os EUA impuseram um bloqueio aos portos iranianos, apesar do frágil cessar-fogo em vigor desde 8 de abril.
No início deste mês, Teerã anunciou uma zona de controle mais ampla em Ormuz, que se estende da fronteira iraniana até Fujairah e Umm al-Quwain, nos EAU. Dez navios transportando petróleo, combustível e gás conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz desde domingo, um aumento em relação às últimas semanas, apesar do impasse nas negociações para a abertura total do estreito e o fim da guerra, que já dura três meses. Ainda assim, o número de trânsitos está muito abaixo dos níveis pré-conflito.
Na semana passada, o Irã apreendeu um petroleiro no Golfo de Omã que aparentava ser uma embarcação sancionada transportando barris de petróleo do próprio país. A mídia estatal afirmou que o navio buscava “explorar as condições regionais”, sem dar mais detalhes. Também ocorreram outros ataques no Golfo Pérsico, incluindo um navio cargueiro atingido por um drone perto do Catar, que causou um pequeno incêndio.
Com agências internacionais.
Em depoimento à Comissão de Forças Armadas do Senado americano nesta quinta-feira, o almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom), que lidera a ofensiva dos Estados Unidos no Oriente Médio, questionou informações publicadas pelo New York Times e pelo Washington Post de que o Irã conserva aproximadamente 70% de seu estoque de mísseis anterior à guerra. Segundo Cooper, a campanha militar do governo do presidente americano, Donald Trump, contra a Marinha e o programa de mísseis balísticos do Irã “degradou drasticamente” a capacidade de Teerã de atingir os EUA ou seus aliados no Golfo Pérsico, mas algumas capacidades residuais ainda existem, afirmou ele em testemunho. Questionado sobre a reportagem do NYT publicada na terça-feira, durante a audiência no Senado, Cooper se recusou a discutir avaliações específicas de inteligência, mas classificou os números citados como “imprecisos”.
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As informações divulgadas pela imprensa americana foram reveladas a partir de avaliações confidenciais da inteligência americana do início deste mês. Os documentos mostram que o Irã recuperou o acesso à maioria de seus locais de mísseis, lançadores e instalações subterrâneas, contrariando as declarações públicas de Trump e outras autoridades dos EUA de que as Forças Armadas iranianas estavam “dizimadas”.
Segundo as análises, Teerã ainda mantém cerca de 70% de seus lançadores móveis em operação em todo o país e conserva aproximadamente 70% de seu arsenal de mísseis pré-guerra. Esse arsenal inclui tanto mísseis balísticos, capazes de atingir outros países da região, quanto um suprimento menor de mísseis de cruzeiro, que podem ser usados ​​contra alvos de curto alcance em terra ou no mar.
— Os ataques em larga escala que vimos nos últimos dois anos, o Irã não é mais capaz de executar — disse o almirante Cooper ao Congresso hoje, em seu primeiro depoimento diante dos parlamentares desde o início da guerra.
O chefe do Centcom afirmou à Comissão que as Forças Armadas americanas “cumpriram todos os objetivos militares” da guerra no Irã, apesar das reiteradas declarações de autoridades da Casa Branca e do Pentágono — incluindo o presidente Trump e o secretário de Defesa, Pete Hegseth — de que a principal motivação para a ofensiva conjunta com Israel é impedir que o regime dos aiatolás tenha acesso a armas nucleares, missão que ainda não foi declarada como cumprida por nenhuma das partes.
Apesar das garantias otimistas, Cooper também não abordou em seu depoimento a capacidade iraniana de bloquear o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passava 20% do suprimento mundial de petróleo e gás.
— Principalmente, reduzimos a capacidade do Irã de projetar poder além de suas fronteiras, ameaçar a região e nossos interesses — acrescentou, fazendo referência à suposta cessação do envio de recursos iranianos e financiamento para aliados do regime na região, incluindo os houthis no Iêmen e o Hezbollah no Líbano.
Segundo a publicação do NYT, há evidências de que o Irã restabeleceu o acesso operacional a 30 dos 33 locais de mísseis que mantém ao longo do estreito. Pessoas com conhecimento das avaliações de inteligência disseram que elas mostram — em graus variados, dependendo do nível de danos sofridos nos diferentes locais — que os iranianos podem usar lançadores móveis localizados dentro das instalações para transportar mísseis para outros pontos. Em alguns casos, eles podem lançar mísseis diretamente de plataformas de lançamento que fazem parte dessas estruturas.
Cooper também procurou dissipar os temores de que a ofensiva militar contra a República Islâmica tivesse esgotado grande parte do estoque global de munições das Forças Armadas americanas. Os Estados Unidos utilizaram milhares de mísseis de cruzeiro furtivos de longo alcance, mísseis Tomahawk e mísseis interceptores Patriot no conflito — recursos que, especialistas garantem, precisarão de anos para serem repostos.
— Tenho todas as munições necessárias tanto para defender nossas forças quanto para conduzir uma ampla gama de contingências — declarou o almirante no Senado.
A guerra obrigou o Pentágono a enviar bombas, mísseis e outros equipamentos com urgência para o Oriente Médio, vindos de comandos na Ásia e na Europa. A redução dos estoques deixou esses comandos regionais menos preparados para enfrentar potenciais adversários como a Rússia e a China. Além disso, forçou os EUA a encontrarem maneiras de aumentar a produção para suprir a escassez, segundo declarações de autoridades do governo Trump e do Congresso.
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Mortes de civis
Cooper ainda disse ao Senado que a destruição de uma escola iraniana, que, segundo autoridades do país, matou 155 pessoas, incluindo 120 crianças, pode ter sido causada por uma bomba americana e foi o único incidente com vítimas civis de que ele tinha conhecimento em uma campanha de mais de 13.600 ataques. Os militares dos EUA ainda não assumiram a responsabilidade pelo ataque à escola feminina em Minab, no sul do Irã, que, segundo o almirante, continua sob investigação.
O depoimento do militar sugeriu que ele acredita que o desempenho das Forças Armadas americanas desde os ataques de 28 de fevereiro havia sido quase perfeito, um fato desmentido por investigações de grupos de direitos humanos e veículos de comunicação. Senadores receberam as afirmações com profundo ceticismo, e um grupo de direitos humanos que investiga baixas civis em guerras as classificou como “ridículas”.
O New York Times confirmou danos em 22 escolas e 17 instalações de saúde. A Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano, principal organização humanitária do país, afirmou em 2 de abril que pelo menos 763 escolas e 316 instalações de saúde foram danificadas ou destruídas na guerra. Além disso, pelo menos 1.700 civis iranianos foram mortos no conflito, de acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA, na sigla em inglês).
— Como explicar a informação disponível publicamente de que 22 escolas e vários hospitais foram atingidos? — questionou a senadora Kirsten Gillibrand, democrata de Nova York, citando a reportagem do Times.
— Não há como corroborarmos isso — respondeu o almirante. — Nenhum indício disso.
Em seu depoimento, ele descreveu a prevenção de mortes de civis no campo de batalha como um assunto pelo qual é “apaixonado”. Mas ele também admitiu que sua equipe não havia investigado nenhum dos incidentes documentados pelo NYT ou por grupos de direitos humanos.
(Com New York Times)

Há mais de um mês, oficiais de justiça tentam cumprir uma determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e intimar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) a prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a empresas da produtora artística responsável pelo filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, a obra Dark Horse.

Em 21 de março, o ministro Flávio Dino deu cinco dias para o parlamentar responder à denúncia da também deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Tabata acusa Frias de ter destinado ao menos R$ 2 milhões à organização não governamental (ONG) Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama.

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Karina também está à frente de outras entidades e empresas, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment, responsável por produzir o filme biográfico sobre Bolsonaro, previsto para estrear nos cinemas brasileiros em meados de setembro, semanas antes do primeiro turno das eleições.

Segundo os autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, a oficial de Justiça Federal encarregada de intimar Frias esteve no gabinete do deputado, na Câmara dos Deputados, em Brasília, em ao menos três ocasiões entre março e abril. Em todas as vezes, foi atendida por assessores parlamentares que informaram que Frias estaria em São Paulo, em compromissos de campanha, e que não demonstraram “interesse em informar a agenda do parlamentar”.

Emendas

A denúncia apresentada por Tabata Amaral foi motivada por uma reportagem de dezembro de 2025, do site The Intercept Brasil. Segundo a publicação, a Academia Nacional de Cultura foi contemplada com R$ 2,6 milhões oriundos de emendas parlamentares destinadas por deputados federais filiados ao Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Bolsonaro. Além de Frias, são citados os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon.

A partir da reportagem, Tabata sugere a formação de um grupo econômico composto por diferentes empresas e entidades atuando sob um comando único. Ela defende que isso poderia dificultar a rastreabilidade da execução da verba pública e estar indiretamente financiando produções cinematográficas de cunho ideológico.

Também intimados por Dino, Bia e Pollon entregaram ao ministro seus esclarecimentos dentro do prazo estipulado. O deputado admitiu ter destinado R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo viabilizar, por intermédio da Go Up Entertainment, “a produção da série documental intitulada Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”.

Contudo, segundo o deputado, devido à “incapacidade da entidade beneficiária de cumprir requisito técnico essencial”, o projeto não avançou e ele redirecionou os recursos para a área da saúde, “especificamente em favor do Hospital de Amor de Barretos” (SP).

“A inexistência de execução afasta, por completo, qualquer hipótese de desvio de finalidade ou irregularidade material na aplicação de recursos públicos”, sustenta Pollon.

Decisão política 

Bia Kicis também admitiu ter destinado R$ 150 mil em recursos públicos para a realização da série Heróis Nacionais, citada por Pollon. E, assim como o deputado, pondera que a indicação não foi executada

A deputada classifica a petição de Tabata Amaral como “maldosa” por, “indevidamente”, associar sua emenda “a supostas irregularidades e desvios de finalidade”, não havendo “qualquer conexão entre a emenda [parlamentar] e a obra cinematográfica Dark Horse”.

“A tentativa de realizar uma amálgama entre projetos distintos, apenas por envolverem a mesma produtora ou temas de espectro conservador, constitui um erro metodológico e jurídico grave”, argumenta a deputada.

Bia Kicis refuta a “leviana alegação” de que ajudou a custear, com dinheiro público, um filme sobre Jair Bolsonaro.

“A despeito da tentativa de criminalizar a indicação orçamentária realizada por esta parlamentar, é fundamental que este Supremo Tribunal Federal analise o mérito social e econômico do projeto beneficiado, o qual reflete o compromisso deste mandato com a promoção da cultura e da história nacional brasileira”, alega a deputada, reconhecendo que, com sua emenda, além de fomentar o setor audiovisual, tomou “uma decisão política pautada pela potencialidade de geração de valor para a sociedade, especialmente no campo da educação e da economia criativa”.

Provocada pelo ministro Flávio Dino, a Advocacia da Câmara dos Deputados atestou que, do ponto de vista processual, não identificou irregularidades nas duas emendas de Mario Frias – as únicas que Tabata Amaral elencou em sua representação.

Master

Nesta quarta-feira (13), reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro que destinasse cerca de R$ 134 milhões para custear o filme Dark Horse. Deste total, Vorcaro teria liberado ao menos R$ 61 milhões.

Áudios divulgados revelam que o senador e o banqueiro trocaram mensagens sobre a necessidade de aporte financeiro para o filme às vésperas de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero. Deflagrada em novembro de 2025, a operação aprofunda as investigações de supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e fraudes nas negociações entre os bancos Master e de Brasília (BRB).

Em um dos áudios, Flávio menciona a importância do filme e a necessidade do envio dos recursos para pagar “parcelas para trás”.  

“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, diz o senador, em áudio. 

 

 

Superprodução

Roteirista e produtor executivo do filme, o deputado Mário Frias afirmou, nesta quarta-feira (13), que o senador Flávio Bolsonaro não tem qualquer participação societária no filme ou na produtora Go Up Entertainment, de Karina Ferreira da Gama. Segundo Frias, a obra não recebeu “nem um único centavo” do Banco Master ou de Vorcaro.

“E ainda que houvesse [recebido], não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco”, sustentou Frias.

Ele foi secretário especial de cultura (2020/2022) da gestão de Jair Bolsonaro.

Na mesma nota, Frias tenta justificar os custos da produção – superiores, por exemplo, aos valores do filme Ainda Estou Aqui, ganhador do Oscar de Melhor Filme Internacional, em 2025, que totalizaram R$ 45 milhões.

“Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional — com qualidade inédita para retratar o maior líder político brasileiro do século XXI. O projeto é real, será lançado nos próximos meses e, para quem investiu, será um negócio bem-sucedido”, acrescentou Frias.

Dezenas de milhares de nacionalistas israelenses tomaram as ruas de Jerusalém nesta quinta-feira durante o feriado do Dia de Jerusalém, que marca a anexação total da cidade em 1967, e é marcado por atos de vandalismo, agressões contra árabes e, neste ano, contra a imprensa do país.
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No começo do dia, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, um dos mais radicais membros do Gabinete do premier Benjamin Netanyahu, entrou com um grupo de aliados no complexo da Mesquita do Domo da Rocha, sagrado para os muçulmanos e também para os judeus, que o conhecem como Monte do Templo.
Além de orações, Ben-Gvir estendeu ali uma bandeira de Israel, ato considerado pelo governo da Jordânia como uma “violação flagrante do direito internacional, uma provocação inaceitável e uma quebra flagrante do status quo histórico e jurídico”. Uma autoridade religiosa ligada ao governo jordaniano, o Waqf de Jerusalém, é responsável por supervisionar o local.
— Ben-Gvir não é um palhaço. Ele é Israel: 2026 — afirmou Aviv Tatarsky, pesquisador do grupo ativista Ir Amim, que prega a coexistência pacífica em Jerusalém, à rede al-Jazeera. — Ele faz parte de um governo e de uma sociedade que, apesar das guerras com o Irã e o Líbano, ainda prioriza a remoção dos palestinos, onde quer que estejam, acima de tudo.
Ministro da Segurança de Israel, Itamar Ben-Gvir, na entrada da Cidade Velha de Jerusalém
Ilia YEFIMOVICH / AFP
Nas estreitas ruas da Cidade Velha, dezenas de milhares de pessoas, incluindo muitos jovens e adolescentes, se aglomeravam para a chamada “Marcha da Bandeira”, organizada por grupos de extrema direita e conhecida pela violência extrema.
Moradores do Bairro Muçulmano, em sua maioria palestinos, fecharam as portas das lojas no começo do dia, e os que foram vistos em público foram agredidos com chutes, cadeiradas e cuspes. Palavras de cunho homofóbico foram ouvidas em quantidade, assim como gritos de “morte aos árabes”, “Maomé está morto” e “espero que seu vilarejo queime”.
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Ativistas de esquerda não escaparam dos ataques, e uma repórter do jornal Haaretz, que usava a devida identificação de imprensa, foi atingida por copos de café. Um outro jornalista teve o telefone celular roubado. Segundo a polícia, 13 pessoas, incluindo israelenses e palestinos, foram presas.
— A chamada Marcha da Bandeira sempre foi um evento violento — disse à al-Jazeera Ofer Cassif, do partido de esquerda Hadash, acusando o governo “fascista” de Netanyahu por incitar os ataques. — [A polícia não impediu] a violência, os linchamentos, a destruição de lojas, a agressão e os ataques contra palestinos na Cidade Velha e em toda a cidade.
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O chefe da polícia local, contudo, disse que a preparação para o evento foi “exemplar”, e que, com poucas exceções “tudo aconteceu em relativa calma”.
— O lado muçulmano continuará a viver no bairro e a fazer parte do seu tecido social. E quando isto terminar, a coexistência continuará, judeus e muçulmanos — acrescentou.
Nacionalistas israelenses perto do Portão de Damasco, na entrada da Cidade Velha de Jerusalém
Ilia YEFIMOVICH / AFP
O Dia de Jerusalém marca a anexação de Jerusalém Oriental por Israel, no contexto da Guerra dos Seis Dias, em 1967, e é um feriado nacional desde 1968. Mas nos últimos anos, os eventos na cidade sagrada para as três maiores religiões monoteístas do planeta se tornaram sinônimo de violência.
Os confrontos nas ruas estreitas da Cidade Velha são acompanhados pelas ofensas racistas dirigidas aos árabes, com menções a guerras nos Territórios Palestinos e episódios sangrentos. Há alguns anos, gritos de “Shuafat está em chamas” ecoaram pelas ruas, em uma referência ao adolescente palestino Mohammed Abu Khdeir, queimado vivo por colonos israelenses na cidade, em 2014.
Desde os ataques de outubro de 2023, o início da guerra em Gaza e no Líbano e, agora, a guerra suspensa contra o Irã, dizem especialistas, o evento ganhou uma camada adicional de agressividade.
— No ano passado, vimos muita violência, muita violência verbal, canções racistas, cusparadas, assédio a meninas voltando da escola — disse Nati, ativista de uma organização judaico-árabe que participou de uma espécie de cordão humano para proteger civis palestinos e suas propriedades durante a marcha, ao Haaretz. — A situação piorou. A cada ano fica pior. No ano passado, houve alguns episódios realmente assustadores.
Um caso de fuga que terminou mal chamou a atenção na última terça-feira (12), na cidade argentina de Rosário. Um homem se pendura na sacada de um prédio e acaba caindo do quarto andar, em cima de uma viatura que estava no local para buscá-lo. O carro amorteceu a queda e pode ter salvado a vida do fugitivo. Segundo o jornal The Sun, a polícia estava no local para resolver uma ocorrência de briga e discussão que o homem de 31 anos estaria envolvido.
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Ainda de acordo com a publicação, ele foi levado para o Hospital de Emergência Clemente Álvarez, onde está em unidade de tratamento intensivo e respirando com o auxílio de um ventilador mecânico. Os médicos confirmaram que ele sofreu múltiplos ferimentos, incluindo um traumatismo craniano e uma fratura no braço.
Homem cai de prédio na Argentina em tentativa de fuga
Reprodução | X | Jorge Diaz
Nas imagens, suas mãos escorregam pela sacada e ele atinge ainda dois guarda-corpos de outras varandas, girando 180º antes de atingir o carro. O homem não teve o seu nome divulgado, mas seria morador daquele mesmo prédio, de onde tentava fugir.
Moradores afirmaram que o estrondo foi tão grande, que pensaram ser uma colisão de ônibus na rua.
Assista o vídeo abaixo:
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (14) medidas para restringir o uso de inteligência artificial durante o período das eleições. Durante o lançamento de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida em Camaçarí (BA), ele avaliou que a manipulação de imagens e vozes, por exemplo, pode favorecer “mentirosos”.

“Eu estava na posse do presidente do Tribunal Superior Eleitoral [ministro Nunes Marques] e ele disse assim: ‘Vou proibir inteligência artificial dois dias antes das eleições’. E eu achei maravilhoso”, contou Lula.

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“O que é inteligência artificial? É a maior evolução desse mundo digital. Posso colocar a cara do Wagner, posso colocar a voz do Wagner, mas não é o Wagner”, disse. “Posso colocar a sua cara, mas não é você. Posso colocar a sua voz, mas não é você. Posso colocar você fazendo uma coisa boa ou fazendo uma coisa ruim”, completou.

No evento, o presidente avaliou que a inteligência artificial ajuda muito em áreas como saúde, educação, ciência e tecnologia.

“Tem uma importância muito grande. Mas, na eleição, será que é necessário inteligência artificial? Na eleição, as pessoas têm que votar numa coisa verdadeira, de carne e osso. As pessoas não podem votar em uma mentira”.

“Você escolheria um padrinho para o seu filho pela inteligência artificial? Ou você quer conhecer uma pessoa que você gosta, que sabe que é decente, que é honesta para dar o seu filho para ser batizado?”, questionou.

“Fiquei pensando o que a gente pode fazer para proibir, em época de eleição, sobre eleição, falar de inteligência artificial na política. Isso vai servir aos mentirosos. Como é mentira, posso falar todo bonitão. E a política é o templo da verdade. O cara que mente na política, deveria cair a língua dele.”

Lula lembrou que o candidato, quando vence o pleito, foi eleito para representar o povo e “não pode mentir”. “É melhor dizer que não pode fazer do que dizer que vai fazer e não fazer”, avaliou. “É importante que a gente tenha em conta o que pode ser feito, do ponto de vista Legislativo, pra gente discutir com verdade esse negócio de inteligência artificial”.

“Se a gente quiser, a gente poder fazer o Lula artificial. Fazer comício em 27 estados no mesmo dia e no mesmo horário. Eu estou lá, mas não estou. Confesso a vocês: um cidadão que aprendeu a ter caráter com a dona Lindu [mãe de Lula] não aceitará inteligência artificial para fazer campanha política”, disse.

“Se tem uma coisa que um político tem que fazer é olhar nos olhos do povo e permitir que o povo olhe nos olhos dele para saber quem está mentindo. Vocês estão vendo na televisão: a verdade tarda, mas não falha. Minha mãe dizia: Mentira tem perna curta. Pode causar prejuízo”, concluiu.

 

O Pentágono cancelou de forma abrupta o envio de uma brigada blindada à Polônia, em mais um movimento que reforça o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reduzir a presença militar americana na Europa e reposicionar sua estratégia de defesa, com maior foco no território nacional e no Indo-Pacífico. A decisão surpreendeu parte da cúpula militar, já que equipamentos e tropas já estavam a caminho do continente, segundo o Wall Street Journal.
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O cancelamento envolve a 2ª Brigada de Combate Blindada da 1ª Divisão de Cavalaria, com mais de 4 mil soldados. Parte da unidade, conhecida como “Black Jack”, já havia iniciado o deslocamento quando a operação foi interrompida, segundo autoridades do Departamento de Defesa.
A medida ocorre em meio a uma reconfiguração mais ampla da presença militar dos EUA na Europa, que inclui a retirada de 5 mil soldados da Alemanha — anunciada neste mês após críticas do chanceler alemão, Friedrich Merz, à condução da guerra dos EUA contra o Irã.
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Trump indicou que os cortes devem ir além. Em declarações recentes, afirmou que pretende reduzir “muito mais do que 5 mil” militares estacionados na Alemanha e não descartou retirar tropas também da Itália e da Espanha.
A mudança faz parte de uma estratégia mais ampla do Pentágono, que prevê maior responsabilidade dos aliados europeus pela própria segurança, enquanto os EUA focam na defesa do território nacional e do Indo-Pacífico.
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Dentro desse contexto, a suspensão do envio da brigada foi interpretada como parte de uma aceleração desse processo. Comandantes militares haviam proposto uma redução gradual das forças na Alemanha, com ajustes feitos ao longo do tempo. No entanto, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, optou por antecipar cortes e interromper uma operação que já estava em curso.
A decisão foi comunicada durante uma reunião entre o Comando Europeu dos EUA e o Estado-Maior do Exército na Europa e África, segundo uma autoridade americana. Até então, a recomendação militar era que a brigada não fosse substituída após seu ciclo regular de nove meses — e não que o envio fosse cancelado antes mesmo de ser concluído.
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A mudança também ocorre em meio a tensões políticas com aliados europeus. No mês passado, o WSJ noticiou que o governo Trump avaliava retirar tropas de países que não apoiaram os EUA na guerra contra o Irã.
Apesar disso, a relação com a Polônia permanece próxima. O próprio Trump chegou a sugerir recentemente que poderia transferir parte das tropas baseadas na Alemanha para o país, cenário que torna o cancelamento da brigada ainda mais sensível em Varsóvia.
O ministro da Defesa polonês, Władysław Kosiniak-Kamysz, afirmou que a decisão não afeta diretamente o país e está ligada a mudanças mais amplas na presença militar americana na Europa. Segundo ele, o fortalecimento das forças armadas polonesas, aliado à presença dos EUA, mantém a segurança no flanco leste da Otan.
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A Otan, por sua vez, indicou que pretende manter uma presença robusta na região, apesar das movimentações americanas.
A decisão do Pentágono também se soma a outras iniciativas recentes para reduzir a atuação militar dos EUA no continente. Neste mês, o governo anunciou que está revertendo um plano da gestão anterior de enviar à Alemanha um batalhão equipado com mísseis convencionais de longo alcance.
Além disso, no ano passado, os EUA já haviam decidido retirar uma brigada de combate da Romênia.
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Com as mudanças, o número de tropas americanas na Europa deve retornar a níveis semelhantes aos de 2022, antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, marcando uma inflexão na estratégia militar americana no continente.
Autoridades israelenses levarão o The New York Times à justiça por um artigo que alega abuso sexual generalizado de detentos palestinos, informou o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nesta quinta-feira. O premier e o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, ordenaram “a abertura de um processo por difamação” contra o jornal americano, de acordo com um comunicado conjunto divulgado por seus gabinetes.
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O texto afirma que o processo foi instaurado “após a publicação, por Nicholas Kristof, de uma das mentiras mais horríveis e distorcidas já publicadas contra o Estado de Israel na imprensa moderna, a qual também foi endossada pelo jornal”.
“Eles difamaram os soldados de Israel e perpetuaram uma calúnia de sangue sobre estupro, tentando criar uma falsa simetria entre os terroristas genocidas do Hamas e os valentes soldados de Israel”, disse Netanyahu em um comunicado. “Vamos combater essas mentiras na opinião pública e nos tribunais. A verdade prevalecerá.”
O premier israelense não deixou claro onde ou quando esse processo será aberto.
A investigação, publicada na segunda-feira como um artigo de opinião do colunista Kristof, baseia-se em depoimentos recolhidos na Cisjordânia ocupada por Israel, de 14 homens e mulheres que alegaram ter sofrido agressão sexual por parte de colonos israelenses ou membros das forças de segurança.
O texto descreve “um padrão de violência sexual generalizada por parte de Israel contra homens, mulheres e até crianças, perpetrada por soldados, colonos, interrogadores da agência de segurança interna Shin Bet e, sobretudo, por guardas prisionais”.
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Segundo o texto, “não há provas de que os líderes israelenses ordenem estupros”. “Mas, nos últimos anos, eles construíram um aparato de segurança no qual a violência sexual se tornou, como afirmou um relatório da ONU no ano passado, um dos ‘procedimentos operacionais padrão’ de Israel e ‘um elemento importante no tratamento cruel dado aos palestinos'”, pontua o autor do artigo.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel rejeitou a reportagem, afirmando que Kristof se baseou “em fontes não verificadas ligadas a redes relacionadas ao Hamas”. Também acusou o jornal de escolher deliberadamente a data de publicação para “minar” um relatório israelense independente sobre a violência sexual perpetrada pelo Hamas durante o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, publicado no mesmo dia.
O NYT ainda não se manifestou sobre a ameaça de Netanyahu. Mas em um comunicado divulgado na quarta-feira, o jornal defendeu o artigo.
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“Os relatos dos 14 homens e mulheres entrevistados por Kristof foram corroborados com outras testemunhas, quando possível, e com pessoas em quem as vítimas confiaram, incluindo familiares e advogados”, escreveu o porta-voz do jornal, Charlie Stadtlander, acrescentando que “os detalhes foram extensivamente verificados”.
Tanto a ONU quanto grupos de direitos humanos já afirmaram ter documentado o uso de violência sexual por ambos os lados desde o ataque do grupo militante palestino contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.
Com agências internacionais.
O Vaticano elevou o tom contra a Fraternidade Sacerdotal São Pio X na última quarta-feira ao afirmar que a eventual ordenação de novos bispos sem autorização papal configuraria um “ato cismático” e poderia levar à excomunhão dos envolvidos. A organização, atuante em mais de 70 países, mantém uma relação conflituosa com a Santa Sé há décadas ao defender missas em latim e se opor ao Concílio Vaticano II.
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O alerta mais recente foi feito pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, em meio a informações de que o grupo tradicionalista pretende realizar novas ordenações episcopais em julho. Segundo o Vaticano, a iniciativa representaria uma ruptura grave com a autoridade da Igreja Católica. Fernández afirmou que a adesão formal a um cisma pode resultar em excomunhão e indicou que a Santa Sé acompanha com preocupação os movimentos da fraternidade.
Pelo Código de Direito Canônico, tanto o bispo que realiza uma consagração episcopal sem mandato pontifício quanto aquele que a recebe incorrem automaticamente em excomunhão latae sententiae, isto é, sem necessidade de declaração formal. A pena é reservada à Sé Apostólica, cabendo apenas ao Papa — ou a quem ele delegar — conceder o perdão.
O principal precedente ocorreu em 1988, quando Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização do papa João Paulo II. O episódio levou à excomunhão do arcebispo e dos religiosos envolvidos e consolidou uma das maiores crises internas da Igreja Católica nas últimas décadas.
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Em 2009, por decisão de Bento XVI, a Congregação para os Bispos suspendeu a excomunhão dos quatro consagrados, gesto que o pontífice alemão apresentou como tentativa de remover um grave obstáculo ao diálogo e favorecer a reconciliação.
Apesar do endurecimento do discurso, o Vaticano indicou que ainda tenta evitar uma ruptura definitiva. Segundo o Vatican News, o Papa Leão XIV mantém apelos por diálogo com a fraternidade e busca impedir que a disputa evolua para um novo cisma formal dentro da Igreja.
Fraternidade São Pio X
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é conhecida pela defesa da missa tridentina em latim e pela oposição a parte das reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. O grupo foi fundado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre e mantém uma relação marcada por tensões históricas com Roma.
Arcebispo Marcel Lefebvre em 1975
Divulgação / Fraternidade Tradicional São Pio X
Segundo dados divulgados em novembro do ano passado, a Fraternidade São Pio X reúne 1.482 membros de cerca de 50 nacionalidades, com média de idade de 47 anos. O grupo conta com dois bispos, 733 sacerdotes, 264 seminaristas e diversas formas de vida consagrada: 145 irmãos religiosos, 88 oblatas e 250 monjas.
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A atuação pastoral se estende por 77 países, com cinco seminários, 184 casas próprias e 94 escolas — 54 delas na França.
Durante o pontificado de Francisco, o então superior Bernard Fellay atacou reiteradamente o Papa argentino. “A situação da Igreja é um verdadeiro desastre, e o atual Papa a está tornando 10.000 vezes pior”, afirmou em 2016, em Kansas City. Hoje, setores tradicionalistas pressionam Leão XIV a revogar as restrições à missa tridentina.
A Casa Branca afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu homólogo da China, Xi Jinping, concordaram sobre a necessidade de manter o Estreito de Ormuz aberto durante o encontro realizado nesta quinta-feira, em Pequim. No mesmo dia, a imprensa iraniana informou que as forças navais do país autorizaram a passagem de vários navios chineses pela rota estratégica, em meio ao bloqueio imposto desde o início da guerra na região.
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“As duas partes concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para favorecer a livre circulação de energia”, disse a Casa Branca.
A declaração ocorre em um contexto de tensão no Golfo, onde o Irã mantém um bloqueio quase total da passagem desde 28 de fevereiro, após ataques dos EUA e de Israel. Antes da escalada, cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás transitava pela via marítima.
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A agência iraniana Tasnim informou que um grupo de embarcações chinesas foi autorizado a cruzar o estreito.
“Após uma decisão da República Islâmica, um certo número de navios chineses recebeu permissão para atravessar o Estreito de Ormuz sob os protocolos de trânsito administrados pelo Irã”, afirmou.
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A travessia, solicitada por Pequim, começou na noite de quarta-feira, após um acordo sobre as regras de gestão da passagem.
O gesto ocorre enquanto a China busca garantir o fluxo energético: mais da metade do petróleo que o país importa por via marítima vem do Oriente Médio e passa pelo Estreito de Ormuz, segundo a empresa de análise de tráfego marítimo Kpler.
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Segundo a Casa Branca, durante a reunião em Pequim, Xi Jinping manifestou oposição à “militarização” da rota e à possível cobrança de pedágio por parte do Irã, medida que vem sendo considerada por Teerã. Em seu comunicado, a parte americana classificou o encontro entre os líderes como “bom”, mas não mencionou temas sensíveis como Taiwan.
Já o presidente chinês destacou que a ilha segue sendo o principal ponto de divergência entre os dois países. Apesar de Taiwan ter um governo democrático, Pequim o considera parte de seu território.
— A questão de Taiwan é o tema mais importante nas relações entre China e EUA — afirmou durante a reunião de cúpula, segundo a emissora estatal CCTV. — Se for mal administrada, as duas nações podem ter um choque ou, inclusive, entrar em conflito, o que empurraria toda a relação entre China e EUA para uma situação muito perigosa.
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Apesar de uma trégua em vigor desde abril, os EUA mantêm restrições aos portos iranianos, em resposta ao bloqueio no estreito, um dos principais gargalos do comércio global de energia.

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