Comunicado conjunto: Japão e países europeus condenam ataques do Irã no Golfo e se dizem ‘dispostos a contribuir’ na segurança do Estreito de Ormuz
Entenda em 5 pontos: Por que é tão difícil reabrir o Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global de 20% do petróleo?
— Não contamos a ninguém porque queríamos fazer uma surpresa. Quem entende melhor de surpresas do que o Japão, certo? — disse Trump no Salão Oval. — Por que vocês não nos contaram sobre Pearl Harbor, entendeu?
Takaichi, que dependia de um intérprete, não disse nada, mas pareceu conter um leve suspiro ao se remexer na cadeira, com pelo menos um gemido audível ouvido na sala lotada de repórteres americanos e japoneses.
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Em 7 de dezembro de 1941, o Japão Imperial lançou um ataque preventivo à importante base americana no Pacífico, em Pearl Harbor, Havaí, na esperança de desferir um golpe decisivo antes da esperada entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial.
Mais de 2.400 americanos morreram no ataque que, segundo o presidente Franklin D. Roosevelt, ficaria marcado na História. Os Estados Unidos encerraram a Segunda Guerra Mundial lançando duas bombas atômicas sobre o Japão, o único uso de armas nucleares na História.
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A história da guerra continua sendo um tema delicado para os japoneses, que durante décadas cultivaram uma estreita aliança com os Estados Unidos e esperavam superar as lembranças do conflito.
A própria Takaichi é conhecida por suas visões nacionalistas, tendo afirmado no passado que o Japão travou uma guerra defensiva e que pediu desculpas demais às nações asiáticas que sofreram.
No ano passado, Trump fez outra alusão surpreendente à Segunda Guerra Mundial quando se encontrou com o chanceler alemão Friedrich Merz, dizendo-lhe que o desembarque das tropas aliadas no Dia D, na França ocupada pelos nazistas, “não foi um dia agradável para você”. Merz respondeu que os alemães tinham uma dívida para com os americanos, pois, a longo prazo, “esta foi a libertação do meu país da ditadura nazista”.
Trump justificou seu ataque ao Irã dizendo que o país estava prestes a obter uma arma nuclear — uma alegação não apoiada pela agência de vigilância nuclear da ONU e pela maioria dos observadores — e pediu aos iranianos que derrubassem seu estado clerical, embora não tenha chegado a fazer da mudança de regime um objetivo.
Tom amigável
Apesar do desconforto pela fala, a reunião correu relativamente bem. Dias depois de criticar duramente os aliados dos EUA, incluindo o Japão, por não atenderem aos seus apelos para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, Trump elogiou os esforços de Tóquio relacionados à guerra no Oriente Médio em termos vagos.
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— Acredito que, com base nas declarações que nos foram dadas ontem, anteontem, referentes ao Japão, eles estão realmente fazendo a sua parte — disse Trump.
Após uma longa pausa, Trump acrescentou “ao contrário da Otan”, repetindo suas críticas à aliança militar liderada pelos EUA e composta principalmente por países europeus.
Trump deu poucos detalhes sobre que tipo de ajuda o Japão poderia fornecer para garantir a segurança dessa importante via navegável, por onde normalmente passa um quinto do petróleo mundial. Mas o tom que ele demonstrou em relação a Takaichi foi muito mais amigável do que as duras críticas que dirigiu a aliados, incluindo o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, sobre o assunto nos últimos dias.
O envio das Forças de Autodefesa para o exterior é uma questão politicamente delicada no Japão, um país oficialmente pacifista, já que muitos eleitores apoiam a Constituição de 1947, imposta pelos EUA e que renuncia à guerra. Mas pouco mais de uma hora antes da reunião com Trump, o Japão e outros cinco aliados, incluindo o Reino Unido e a França, disseram estar prontos “para contribuir com os esforços necessários para garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz”.
Trump disse que seria “apropriado” que o Japão e outros aliados contribuíssem, e observou que o Japão obtém cerca de 90% do seu petróleo através do estreito.
Com New York Times e AFP.









