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Ataques realizados na madrugada de quarta-feira destruíram o que parece ser uma instalação de abastecimento de água potável na costa sul do Irã, próxima ao Estreito de Ormuz, segundo uma análise do New York Times. Por volta do horário dos bombardeios, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou em uma publicação na rede social X que havia conduzido ataques perto do estreito “com munições de precisão lançadas por caças da Força Aérea e da Marinha dos EUA”.
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A mídia estatal iraniana informou que os EUA atingiram estruturas de armazenamento de água, e uma autoridade local afirmou que o fornecimento foi interrompido para mais de 20 mil pessoas que vivem em uma cidade e em vilarejos próximos. As temperaturas na região ultrapassaram os 38°C nesta semana.
Uma imagem de satélite comercial registrada na manhã de 9 de junho mostra duas pequenas estruturas de abastecimento de água no vilarejo de Bemani. Ambas possuem tubulações azul-claro, típicas de sistemas de distribuição de água, assim como sua localização — em uma colina fora da área habitada. As construções correspondem à descrição dos dois reservatórios que, de acordo com Abdolhamid Hamzehpour, chefe da autoridade provincial de água, foram destruídos.
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Segundo Hamzehpour, os dois reservatórios de concreto tinham capacidade para armazenar 500 e 2.000 metros cúbicos de água, respectivamente, e abasteciam a cidade de Kuhestak e dez vilarejos do distrito de Bemani. Além dos tanques, equipamentos mecânicos do sistema de distribuição também ficaram completamente fora de operação após serem atingidos.
Vídeos divulgados na quarta-feira por veículos de imprensa iranianos, incluindo a mídia estatal e a autoridade provincial de água, mostram que o telhado da menor das construções desabou.
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A instalação maior ao lado continua de pé, mas imagens mostram um pequeno buraco de impacto no centro do telhado. O New York Times confirmou a autenticidade das imagens comparando os elementos visíveis ao redor com imagens de referência do local.
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Uma foto de fragmentos que, segundo a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, foram recuperados no local mostrou restos identificados por pesquisadores do Open Source Munitions Portal — um banco de dados de fragmentos de armamentos documentados em zonas de conflito — como pertencentes a uma bomba GBU-39.
A imagem, divulgada pela agência iraniana Mehr, mostra o telhado do reservatório de água potável desabado após ter sido fortemente danificado
Reprodução / X
Uma análise da CNN também apontou que os fragmentos divulgados pela agência semioficial iraniana Mehr parecem ser de uma bomba da série GBU-39, segundo especialistas em armamentos ouvidos pela emissora.
A GBU-39, uma pequena bomba planadora guiada de precisão da classe de 250 libras (cerca de 113 quilos), é compatível com os danos observados nas imagens do edifício atingido: um buraco limpo perfurando o telhado e danos limitados da explosão ao redor.
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As duas construções ficam fora do vilarejo, e não há outras infraestruturas nas proximidades imediatas. Atingir edifícios isolados e acertar o centro de um telhado são considerados fortes indícios de um ataque de precisão. Em mensagem de texto, um porta-voz do Comando Central afirmou estar ciente dos relatos de danos à instalação, mas não forneceu mais informações.
À CNN, o especialista em armamentos Trevor Ball afirmou que a localização isolada da instalação torna improvável uma falha de guiagem da munição.
— É possível que tenha havido um erro na escolha deste edifício como alvo específico, mas uma falha da munição é muito improvável — afirma.
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Não está claro se os EUA atingiram deliberadamente as instalações de água ou se sabiam o que havia nos edifícios.
Atacar intencionalmente infraestrutura civil pode constituir crime de guerra sob o direito internacional. As Convenções de Genebra também protegem instalações de abastecimento de água e outras estruturas indispensáveis à sobrevivência da população civil.
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Embora os EUA tenham afirmado que os ataques tiveram como alvo instalações militares, incluindo sistemas de defesa aérea e radares próximos ao Estreito de Ormuz, autoridades iranianas sustentam que estruturas civis de abastecimento de água foram atingidas diretamente.
Hamzehpour disse que caminhões-pipa móveis foram enviados para abastecer os moradores enquanto equipes construíam uma linha emergencial de distribuição que contornasse os reservatórios danificados. Segundo ele, essa alternativa provisória foi concluída em menos de 12 horas.
(Com New York Times)

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A expectativa global de que se caminha, de fato, para o fim do conflito entre Estados Unidos e Irã já aparece refletida na cotação do petróleo na manhã desta segunda-feira, com queda de 5% no valor do barril, que está sendo negociado um pouco abaixo de US$ 83. Esse é um resultado positivo da perspectiva de assinatura de um acordo na próxima sexta-feira. Mas ainda é cedo para comemorar. Primeiro porque não se pode chamá-lo de um acordo de paz, mas de um compromisso de manter as negociações por mais 60 dias com esse objetivo ao fim das conversas. Ainda não há solução para a questão do urânio do Irã. Há também outro fator de insegurança: Israel não parece ter interesse no acordo e continua atacando o Líbano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece estar com dificuldade para conter seu aliado, que, diga-se de passagem, o levou à guerra. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O chamado “UFC Freedom 250”, evento promovido como parte das comemorações pelos 250 anos da independência americana — que o presidente Donald Trump chegou a chamar de “maior show da Terra” —, terminou no domingo com uma teoria conspiratória e falsa sobre Michelle Obama. Após vencer uma luta dos pesos-pesados, o americano Josh Hokit afirmou que a ex-primeira-dama “é um homem”, repetindo uma alegação difamatória que circula há anos em grupos conservadores e nas redes sociais.
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Hokit havia derrotado o também americano Derrick Lewis no segundo round de uma luta realizada no Gramado Sul da Casa Branca, onde foi promovido o primeiro evento esportivo profissional da história da residência presidencial. Após deixar a jaula, o atleta foi até a área próxima ao octógono onde estava Trump e lhe entregou um colar. Em seguida, concedeu uma entrevista confusa, em que alternou elogios ao presidente e referências religiosas antes de encerrar a fala com o comentário misógino sobre Michelle Obama.
— Michelle Obama é um homem. Estou certo, América? — disse Hokit, provocando um meio sorriso de Trump.
A declaração foi recebida com aplausos por parte do público, mas também foi vaiada por outros setores. Na lista de convidados estava uma combinação de política, tecnologia e esportes, com o presidente da Meta, Mark Zuckerberg, assistindo às lutas em assentos próximos aos irmãos Winklevoss, investidores americanos, enquanto integrantes do Gabinete, dignitários estrangeiros e aliados políticos circulavam pela área.
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Em fevereiro, Trump publicou um vídeo conspiratório sobre as eleições que mostrava Michelle e o ex-presidente Barack Obama como macacos. Com um minuto, o vídeo promovia teorias da conspiração sobre a eleição de 2020 e incluía imagens em que os rostos dos Obama eram sobrepostos a corpos de macacos. Democratas e republicanos condenaram o post como racista, e, diante da polêmica, a Casa Branca — que inicialmente rejeitou as críticas —, removeu o conteúdo.
A administração culpou um funcionário pela postagem, mas não emitiu um pedido de desculpas.
Noite de extravagâncias
O inédito evento na Casa Branca ocorreu também no dia em que Trump celebrava seu aniversário de 80 anos. Em uma cena sem precedentes, o presidente americano saiu do Salão Oval ao lado do presidente-executivo do UFC, Dana White, e seguiu para o gigantesco octógono instalado nos jardins da residência presidencial. Trump e sua esposa, Melania Trump, acompanharam todas as lutas da primeira fila.
Antes das lutas, o republicano apareceu na histórica varanda Truman enquanto o hino nacional tocava e uma formação de 12 aviões militares sobrevoava a Casa Branca. Em seguida, o mandatário ocupou seu lugar diante do imponente octógono que recebeu o nome de “A Garra”, instalado sob uma estrutura de 28 metros de altura. Ao todo, mais de 4 mil convidados compareceram ao evento.
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Vários lutadores do UFC prestaram homenagem ao presidente após suas vitórias. Durante a luta entre o americano Sean O’Malley e o canadense Aiemann Zahabi, parte da plateia gritou frases como “O Canadá é o 51º estado”, em referência a declarações anteriores de Trump sobre o país vizinho. O’Malley venceu o combate por nocaute técnico.
Todas as sete lutas do card terminaram por nocaute ou nocaute técnico, algo inédito nos 33 anos do UFC. A principal luta da noite terminou com a vitória do americano Justin Gaethje sobre Ilia Topuria, resultado considerado uma das maiores zebras da história recente da categoria dos pesos-leves. Em outro combate, o brasileiro Diego Lopes nocauteou o americano Steve García em menos de três minutos.
Com um custo estimado em US$ 60 milhões (cerca de R$ 303 milhões), a Casa Branca garantiu que o UFC arcou com todas as despesas.
(Com AFP)
EUA e Irã chegaram a um acordo preliminar sobre um memorando de entendimento para cessar -fogo por 60 dias e reabrir o Estreito de Ormuz, anunciaram autoridades dos dois países e de mediadores no Paquistão no domingo. O desdobramento abre caminhos para um período de negociações críticas que incluem o programa nuclear iraniano e o levantamento de sanções econômicas contra Teerã — que poderão, em última instância, encerrar a guerra de maneira definitiva.
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O texto completo do acordo ainda não foi publicado, mas os detalhes que começam a surgir sugerem que algumas das questões mais difíceis foram adiadas para futuras rodadas de negociações. Entre os pontos postergados está o destino do urânio enriquecido pelo Irã em nível próximo ao necessário para a fabricação de uma arma atômica — motivo de constante divergência entre autoridades dos dois países em declarações públicas.
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A mídia estatal iraniana publicou o que alega serem os pontos principais do memorando atual, com 14 pontos, incluindo o fim permanente e imediato de todas as frentes de guerra, incluindo a do Líbano, e a suspensão completa do bloqueio naval americano em até 30 dias, com retirada das tropas dos arredores do Irã.
Autoridades que receberam informações sobre o documento afirmam que os EUA se comprometeram a iniciar o desmantelamento do bloqueio naval a portos iranianos, enquanto o Irã, em contrapartidas, removeria minas do Estreito de Ormuz e reabriria a importante rota marítima para navegação comercial.
Como foi o anúncio
Os Estados Unidos e o Irã, juntamente com o Paquistão, afirmaram no domingo que um acordo havia sido alcançado, embora tenham utilizado termos diferentes para descrevê-lo. O presidente americano, Donald Trump, afirmou em uma publicação nas redes sociais que um “grande acordo” traria “paz e segurança para toda a região”, enquanto o Conselho de Segurança Nacional do Irã descreveu o acordo como um “memorando de entendimento”. O premier do Paquistão, Shehbaz Sharif, declarou que os dois lados se comprometeram com uma “cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”, o que também enfatizado pela parte iraniana.
Nem Israel nem o Hezbollah, as duas partes em conflito no Líbano, fazem parte do acordo entre EUA e Irã. Ainda não está claro como esse entendimento afetará os combates no país, embora autoridades israelenses tenham rejeitado, na segunda-feira, a ideia de qualquer retirada militar do território libanês.
O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca
KENT NISHIMURA / AFP
Cronograma do acordo
Washington e Teerã parecem ter concordado com uma estrutura de múltiplas etapas que envolverá negociações mais longas. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou à televisão estatal que os compromissos assumidos pelo país no acordo — que ele não detalhou completamente — começarão na sexta-feira, quando o tratado deverá ser formalmente assinado em Genebra.
Depois disso, Estados Unidos e Irã interromperão as hostilidades por pelo menos 60 dias para permitir negociações destinadas a resolver as questões pendentes. O premier do Paquistão afirmou que os mediadores irão “estabelecer as bases para as negociações técnicas” em uma série de reuniões previstas para esta semana.
Gharibabadi acrescentou que o programa nuclear iraniano — uma questão crítica ainda sem solução — estará entre os temas discutidos na próxima rodada de negociações.
Estreito de Ormuz
Antes da guerra, cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo passava pelo Estreito de Ormuz. Durante o conflito, a passagem foi efetivamente fechada pelo Irã, provocando uma alta nos preços globais da energia.
Trump afirmou nas redes sociais, no domingo, que o estreito será reaberto ao tráfego comercial na sexta-feira, indicando que o Irã removerá as minas da via marítima estratégica. Ele também disse ter ordenado o fim imediato do bloqueio naval dos portos iranianos, iniciado em meados de abril com o objetivo de interromper o fluxo de petróleo iraniano.
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Em entrevista ao The New York Times, o presidente afirmou que, de acordo com o formato definido, o estreito permanecerá “permanentemente livre de pedágios”. Em contrapartida, a agência de notícias estatal iraniana IRNA afirmou que um adendo sobre a cobrança de taxas teria sido incluída no acordo de última hora.
Na sexta-feira, Araghchi reconheceu que a cobrança de pedágios no estreito não seria aceitável sob o direito internacional. No entanto, indicou que taxas por serviços marítimos seriam cobradas, sempre em cooperação com Omã, o país do outro lado do estreito que dá acesso ao Golfo.
— O Irã tomou a firme decisão de que a administração do Estreito de Ormuz não será mais a mesma de antes — disse o ministro.
Programa nuclear
As questões relativas ao programa nuclear iraniano ficarão reservadas a uma futura rodada de negociações. Segundo declarações anteriores de autoridades e diplomatas americanos, há quatro grandes pontos em negociação: por quanto tempo o Irã poderá suspender o enriquecimento de urânio, o futuro do atual estoque iraniano de urânio enriquecido, o destino das instalações nucleares do país e as futuras inspeções do programa nuclear iraniano.
Trump tem afirmado há muito tempo que o Irã deve reduzir seu estoque de urânio altamente enriquecido, que, segundo EUA e Israel, poderia ser utilizado para fabricação de uma arma nuclear. A liderança iraniana, por sua vez, sustenta que não pretende desenvolver armamentos atômicos.
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Ao New York Times, Trump que estava em negociação uma moratória de 20 anos para o programa de enriquecimento do Irã, e insistiu que os níveis de enriquecimento de urânio jamais poderiam exceder a um “certo limite”. Segundo ele, no acordo que está sendo buscado, o Irã ficaria limitado ao enriquecimento de urânio para “fins não militares”.
Gharibabadi afirmou que as “questões nucleares” serão discutidas na próxima rodada de negociações. Antes dos anúncios de domingo, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, havia afirmado na sexta-feira que a única maneira de lidar com o urânio enriquecido pelo país seria “diluí-lo dentro do Irã”.
Ativos Congelados
Ao longo das negociações, o Irã exigiu como contrapartida pelo fim do bloqueio em Ormuz a liberação de fundos congelados no exterior, baixo sanção americana. Em uma publicação nesta segunda-feira, a agência de notícias iraniana Mehr — ligada à ala mais radical do regime iraniano — noticiou que o texto prevâ a liberação de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados em até 60 dias. Metade do valor seria liberado antes do início das negociações posteriores.
“As negociações finais não começarão até que metade dos fundos congelados seja liberada, as sanções petrolíferas contra o Irã sejam suspensas e o bloqueio naval seja levantado”, afirmou a agência.
‘Eixo da resistência’
Não está claro se as negociações abordarão o programa de mísseis do Irã ou o apoio de Teerã a grupos armados na região, como o Hamas ou o Hezbollah — duas preocupações centrais para Israel. Em uma reportagem, a agência estatal Mehr indicou que “o programa de mísseis do Irã e o apoio a grupos de resistência foram definitivamente removidos da agenda”. (Com NYT e AFP)
O presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, emergiu como o principal negociador e um dos rostos mais visíveis da República Islâmica, que se prepara para assinar um acordo com os Estados Unidos na próxima sexta-feira.
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Pilar do establishment há três décadas e uma de suas figuras não religiosas mais destacadas, Qalibaf, de 64 anos, assumiu um papel de protagonismo durante a guerra e nas negociações com Washington. Foi ele quem liderou a delegação iraniana nas conversações realizadas em Islamabad no último dia 11 de abril, quando reuniu-se com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, no contato de mais alto nível entre os dois países desde a Revolução Islâmica de 1979.
Uma imagem divulgada nas redes sociais pelas embaixadas iranianas mostrava o presidente do Parlamento no centro da equipe negociadora iraniana, enquanto o chefe da diplomacia, Abbas Araghchi, permanecia em segundo plano entre xícaras de chá.
No Irã, não está claro quem exerce o poder após mais de três décadas e meia de domínio do líder supreno Ali Khamenei. Seu filho, Mojtaba Khamenei, foi designado como sucessor, mas não apareceu em público desde então, e acredita-se que tenha ficado ferido no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro, no mesmo ataque que vitimou seu pai.
— Desde o assassinato de Larijani, Qalibaf surgiu como o novo rosto público do esforço militar e diplomático da república islâmica — resumiu Farzan Sabet, do Instituto de Altos Estudos Internacionais e de Desenvolvimento. — Mas não se deve superestimar sua influência real; ele continua respondendo a instâncias superiores — acrescentou, citando a Guarda Revolucionária e o próprio Khamenei.
‘Negociador profissional’
Embora a viagem a Islamabad tenha sido a primeira aparição pública de Qalibaf desde antes da guerra, suas publicações nas redes sociais têm sido quase diárias. Com declarações escritas num inglês americano impecável — o que levanta dúvidas sobre a autoria das mensagens, já que Qalibaf não é conhecido por falar inglês fluentemente —, Qalibaf não se furtou a ameaçar os americanos.
Em resposta às ameaças de uma invasão terrestre dos EUA ao Irã, uma mensagem publicada em 1º de abril na X afirmava:
“Se vocês vierem à nossa casa (…) encontrarão toda a família. Armada, preparada e disposta a tudo. Venham, estamos esperando.”
Na última quinta-feira, ele advertiu que os Estados Unidos correriam o risco de cair em um “atoleiro sem fim” após o presidente americano Donald Trump ameaçar atingir o Irã “com muita força”.
Segundo o jornal The Washington Post, Qaliaaf causou forte impressão na delegação americana após anos sem contato direto com um alto funcionário iraniano de primeira linha.
“Ele impressionou a equipe americana como um negociador refinado e profissional, e como um potencial líder de um novo Irã”, segundo o jornal.
‘Ambicioso e oportunista’
Sua experiência civil e militar o levou a comandar a Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, braço de elite das forças armadas iranianas responsável pelo vasto arsenal de mísseis balísticos, drones e programa de satélites militares, a polícia, a prefeitura de Teerã e, posteriormente, o Parlamento.
Em um sistema de poder ainda opaco, continua difícil saber se ele conta com a confiança da nova cúpula da Guarda Revolucionária, especialmente de seu comandante-chefe, Ahmad Vahidi, e do sucessor de Ali Larijani à frente do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohamad Baqer Zolqadr.
Conhecido por sua ambição, Qalibaf concorreu várias vezes à presidência, como em 2005, quando disputou a eleição contra o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad. Organizações de direitos humanos atribuíram a ele um papel importante na repressão a protestos, desde as manifestações estudantis de 1999 até o movimento nacional de janeiro passado.
— Ele se mostrou ambicioso e oportunista, mas também prudente, uma característica que lhe permitiu ascender ao topo da estrutura de poder sem ser expurgado, como aconteceu com tantos outros — concluiu Farzan Sabet.
O anunciado acordo entre EUA e Irã para encerrar todas as frentes de guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz provocou reações opostas dos governos de Líbano e Israel — que foram incluídos nos termos, segundo autoridades iranianas e o presidente americano, Donald Trump. Enquanto o presidente libanês, Joseph Aoun, disse esperar que o processo diplomático interrompa a agressão militar sofrida pelo país, autoridades israelenses criticaram os termos finais negociados pelos aliados americanos, antecipando que suas Forças Armadas do país não irão se retirar do Líbano ou de outros territórios sobre os quais avançaram desde o atentado terrorista do Hamas, em 7 de outubro de 2023.
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O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse nesta segunda-feira que os militares permanecerão “sem prazo determinado” em uma “zona de segurança” no Líbano, bem como na Síria e em Gaza. Em um comunicado na manhã desta segunda-feira, o ministro afirmou ainda que “toda a infraestrutura terrorista” será destruída para “proteger as fronteiras de Israel” e ameaçou novas ofensivas contra os iranianos.
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“Se o Irã atacar Israel devido aos eventos no Líbano, nós o atacaremos com toda a força e demonstraremos claramente a disparidade de poder”, acrescentou Katz em seu comunicado.
O tom da liderança israelense é oposto ao adotado por autoridades libanesas, que não se envolveram diretamente na troca de fogo entre Israel e Hezbollah — grupo aliado do Irã, considerado terrorista pelo Estado judeu. Também em um comunicado, Aoun elogiou a afirmação do memorando de que “a segurança do Líbano é parte integrante de qualquer esforço para consolidar a estabilidade na região”.
“[O povo libanês] aguarda ansiosamente que esses entendimentos se transformem em medidas práticas que ponham um fim definitivo ao ciclo de violência e estabeleçam uma fase de estabilidade, segurança, recuperação e reconstrução”, escreveu o presidente no comunicado.
As reações expõem mais uma vez a divergência marcante entre os aliados em Washington e Tel Aviv sobre a situação de segurança na região. Fontes americanas e israelenses têm repetido que os EUA, incluindo Trump, tinham como prioridade o fim das hostilidades e a reabertura de Ormuz, após uma guerra que inicialmente parece ter sido concebida em Israel. A liderança israelense, por outro lado, vê os conflitos como uma questão existencial, e as operações militares como uma forma de eliminar o que consideram ameaças à segurança nacional.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não se posicionou publicamente após a divulgação do acordo, mas há sinais de insatisfação. Uma fonte israelense ouvida pela rede americana CNN, sob condição de anonimato, afirmou que o premier culpa o genro de Trump, Jared Kushner, e o negociador Steve Witkoff, responsáveis pelo diálogo indireto com o Irã, de criarem um impasse entre ele e Trump. Netanyahu, segundo o relato, acredita que ambos teriam sido influenciados pelo Catar, cuja liderança mantém contatos com Teerã e também anseia pelo fim das hostilidades militares na região.
A ala mais radical do governo Netanyahu reagiu com fúria ao anúncio do acordo americano-iraniano. O ministro das Finanças Bezalel Smotrich disse que o acordo de paz é ruim para Israel e “para todo o mundo livre”, e que as “conquistas” militares de enfraquecimento ao Irã “não serão desperdiçadas”.
“Teremos que continuar a campanha para derrubar o regime por conta própria e de maneiras criativas, e garantir que o Irã jamais tenha armas nucleares”, escreveu o ministro em uma publicação na rede social X.
O ministro da Segurança Nacional Itamar Ben Gvir — uma figura que já esteve sob sanções de Reino Unido e países da União Europeia por posicionamentos extremistas — afirmou que o acordo dos EUA “não vincula” Israel “de forma alguma”, e que o governo israelense não é “parceiro” no que tange ao acordo. Ele também defendeu o completo “desmantelamento do Hezbollah”.
— Cada lançamento de drone, UAV ou míssil em direção a Israel a partir do Líbano levará a um ataque israelense em Dahiya [subúrbio no sul de Beirute] — disse nesta segunda-feira.
A ofensiva israelense contra o Líbano, reiniciada por Israel em 2 de março, em represália a ataques do Hezbollah, matou cerca de 3,7 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde libanês, além de provocar um deslocamento em massa de civis do sul do país para regiões mais afastadas. Os bombardeios também destruíram infraestrutura civil e levantou temores de destruição do patrimônio histórico libanês em cidades como Tiro.
Em um alerta emitido nesta segunda-feira, o Exército do Líbano afirmou que os moradores de áreas que foram alvo de anúncios de retirada por Israel tenham precaução ao retornar a suas casas, citando temores de novos ataques israelenses. (Com AFP e NYT)
A agência de notícias iraniana Fars informou nesta segunda-feira, citando uma fonte que descreveu como bem informada, que Teerã acrescentou uma cláusula sobre a cobrança de taxas por serviços marítimos ao memorando acertado com os Estados Unidos pouco antes de seu anúncio.
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“Nos momentos finais das negociações, o texto do memorando de entendimento foi alterado para enfatizar de forma clara e explícita a questão da soberania iraniano-omanense sobre o Estreito de Ormuz”, afirmou a Fars, citando a fonte não identificada.
“O uso do termo ‘serviços marítimos’ significa que os Estados Unidos aceitaram que taxas serão pagas ao Irã”, acrescentou a agência.
Cobrança de taxas
Na noite de domingo, quando o memorando de entendimento foi anunciado Trump confirmou a reabertura do Estreito de Ormuz, o fim do bloqueio naval aos portos do Irã e a suspensão das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano. Embora o presidente americano tenha escrito que Ormuz reabriria “sem pedágio”, os iranianos não se pronunciaram sobre o tema, deixando uma sombra sobre a cobrança de taxas para navegar por Ormuz.
“O acordo com a República Islâmica do Irã está concluído. Parabéns a todos! Autorizo ​​integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e, simultaneamente, autorizo ​​a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, escreveu o presidente em sua rede social, o Truth Social.
Em post em sua rede social, a Truth Social, Trump afirmou que a retomada do tráfego em Ormuz acontecerá até sexta-feira, “para fins de remoção de minas”, algo que foi confirmado por fontes iranianas. A cobrança de algum tipo de pedágio cobrado era uma demanda de Teerã nas negociações.
Um terremoto de magnitude 6,2 atingiu nesta segunda-feira a região ao sul das Filipinas, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O tremor ocorreu uma semana após outro abalo sísmico mortal na mesma área deixar ao menos 65 pessoas mortas.
De acordo com o USGS, o terremoto foi registrado na costa da ilha de Mindanao às 17h18, no horário local (9h18 GMT), a uma profundidade de 112 quilômetros.
As Filipinas ficam no chamado Anel de Fogo do Pacífico, região de intensa atividade sísmica e vulcânica. Até o momento, não havia informações sobre danos ou vítimas provocados pelo novo tremor.
*Matéria em atualização
A retirada de dezenas de pítons-birmanesas dos pântanos do sul da Flórida levou um programa de conservação americano a registrar um novo marco no combate à espécie invasora. Entre novembro de 2025 e abril de 2026, equipes da Conservancy of Southwest Florida capturaram 177 serpentes que, juntas, pesavam cerca de 3,7 toneladas, o maior volume já contabilizado pela iniciativa em uma única temporada.
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Originária do Sudeste Asiático, a píton-birmanesa se estabeleceu na região após décadas de introduções ligadas ao comércio de animais de estimação. Sem predadores naturais relevantes nos ecossistemas locais, ela passou a ocupar o topo da cadeia alimentar em partes dos Everglades e de áreas vizinhas, pressionando populações de mamíferos, aves e outros répteis nativos.
O resultado recorde foi alcançado graças a uma estratégia que combina trabalho de campo e monitoramento científico. Em vez de apenas procurar serpentes aleatoriamente, os pesquisadores acompanham machos equipados com transmissores de rádio. Durante o período de reprodução, esses animais costumam conduzir as equipes até fêmeas prontas para acasalar, permitindo que elas sejam localizadas antes de colocar ovos.
— Concentrar esforços nas grandes fêmeas reprodutoras tem um efeito desproporcional sobre a população da espécie e ajuda a limitar seu avanço na região — afirmou Ian Bartoszek, gerente de projetos científicos da Conservancy, em comunicado divulgado pela organização.
Segundo os responsáveis pelo programa, a operação desta temporada também evitou o nascimento de milhares de filhotes. Mais de 4.100 ovos foram retirados junto com as serpentes capturadas, reduzindo o potencial de expansão da população invasora.
Os dados coletados durante as necropsias mostram o tamanho do desafio enfrentado pelos pesquisadores. As fêmeas removidas tinham, em média, cerca de 43 quilos e carregavam aproximadamente 70 ovos. Alguns exemplares ultrapassavam cinco metros de comprimento e apresentavam vestígios de grandes presas em seu sistema digestivo, incluindo cervos.
Desde sua criação, em 2013, o programa afirma ter retirado aproximadamente 1.750 pítons do sudoeste da Flórida, com peso acumulado superior a 24 toneladas. Além do controle populacional, cada captura gera informações sobre alimentação, reprodução e comportamento da espécie, que são usadas em estudos científicos e no desenvolvimento de novas estratégias de manejo.
A expansão das pítons-birmanesas é considerada um dos principais problemas ambientais enfrentados pela Flórida. Biólogos avaliam que a combinação entre monitoramento por telemetria, remoção direcionada de grandes fêmeas e pesquisa contínua oferece uma das ferramentas mais eficazes para reduzir os impactos do animal sobre a fauna nativa.
Uma mulher de 35 anos atacada por um tubarão enquanto nadava na praia de Coogee, em Sydney, na Austrália, permanece internada em estado crítico após passar por múltiplas cirurgias. A atualização foi divulgada pela família de Leah Stewart, que informou que ela precisará de um longo período de recuperação e reabilitação em razão da gravidade dos ferimentos.
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Em comunicado, os familiares afirmaram que Stewart sofreu lesões com risco de morte e continua recebendo cuidados intensivos no Hospital St. Vincent’s, para onde foi levada após o ataque ocorrido no último sábado.
“Ela permanece em estado crítico e passou por múltiplas cirurgias nos dias seguintes ao ataque. Ainda precisará de cuidados contínuos, apoio e extensa reabilitação. Estamos chocados e devastados que isso tenha acontecido com nossa querida parceira, filha e mãe, uma pessoa cheia de vida e energia”, afirmou a família.
Leah Stewart foi atacada enquanto nadava entre as bandeiras que delimitam a área supervisionada por salva-vidas em Coogee Beach. Ela sofreu ferimentos graves na perna esquerda e nos braços após ser mordida por um tubarão que, segundo especialistas, provavelmente era um tubarão-branco.
Antes do incidente, um drone operado por um morador registrou o animal circulando em águas rasas da baía por cerca de meia hora. As imagens mostram o tubarão nadando próximo da região onde banhistas estavam no mar antes de seguir em direção ao local do ataque.
O resgate contou com a atuação de um salva-vidas que estava de folga e treinava nas proximidades. Ele retirou Stewart da água com a ajuda de outras pessoas que estavam na praia, permitindo que equipes de emergência iniciassem os primeiros socorros ainda na faixa de areia antes do transporte ao hospital.
Após o episódio, praias administradas pelo Conselho de Waverley foram fechadas temporariamente por precaução. O caso também reacendeu o debate sobre as estratégias de monitoramento de tubarões na região, incluindo a ampliação do uso de drones para vigilância costeira em Coogee Beach.
A família iniciou uma campanha para arrecadar recursos destinados ao tratamento e à recuperação de Stewart, agradecendo aos salva-vidas, socorristas e profissionais de saúde envolvidos no atendimento prestado desde o ataque.
Taty Almeida, presidente das Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora e uma das principais referências da luta pelos direitos humanos na Argentina, morreu neste domingo, aos 95 anos. Ao longo de mais de quatro décadas, ela se tornou uma das vozes mais reconhecidas na busca por verdade e justiça para as vítimas da última ditadura militar do país.
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“Com uma dor muito profunda, temos que compartilhar a notícia mais triste: hoje partiu nossa querida Taty Almeida, presidente das Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora”, afirmou a organização em comunicado.
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Conhecida pelo lenço branco que usava em atos públicos, Taty participou de mobilizações em defesa da memória dos desaparecidos políticos e também esteve presente em manifestações sindicais, estudantis e em outras causas ligadas aos direitos humanos.
“Obrigado por nos ensinar que amar é resistir, que a única luta que se perde é a que se abandona e que não existe força maior do que a do amor”, declarou a entidade.
A dor que se transformou em militância
Nascida como Lidia Stella Mercedes Miy Uranga, em 28 de junho de 1930, Taty Almeida era professora, casou-se com Jorge Almeida e teve três filhos.
Sua vida mudou radicalmente após o desaparecimento do filho Alejandro Almeida, de 20 anos, em 1975. Integrante do grupo guerrilheiro Exército Revolucionário do Povo (ERP), ele foi sequestrado pela organização paramilitar de direita Triple A, antes mesmo do golpe militar de 1976.
Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, morreu na Argentina neste domingo
Eitan Abramovich/AFP
Alejandro, que cursava o primeiro ano de Medicina, nunca mais foi encontrado. Como ele, cerca de 30 mil pessoas desapareceram na Argentina durante o período de violência política associado à Triple A e à ditadura militar que governou o país entre 1976 e 1983.
Filha e irmã de militares, Taty demorou até 1979 para se aproximar das Mães da Praça de Maio.
— Eu não tinha coragem de ir, com o meu currículo poderia ter sido considerada uma espiã. Quando já estava dentro da organização, revelei para elas — contou em entrevista à AFP.
Em 2017, ao relembrar sua trajetória, afirmou:
— Essa raiva, nós a transformamos em amor, em luta pacífica.
Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, morreu na Argentina neste domingo
Luis Robayo/AFP
Referência dos direitos humanos na Argentina
Com o passar dos anos, Taty Almeida tornou-se uma das figuras mais respeitadas da defesa dos direitos humanos no país. Sua atuação esteve sempre ligada à reivindicação por memória, verdade e justiça para os desaparecidos da ditadura.
Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, morreu na Argentina neste domingo
Eitan Abramovich/AFP
Nos últimos anos, ela adotou uma postura crítica em relação ao governo do presidente Javier Milei, especialmente diante dos debates sobre políticas públicas relacionadas ao legado do regime militar.
Taty também esteve entre as vozes centrais dos atos que marcaram os 50 anos do golpe de Estado de 1976, realizados em março de 2026.
A ativista estava internada havia três semanas em um hospital de Buenos Aires. Segundo sua filha, Fabiana Almeida, os familiares perceberam que seu estado de saúde havia piorado na manhã de domingo.
— Dissemos para ela: “Velha, vai, solta. Vai que o Alejandro está te esperando lá em cima. Se abracem, nos acompanhem lá de cima” — contou, emocionada.
A morte de Taty Almeida encerra uma das trajetórias mais emblemáticas da história recente da Argentina. Para gerações de ativistas, ela permanecerá como símbolo da resistência pacífica e da busca incansável por respostas sobre os crimes cometidos durante a ditadura militar.

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