Caso Epstein: Novos documentos indicam que ex-príncipe Andrew convidou o financista ao Palácio de Buckingham
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— Não disseram a este departamento como fazer nossa revisão, o que procurar, o que censurar, o que não censurar — disse Blanche em uma coletiva de imprensa.
Epstein, um agressor sexual que por anos foi próximo do presidente americano Donald Trump, morreu na prisão em 2019, quando aguardava o julgamento por acusações de tráfico sexual de menores de idade. Sua morte foi declarada suicídio.
Os mais de três milhões de documentos divulgados na sexta-feira incluem menções a Trump, mas também a Elon Musk, Bill Gates e ao ex-príncipe britânico Andrew, entre outros.
Segundo o Departamento de Justiça, alguns documentos contêm “alegações falsas e sensacionalistas” sobre Trump que foram apresentadas ao FBI antes das eleições presidenciais de 2020.
Blanche, que já foi advogado de Trump, negou qualquer eliminação de material comprometedor sobre o presidente nos arquivos publicados na sexta-feira, que incluem pelo menos 180 mil imagens e 2 mil vídeos.
— Não protegemos o presidente Trump. Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém — afirmou.
Também explicou que todas as imagens de meninas e mulheres foram censuradas, com exceção das imagens de Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein, que cumpre pena de 20 anos de prisão por tráfico de menores de idade.
‘Ocultos e protegidos’
As vítimas dos abusos de Epstein denunciaram em uma carta que os arquivos contêm informações que permitem identificá‑las, “enquanto os homens que abusaram de nós permanecem ocultos e protegidos”.
A carta, assinada por 19 pessoas, algumas com pseudônimos ou iniciais, exige “a publicação completa dos arquivos Epstein” e que a procuradora‑geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, preste depoimento sobre o caso no próximo mês no Congresso.
Os documentos divulgados na sexta-feira mostram um rascunho de e‑mail em que Epstein afirma que Bill Gates teve relações extraconjugais, algo que a Fundação Gates negou em um comunicado ao jornal New York Times.
Outro documento mostra uma troca de mensagens entre Elon Musk e Epstein em 2012, na qual o primeiro pergunta: “Em que dia/noite será a festa mais selvagem na sua ilha?”.
Musk afirmou neste sábado, em sua rede social X, ter consciência de que as mensagens podem ser “mal‑interpretadas e usadas por meus detratores para manchar o meu nome”. Ele pediu que a Justiça persiga “aqueles que, ao lado de Epstein, cometeram crimes graves”.
Em outras mensagens, Epstein vincula Steve Tisch, 76 anos, produtor do filme ‘Forrest Gump’ e co-proprietário do time de futebol americano New York Giants, a várias mulheres.
Segundo os documentos, o ex‑príncipe Andrew, que perdeu os seus títulos reais por seus vínculos com Epstein, convidou o executivo em 2010 ao Palácio de Buckingham, depois que o financista propôs apresentá-lo a uma mulher russa.
A ala mais conservadora dos seguidores de Donald Trump acompanha o caso Epstein há anos e afirma que o financista era o líder de uma rede de tráfico sexual para a elite mundial.
Maxwell, ex‑parceira de Epstein, é a única pessoa que também foi acusada por seus crimes. O procurador‑geral adjunto reduziu as expectativas de que os novos documentos levem a novas acusações.
Atraso na publicação
Trump e o ex-presidente Bill Clinton aparecem com frequência nos documentos divulgados até o momento, mas nenhum deles foi acusado de qualquer crime. O presidente republicano, que frequentava os mesmos círculos sociais que Epstein na Flórida e em Nova York, lutou durante meses para impedir a publicação dos documentos. Contudo, o grande descontentamento dentro do próprio Partido Republicano o obrigou a aprovar uma lei que impõe a divulgação de todos os documentos da investigação.
Trump apresentou versões diferentes sobre o que motivou seu afastamento de Epstein. Ele também criticou a divulgação dos arquivos, argumentando que pessoas que “conheceram Epstein inocentemente” ao longo dos anos poderiam ver sua reputação manchada.
O vice-procurador-geral disse que a divulgação de sexta-feira “marca o fim de um processo muito completo de identificação e revisão de documentos” que foram publicados com atraso.
A Lei de Transparência dos Arquivos Epstein (Epstein Files Transparency Act) estabelecia que todos os documentos do Departamento de Justiça deveriam ser publicados até 19 de dezembro.





