Contexto: Israel afirma estar transferindo 430 ativistas da flotilha de Gaza para seu território
Levantamento: Ocupação territorial de Israel desde ataques do Hamas equivale a 5% das fronteiras de 1949, aponta jornal britânico
As imagens geraram condenação internacional e também dentro do próprio país, onde o ministro, do partido Poder Judaico, foi criticado pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e pelo chanceler israelense, Gideon Saar.
“Israel tem pleno direito de impedir que flotilhas provocadoras de simpatizantes terroristas do Hamas entrem em nossas águas territoriais e cheguem a Gaza”, afirmou Netanyahu em comunicado. “No entanto, a forma como o ministro Ben-Gvir tratou os ativistas da flotilha não está de acordo com os valores e normas de Israel.”
Initial plugin text
Netanyahu também pediu que os ativistas sejam expulsos “o quanto antes”.
Sob a mensagem “Bem-vindos a Israel”, as imagens mostram dezenas de ativistas no convés de um navio militar, com o hino israelense ao fundo, além de registros já em território israelense, nos quais o ministro aparece exibindo a bandeira nacional.
Veja o vídeo:
Ministro israelense publica vídeo mostrando ativistas da flotilha detidos e amarrados
Entre as reações de indignação, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, exigiu “desculpas” de Israel pelo tratamento “monstruoso, desumano e indigno” dado aos ativistas, entre eles cerca de 40 espanhóis. Ele informou, em Berlim, que convocou a representante diplomática israelense no país.
A França também convocou o embaixador de Israel devido aos “atos inadmissíveis”, enquanto expressou “indignação”, segundo mensagem publicada na rede X pelo ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot.
Abordagem: Israel intercepta outra flotilha de ajuda humanitária com destino a Gaza
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e o chanceler Antonio Tajani também denunciaram o tratamento “inadmissível” dado aos ativistas, incluindo italianos que teriam sido submetidos a práticas “que atentam contra a dignidade humana”, em comunicado conjunto.
A Bélgica convocou a embaixadora israelense, enquanto a Alemanha classificou o tratamento como “totalmente inaceitável”.
A Turquia denunciou a “mentalidade bárbara” do governo israelense, e outros líderes multiplicaram os apelos para que os ativistas sejam expulsos rapidamente de Israel.
‘Abuso e humilhação’
Trata-se da terceira tentativa, em um ano, de romper o bloqueio imposto por Israel a Gaza, território devastado pela guerra. A região enfrenta grave escassez desde o início do conflito, desencadeado em outubro de 2023 por um ataque sem precedentes do movimento islamista palestino Hamas contra Israel.
Premier israelense: Netanyahu diz que Israel controla 60% da Faixa de Gaza, mais do que o previsto em acordo de cessar-fogo
Durante a madrugada, o Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou que os 430 integrantes da flotilha Global Sumud — composta por cerca de 50 embarcações e interceptada na segunda-feira ao largo de Chipre — estavam sendo transferidos para Israel.
O chanceler israelense criticou o vídeo e acusou Ben-Gvir de causar “danos deliberados ao Estado com essa exibição vergonhosa”, acrescentando que “não é a primeira vez”.
“Ele arruinou os enormes, profissionais e bem-sucedidos esforços realizados por tantas pessoas […] Não, você não é a face de Israel”, escreveu Saar na rede X.
Entrevista: ‘Se nos esquecermos de Gaza, abandonaremos parte de nós mesmos’, diz escritor Rachid Benzine
Para o Hamas, que governa Gaza, as imagens demonstram a “depravação moral” de Israel.
“As cenas de tortura e humilhação orquestradas pelo ministro sionista criminoso e fascista [Itamar] Ben-Gvir […] refletem a depravação moral e o sadismo que orientam a mentalidade dos líderes da entidade inimiga”, afirmou o grupo em comunicado.
A ONG Adalah, que representa os ativistas, denunciou uma “política criminosa” de Israel em relação à entrega de ajuda humanitária em Gaza.
— Israel está aplicando uma política de abuso e humilhação contra ativistas que buscam enfrentar os crimes contínuos contra o povo palestino — afirmou a organização, acrescentando que advogados foram ao centro de detenção para se reunir com os detidos.
Veja: Israel mata líder do braço armado do Hamas na Faixa de Gaza
Segundo a ONG, os ativistas, que navegavam rumo a Gaza para entregar ajuda humanitária e desafiar o bloqueio, foram “sequestrados à força em águas internacionais e levados a Israel contra sua vontade”.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel classificou a flotilha como uma ação de propaganda a serviço do Hamas.






