Em Porto Príncipe, os números que abordam a violência sexual e de gênero (VSG) são alarmantes. É o que mostra o relatório divulgado nesta terça-feira pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), que descreve os episódios como armas usadas para “aterrorizar comunidades”. O estudo revela que, desde a abertura da clínica Pran Men’m, na capital haitiana, a MSF prestou atendimento médico e psicossocial abrangente a quase 17 mil pessoas, das quais 98% são mulheres e meninas.
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Segundo o texto, a crise ocorre em meio à deterioração dramática da infraestrutura, dos serviços públicos e das condições de vida, em um contexto de violência e insegurança generalizadas, com um número crescente de vítimas e sobreviventes sendo deslocados de suas casas, o que os expõe a novas violências. Quase um quinto das pessoas atendidas na clínica Pran Men’m sofreu múltiplos episódios de VSG.
— O número de sobreviventes de violência sexual e de gênero atendidas na clínica quase triplicou, passando de uma média de 95 admissões por mês em 2021 para mais de 250 em 2025. Isso mostra como a explosão da violência no país nos últimos anos teve impacto direto sobre os corpos de mulheres e meninas em Porto Príncipe — afirma Diana Manilla Arroyo, chefe de missão da MSF no Haiti.
Além da quantidade de episódios de violência, também houve um aumento alarmante na brutalidade das agressões. Entre as vítimas e sobreviventes atendidas na Pran Men’m desde 2022, 57% relataram ter sido agredidas por integrantes de grupos armados, muitas vezes em ataques coletivos cometidos por vários agressores. Mais de 100 pacientes relataram ter sido violentadas por dez ou mais agressores ao mesmo tempo.
O número de sobreviventes de violência sexual e de gênero atendidas na clínica quase triplicou, passando de uma média de 95 admissões por mês em 2021 para mais de 250 em 2025.
— Eles me bateram e quebraram meus dentes — diz uma sobrevivente citada no relatório. — Três jovens que poderiam ser meus filhos. Quando me recusei a dormir com eles, me agrediram e eu caí. Enquanto eu tentava me defender, eles me chutaram nas costas, que ainda doem meses depois. Depois de me estuprarem, estupraram minha filha… e espancaram meu marido.
O relatório aponta a falta de serviços essenciais para vítimas e sobreviventes, como abrigos e apoio à subsistência, além da escassez de financiamento. Barreiras como estigma, insegurança, dificuldades financeiras e falta de informação dificultam o acesso ao atendimento e agravam as consequências médicas.
Desde 2022, apenas um terço das vítimas e sobreviventes que procuraram a clínica Pran Men’m chegou em até três dias após a agressão, o que preocupa os médicos: depois desse período, não é mais possível prevenir a transmissão do HIV. Da mesma forma, 59% das pacientes nesse intervalo não conseguiram acesso ao atendimento dentro de cinco dias, prazo necessário para evitar uma gravidez indesejada.
O relatório pede uma ação urgente e coordenada das autoridades haitianas, prestadores de serviços, doadores, agências das Nações Unidas e atores de segurança em favor de uma resposta centrada nas sobreviventes e focada na recuperação de longo prazo.
— Defendemos a ampliação do acesso a atendimento médico e psicossocial abrangente e gratuito, o que só pode ser alcançado com um aumento sustentável do financiamento dos serviços de apoio — afirma Manilla Arroyo. — Também pedimos o reconhecimento inequívoco da dimensão generalizada da violência sexual e de seu uso deliberado por grupos armados como ferramenta de controle e subjugação de mulheres e meninas.
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Segundo o texto, a crise ocorre em meio à deterioração dramática da infraestrutura, dos serviços públicos e das condições de vida, em um contexto de violência e insegurança generalizadas, com um número crescente de vítimas e sobreviventes sendo deslocados de suas casas, o que os expõe a novas violências. Quase um quinto das pessoas atendidas na clínica Pran Men’m sofreu múltiplos episódios de VSG.
— O número de sobreviventes de violência sexual e de gênero atendidas na clínica quase triplicou, passando de uma média de 95 admissões por mês em 2021 para mais de 250 em 2025. Isso mostra como a explosão da violência no país nos últimos anos teve impacto direto sobre os corpos de mulheres e meninas em Porto Príncipe — afirma Diana Manilla Arroyo, chefe de missão da MSF no Haiti.
Além da quantidade de episódios de violência, também houve um aumento alarmante na brutalidade das agressões. Entre as vítimas e sobreviventes atendidas na Pran Men’m desde 2022, 57% relataram ter sido agredidas por integrantes de grupos armados, muitas vezes em ataques coletivos cometidos por vários agressores. Mais de 100 pacientes relataram ter sido violentadas por dez ou mais agressores ao mesmo tempo.
O número de sobreviventes de violência sexual e de gênero atendidas na clínica quase triplicou, passando de uma média de 95 admissões por mês em 2021 para mais de 250 em 2025.
— Eles me bateram e quebraram meus dentes — diz uma sobrevivente citada no relatório. — Três jovens que poderiam ser meus filhos. Quando me recusei a dormir com eles, me agrediram e eu caí. Enquanto eu tentava me defender, eles me chutaram nas costas, que ainda doem meses depois. Depois de me estuprarem, estupraram minha filha… e espancaram meu marido.
O relatório aponta a falta de serviços essenciais para vítimas e sobreviventes, como abrigos e apoio à subsistência, além da escassez de financiamento. Barreiras como estigma, insegurança, dificuldades financeiras e falta de informação dificultam o acesso ao atendimento e agravam as consequências médicas.
Desde 2022, apenas um terço das vítimas e sobreviventes que procuraram a clínica Pran Men’m chegou em até três dias após a agressão, o que preocupa os médicos: depois desse período, não é mais possível prevenir a transmissão do HIV. Da mesma forma, 59% das pacientes nesse intervalo não conseguiram acesso ao atendimento dentro de cinco dias, prazo necessário para evitar uma gravidez indesejada.
O relatório pede uma ação urgente e coordenada das autoridades haitianas, prestadores de serviços, doadores, agências das Nações Unidas e atores de segurança em favor de uma resposta centrada nas sobreviventes e focada na recuperação de longo prazo.
— Defendemos a ampliação do acesso a atendimento médico e psicossocial abrangente e gratuito, o que só pode ser alcançado com um aumento sustentável do financiamento dos serviços de apoio — afirma Manilla Arroyo. — Também pedimos o reconhecimento inequívoco da dimensão generalizada da violência sexual e de seu uso deliberado por grupos armados como ferramenta de controle e subjugação de mulheres e meninas.










