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— Eu tive uma ótima reunião com o presidente do Brasil — disse Trump, em conversa com jornalistas no início da noite, referindo-se à pauta comercial como o principal tema da reunião, que incluiu um almoço. — Falamos sobre tarifas, eles (governo brasileiro) gostariam de ter um alívio das tarifas. Mas tivemos uma ótima reunião, ele é um homem bom, um cara inteligente.
Foi mais uma troca de elogios entre os dois presidentes após a reunião. Mais cedo, o presidente Donald Trump publicou em suas redes classificou as reunião como “muito boa” e não descartou novos encontro com o presidente Lula, a quem se referiu como “alguém muito dinâmico”.
Lula retribuiu em seu perfil no Instagram, compartilhando uma foto do encontro e resumindo a reunião como “muito produtiva”.
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Pelas imagens e pelos relatos de ministro do Brasil presentes ao encontro, foi uma conversa de fato produtiva e amigável. O presidente Lula reiterou diversas vezes a crescente aproximação com o presidente dos Estados Unidos e disse acreditar que Trump de fato parece “gostar” do Brasil.
Em referência às imagens, Lula disse que estimulou Trump a sorrir e completou:
— O presidente Trump rindo é melhor que de cara feia.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, é recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca
Ricardo Stuckert / PR
Lula disse ainda que o almoço foi muito agradável. Em ano de Copa do Mundo sediada por Estados Unidos, México e Canadá, Lula disse que brincou com Trump dizendo a ele para não cancelar vistos de jogadores da Seleção Brasileira de Futebol.
Essa foi a sexta visita de Lula à Casa Branca desde que foi eleito pela primeira vez em 2002. Foi também o terceiro encontro pessoal entre Lula e Trump. Os outros foram na sede da ONU, em Nova York, e em Kuala Lumpur, na Malásia. O presidente Lula viajou de volta ao Brasil ainda na noite de hoje.
Como Lula descreveu a reunião
Após permanecer por cerca de três horas na Casa Branca, em Washington, Lula e seus ministros que o acompanharam classificaram, em entrevista coletiva concedida logo após o encontro, a reunião como “muito produtiva e positiva”.
Antes de responder às perguntas dos jornalistas na embaixada do Brasil na capital americana, o petista afirmou que a conversa não evitou temas complexos, pelo contrário, segundo ele, “eles resolveram discutir assuntos que pareciam tabus”. Ainda assim, temas como o Pix e a classificação de facções criminosas como terrorismo não foram abordados.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ricardo Stuckert / PR
— Fiz a reunião, estou feliz. Volto ao Brasil mais otimista. Acho que o presidente Trump também ficou otimista e espero que as coisas comecem a avançar — disse.
Ao ser questionado se conversou com Trump sobre as reservas brasileiras de terras raras, tema de importância estratégica para o governo americano, Lula ressaltou que o Brasil “está aberto a construir parcerias internacionais com diferentes países”, sem restrições geopolíticas.
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— A única coisa que ele (Trump) precisa saber é o seguinte: o Brasil está disposto a construir parcerias onde eles quiserem construir parceria. Não há veto aos Estados Unidos, como também não há veto à China, à França, à Índia ou à Alemanha — afirmou Lula, citando particularmente a exploração de minérios críticos no Brasil com investimentos estrangeiros.
Lula fala sobre o encontro de 3 horas com Trump Presidente está na embaixada do Brasil em Washington. Trump chamou Lula de “muito dinâmico” em post na sua rede social. O brasileiro, por sua vez, postou fotos do encontro em seu perfil no Instagram.
Reprodução
O presidente brasileiro disse que, ao contrário do que aconteceu no passado com minerais como ouro e prata, por exemplo, desta vez o Brasil terá um comportamento diferente.
— Não queremos ser meros exportadores de minerais. Queremos que o Brasil seja o grande ganhador — em referência ao beneficamente e refino de minerais críticos no Brasil.
Segundo Lula, durante a conversa ele falou a Trump sobre a importância dos Estados Unidos voltarem a “ter interesse nas coisas do Brasil”, apontando que tanto Estados Unidos como a União Europeia deixaram de perceber a importância da América Latina. Para exemplificar seu ponto, ele citou uma suposta falta de interesse de empresas dos EUA em licitações de obras públicas no Brasil.
No entanto, nesse contexto global conturbado, o brasileiro defendeu os acordos comerciais fechados recentemente pelo Brasil. Na avaliação dele, acordos multilaterais são “um antídoto às políticas unilaterais” colocadas em práticas pelo governo de Trump, como as taxações impostas pela gestão do norte-americano.
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Em relação às tarifas de importação sobre produtos brasileiros nos EUA, o presidente Lula disse que reforçaram ao líder americano a vantagem dos EUA na balança comercial com o Brasil. Além disso, buscaram esclarecer que a média de tarifas do Brasil é de 2,7% para os produtos dos EUA. Entretanto, o representante de Comércio americano, Jameson Greer, presente ao encontro, parece ter atuado como o “bad cop”, o “policial mau”, do diálogo.
Apontando percentuais maiores. Diante disso, ficou acertado que as equipes dos governo Lula e Trump irão trabalhar por mais 30 dias para avançar nas negociações sobre tarifas de importação sobre produtos brasileiros que entram nos EUA.
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Crime organizado e cooperação internacional
Em relação às facções criminosas brasileiras, Lula disse que o tema não foi discutido no encontro. No entanto, o presidente brasileiro disse que o combate ao crime organizado sim foi discutido, Lula destacou que o Brasil tem expertise no assunto e sugeriu que essa seja uma ação conjunta entre diversas nações não cabendo a um ou outro país fazer isso isoladamente.
Lula acrescentou que o combate ao crime organizado precisa ser tratado de forma mais ampla e cooperativa.
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Pix, eleições e guerra no Irã
De acordo com Lula, não houve discussão sobre Pix com o presidente Trump, meio de pagamento que está sob investigação pelo governo americano sob suposto prejuízo competitivo às empresas americanas, como operadoras de cartão de crédito.
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Sobre eventual intervenção do presidente americano nas eleições brasileiras, Lula disse acreditar que Trump irá se “comportar como presidente dos Estados Unidos, deixando que os brasileiros decidam”.
E reforçou que ele, como presidente do Brasil, respeita Trump por ele ter sido eleito pelo povo dos Estados Unidos. O presidente disse ainda que os apoios eleitorais no Brasil não entram na pauta de suas conversas com nenhum presidente.
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Sobre a guerra do Irã, Lula manteve seu tom crítico e disse acreditar no diálogo. O presidente do Brasil contou ter entregue uma cópia do acordo assinado pelo Irã em 2010, articulado por Brasil e Turquia à época, como uma demonstração ao presidente dos Estados Unidos que há possibilidade de resoluções com diálogo. Segundo Lula, Trump prometeu ler hoje à noite. Lula disse ainda que os custos das guerras são altos e que a diplomacia é o caminho.
— Nós não precisamos de guerra, o mundo precisa de paz — disse.





