EUA esperam resposta do Irã sobre última proposta de paz: Veja quais devem ser os pontos para negociações semana que vem
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Segundo o comunicado do Comando Central dos EUA (Centcom), as forças iranianas lançaram múltiplos mísseis, drones e pequenas embarcações contra três contratorpedeiros americanos que transitavam pelo estreito. Nenhum dos navios da Marinha americana foi atingido, acrescentou a nota, acrescentando que o Comando Central “não busca uma escalada”.
Em entrevista à rede ABC News, Trump reiterou que, em sua opinião, “o cessar-fogo está em vigor, está funcionando”, e que as ações desta quinta-feira foram um “tapinha com amor”. Pouco depois, na rede social Truth Social, disse que os navios da Marinha transitaram sem problemas por Ormuz, enquanto as forças iranianas foram destruídas, e usou sua versão bélica para ameaçar Teerã.
“Um país normal teria permitido a passagem desses contratorpedeiros, mas o Irã não é um país normal. Eles são liderados por LUNÁTICOS, e se tivessem a chance de usar uma arma nuclear, o fariam, sem dúvida alguma — mas nunca terão essa oportunidade e, assim como os derrotamos hoje, os derrotaremos com muito mais força e violência no futuro, se não assinarem o acordo RAPIDAMENTE!”, escreveu o presidente.
O comando militar central do Irã, Khatam al-Anbiya, por sua vez, acusou os EUA de violarem o cessar-fogo ao atingirem um petroleiro iraniano que seguia da região costeira de Jask em direção ao Estreito de Ormuz, além de outra embarcação próxima ao porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. De acordo com o comunicado citado pela TV estatal iraniana, forças americanas também realizaram ataques em outras áreas do sul do país “em cooperação com alguns países da região”. O Irã afirmou ainda que suas forças “imediatamente e em retaliação atacaram embarcações militares americanas”.
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Explosões atingiram a ilha de Qeshm e a cidade de Bandar Abbas, importantes centros portuários no Estreito de Ormuz, assim como a capital, Teerã, segundo a imprensa iraniana e publicações de cidadãos nas redes sociais. As explosões provocaram pânico na capital, e alguns temiam que fosse a retomada da guerra, um mês depois do início da trégua. Mais tarde, a emissora iraniana Press TV afirmou que a situação nas ilhas iranianas e nas cidades costeiras do estreito havia “voltado ao normal”. Não há relatos de vítimas ou detalhes sobre os possíveis danos.
A imprensa israelense, citando fontes dentro do governo, descartou o envolvimento do país nas ações desta quinta-feira, mas Teerã suspeita que os Emirados Árabes Unidos tenham participado. O país árabe foi um dos mais atingidos pelos drones e mísseis do Irã durante o conflito.
“Foram observados indícios de uma ação traiçoeira dos Emirados Árabes Unidos contra o cais Bahman Qeshm”, informou a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, acrescentando que, se confirmada, “os Emirados Árabes Unidos pagarão um preço alto por sua ação hostil”.
Proposta de paz pendente
A escalada dos ataques aumenta a ameaça de que o cessar-fogo, já fragilizado por ataques a navios e aos Emirados Árabes Unidos, possa ruir completamente.
Apenas algumas horas antes, três autoridades iranianas disseram que os dois países estavam debatendo uma proposta de uma página para que os Estados Unidos suspendessem o bloqueio a navios e portos iranianos, para que o Irã abrisse o estreito ao tráfego comercial irrestrito e para que cessassem os combates por 30 dias, enquanto os negociadores tentavam chegar a um acordo de paz abrangente.
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Embora os termos não tenham sido tratados publicamente pelas autoridades envolvidas no processo, o portal americano de notícias Axios detalhou na quarta-feira que o documento de 14 pontos teria sido encaminhado aos iranianos. O Wall Street Journal detalhou o andamento das discussões, citando fontes americanas ouvidas em anonimato.
A publicação indicou que, em caso de aceite de Teerã, as negociações poderiam ser retomadas já na semana que vem em Islamabad — o Paquistão é o principal mediador da atual mesa de negociações. A República Islâmica teria manifestado abertura para discutir o programa nuclear, um dos alvos de Trump, enquanto os EUA teriam exigido que Teerã aliviasse o controle do Estreito de Ormuz. Ainda de acordo com fontes americanas ouvidas pelo jornal americano, os EUA estariam dispostos a afrouxar o bloqueio a portos iranianos pelo período de 30 dias, enquanto novas conversas seriam realizadas.
Continua sendo um gargalo, porém, o futuro do urânio enriquecido pelo Irã acima do uso civil. Estaria em discussão a possível remoção dos estoques radioativos, embora Teerã ainda se oponha à transferência do material para os EUA — a Rússia, que recebeu o urânio após o acordo de 2015, se ofereceu como local de armazenamento. Outro ponto que ainda não teria sido solucionado é o papel do Irã no futuro da supervisão do tráfego no Estreito de Ormuz.
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Há sinais de movimentação na frente negocial. O Paquistão anunciou na quarta-feira que uma intensa atividade de troca de mensagens entre EUA e Irã estava ocorrendo via mediadores. Nesta quinta, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, encontrou-se com o líder supremo Mojtaba Khamenei, em uma reunião que durou mais de duas horas, segundo a mídia iraniana. A pauta da reunião não foi discutida publicamente, mas o encontro acendeu a suspeita de que a mais alta liderança iraniana possa estar tratando sobre concessões a serem feitas para um acordo.
O conflito, que já dura três meses e levou o Irã e os Estados Unidos a implementarem bloqueios rivais em Ormuz, interrompeu uma importante rota de trânsito de petróleo, causando estragos nas cadeias de suprimentos globais e provocando uma disparada nos preços da energia.
Com agências internacionais.





