EUA esperam resposta do Irã sobre última proposta de paz: veja quais devem ser os pontos para negociações semana que vem
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O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reuniu-se recentemente por quase duas horas e meia com o líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, informou nesta quinta-feira a agência estatal Mizan, sem detalhar o conteúdo das conversas nem a data do encontro.
Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, o Irã deve enviar uma resposta por meio do Paquistão, que atua como mediador, nos próximos dois dias. O petróleo caiu fortemente desde que a proposta americana veio à tona na quarta-feira, sinalizando que parte do mercado aposta em um possível acordo.
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Israel afirmou ter matado um comandante do Hezbollah em um subúrbio ao sul de Beirute, no primeiro ataque à cidade desde o início do cessar-fogo firmado no mês passado no Líbano. O episódio demonstrou a fragilidade da trégua, considerada peça importante nos esforços de paz envolvendo Teerã.
De acordo com a fonte ouvida pela Bloomberg, Washington enviou à República Islâmica um memorando de uma página que poderia levar à reabertura estratégica do Estreito de Ormuz e ao fim do bloqueio americano aos portos iranianos. Isso abriria caminho para um mês de negociações destinadas a alcançar um acordo final para encerrar o conflito, que já dura dez semanas.
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Caso as negociações avancem, as partes deverão discutir as atividades nucleares iranianas. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou repetidamente que o objetivo da guerra é impedir que Teerã obtenha uma arma nuclear, intenção que o Irã sempre negou ter.
Na quarta-feira, Trump afirmou que os EUA “vão obter” o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido como parte do acordo, embora não haja sinais de que Teerã esteja disposto a fazer essa concessão.
Mais cedo, em uma publicação nas redes sociais, Trump disse que os EUA iniciarão uma campanha de bombardeios “mais ampla e intensa” caso o Irã rejeite o plano inicial de paz, composto por 14 pontos. Apesar disso, o republicano tem recuado repetidamente de ameaças de ampliar o conflito.
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Em entrevista ao programa PBS News Hour, Trump afirmou acreditar que há “uma chance muito boa” de um acordo ser fechado, possivelmente antes da cúpula marcada com o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, na próxima semana.
A agência iraniana ISNA, ligada ao Estado, afirmou que as reportagens sobre detalhes da proposta representam “especulações da mídia e construção de narrativa”, acrescentando que o enriquecimento de urânio não faz parte das discussões atuais.
Mojtaba Khamenei sucedeu seu pai, Ali Khamenei, morto em um ataque israelense no primeiro dia da guerra. Desde então, ele não apareceu em público. Na semana passada, em comunicado, afirmou que o Irã não fará concessões sobre seu programa nuclear, classificado por ele como um “patrimônio nacional” que os iranianos protegerão “a qualquer custo”.
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Outros temas pendentes incluem limites ao programa iraniano de mísseis balísticos e ao apoio do país a grupos armados aliados, como o Hezbollah, no Líbano.
Esses pontos são prioridade para Israel, cujas autoridades adotaram um tom cauteloso em relação à nova tentativa americana de encerrar a campanha militar contra o Irã. O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, disse à rádio do Exército nesta quinta-feira que “é preciso esperar e não sair fazendo declarações e manchetes” sobre um possível acordo.
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O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel mantém “coordenação próxima” com os EUA nos esforços de paz e que não haverá “surpresas”.
Os sinais de possível avanço diplomático também reduziram a tensão no mercado internacional de petróleo, após dias de volatilidade provocada pelos confrontos no Estreito de Ormuz.
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Reabrir a rota, por onde passava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes de a guerra interromper o tráfego, é um dos principais objetivos de Trump.
O presidente americano deve se reunir com Xi Jinping nos dias 14 e 15 de maio, após um encontro anterior ter sido adiado no início do conflito. Na quarta-feira, a China elevou a pressão internacional pelo fim da guerra e pela reabertura da rota marítima, dizendo ao Irã que a continuidade das hostilidades é “desaconselhável”.
Pesquisas de opinião mostram que o descontentamento dos americanos com o conflito está crescendo, a seis meses das eleições legislativas de meio de mandato, nas quais os custos de energia devem ser tema central. Segundo a Associação Americana do Automóvel (AAA), o preço da gasolina ultrapassou US$ 4,50 (cerca de R$ 22) por galão pela primeira vez desde julho de 2022.






