Após a morte de dois cidadãos americanos nas ruas de Minneapolis em menos de três semanas, Trump anunciou em sua plataforma Truth Social que havia conversado por telefone com o governador de Minnesota, Tim Walz, e com o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e prometeu diálogo.
Contexto: Ofensiva do ICE em Minneapolis tem detenção de criança, morte e imagem manipulada
Cronologia do assassinato de Alex Pretti: Vídeos que mostram abordagem de agentes federais que levou à morte de americano contradizem versão do governo Trump
– Foi uma ligação muito positiva e parece que estamos em sintonia – disse ele, referindo-se ao governador.
Trump também anunciou o envio de seu czar da imigração, Tom Homan, ao estado do norte, incumbindo-o de informá-lo pessoalmente sobre a situação.
Homan, um veterano do Departamento de Segurança Interna (DHS), se reunirá com o prefeito de Minneapolis nesta terça-feira, explicou Trump.
– O presidente não quer ver pessoas feridas ou mortas nas ruas da América – declarou a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em uma coletiva de imprensa.
Ao mesmo tempo, Trump quer o fim da “resistência e do caos” naquela cidade do norte.
Frey anunciou na segunda-feira que “alguns agentes federais” deixarão Minneapolis nesta terça-feira.
– Continuarei pressionando para que os demais envolvidos nesta operação saiam – escreveu ele.
O oficial relatou anteriormente que conversou com Trump e que “o presidente concordou que a situação atual não pode continuar”.
Manifestantes protestam em Minneapolis, em dia marcado por atos e greve geral contra operações de fiscalização da imigração
Stephen Maturen / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
‘Basta!’: Protestos e greve geral mobilizam Minnesota contra ações do ICE mesmo sob frio extremo
Agente federal aponta arma para manifestante em Minneapolis neste sábado
Brandon Bell/Getty Images/AFP
De acordo com veículos de imprensa dos EUA, o chefe da Patrulha da Fronteira, Gregory Bovino, deixará Minneapolis, mas o governo negou essas informações.
Bovino “não foi exonerado de suas funções”, disse a porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS), Tricia McLaughlin, à X.
Licença para porte de arma
Ativistas se reuniram novamente nessa segunda-feira nas ruas da cidade, sob temperaturas congelantes, para homenagear Alex Pretti.
Uma fotografia de Alex Pretti, de 37 anos, pode ser vista em um memorial improvisado na área onde ele foi morto a tiros por agentes federais de imigração no início do dia em Minneapolis
ROBERTO SCHMIDT / AFP
Agentes federais atiraram no enfermeiro de 37 anos, que foi acusado de portar uma arma carregada e escondida durante os protestos, com a qual ele supostamente pretendia atacá-los.
De acordo com o Departamento de Segurança Interna (DHS), os agentes tentaram desarmá-lo, e ele “resistiu violentamente”.
Mas uma análise de imagens de vídeo feita pela AFP e por veículos de imprensa americanos contradiz a versão oficial, que o retrata como uma ameaça.
– Basta assistir ao vídeo. Qualquer pessoa com olhos pode ver o que aconteceu naquele dia. Esta não é a América que queremos – disse Tricia Dolley, uma enfermeira de 38 anos, à AFP.
O ativista tinha porte de arma, segundo as autoridades locais.
‘Atiraram na minha esposa’: Companheira de mulher morta por agente de imigração nos EUA se desespera e culpa a si mesma
Em 7 de janeiro, um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) atirou e matou a ativista Renee Good, uma mãe de três filhos de 37 anos, dentro de seu carro.
Audiências Judiciais
Um tribunal federal em Minnesota realizou uma audiência nessa segunda-feira para determinar se a atuação do ICE viola a lei do estado.
Em outra audiência, um juiz analisou um processo que busca obrigar o governo federal a preservar as provas relacionadas ao assassinato de Pretti.
Minneapolis, governada por democratas, é uma cidade-santuário, o que significa que sua polícia não coopera com as autoridades federais de imigração.
Criança de 5 anos é detida pelo ICE ao voltar da escola nos EUA
Vários senadores republicanos — do mesmo partido de Trump — pediram uma investigação completa sobre os assassinatos e a cooperação com as autoridades locais.
Renúncia de promotores: Departamento de Justiça dos EUA descarta abrir investigação de direitos civis em caso de morte por agente de imigração
Os democratas no Congresso ameaçam bloquear as próximas votações orçamentárias se o envio de agentes do ICE e da patrulha da fronteira para as cidades-santuário não for suspenso.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, explicou que bloquearia qualquer novo financiamento que inclua o Departamento de Segurança Interna (DHS), que ele considera “lamentavelmente inadequado para controlar os abusos do ICE”.
Em ano eleitoral, Trump também mantém a pressão em outra frente política em Minnesota.
“Paralelamente, uma grande investigação continua em andamento sobre a fraude maciça nos serviços sociais, superior a US$ 20 bilhões, que ocorreu em Minnesota”, despistou Trump no Truth Social.
O governo Trump iniciou uma ampla revisão da ajuda recebida principalmente pela comunidade somali neste estado governado por democratas.







