‘Uma nação em colapso’: Cuba prepara população para a guerra enquanto EUA apertam cerco e fecham a válvula do petróleo
Contexto: Trump ameaça impor tarifas a países que vendam petróleo para Cuba
Cuba “é uma nação falida. O México vai deixar de lhes enviar petróleo”, disse Trump durante um encontro com jornalistas no Salão Oval.
A economia cubana sobreviveu durante anos graças ao petróleo barato fornecido pela Venezuela. Mas deixou de recebê-lo após a queda de Maduro, há um mês, em uma operação das forças americanas. O fim do fornecimento de petróleo bruto mexicano para Cuba agravaria significativamente a grave crise econômica da ilha, a pior desde o colapso da União Soviética em 1991.
Na semana passada, Trump aprovou tarifas punitivas contra países que fornecem petróleo a Cuba. Na prática, o decreto obrigou os parceiros de Cuba a escolher entre negociar com a maior economia do mundo ou com uma ilha empobrecida de 11 milhões de habitantes.
O México tem se mostrado relutante em interromper os envios, e a presidente Claudia Sheinbaum alertou para “uma crise humanitária de grande alcance que afetaria diretamente hospitais, suprimentos de alimentos e outros serviços básicos para o povo cubano”.
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Sheinbaum também negou, no domingo, ter conversado com Trump sobre o fornecimento de petróleo para Cuba, depois que o magnata afirmou que lhe pediu para impedir que o México fornecesse hidrocarbonetos ao país caribenho.
— Nunca conversamos com o presidente Trump sobre a questão do petróleo com Cuba — declarou Sheinbaum no estado de Sonora, no norte do país, onde apresentou projetos de infraestrutura.
O México enfrenta as ameaças de tarifas de Trump desde seu retorno à Casa Branca em janeiro de 2025 e agora terá que lidar com a revisão do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (USMCA), do qual faz parte juntamente com o Canadá e os Estados Unidos.
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Trump também disse no domingo que havia iniciado conversas com autoridades de Cuba e que considerava a possibilidade de um acordo, no momento em que Washington pressiona a ilha. Porém, Havana negou que exista qualquer diálogo no momento.
— Acho que estamos bem perto [de um acordo], mas neste momento estamos lidando com os líderes cubanos — disse Trump, sem dar mais detalhes.
No entanto, um alto diplomata cubano afirmou nesta segunda-feira que houve contato entre os dois países, mas nenhuma conversa formal.
— Hoje não podemos falar em ter uma mesa de diálogo com os Estados Unidos, mas é verdade que houve comunicação entre os dois governos — disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, à AFP.
Trump, que já cortou o fornecimento de petróleo venezuelano para Cuba, assinou na quinta-feira um decreto que contempla a imposição de tarifas sobre os países que vendem petróleo bruto para Havana, argumentando que a ilha representa uma “ameaça excepcional”.
O governo cubano acusa Trump de querer “sufocar” sua população, que sofre periodicamente com apagões e escassez de combustível nos postos de gasolina.






