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Pouco após os tremores, inúmeros relatos de falhas de comunicação e interrupções nos serviços de telefonia e internet aumentaram a preocupação com a capacidade dos venezuelanos de receber alertas, buscar ajuda e informar familiares sobre sua situação.
Mais tarde, porém, as principais operadoras de telecomunicações do país, como a Cantv, Thundernet, Digitel e Movistar, suspenderam seus bloqueios às redes sociais, permitindo o acesso direto sem necessidade do uso de VPN. Porém, segundo a Venezuela Sin Filtro, alguns domínios ainda estão inacessíveis. “É crítico que os cidadãos possam permanecer informados e conectados durante esta emergência nacional”, escreveu a ONG no X.
Segundo o comunicado da Cantv, a gratuidade temporária dos serviços busca manter a população conectada após os tremores e permitir que os cidadãos obtenham notícias sobre parentes e amigos. A empresa afirmou ainda que a iniciativa pretende “reduzir a ansiedade da população afetada” e garantiu estar mobilizando recursos técnicos e operacionais para preservar a conectividade em todo o território nacional.
As medidas ocorrem após especialistas ligados à Organização das Nações Unidas (ONU) pressionarem o governo venezuelano a remover restrições ao acesso à informação. Nesta quinta-feira, integrantes da Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre a Venezuela defenderam que as autoridades desbloqueassem imediatamente as redes sociais e meios de comunicação.
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“Como primeiro passo fundamental, é vital que a Conatel, órgão regulador das telecomunicações do país, desbloqueie completamente o acesso às redes sociais e a todos os meios de comunicação”, afirmaram.
Os especialistas, que foram designados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas não falam em nome das Nações Unidas, disseram que, após os terremotos, esse acesso seria “uma questão de vida ou morte”. “Não há desculpa possível para não fazer isso imediatamente”.
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Antes mesmo dos terremotos, a Venezuela enfrentava críticas relacionadas ao bloqueio de plataformas digitais e sites de notícias. A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirma que o ambiente para a imprensa venezuelana se deteriorou nos últimos anos, dificultando o acesso da população a informações independentes.
“Após anos de repressão e controle rígido da informação sob o governo de Nicolás Maduro, as restrições à imprensa e ao acesso à informação pioraram ainda mais após a intervenção militar ilegal dos EUA em 2026”, observa a RSF em seu site. “O país mergulhou em profunda incerteza quanto à proteção da liberdade de imprensa, apesar da libertação de jornalistas detidos no início de 2026”.
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Federico Parra / AFP
Especialistas apontam que as características dos terremotos aumentam seu potencial destrutivo. O primeiro tremor teve magnitude 7,2, e o segundo, ocorrido apenas 39 segundos depois, atingiu magnitude 7,5 — o mais forte registrado na Venezuela desde 1900. Ambos ocorreram a menos de 25 km de profundidade, o que significa que foram terremotos rasos, capazes de provocar tremores mais intensos na superfície. Eles foram provocados pelo atrito entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul.
Dois terremotos menores foram registrados posteriormente nas proximidades de Caracas, e sismólogos avaliaram que há grande probabilidade de ocorrer pelo menos uma réplica de magnitude 5,0 ou superior ao longo da próxima semana.
Epicentros dos terremotos
Arte / O Globo
Equipes de emergência
Autoridades venezuelanas mobilizaram centenas de agentes de emergência para procurar sobreviventes. A presidente interina, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência, convocou médicos e enfermeiros a se apresentarem ao trabalho para atender os feridos e afirmou que hotéis e abrigos seriam disponibilizados para os desabrigados.
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Os Estados Unidos e vários países da América Latina anunciaram o envio de ajuda humanitária e equipes de resgate. Delcy afirmou que parte desses grupos, além de equipes da República Dominicana, El Salvador, México e Catar, começaria a chegar ao país já nesta quinta-feira.
“Estaremos ao lado de nossos novos e grandes amigos”, escreveu o presidente americano, Donald Trump, na Truth Social. Nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os EUA estavam enviando “imediatamente” equipes de busca e resgate, recursos médicos e ajuda humanitária. Delcy agradeceu a Trump em uma publicação no X, escrevendo que seu país “jamais esquecerá a mão estendida” pelos Estados Unidos.
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, afirmou que seu país preparou 50 toneladas de equipamentos e suprimentos, além de 300 socorristas que estão “prontos para partir rumo a Caracas”. Os presidentes do Equador e do México também anunciaram o envio de ajuda, enquanto o brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o Brasil avaliará que tipo de assistência poderá oferecer ao que chamou de sua “nação irmã”.
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O chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, afirmou que a organização está “totalmente mobilizada” para apoiar a população venezuelana, incluindo o envio rápido de equipes de busca e resgate e o reforço de sua missão humanitária no país. Por sua vez, a União Europeia (UE) ativou seu sistema de vigilância por satélite para auxiliar nos trabalhos de recuperação e está pronta para “ampliar a assistência”, afirmou a comissária europeia para Gestão de Crises, Hadja Lahbib.
Crise econômica e política
A Venezuela enfrenta anos de crise econômica e sanções severas impostas pelos Estados Unidos, e os terremotos representam um desafio imediato para a presidente.
Em janeiro, forças americanas invadiram, capturaram e depuseram Maduro, levando-o para os EUA para responder a acusações federais relacionadas ao tráfico de drogas. Trump escolheu Delcy como sucessora e prometeu que a mudança “desencadearia prosperidade” ao revitalizar a indústria petrolífera venezuelana.
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Seis meses depois, há poucos sinais de uma recuperação econômica significativa sob o governo de Delcy, cuja taxa de aprovação caiu para 25% em maio. Os cofres públicos continuam praticamente vazios, deixando o governo sem condições para financiar serviços básicos.
Embora o governo Trump tenha concedido isenções especiais às sanções para empresas interessadas em fazer negócios na Venezuela, nenhuma anunciou publicamente investimentos significativos no país. A inflação anual está em queda, mas continua sendo a mais alta do mundo; a moeda segue se desvalorizando e, embora os salários tenham aumentado, permanecem insuficientes para tirar a população da pobreza extrema.









