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Rubio realizará conversas na segunda-feira e retornará na terça-feira, informou o Departamento de Estado. Ele “discutirá uma série de prioridades regionais, incluindo o Irã, o Líbano e os esforços em andamento para implementar o Plano de Paz de 20 Pontos do presidente Trump para Gaza”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, nesta sexta-feira.
Rubio não planeja levar jornalistas em seu avião, uma exceção ao procedimento que tem sido habitual para secretários de Estado há décadas.
A viagem ocorrerá após os Estados Unidos e o Irã realizarem uma nova rodada de negociações em Genebra na quinta-feira, em meio às crescentes preocupações americanas com o controverso programa nuclear iraniano.
O mediador Omã relatou progressos, mas os Estados Unidos pouco se pronunciaram sobre as negociações, e o Irã pediu a Washington que abandonasse suas “exigências excessivas” para que se chegasse a um acordo.
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Ao longo da semana, fontes americanas afirmaram que o encontro na Suíça teria um papel central na decisão de Trump sobre um ataque ou não ao território iraniano — algo que o republicano disse estar analisando, e que inicialmente teria um escopo limitado. O enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, fariam uma avaliação sobre as reais intenções do Irã em abrir mão de ameaças nucleares — o que definiria o próximo passo dos EUA.
A medida anunciada pela Embaixada americana em Jerusalém mostra que mesmo os sinais na mesa de negociação diplomática não dissipam o temor de um confronto militar na região — sobretudo após Trump enviar o maior poder de fogo ao Oriente Médio desde o início da guerra do Iraque. Teerã e seus principais aliados já demonstraram que consideram respostas em um possível caso de agressão.
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O Kataeb Hezbollah, uma poderosa milícia iraquiana aliada ao Irã no chamado “Eixo da Resistência”, alertou Washington sobre o risco de “imensas perdas” caso iniciem uma guerra na região. O grupo também instruiu seus combatentes a se prepararem para um cenário de longa guerra no Irã, em caso de ataque americano. Em declarações à agência francesa AFP, o comandante da milícia disse que seu grupo “provavelmente” interviria em caso de ataques.
Em Israel, o clima nacional oscila entre ansiedade, resignação e expectativa. Hospitais têm realizado simulações de situações de emergência, enquanto vizinhos compartilham entre si a localização de abrigos antibombas em grupos de WhatsApp. Na guerra de 12 dias no ano passado, que envolveu Irã, EUA e Israel, 38 pessoas morreram no Estado judeu em bombardeios iranianos que conseguiram romper as defesas aéreas do país — o que é motivo de preocupação.
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Uma pesquisa realizada pelo Instituto da Democracia Israelense mostra que a opinião pública do país está dividida. Cerca de metade dos entrevistados disse que apoiaria a entrada em uma guerra com o Irã somente se Israel fosse atacado primeiro — em um sinal de que o apoio imediato aos americanos está longe de ser uma unanimidade.
Trump ainda não deixou claro qual seu objetivo final no Irã, e nem o que pretende alcançar com um eventual ataque — que já foi alvo de ressalvas por parte de militares graduados americanos. Em meio ao processo, os EUA apontaram, para além da questão nuclear, o programa de mísseis balísticos do Irã e o patrocínio de grupos considerados terroristas por Washington. Em um discurso para o Congresso dos EUA, na terça-feira, Trump disse que o Irã já “desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa” e está trabalhando “para construir mísseis que em breve atingirão os EUA”. Afirmou também que ainda não ouviu da parte iraniana o compromisso de que nunca desenvolveriam armas nucleares.
O Irã tem declarado repetidamente que seu programa de mísseis faz parte de seu sistema de defesa e descartou o abandono total do enriquecimento de urânio, enfatizando que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos. Ali Shamkhani, um importante assessor do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, sugeriu que Teerã poderia chegar a um acordo imediato com Washington se o foco fosse exclusivamente um compromisso sobre o desenvolvimento de armas atômicas.
Com New York Times.









