“Precisamos de uma disputa adequada com os melhores candidatos em campo, e eu serei um dos candidatos”, disse Streeting em um evento de um centro de pesquisa em Londres, dois dias depois de o prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, revelar sua candidatura a deputado.
Sob pressão: Manchado por caso Epstein e derrota eleitoral, Starmer rejeita renúncia e desafia o próprio partido no Reino Unido
Se for bem-sucedido, isso permitiria que Burnham concorra à liderança do Partido Trabalhista, uma disputa que agora parece praticamente inevitável, embora ainda não tenha sido formalmente iniciada pelos deputados.
A movimentação política no Reino Unido começou desde que Keir Starmer começou a perder popularidade, pressionado entregar a liderança do governo e do Partido Trabalhista. Cotado entre os favoritos para assumir o posto em caso de uma queda de Starmer, Streeting disse ter “perdido a confiança” na liderança do premier em sua carta de renúncia.
Política e monarquia: Crise do governo trabalhista britânico ofusca tradicional discurso do rei e mantém Starmer sob pressão
Ligado a uma ala mais centrista do Partido Trabalhista, Streeting teve uma conversa com o premier no começo da semana, em meio a uma debandada de secretários do governo. A conversa, apontada pela imprensa britânica, durou menos de 20 minutos, sem maiores declarações públicas sobre o conteúdo em seguida. O anúncio da candidatura saiu só dois dias depois.
Streeting falou nesta semana sobre a dura derrota do partido nas eleições regionais da semana passada. No primeiro desafio eleitoral sob a liderança de Starmer, a legenda perdeu cadeiras em uma extensa área do país, vendo em paralelo um avanço da extrema direita britânica, com uma ascensão destacada do Reform UK — um resultado que causou preocupação entre alas progressistas do país.
“Os resultados eleitorais da semana passada foram sem precedentes — tanto pela dimensão da derrota quanto pelas consequências desse fracasso. Pela primeira vez na história do nosso país, nacionalistas estão no poder em todos os cantos do Reino Unido — incluindo um perigoso nacionalismo inglês representado por Nigel Farage e o Reform UK”, escreveu Streeting, definindo o partido extremista como “uma ameaça aos valores e ideais” britânicos e ” uma ameaça existencial à integridade futura do Reino Unido”.
O agora ex-secretário citou também a falta de confiança de setores progressistas nos trabalhistas, relacionando a crise do partido à “impopularidade do governo”, mencionando “erros individuais de política”, como a decisão de Starmer de cortar auxílio para combustível no inverno. Streeting também criticou uma suposta falta de diálogo interno com partidários.
Liderança em crise
A derrota eleitoral do Partido Trabalhista nas eleições regionais do Reino Unido foram apenas o último desdobramento de um governo liderado por um premier cuja aprovação nunca superou a rejeição, de acordo com pesquisas de opinião. Mesmo antes da derrota, Starmer já vinha sofrendo pressões para renunciar, em meio a dificuldades econômicas, falta de avanços em pautas como a imigração ilegal e o caso envolvendo a nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos EUA, em um momento em que os laços dele com o criminoso sexual Jeffrey Epstein já eram conhecidos.
O premier afirmou durante a semana que não renunciaria, apoiando-se no argumento de que havia assumido um compromisso de entregar projetos de governo ao eleitorado. A pressão dos aliados, contudo, foi no sentido de retirá-lo do cargo. Quatro membros do gabinete de Starmer renunciaram na terça-feira e pelo menos 80 deputados de seu partido pediram publicamente que ele renunciasse.
Além de Streeting e Burnham, uma potencial candidata a substituir Starmer é a ex-vice-líder trabalhista Angela Rayner. Angela ainda lida, porém, com uma problema que teve com o fisco, que a derrubou do governo e ainda não foi resolvido. Streeting também tem suas fragilidades: entre elas as conexões que mantinha com Mandelson.
Com AFP









