Contexto: Ucrânia exige garantia de segurança dos EUA por 20 anos e critica pressão por concessões em negociações de paz
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O chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, divulgou imagens das três equipes reunidas em uma mesa em formato de ferradura, com russos e ucranianos sentados frente a frente. À cabeceira estavam o enviado de Donald Trump, Steve Witkoff, e o genro do presidente, Jared Kushner, diante das bandeiras dos EUA, Rússia, Ucrânia e Suíça. Segundo Umerov, a pauta inclui questões de segurança e humanitárias.
— Os ucranianos trabalharão sem expectativas excessivas — disse.
As perspectivas de avanços são consideradas baixas. De acordo com uma pessoa familiarizada com as negociações que falou à agência Associated Press sob condição de anonimato, nenhuma das partes parece disposta a ceder em questões centrais, como o futuro dos territórios ocupados pela Rússia e as garantias de segurança exigidas por Kiev. Os Estados Unidos estabeleceram junho como prazo para um possível acordo.
Entre os pontos mais sensíveis está o destino de cerca de 20% do território ucraniano que a Rússia ocupa ou reivindica, incluindo a Crimeia, anexada por Moscou em 2014, e áreas do leste e sul do país. A Rússia insiste que a Ucrânia ceda o controle da região oriental do Donbass e que suas tropas se retirem das áreas ainda sob domínio de Kiev na região de Donetsk. A Ucrânia rejeita a exigência.
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Chefes militares dos EUA, Rússia e Ucrânia também estão em Genebra para discutir como funcionaria o monitoramento de um eventual cessar-fogo e quais mecanismos seriam necessários para implementá-lo. Em rodadas anteriores realizadas em Abu Dabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, comandantes analisaram a criação de uma zona desmilitarizada e canais de comunicação entre as forças armadas envolvidas.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, advertiu contra a expectativa de resultados imediatos no primeiro dia de conversas, afirmando que as negociações devem continuar na quarta-feira. Moscou divulgou poucos detalhes sobre os encontros anteriores, e o Kremlin voltou a designar como chefe da delegação o assessor presidencial Vladimir Medinsky, que liderou as negociações diretas com a Ucrânia em Istambul em 2022.
— Bem, temos grandes conversas. Vai ser muito fácil. Quero dizer, vejam, até agora, a Ucrânia é melhor que se sente à mesa rapidamente. É tudo o que digo — disse Trump a bordo do Air Force One na segunda-feira.
Combates continuam
Enquanto as delegações se reuniam, os combates prosseguiam ao longo da linha de frente de aproximadamente 1.250 quilômetros. Durante a madrugada, a Rússia lançou quase 400 drones de longo alcance e 29 mísseis contra 12 regiões da Ucrânia, segundo o presidente Volodymyr Zelensky. Nove pessoas ficaram feridas, entre elas crianças.
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Zelensky afirmou que dezenas de milhares de moradores ficaram sem aquecimento e água encanada na cidade portuária de Odessa, no sul do país, após os ataques. Em publicação nas redes sociais, escreveu: “Quanto mais esse mal vier da Rússia, mais difícil será para todos chegar a qualquer acordo com eles. Os parceiros precisam entender isso. Antes de tudo, isso diz respeito aos Estados Unidos.” O presidente também declarou que Moscou deve ser “responsabilizada” pelos ataques, que, segundo ele, minam os esforços americanos por um acordo de paz.
“Concordamos com todas as propostas realistas dos Estados Unidos, começando pela proposta de um cessar-fogo incondicional e de longo prazo”, publicou Zelensky em outra mensagem. Já o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Adrii Sibiga, escreveu: “O alcance do desprezo da Rússia pelos esforços de paz: um ataque massivo com mísseis e drones contra a Ucrânia justamente antes da próxima rodada de negociações”.
A Rússia, por sua vez, afirmou ter destruído mais de 150 drones ucranianos em regiões do sul do país e na Crimeia, ocupada por forças de Moscou desde 2014. Também à Associated Press, uma autoridade de segurança ucraniana disse, sob condição de anonimato, que o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) utilizou drones de longo alcance para atingir o terminal de petróleo Tamanneftegaz, na região russa de Krasnodar, e a fábrica Metafrax Chemicals, na região de Perm, a mais de 1.600 quilômetros da fronteira com a Ucrânia.
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Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, o conflito se tornou o mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com centenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e extensas áreas do leste e do sul da Ucrânia devastadas pelos combates. (Com AFP)








