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O governo do Reino Unido estuda enviar drones de varredura de minas ao Estreito de Ormuz para ajudar a reabrir a rota marítima estratégica, enquanto avalia com cautela um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que aliados enviem navios à região. Segundo autoridades britânicas ouvidas pelo jornal The Guardian, há receio de que o envio de embarcações possa intensificar a crise com o Irã.
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A proposta em discussão prevê o uso de drones aéreos capazes de localizar e detonar minas marítimas de forma segura, o que permitiria a retomada do fluxo de exportações de petróleo pela via. Funcionários do governo afirmaram, no entanto, que despachar navios, como sugeriu Trump no fim de semana, poderia agravar a situação diante do caráter volátil do conflito.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, deve anunciar na segunda-feira um pacote de dezenas de milhões de libras para apoiar consumidores afetados pela alta dos preços da energia. Em entrevista coletiva em Downing Street, ele também deve destacar a necessidade de reduzir a escalada da crise no Oriente Médio.
— Continuaremos trabalhando por uma solução rápida para a situação no Oriente Médio. Não há dúvida de que o fim da guerra é a maneira mais rápida de reduzir o custo de vida — dirá Starmer, segundo trechos antecipados de seu discurso.
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Em entrevista à BBC no domingo, o secretário de Energia, Ed Miliband, afirmou que reabrir o Estreito de Ormuz é uma prioridade e indicou que o envio de drones pode ser uma das formas de contribuição britânica.
— É muito importante que consigamos reabrir o Estreito de Ormuz. Há diferentes maneiras pelas quais poderíamos contribuir, inclusive com drones de caça a minas — disse. — Todas essas opções estão sendo analisadas em conjunto com nossos aliados. Qualquer medida que possa ajudar a reabrir o estreito está sendo considerada — acrescentou.
O anúncio do Irã de que passaria a atacar navios que utilizem o estreito — por onde normalmente circula cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — fez os preços do barril saltarem de cerca de US$ 65 para mais de US$ 100. Economistas projetam que a alta pode provocar inflação maior e crescimento econômico menor neste ano, embora o impacto dependa da duração do conflito.
Mapa mostra onder fica o Estreito de Ormuz
Arte O Globo
A crise também aumentou as tensões entre Trump e Starmer. A relação entre os dois líderes já havia sido abalada após o primeiro-ministro britânico recusar autorização para que os Estados Unidos utilizassem bases no Reino Unido no lançamento do ataque inicial contra Teerã. Na semana passada, Trump afirmou que ofertas recentes de ajuda britânica haviam chegado “um pouco tarde demais”. No fim de semana, porém, mudou o tom e pediu publicamente que diversos países enviassem navios à região.
“Esperamos que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros países afetados por essa restrição artificial enviem navios para a área, para que o Estreito de Ormuz deixe de ser uma ameaça por parte de uma nação que foi totalmente decapitada”, escreveu Trump na rede Truth Social.
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Starmer conversou por telefone com Trump na noite deste domingo. Após o contato, Downing Street informou que os dois líderes discutiram a situação no Oriente Médio e os impactos do fechamento do Estreito de Ormuz sobre o transporte marítimo internacional.
Reações cautelosas
Autoridades de países citados por Trump, como Japão, China e Coreia do Sul, avaliam o pedido americano. Takayuki Kobayashi, um político sênior do governista Partido Liberal Democrata do Japão, afirmou neste domingo que a solicitação deve ser analisada “com cautela”.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul afirmou que o governo está “explorando várias medidas sob diferentes perspectivas para proteger seus cidadãos e garantir a segurança das rotas de transporte de energia”.
No Reino Unido, autoridades dizem estar abertas a contribuir, mas demonstram ceticismo quanto ao envio de navios ao Estreito, tanto pela condição atual da Marinha britânica quanto pelas possíveis consequências estratégicas da medida.
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O destróier HMS Dragon, da classe Type 45, deixou Portsmouth na semana passada com destino a Chipre e poderia ser redirecionado ao Oriente Médio. Fontes do governo disseram ao Guardian, porém, que o navio deve levar ao menos mais uma semana para chegar a Chipre, o que atrasaria ainda mais uma eventual operação no Estreito de Ormuz.
Ao mesmo tempo, o último navio britânico especializado em varredura de minas na região, o HMS Middleton, deixou o Bahrein para manutenção poucos dias antes do início da guerra. A decisão agora é alvo de debate interno sobre se o país se preparou adequadamente para o conflito.
Autoridades britânicas demonstram maior otimismo quanto ao uso de drones de varredura de minas, capazes de provocar a detonação controlada de explosivos ao imitar o movimento de embarcações. O governo também considera enviar drones antiaéreos Octopus, atualmente produzidos para a Ucrânia, mas que poderiam ser empregados no Golfo.
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Enquanto avalia suas opções, o governo Starmer enfrenta críticas do Partido Conservador por, segundo a oposição, não aumentar os gastos militares com rapidez suficiente. Em discurso na semana passada, a líder conservadora Kemi Badenoch afirmou que ministros estão demorando para cumprir a promessa de elevar os investimentos em defesa para 2,5% do Produto Interno Bruto até 2027.
Dados internos do Ministério da Defesa obtidos pelo Guardian indicam, no entanto, que investimentos em defesa antimísseis e sistemas antidrones caíram nos últimos anos do governo conservador.
Segundo os números, os gastos com defesa antimísseis baseada em terra caíram de £158 milhões em 2021-2022 para £49,4 milhões em 2023-2024. Já os investimentos em sistemas antidrones recuaram de £22,4 milhões em 2021 para £18,1 milhões em 2023, enquanto o número de navios de caça a minas foi reduzido de 16 para sete desde que os conservadores chegaram ao poder. Um porta-voz do Ministério da Defesa afirmou que os gastos militares aumentaram sob o atual governo e destacou investimentos em novas tecnologias.
— Esse investimento vai fortalecer nossas defesas, inclusive em tecnologias emergentes como o laser Dragonfire, que será instalado em destróieres Type 45 a partir de 2027 — afirmou.

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As autoridades iranianas libertaram sob fiança, neste domingo, a laureada com o Prêmio Nobel da Paz de 2023, Narges Mohammadi, que foi transferida para a capital Teerã para receber tratamento médico, anunciou no domingo sua fundação.
Após dez dias de hospitalização em Zanyán, no Norte do Irã, onde cumpria sua condenação, Narges “se beneficiou de uma suspensão de sua pena em troca de uma fiança considerável”, indica a instituição em um comunicado.
A ativista foi transferida de ambulância para um hospital de Teerã “para ser atendida por sua própria equipe médica”, acrescenta a nota. Ainda assim, a fundação defende que “uma suspensão não é suficiente” e que a ganhadora do Nobel “requer cuidados permanentes e especializados”.
“Devemos garantir que ela nunca retorne à prisão para cumprir os 18 anos restantes de sua sentença. Agora é o momento de exigir sua liberdade incondicional e o arquivamento de todas as acusações. Nenhum ativista de direitos humanos e das mulheres deveria jamais ser preso por seu trabalho pacífico”, afirma.
A nota não dá detalhes sobre o estado de saúde de Narges, mas diz que a ativista está hospitalizada “após uma falha de saúde catastrófica” e que ela não deveria “ser devolvida às condições que destruíram sua saúde”.
Em publicação no X, seu advogado, Mostafa Nili, disse que a ordem que suspendeu a pena de Narges “foi emitida de acordo com a avaliação da Organização de Medicina Legal de que ela necessita de cuidados especializados fora da prisão, sob a supervisão de sua própria equipe médica, devido a múltiplas doenças”.
Narges Mohammadi é uma das principais vozes na defesa dos direitos humanos no Irã. Engenheira formada em física, ela iniciou sua trajetória como ativista ainda na universidade, nos anos 1990, quando já se posicionava contra restrições às liberdades civis no país. Ao longo das décadas seguintes, consolidou-se como uma das figuras mais influentes do movimento de direitos humanos iraniano, com atuação destacada em denúncias de abusos do sistema judicial e penitenciário.
Narges ganhou projeção internacional principalmente por seu trabalho contra a pena de morte e pela defesa dos direitos das mulheres no Irã. Ela integrou o Centro de Defensores dos Direitos Humanos, organização fundada pela também Nobel da Paz Shirin Ebadi, e participou de campanhas que denunciaram execuções e prisões arbitrárias.
Nos últimos anos, sua atuação passou a dialogar diretamente com movimentos como o “Mulher, Vida, Liberdade”, que ganhou força após a morte de Mahsa Amini, em 2022. Mesmo presa, Narges continuou a divulgar cartas e relatos sobre abusos cometidos dentro das prisões, incluindo denúncias de violência física e psicológica contra detentas.
A ativista foi presa pela primeira vez no início dos anos 2000 e, desde então, passou por sucessivos períodos de detenção. As acusações mais recorrentes envolvem “propaganda contra o Estado” e “ameaça à segurança nacional”, termos amplamente utilizados pelo regime iraniano para enquadrar opositores.
Em fevereiro deste ano, ela foi condenada a mais de sete anos de prisão, somando-se a outras sentenças anteriores que elevam seu tempo total de pena. Em diferentes momentos, Narges também foi submetida a isolamento e transferências entre unidades prisionais, o que, segundo organizações internacionais, agravou seu estado de saúde.
Apesar das detenções, sua atuação continuou a repercutir fora do país, mobilizando entidades de direitos humanos e governos estrangeiros. A concessão do Nobel da Paz, em 2023, ampliou essa pressão e consolidou seu nome como símbolo global da resistência ao regime iraniano.
A condição de saúde de Narges é motivo de preocupação há anos. Ela sofre de problemas cardíacos e pulmonares e já passou por procedimentos como angioplastias. Familiares e advogados afirmam que, durante períodos de prisão, ela teve acesso limitado a cuidados médicos adequados.
Segundo a Fundação Narges Mohammadi, sua transferência recente para um hospital ocorreu após uma “deterioração catastrófica” do quadro clínico, com episódios de perda de consciência e crise cardíaca. Ainda assim, o tratamento estaria restrito a medidas emergenciais para estabilização, sem acesso a acompanhamento especializado.
Mesmo encarcerada, a ativista seguia como uma referência para movimentos de oposição ao regime iraniano. Sua trajetória reúne denúncias documentadas, mobilização internacional e um histórico de enfrentamento direto às autoridades.
A internação em estado crítico reacendeu a pressão de organizações e instituições internacionais para que o Irã permita seu tratamento adequado e reavalie sua prisão. Enquanto isso, seu caso permanece como um dos mais emblemáticos da repressão a ativistas no país.
O presidente dos EUA, Donald Trump, chamou de “inaceitável” a resposta iraniana a uma nova proposta dos EUA para encerrar a guerra lançada pelo republicano no final de fevereiro, e que hoje está em relativa pausa para dar espaço à diplomacia. Segundo relatos na imprensa do Irã, o governo em Teerã enfatizou a necessidade em pavimentar o fim do conflito e fez exigências sobre sanções e a liberação de dinheiro congelado no exterior, sem apresentar compromissos sobre o programa nuclear.
“Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gostei — TOTALMENTE INACEITÁVEL!”, escreveu o republicano em sua rede social, o Truth Social.
Horas antes, o Paquistão, que atua como mediador, confirmou o recebimento da contraproposta iraniana, sem revelar seu teor. De acordo com a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, o plano de Teerã põe ênfase no fim da guerra e em garantias para que ela não seja retomada, exige o fim das sanções e pede que os iranianos tenham algum papel na gestão do Estreito de Ormuz, hoje fechado por dois bloqueios — um do Irã, outro dos EUA. Em outro ponto, afirma a Tasnim, citando representantes do governo, os negociadores cobram a liberação de ativos financeiros congelados no exterior, que somariam cerca de US$ 100 bilhões.
Mas a proposta deixa claro que, neste momento, os iranianos não querem discutir o futuro do programa nuclear. De acordo com o portal Axios, um ponto crucial do plano americano era o congelamento por até 20 anos das atividades de enriquecimento no país, além de algum tipo de compromisso para que jamais fosse desenvolvida uma bomba atômica. Inicialmente, o Irã sugeriu um congelamento em torno de cinco anos, sem o desmantelamento das instalações existentes.
O caso de um lago na Tanzânia, chamado Natron, que transformaria animais em pedra, voltou a repercutir na internet e despertar a curiosidade dos internautas. O fenômeno ganhou notoriedade pela primeira vez ainda em 2013, quando um conjunto de imagens do fotógrafo Nick Brandt viralizou online.
As imagens mostram pássaros e morcegos aparentemente transformados em pedra no lago localizado na região Norte do país africano. Isso não é, no entanto, o que aconteceu no lago Natron.
A agência espacial americana (Nasa) explica que, na realidade, o lago fica numa região de intensa atividade vulcânica, por isso imagens de satélite mostram que suas águas costumam ter até mesmo uma coloração avermelhada. Isso faz com que a temperatura do lago seja extremamente alta, ultrapassando os 60ºC, inóspita para a maior parte das espécies.
Lago Natron.
Nasa
Além disso, o vulcanismo leva a uma composição química incomum no lago. “Vulcões, como Ol Doinyo Lengai (cerca de 20 quilômetros ao sul), produzem misturas desfocadas de carbonato de sódio e sais de carbonato de cálcio. A mistura se move através do solo através de um sistema de falhas e poços em mais de 20 fontes termais que, em última análise, esvaziam no lago”, explica a Nasa em comunicado.
O clima na região também é árido, fazendo com que o lago receba menos de 500 milímetros de chuva por ano. Isso faz com que a água do lago seja extremamente alcalina, o oposto de ácida, mas igualmente perigosa, com um pH que às vezes chega a 12. É por isso que, quando pássaros, morcegos ou qualquer outro animal cai na água, eles morrem.
“Encontrei inesperadamente essas criaturas — todo tipo de pássaros e morcegos — espalhadas pela margem”, escreveu Brandt em seu livro Across the Ravaged Land, no qual as fotos foram publicadas.
Os corpos dos animais acabam preservados pelos sais minerais presentes no lago após a morte. As imagens dos corpos, que foram editadas com um filtro preto e branco, foram suficientes para gerar a fama de Lago Medusa ao local, em referência à figura da mitologia grega que transformava suas vítimas em pedra.
“A guerra não acabou, porque ainda há material nuclear — urânio enriquecido — que precisa ser retirado do Irã. Ainda há instalações de enriquecimento que devem ser desmanteladas”, disse Netanyahu em entrevista que será exibida na noite deste domingo (10) no programa “60 Minutes”, da rede americana CBS.
“Entra-se e retira-se”, afirmou o líder israelense ao ser perguntado sobre como o urânio poderia ser removido.
Netanyahu afirmou que o presidente americano, Donald Trump, mantinha uma postura semelhante. “Não vou tratar de meios militares aqui, mas o que o presidente Trump me disse é: ‘Quero entrar lá’.”
Essa declaração contrasta com a postura pública de Trump. O republicano de 79 anos enfrenta crescente pressão interna para encerrar a guerra com o Irã e insiste em que o programa nuclear de Teerã já foi contido.
Em entrevista exibida neste domingo, Trump declarou que o Irã já está “militarmente derrotado” e insistiu em que o urânio poderia ser retirado “quando quisermos”.
“Vamos conseguir em algum momento, quando quisermos. Vamos mantê-lo sob vigilância”, disse à jornalista americana Sharyl Attkisson, que tem um programa no YouTube. “Está muito bem vigiado. Se alguém se aproximasse do local, saberíamos e os faríamos voar pelos ares.”
Ao ser consultado pela CBS sobre como as reservas de urânio do Irã poderiam ser extraídas, Netanyahu respondeu que preferiria um acordo. “Acho que é fisicamente possível. Esse não é o problema. Se um acordo for alcançado, entra-se e retira-se — por que não? Essa é a melhor maneira.”
Diante da insistência sobre se há opções militares para confiscar o urânio oculto, Netanyahu declarou: “Não vou falar sobre nossas possibilidades militares, nossos planos nem nada do gênero. Não vou estabelecer um cronograma, mas direi que se trata de uma missão de suma importância”, acrescentou.
Além da questão ainda não resolvida das reservas de urânio, o líder israelense apontou que outros objetivos da guerra ainda não foram cumpridos. “Ainda há grupos apoiados pelo Irã, assim como seus mísseis balísticos, que eles continuam querendo fabricar. Certamente reduzimos grande parte dessa capacidade, mas tudo isso ainda existe e há trabalho a fazer”, afirmou ao 60 Minutes.
Um sentimento de “não à guerra” tem ganhado força no Japão nos últimos meses, aparecendo em cartazes de alguns dos maiores protestos do país em pelo menos uma década, incluindo neste sábado. Os manifestantes se opõem à tentativa da primeira-ministra Sanae Takaichi de afastar a nação de sua identidade pacifista de décadas.
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Desde que assumiu o cargo em outubro, Takaichi flexibilizou restrições antigas à exportação de armas, posicionou mísseis de longo alcance no sudoeste do Japão e promoveu uma cooperação de defesa mais estreita com aliados — medidas que o governo afirma serem necessárias diante do aumento de conflitos globais.
Durante décadas, o Japão vem se afastando da postura antimilitarista consagrada em sua Constituição, adotada sob ocupação dos Aliados após a derrota na Segunda Guerra Mundial. No entanto, as ações de Takaichi, somadas ao aumento de seu poder após uma vitória expressiva em uma eleição antecipada em fevereiro, têm levantado preocupações sobre a erosão do pacifismo do pós-guerra no país.
Protesto em Tóquio contra a guerra
Philip FONG / AFP
Seus opositores têm realizado manifestações em todas as províncias do país, onde as multidões têm crescido a cada semana. Ainda assim, seus apoiadores argumentam que o Japão está em uma região difícil — com uma China cada vez mais assertiva, uma Coreia do Norte imprevisível e uma Rússia em guerra — enquanto a confiabilidade dos Estados Unidos, principal aliado do país, é cada vez mais questionada.
Aqui está o que você precisa saber sobre os protestos contra a guerra no Japão:
Quando os protestos começaram?
A atual onda de manifestações começou a ganhar força em fevereiro, quando a vitória eleitoral de Sanae Takaichi lhe deu um amplo mandato para avançar sua agenda conservadora, incluindo o fortalecimento do poder militar do Japão. Naquele mês, milhares de pessoas se reuniram em frente ao Parlamento japonês para defender o pacifismo.
Analistas afirmaram que o Partido Liberal Democrático (LDP), no poder, tinha a plataforma mais forte em décadas para avançar em um objetivo antigo: alterar o Artigo 9 da Constituição, que renuncia à guerra e tem sido interpretado como uma proibição de o Japão manter forças armadas para fins que não sejam de autodefesa. O Japão de fato possui um exército, mas ele funciona dentro das limitações do Artigo 9.
As multidões aumentaram em abril, quando o governo eliminou restrições antigas à exportação de armas letais, argumentando que isso fortaleceria a segurança do Japão e de seus aliados. Mais de 50 mil manifestantes contra a guerra se reuniram em mais de 200 cidades e vilarejos naquele mês, segundo organizadores.
Os protestos cresceram ainda mais para mais de 90 mil participantes no último fim de semana, durante um feriado público que marca o aniversário da Constituição. Em Tóquio, mais de 50 mil pessoas se reuniram em um parque para expressar oposição à política militar da primeira-ministra Sanae Takaichi, segundo os organizadores.
O que os manifestantes querem?
Os manifestantes afirmam que desejam que o Japão mantenha sua identidade pacifista e sua Constituição. Eles também pedem a renúncia da primeira-ministra Sanae Takaichi.
Na visão deles, qualquer revisão da Constituição pode levar à remilitarização do Japão, prejudicando a reputação que o país construiu após a Segunda Guerra Mundial como uma potência econômica não ameaçadora e respeitadora de regras. Eles também expressam preocupação de que Takaichi possa envolver o país em guerras, aumentar tensões com a China e contribuir para uma tendência global de militarização de longo prazo.
A guerra no Oriente Médio também estaria pressionando os preços. Os manifestantes dizem que esse choque se somou ao estresse econômico causado pela forte queda do turismo chinês no Japão, uma reação à posição de Takaichi de que o Japão poderia ajudar a defender Taiwan caso ela fosse invadida pela China.
O que torna esses protestos diferentes?
Grandes manifestações são raras no Japão, devido à aversão cultural do país a interrupções públicas. Por isso, o aumento recente do ativismo — marcado pelo lema “a Constituição da paz é o tesouro do Japão” — chama atenção.
Outro ponto marcante é a diversidade geracional dos participantes. Não são apenas pessoas mais velhas, com memórias da Segunda Guerra Mundial e dos bombardeios atômicos, mas também jovens na casa dos 20 e 30 anos. Muitos deles dizem estar motivados pelas guerras em andamento no mundo e pela sensação de que têm muito a perder com o rumo futuro do país.
Em alguns atos, os organizadores incentivaram o uso de bastões de luz, inspirados em protestos recentes na Coreia do Sul. Essas manifestações também atraíram pessoas que estão protestando pela primeira vez, especialmente jovens que se conectaram ao movimento por meio das redes sociais.
Qual foi o impacto dos protestos?
O impacto político até agora tem sido limitado. Sanae Takaichi continua popular, e as manifestações aparentemente não prejudicaram seus índices de aprovação.
No entanto, os protestos expuseram divisões dentro da sociedade japonesa. Pesquisas recentes mostram tanto um apoio significativo a um exército mais forte quanto uma resistência igualmente relevante a essa ideia.
Além disso, o poder de Takaichi também enfrenta limitações institucionais. Qualquer mudança na Constituição exigiria maioria de dois terços em ambas as casas do Parlamento e, depois, maioria simples em um referendo nacional. O partido dela não possui cadeiras suficientes na câmara alta e dependeria de aliados para levar uma eventual revisão até a etapa do referendo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista divulgada neste domingo (10) à jornalista Sharyl Attkisson, gravada na semana passada, que levaria apenas duas semanas para atacar “todos os alvos restantes” no Irã. À americana, que tem um canal independente no YouTube, assegurou que a República Islâmica está “militarmente derrotada”.
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Na entrevista, Trump também classifica a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) como um “tigre de papel” e acusa os aliados de não terem “ajudado Washington na campanha militar contra Teerã”, iniciada com Israel em fevereiro.
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“O Irã está militarmente derrotado. Em suas próprias mentes, talvez não o saibam (ainda). Mas acho que sabem sim”, disse Trump na entrevista.
O republicano sugeriu que as forças armadas americanas poderiam “intervir por mais duas semanas” para atacar os alvos restantes:
“(Ainda) há certos alvos que queríamos atingir — e provavelmente já atacamos 70% do total —, mas há esses outros que, hipoteticamente, ainda poderíamos atacar. Mas mesmo que não fizermos isso, seriam apenas os retoques finais”.
A seis meses de eleições que definirão o controle do Congresso nos EUA e a metade final de sua passagem pela Casa Branca, com a gasolina e o custo de vida em alta e a popularidade em baixa, Trump busca encontrar uma narrativa de vitória. A entrevista veio à tona imediatamente após o Irã anunciar, neste domingo, que respondeu à mais recente proposta americana para encerrar o conflito.
Em Haia, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou neste domingo que seu país “é o único que tem direito” sobre o Essequibo, território da Guiana rico em petróleo que o país vizinho almeja.
— Ficou muito claro que o único que tem titularidade sobre este território, nesta controvérsia territorial, é a Venezuela — afirmou Rodríguez em Haia, onde representa seu país na Corte Internacional de Justiça (CIJ), a máxima jurisdição da ONU, sede de nova rodada de audiências sobre o tema.
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Sua presença em Haia, afirmou a ex vice-presidente chavista de Nicolás Maduro, retirado do país em ação militar dos Estados Unidos em janeiro, tem como objetivo defender “os direitos históricos” sobre o que chama de “Guiana Essequiba”.
Em seu canal no Telegram, Delcy assinalou que “sempre reivindicaremos nossos direitos legítimos e históricos sobre este território”. O tema tem sido utilizado pelo chavismo para angariar apoio popular e preocupa vizinhos, inclusive, o Brasil, pelo risco de um confronto armado.
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Guiana e Venezuela mantêm complexa disputa territorial, iniciada no século XIX. O entrevero se intensificou após a ExxonMobil descobrir, em 2015, enormes campos de petróleo em alto mar, o que tornou a Guiana o país com as maiores reservas mundiais de petróleo bruto per capita.
O Essequibo abrange mais de 2/3 do território da Guiana, com 160 mil quilômetros quadrados. A Guiana sustenta que a demarcação de sua fronteira, que remonta à época colonial inglesa, foi ratificada em 1899, por um Tribunal de Arbitragem ,em Paris, e almeja que a CIJ confirme sua validade.
A Venezuela, por sua vez, afirma que um acordo assinado em 1966 com o Reino Unido, em Genebra, na Suíça — pouco antes da independência da Guiana de Londres — estabelece as bases para uma solução negociada à margem da CIJ. Por isso, sustenta que o rio Essequibo deve ser a fronteira natural entre os dois lados exatamente como o era em 1777, na época da colonização espanhola.
Delcy afirmou que seu país defende justamente “a majestade e o vigor do Acordo de Genebra”, de 1966. E apontou que aquele foi “um tratado para dar por encerrada e superada” a sentença arbitral de 1899, que qualificou de “fraudulenta”.
Desde que assumiu o poder em Caracas, Delcy realizara apenas duas outras viagens oficiais para o exterior, aos vizinhos Granada e Barbados.
Os ministérios da Defesa do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram neste domingo (10) que suas defesas aéreas abateram diversos drones, sem feridos. Os EAU afirmaram ainda que o Irã é o responsável pelo ataque em seu território. Já o Kuwait informou que “drones hostis” foram detectados no espaço aéreo do país. Na costa do Catar, um navio cargueiro britânico sofreu um “pequeno incêndio” após ser atingido por drones de origem desconhecida, em ataque que Londres classificou como “escalada perigosa e inaceitável que ameaça a segurança das rotas marítimas”.
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Neste sábado (9), o Reino Unido anunciou que deslocará para o Oriente Médio o destróier HMS Dragon, atualmente no Mediterrâneo, em preparação para uma “futura missão internacional de proteção ao transporte marítimo no Estreito de Ormuz”, uma das rotas comerciais mais estratégicas do planeta. De acordo com o o ministério britânico da Defesa, a decisão faz parte de um esforço de “planejamento rigoroso” para “garantir a segurança do estreito, quando as condições permitirem”, em uma coalizão internacional co-liderada com a França.
Horas antes do incidente com o cargueiro próximo a Doha, em conversa telefônica com o chanceler iraniano, o primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, falou sobre os esforços “destinados a alcançar a paz e a reforçar a segurança e a estabilidade na região”.
Em comunicado, reproduzido pela rede catari AlJazeera, o premier enfatizou “que a liberdade de navegação é um princípio bem estabelecido que não admite concessões, e fechar o Estreito de Ormuz ou usá-lo como moeda de troca só levará ao agravamento da crise e a uma maior exposição dos interesses vitais dos países da região a mais perigo”.
Após o ataque, ainda de origem desconhecida, o Catar condenou o que chamou de “violação flagrante do princípio da liberdade de navegação e das disposições do direito internacional”.
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No Kuwait, o porta-voz do Ministério da Defesa, coronel Saud Abdulaziz Al-Atwan, afirmou que suas defesas aéreas responderam de acordo com os procedimentos estabelecidos após ter “lidado com drones hostis”.
Em meio aos relatos de ataques, uma explosão foi ouvida na cidade portuária iraniana de Chabahar, que, segundo a agência semioficial iraniana Mehr, teria sido causada por uma “operação planejada de destruição de munições não detonadas”.
Irã responde à proposta de paz
O Irã enviou sua resposta à mais recente proposta apresentada pelos Estados Unidos com o objetivo de encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro, quando Washington e Tel Aviv atacaram Teerã, informou neste domingo a imprensa estatal iraniana. A comunicação, também de acordo com a Irna, foi feita através do Paquistão, país que vem atuando como principal canal diplomático entre os países nas negociações indiretas.
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A agência afirmou que a resposta de Teerã se concentra em “acabar com a guerra na região e garantir a segurança marítima” no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz.
Antes do envio, segundo a TV estatal, o chefe do comando militar central do Irã, Ali Abdollahi, reuniu-se com o líder supremo Mojtaba Khamenei para abordar “novas diretrizes e orientações para a continuação das operações para enfrentar o inimigo”.
Homem enrolado em bandeira do Irã segura a imagem do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, em ato em Teerã
AFP
Segundo a rede americana CNN, o líder supremo desempenha papel crucial na estratégia da guerra e na condução das negociações com os Estados Unidos, apesar de seu isolamento desde o início da guerra e de seus ferimentos no joelho e nas costas. O Wall Street Journal, que ouviu uma fonte sob condição de anonimato, afirmou que Khamenei também sofreu queimaduras graves que atingiram rosto, braço, tronco e perna.
Altos funcionários da Guarda Revolucionária Islâmica têm comandado as operações diárias no teatro de guerra, juntamente com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. No início da semana, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou à mídia estatal que teve uma reunião de duas horas e meia com Khamenei, no primeiro encontro presencial relatado entre uma alta autoridade iraniana e o líder supremo.
(Com AFP)
Os ministérios da Defesa do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram neste domingo que suas defesas aéreas abateram diversos drones, que não resultaram em feridos. Os EAU, por sua vez, afirmaram que o Irã é responsável pelo ataque em seu território. Já o Kuwait informou que “drones hostis” foram detectados no espaço aéreo do país. Na costa do Catar, um navio cargueiro britânico sofreu um “pequeno incêndio” após ser atingido por drones de origem desconhecida, em um ataque que o ministério das Relações Exteriores do país classificou como “uma escalada perigosa e inaceitável que ameaça a segurança das rotas marítimas”.
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Horas antes do incidente com o cargueiro próximo a Doha, em conversa telefônica com o chanceler iraniano, o primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, falou sobre os esforços “destinados a alcançar a paz e a reforçar a segurança e a estabilidade na região”.
Em comunicado, segundo a rede catari AlJazeera, o premier afirmou que “enfatizou que a liberdade de navegação é um princípio bem estabelecido que não admite concessões, e que fechar o Estreito de Ormuz ou usá-lo como moeda de troca só levaria ao agravamento da crise e exporia os interesses vitais dos países da região ao perigo”. Ele ainda alertou para as “potenciais repercussões negativas que isso poderia ter no fornecimento global de energia e alimentos, bem como na estabilidade dos mercados e das cadeias de abastecimento”.
Após o ataque, ainda de origem desconhecida, o Catar condenou o que chamou de “violação flagrante do princípio da liberdade de navegação e das disposições do direito internacional”. O Ministério das Relações Exteriores do país, que solicitou uma investigação, classificou o incidente como uma “escalada perigosa e inaceitável que ameaça a segurança das rotas marítimas comerciais e o abastecimento vital da região”.
Os ministérios da Defesa do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram neste domingo que suas defesas aéreas abateram diversos drones, que não resultaram em feridos. Os EAU, por sua vez, afirmaram que o Irã é responsável pelo ataque em seu território. Já o Kuwait informou que “drones hostis” foram detectados no espaço aéreo do país. Na costa do Catar, um navio cargueiro britânico pegou fogo após ser atingido por drones de origem desconhecida, em um ataque que o ministério das Relações Exteriores do país classificou como “uma escalada perigosa e inaceitável que ameaça a segurança das rotas marítimas”.
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