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Andy Burnham já concorreu duas vezes, sem sucesso, à liderança do Partido Trabalhista do Reino Unido, que atualmente governa a ilha britânica. Agora, a vitória decisiva em uma eleição parlamentar suplementar e a renúncia do primeiro-ministro Keir Starmer o aproximam não apenas deste objetivo, como também da possibilidade de se tornar chefe-de-governo.
Fim da linha: Keir Starmer anuncia renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido e à liderança do Partido Trabalhista
Mais cotados: Quem pode substituir Keir Starmer como primeiro-ministro do Reino Unido?
Comunicador eloquente, conhecido por sua cordialidade e carisma, Burnham foi prefeito da Grande Manchester durante nove anos, período em que cultivou uma imagem de otimismo, ativismo e de uma franqueza autêntica característica do norte da Inglaterra. Recentemente, ele obteve uma cadeira no Parlamento britânico para representar Makerfield, no noroeste da Inglaterra.
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Os apoiadores de Burnham — que ganhou em Manchester o apelido de “rei do Norte” por sua defesa da região durante a pandemia de Covid-19 — o veem como o potencial salvador do Partido Trabalhista diante do partido populista de direita Reform UK, liderado por Nigel Farage. Seus críticos o retratam como um camaleão político que enfrentaria as mesmas limitações econômicas que dificultaram o governo pouco inspirador de Starmer, além do mesmo eleitorado inquieto e impaciente.
De qualquer forma, ele seria um tipo diferente de líder em relação àquele que deseja substituir.
— Ele é simplesmente otimista, alegre e parece gostar de ser político — disse John McTernan, assessor de Tony Blair quando este era primeiro-ministro e alguém que conhece Burnham desde os tempos em que ele trabalhava como pesquisador para uma parlamentar do sul de Londres. — Os líderes ou inspiram você, ou o deixam um pouco deprimido — acrescentou, observando que vários primeiros-ministros recentes “pareciam gostar do cargo”, incluindo Starmer.
Burnham nasceu em Liverpool em 1970. Seu pai era técnico de telefonia e sua mãe trabalhava como recepcionista de consultório médico. Foi criado em Culcheth, uma vila no condado de Cheshire, não muito distante de Makerfield. De ascendência irlandesa, estudou em escolas públicas católicas e já falou sobre sua fé, incluindo um encontro com o Papa Francisco em 2023.
— Minha mãe estava comigo e, embora eu não seja católico no sentido mais completo da palavra, senti a atração magnética do Vaticano — disse ele, comparando sua fé à sua devoção de toda a vida ao clube de futebol Everton. — [Mesmo que você deixe de ir aos jogos] continua sendo torcedor do Everton; você pode parar de ir à igreja, mas continua sendo católico.
Andy Burnham fala com apoiadores e jornalistas após vencer eleição suplementar que o levou ao Parlamento britânico, em Ashton-in-Makerfield, na Inglaterra
Darren Staples / AFP
Andy Burnham: Rival de Starmer vence eleição crucial no Reino Unido e ameaça liderança do primeiro-ministro
Burnham conquistou uma vaga para estudar Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge e, após se formar, seguiu um caminho comum rumo à projeção política: primeiro como pesquisador de Tessa Jowell, parlamentar do sul de Londres, e depois como assessor de Chris Smith, então secretário de Cultura.
Foi em Cambridge que conheceu Marie-France Van Heel, nascida nos Países Baixos. Os dois mais tarde se casaram e tiveram três filhos.
— Quando minha esposa engravidou, na verdade não planejávamos ter filhos naquele momento porque eu achava que estabilidade era importante. Casamos em outubro de 2000, quando Jimmy tinha oito meses, e eu estava em uma difícil disputa para conseguir a indicação partidária — contou Burnham ao jornal The Guardian em 2009, referindo-se aos seus esforços para concorrer ao Parlamento.
Depois de ser eleito em 2001 para representar Leigh, um distrito do norte da Inglaterra próximo de onde cresceu, tornou-se ministro júnior no governo trabalhista de Tony Blair. Mais tarde foi promovido ao gabinete sob Gordon Brown e ocupou os cargos de secretário-chefe do Tesouro, secretário de Cultura, Mídia e Esportes e, posteriormente, secretário da Saúde.
Em 2009, Burnham foi vaiado durante uma cerimônia em memória dos 20 anos do desastre de Hillsborough, que resultou na morte de 97 torcedores do Liverpool FC esmagados em um estádio. O episódio o marcou profundamente, convencendo-o de que as famílias das vítimas mereciam justiça após a polícia, investigadores e parte da imprensa tentarem retratar os mortos como hooligans e responsabilizá-los pela tragédia. A pressão exercida por Burnham ajudou a garantir uma segunda investigação.
Keir Starmer: Quem é o líder ‘sem carisma’ que levou os trabalhistas de volta ao poder e agora deixa o governo britânico
Depois que o Partido Trabalhista perdeu as eleições gerais de 2010, Burnham disputou a liderança da legenda, terminando em quarto lugar. Em 2015 tentou novamente e começou como favorito, mas acabou derrotado por Jeremy Corbyn, de uma corrente mais à esquerda da sigla, para quem trabalhou mais tarde. Em 2017, Burnham deixou o Parlamento ao concluir que seu futuro político estava fora de Westminster e foi eleito prefeito da Grande Manchester.
Robert Ford, professor de política da Universidade de Manchester, afirmou que Burnham liderou uma economia local dinâmica e demonstrou habilidade política ao ampliar o controle e a regulamentação dos ônibus da cidade — vencendo, nesse processo, uma disputa contra empresas de transporte.
— Ele transformou o que poderia ter sido uma política tecnocrática bastante sem graça — acredite, se Keir Starmer estivesse lá teria sido — em uma luta de Davi contra Golias — disse Ford. — Sua grande força é ser um comunicador muito eficaz, um contador de histórias muito eficiente; ele é bom em transmitir aos eleitores quem ele é, quem ele representa e o que está tentando fazer. Nesses aspectos, ele contrasta bastante com o atual primeiro-ministro trabalhista.
Burnham também assumiu papel de destaque durante a pandemia, reclamando que os lockdowns do governo estavam penalizando regiões como a sua, e fez um discurso no centro de Manchester que se tornou famoso.
Talvez a crítica mais constante dirigida a Burnham — que serviu sob três líderes trabalhistas muito diferentes, Blair, Brown e Corbyn — seja a de que ele é politicamente maleável.
Em 2022, após a última Copa do Mundo de futebol, o próprio Starmer brincou com o antigo colega. Em conversa com jornalistas, disse que Burnham “pôde ver seu time de infância, a Argentina, ganhar a Copa do Mundo”, mas que “foi uma experiência mista porque também viu seu time de infância, a França, perder a final, e seus times de infância Marrocos e Croácia serem eliminados nas semifinais”.
O premier britânico, Keir Starmer, renuncia às funções como chefe de governo e líder do Partido Trabalhista
Henry Nicholls/AFP
McTernan reconheceu que Burnham tem fama de ser um político que “gosta que gostem dele”, mas acrescentou que “um político que busca agradar as pessoas é muito melhor do que um político que as detesta”.
Um tema constante ao longo da carreira de Burnham é a ideia de que a política britânica e os meios de comunicação são excessivamente centrados em Londres e de que a desigualdade regional prejudicou o país — argumento que ele apresentou já em seu primeiro discurso no Parlamento, em 2001. Em uma entrevista recente, afirmou que o Reino Unido estava “no caminho errado há 40 anos”.
Burnham gerou preocupação entre alguns observadores no ano passado ao afirmar que o Partido Trabalhista deveria ir “além de ficar refém dos mercados de títulos públicos” — frase que posteriormente disse ter sido mal interpretada. Mais recentemente, pareceu pouco seguro ao comentar um aspecto da política econômica durante uma entrevista à BBC. Ainda assim, em Manchester adotou políticas favoráveis aos negócios para atrair investimentos.
Segundo o professor Ford, como prefeito, Burnham “se acostumou relativamente a dizer o que pensa”, mas agora “tem recebido uma lição bastante dura sobre a necessidade de pesar as palavras com mais cuidado”.
É difícil prever até que ponto as habilidades demonstradas em Manchester o preparariam para o principal cargo da política britânica.
— É muito diferente quando você navega para a tempestade de Downing Street, onde haverá 150 assuntos sobre sua mesa todos os dias — disse Ford. — Você não tem muito controle sobre quais deles escolher para travar disputas e não tem tempo para refletir.

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Estados Unidos e Irã concordaram nesta segunda-feira em estabelecer linhas de comunicação para manter o Estreito de Ormuz aberto e interromper a guerra no Líbano, afirmaram fontes dos países e mediadores, após a primeira rodada de negociações na Suíça ser concluída com a confirmação de concessões. O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a suspensão de sanções ao petróleo de Teerã até 21 de agosto, enquanto o vice-presidente americano, JD Vance, afirmou que as autoridades iranianas concordaram com em permitir a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no país — um passo que pode ser fundamental em um futuro acordo nuclear.
‘Entrevista: ‘A guerra foi destrutiva para os iranianos, mas deu resultados do ponto de vista político’
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As equipes de negociação, lideradas por Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, iniciaram na Suíça um processo de dois meses que visa o fim do conflito. Os países mediadores, Paquistão e Catar, destacaram a “atmosfera positiva e construtiva” das deliberações iniciadas no domingo em um comunicado, em que informaram que “[as partes definiram] um mapa do caminho para alcançar um acordo final em 60 dias, estabelecendo as bases para o início imediato de novas conversações técnicas”.
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Os acenos são mais positivos do que o clima tensa que permeou as negociações no fim de semana. A agência de notícias iraniana IRNA chegou a publicar que a delegação diplomática do país teria deixado as conversas em razão de ameaças do presidente americano, Donald Trump. No sábado, o governo do Irã anunciou o fechamento de Ormuz, em razão dos descumprimentos envolvendo a continuidade das hostilidades no Líbano. O panorama apresentado nesta segunda apontava para entendimentos.
Oão mencionou avanços para criar um mecanismo para conversas” técnicas”, incluindo um canal de contatos estabelecido para “evitar incidentes e falhas de comunicação” em Ormuz. Em Teerã, a delegação iraniana retornou se referindo a “18 horas de discussões intensas”, com o Ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, O apontando que “a incansável mediação paquistanesa e catari” possibilitou “grandes avanços para acabar com a guerra no Líbano”.
Vance, que liderou a comitiva americana integrada pelo genro de Donald Trump, Jared Kushner, e o negociador Steve Witkoff, comparou o acordo final a uma “casa”, afirmando que embora não estivesse finalizado, uma “base sólida” havia sido lançada na Suíça. O vice-presidente citou como compromisso perseguido pelos EUA uma garantia iraniana para permitir a entrada dos inspetores da AIEA no país — o que não foi confirmado até o momento por Teerã.
— Este é um marco importante para o povo americano e o primeiro passo rumo à desnuclearização permanente — disse Vance.
O Irã suspendeu a cooperação com a agência da ONU há um ano, proibindo a entrada de inspetores no país desde os bombardeadas americanos e israelenses na guerra de 12 dias. A nação persa, que nega perseguir o desenvolvimento de armas nucleares, ampliou o enriquecimento de urânio desde a saída dos EUA do acordo nuclear da era Obama, no primeiro mandato de Trump. Sobre as negociações atuais, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, declarou nesta segunda que houve “uma discussão muito breve sobre a questão nuclear, mas nenhum detalhe foi discutido”.
Alívio ao Irã
Uma medida que confirma na prática o sinal retórico por parte de Washington partiu do Departamento do Tesouro americano, com a liberação das sanções sobre o petróleo iraniano até às 00h01 do dia 21 de julho. Uma licença publicada no site do órgão indica que “todas as transações” antes “proibidas” e relacionadas à produção, venda e transporte de hidrocarbonetos de origem iraniana ficam autorizadas até a data.
O chanceler do Irã afirmou que além da suspensão de embargos sobre as exportações de petróleo e produtos petroquímicos , “alguns ativos” financeiros congelados no exterior teriam sido “liberados”. O diplomata mencionou também o lançamento de “um importante plano de reconstrução e desenvolvimento”.
Vance, que classificou o encontro como “histórico”, expressou esperança de “virar a página e transformar nossa relação com o povo iraniano”. Acompanhado por Witkoff e Kushner, ele questionou se seria possível “mudar permanentemente as relações no Oriente Médio” ou se seria necessário voltar “a fazer as coisas à moda antiga”. O vice-presidente também disse que os EUA garantiriam que o descongelamento dos ativos “não contribuirá para financiar o terrorismo”.
Fator Líbano
O presidente libanês, Joseph Aoun, recebeu um telefonema dos Estados Unidos e do Catar em meio às negociações na Suíça, focadas na criação de uma célula preventiva para pôr fim à guerra com Israel, anunciou a presidência libanesa nesta segunda-feira.
Segundo a presidência, Aoun “recebeu um telefonema do vice-presidente dos EUA, JD Vance, do conselheiro sênior do presidente dos EUA, Jared Kushner, e do primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani”.
A conversa abordou “a consolidação do cessar-fogo no Líbano, o fim da escalada militar israelense e as medidas necessárias para avançar nessa direção, incluindo a possibilidade de criação de uma célula para esse fim”, acrescentou o comunicado.
Após uma rodada inicial de negociações na Suíça, Washington e Teerã concordaram em estabelecer uma “célula de gestão de conflitos” para interromper os combates entre Israel e o movimento pró-Irã Hezbollah, de acordo com mediadores paquistaneses e catarianos. (Com AFP)

A tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 no Brasil deve seguir travada no Senado em uma semana esvaziada pelas festas de São João, pelo jogo do Brasil contra a Escócia e pelos trabalhos semipresenciais na Casa.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mantém a PEC 221 de 2019 em sua mesa, sem despachá-la para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Como a comissão não marcou reuniões para esta semana, a expectativa é que a PEC siga parada, completando um mês, no próximo sábado (27), desde a aprovação na Câmara dos Deputados

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O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), não marca reuniões em semanas semipresenciais, quando os parlamentares podem votar remotamente, devido ao baixo quórum.

A assessoria da CCJ informou à Agência Brasil que não houve sinalização de Alcolumbre para liberar a PEC. Já a assessoria do presidente do Senado não respondeu à reportagem.

Com o feriado de São João no Nordeste, na quarta-feira (24), e também dia do jogo do Brasil contra a Escócia pela Copa do Mundo, a expectativa é de uma semana esvaziada no Parlamento.

Na semana passada, o senador Paulo Paim (PT-RS) cobrou, no plenário, a votação da PEC. “Não temos mais por que demorar”, afirmou.

“O que afinal está faltando para que o Senado vote a matéria, já que debatemos esse tema há anos?”, questionou Paim.

A PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais foi aprovada na Câmara por ampla maioria. Apenas 22 dos 513 deputados votaram contra. Mesmo assim, o tema não avança no Senado, onde enfrenta resistência da oposição, que apresentou PEC alternativa para manter a escala 6×1 e permitir contratos por hora. 

A proposta da oposição foi despachada à CCJ por Alcolumbre no mesmo dia em que foi apresentada, no dia seguinte à aprovação da PEC do fim da 6×1 na Câmara.

O senador Otto Alencar informou que vai priorizar a PEC do fim da escala 6×1, por ter iniciado a tramitação antes da proposta da oposição.

Na semana seguinte à aprovação na Câmara, Alcolumbre criticou a pressão para despachar a matéria, sugerindo que ela poderia ser melhorada no Senado e passar por comissões antes do plenário.  

“Tenho certeza de que, como outros senadores, seria razoável que o Senado pudesse melhorar um texto dessa importância e debater o tema com calma”, defendeu Alcolumbre.

As altas temperaturas que atingem a Europa causaram a morte de três pessoas na França durante o fim de semana, enquanto autoridades de diversos países emitiram alertas diante de uma intensa onda de calor que eleva os termômetros para além dos 40ºC em partes do continente, segundo informações da agência Reuters. Ao mesmo tempo em que milhares de escolas francesas fecharam ou adaptaram seus horários, o Reino Unido emitiu um raro alerta máximo para calor extremo em áreas da Inglaterra.
Contexto: Onda de calor extremo na Europa é ‘lembrete brutal’ da crise climática, diz ONU
Entenda: França ativa célula de crise para enfrentar onda de calor antes de festival que reúne milhões de pessoas nas ruas
Na região de Bordeaux, no sudoeste da França, três idosos entre 80 e 95 anos morreram durante o fim de semana em decorrência de problemas de saúde agravados pelas altas temperaturas, segundo autoridades locais. Nesta segunda-feira, os termômetros poderiam ultrapassar os 42°C na cidade, enquanto 49 departamentos franceses estavam sob alerta vermelho para calor extremo.
— Estamos caminhando para, no mínimo, vários dias de calor muito, muito intenso. Ainda não sabemos quando as temperaturas começarão a cair — afirmou a ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, à emissora TF1.
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No Reino Unido, o Met Office, serviço meteorológico nacional, emitiu o nível mais alto de alerta para calor em áreas do centro e do sul da Inglaterra para quarta e quinta-feira. O aviso abrange cidades como Londres, Birmingham e Bath.
“Espera-se um período excepcional de tempo quente e úmido nesta região”, informou o órgão em comunicado. Meteorologistas britânicos alertam que as temperaturas podem superar os 39°C em algumas localidades, quebrando com folga o recorde histórico para o mês de junho, de 35,6°C, registrado em 1957 e 1976.
Veja: França autoriza banho nos canais de Paris para enfrentar calor de até 40ºC
O alerta foi emitido cerca de um mês após o Reino Unido registrar o maio mais quente de sua história, quando os termômetros alcançaram 35,1°C.
Na Espanha, a agência meteorológica Aemet colocou o País Basco, região no norte do país, sob alerta vermelho. Em San Sebastián, cidade conhecida por temperaturas mais amenas, a máxima prevista era de 40°C, acima dos registros habituais para esta época do ano e superior à esperada em cidades tradicionalmente mais quentes, como Sevilha e Córdoba.
‘Europa fritando’: calor extremo e temporal atingem Berlim, e temperaturas podem chegar a 42°C nos próximos dias
Segundo a Aemet, algumas regiões espanholas registram temperaturas entre 5°C e 10°C acima da média histórica para o período. Durante a noite, o calor também tem persistido, com termômetros acima de 25°C e, em alguns locais, acima de 30°C.
Dados de monitoramento climático indicam que a Europa registrava nesta segunda-feira o maior desvio em relação à sua média histórica de temperatura entre todos os continentes, com máximas cerca de 4°C acima dos padrões observados entre 1961 e 1990.
Os efeitos da onda de calor também têm sido sentidos na Itália, onde turistas buscavam aliviar o calor em fontes e áreas climatizadas de Roma, e na Bélgica, onde centros de reabilitação de animais silvestres registraram aumento expressivo no número de aves resgatadas após sofrerem com as temperaturas extremas.
Calor de 43°C em Paris: Rio Sena fica abarrotado de pessoas durante onda de calor histórica na França; vídeo
Na Espanha, o Ministério do Trabalho informou que monitora o cumprimento das regras que permitem aos trabalhadores reduzir ou adaptar a jornada durante alertas meteorológicos severos. A legislação também prevê até quatro dias de licença remunerada para funcionários impossibilitados de chegar ao trabalho devido às condições climáticas.
(Com AFP)
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou sua renúncia à liderança do Partido Trabalhista nesta segunda-feira e, em consequência, à chefia do governo britânico. Starmer será sucedido por quem vencer a disputa pela liderança dos trabalhistas, e o seu sucessor será o sétimo premier britânico em uma década.
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Será ele? Quem é Andy Burnham, nome mais cotado para substituir Keir Starmer como premier do Reino Unido
No sistema de governo britânico, que é uma monarquia parlamentarista, o monarca atua como chefe de Estado, e o primeiro-ministro como chefe de Governo. Quem lidera o partido com maioria no Parlamento se torna premier.
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Keir Starmer se tornou primeiro-ministro quando os trabalhistas alcançaram a maioria do Parlamento numa vitória esmagadora em julho de 2024. No dia seguinte, seguindo o protocolo, o rei Charles III o convidou para formar um governo em seu nome. Como os trabalhistas ainda mantém a maioria no Parlamento, cabe ao Partido escolher um novo líder. Uma vez escolhido, o rei o convidará a formar o governo.
Positivos e negativos: Renúncia de premier do Reino Unido põe fim a governo que fortaleceu laços com a Europa, mas não superou crises internas
‘Sem carisma’: quem é Keir Starmer, que levou os trabalhistas de volta ao poder e agora deixa o governo britânico
De acordo com Starmer, o Partido Trabalhista abrirá o período de candidaturas à liderança em 9 de julho e encerrará antes do recesso do Parlamento, no dia 16. A expectativa é que o novo líder esteja escolhido antes do retorno do Parlamento, no dia 1º de setembro. Enquanto isso, Starmer continua no cargo.
Como o Partido Trabalhista escolhe seu líder?
Os candidatos à liderança dos trabalhistas precisam ter o apoio de 20% dos legisladores do partido, o que significa 81 deles. Além disso, precisam atingir níveis mínimos de apoio de grupos de base do partido e de organizações afiliadas, como sindicatos de trabalhadores.
Se mais de um candidato se qualificar, o vencedor será decidido por uma votação de todos os membros e afiliados do partido. Mas, se apenas um candidato atingir o nível mínimo de apoio, não haverá votação: ele será eleito sem oposição como líder dos trabalhistas e se tornará primeiro-ministro.
O anúncio da renúncia de Keir Starmer do cargo de primeiro-ministro do Reino Unido e da liderança do Partido Trabalhista britânico põe fim ao primeiro Gabinete não conservador em Londres em mais de uma década — e um dos mandatos mais curtos deste século. O ex-procurador-geral, que chegou ao poder com a promessa de “reconstrução” e entrega de grandes reformas econômicas e sociais, deixa o cargo com um alto nível de desaprovação e um legado ainda difícil de avaliar no longo prazo.
Quem é Andy Burnham: Entenda quem é o nome mais cotado para substituir Keir Starmer como premier do Reino Unido
Entenda o caso: Keir Starmer anuncia renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido e à liderança do Partido Trabalhista
O premier demissionário chegou ao Número 10 de Downing Street — sede do governo britânico — em 4 de julho de 2024, após liderar um processo reformista nas fileiras do Partido Trabalhista, que levou a sigla a uma posição mais ao centro. Ex-integrantes expulsos da legenda, como o ex-líder Jeremy Corbyn, manifestaram-se por meio de uma nota do recém-formado movimento político “Your Party”, criticando o premier, que, dizem, “falhou em defender os trabalhadores, criminalizou o direito ao protesto e apoiou os crimes de Israel em Gaza”.
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Embora a vitória de Starmer tenha encerrado uma sequência de 14 anos de governos conservadores, o novo Gabinete assumiu com uma margem de vantagem curta, que foi sendo corroída pelo cenário de estagnação econômica, tensões geopolíticas e polêmicas — a mais ruidosa delas, a nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, apesar de seus reconhecidos laços com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
A extensão da impopularidade do governo ficou evidenciada nas eleições de maio, quando o Partido Trabalhista foi o maior derrotado na disputa por cargos locais, como conselhos distritais e prefeitos. O pleito também demonstrou a fragmentação política em território britânico, dominado historicamente pela disputa entre conservadores e trabalhistas, com o crescimento da sigla de extrema direita Reform UK. O líder radical Nigel Farage reagiu à renúncia de Starmer nesta segunda com um pedido para que a eleição parlamentar fosse antecipada.
O futuro da liderança política, porém, deve ser definida pela maioria trabalhista, com o nome do prefeito da Grande Manchester Andy Burnham despontando como grande favorito. Recentemente eleito para a cadeira de deputado do distrito eleitoral de Makerfield, em um pleito suplementar, Burnham recebeu o apoio de outras lideranças do partido cotadas para disputar o cargo. A imprensa britânica noticiou que ele estava a caminho de Londres na manhã desta segunda, após o pronunciamento do premier.
Keir Starmer se emociona ao renunciar ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido
Em uma declaração à imprensa em que agradeceu Starmer pelas “liderança e dedicação”, Burnham confirmou que disputará a sucessão, que classificou como uma “transição” — em um indicador que pode significar o desejo de reunir apoio suficiente para evitar uma disputa pelo poder.
— O país espera estabilidade, seriedade e foco contínuo nas questões que mais importam, e é isso que receberá — disse o candidato a sucessor, citando como prioridades o crescimento econômico, o custo de vida e os serviços públicos, entre outros. — O movimento trabalhista sempre foi mais forte quando olha para o futuro com confiança e propósito. É isso que faremos daqui em diante e garantiremos que essa transição seja um processo positivo de renovação para nosso partido e para nosso país.
Caso reúna apoio suficiente para evitar uma disputa, Burnham pode se tornar primeiro-ministro em 17 de julho, antes do recesso parlamentar de verão, previsto para 16 de julho. Segundo Starmer, o Comitê Executivo Nacional do Partido Trabalhista abriria as indicações para sucessores em 9 de julho, com a previsão para conclusão em 16 do mesmo mês.
Se a data se confirmar, Starmer terá conduzido o 3º mandato mais curto entre primeiros-ministros britânicos neste século — somente mais duradouro que a passagem do antecessor Rishi Sunak (1 ano e 255 dias) pelo cargo e o brevíssimo governo Liz Truss, que durou apenas 50 dias.
Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester, é principal concorrente à liderança do Partido Trabalhista
Oli Scarff/AFP
Balanço de governo
Apesar da popularidade criticamente baixa e da perda de confiança por parte do partido de que ele pudesse guiar a legenda a uma futura vitória eleitoral, Starmer recebeu demonstrações de apoio ao anunciar a renúncia. Aliados internos e regionais destacaram relativos sucessos do premier em seu curto mandato.
A secretária de Finanças Rachel Reeves lembrou que Starmer conseguiu politicamente reverter a pior derrota trabalhista na História moderna, levando à vitória em 2024. O vice-premier David Lammy afirmou que a estabilidade à economia e a redução das filas de espera do NHS [sistema público de saúde] estão entre as conquistas do governo Starmer, citando também outras políticas, como a recente limitação ao acesso de menores de idade a redes sociais para proteção a riscos online. Lammy também citou a reaproximação com a Europa.
— Ele [Starmer] recolocou o Reino Unido no centro da Europa, apoiou firmemente a Ucrânia e reconstruiu relações com nossos aliados — disse o vice-premier. — Mudança prometida, mudança defendida e mudança entregue. Esse é o legado de Keir Starmer, e tenho imenso orgulho de ter participado dele.
Zelensky esteve com o premier britânico, Keir Starmer, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, em Londres, na segunda-feira
Adrian Dennis/AFP
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também destacou o papel de Starmer na reaproximação com o bloco europeu e na condução de uma política comum dos aliados em termos estratégicos e de defesa. Em nota, a liderança afirmou que “a segurança europeia e ucraniana está mais forte” por causa do premier.
“Muitos líderes levam anos para se tornar o estadista que você se tornou em apenas dois anos”, escreveu von der Leye no texto, encerrado com um agradecimento endereçado ao “querido Keir”.
Muitas questões seguem sem solução no território britânico, elevando o nível de insatisfação interna. Os salários mal acompanharam o aumento dos preços, segundo dados oficiais, indicadores apontam que é improvável que o país atinja a meta de construir mais 1,5 milhão de casas para suprir a carência crônica de habitação, enquanto o crescimento econômico gira pouco acima de 1% — com previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que esse aumento seja ainda menor, em razão das instabilidades trazidas pela guerra no Oriente Médio e a crise do petróleo provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. (NYT e AFP)

Com candidatura em análise pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Arthur Henrique (PL) foi o mais votado para o cargo de governador do estado de Roraima, em eleição suplementar ocorrida nesse domingo (21). Ele e o candidato a vice, subtenente Velton, receberam 160.004 votos, 60,87% dos votos válidos.  

O resultado da apuração foi anunciado ainda na noite de ontem, mas os candidatos só poderão ser declarados eleitos após o TSE analisar uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do estado (TRE-RR) que indeferiu o registro dos candidatos por descumprimento do prazo legal de desincompatibilização (afastamento do cargo para disputar eleição).

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Arthur Henrique ocupava o cargo de prefeito de Boa Vista e, após a cassação do então governador Antonio Denarium (Republicanos) e de seu vice Edilson Damião (UNIÃO), desligou-se da gestão para concorrer à eleição suplementar.

O afastamento seguiu o prazo estabelecido pelo TRE-RR por resolução, de apenas 24 horas. No entanto do Supremo Tribunal Federal derrubou a decisão, por considerar o prazo em desacordo com a Lei Complementar 64/1990, que prevê um prazo mínimo de três meses.

Os candidatos Soldado Sampaio e Tayla Peres (Republicanos) receberam 93.897 votos válidos (35,72%). A chapa de Nelita Frank (PT) e Bartô Macuxi (PSol), 8.948 votos – o equivalente a 3,40% dos votos válidos na eleição suplementar.

O presidente eleito da Colômbia, o outsider de extrema direita Abelardo de la Espriella, celebrou no domingo o início de uma “nova era” no país após derrotar, no segundo turno mais apertado da história, o candidato da esquerda, que governou o país pela primeira vez nos últimos quatro anos. A vitória por menos de um ponto percentual foi impulsionada pelo forte apoio dos eleitores colombianos residentes no exterior.
Contexto: Em resultado apertado, Abelardo de la Espriella vence eleição na Colômbia e leva direita apoiada por Trump ao poder
Entenda: Candidato governista pede vigilância a apoiadores após ser derrotado por resultado apertado na Colômbia
O advogado, de 47 anos e sem experiência política, venceu o senador governista Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, no momento em que o país enfrenta a pior onda de violência da última década. Entre os colombianos que vivem fora do país, De la Espriella recebeu 63,8% dos votos e abriu uma vantagem de 177.809 votos sobre o adversário. Quase dois terços da diferença final entre os candidatos vieram desse segmento do eleitorado.
Com o apoio do presidente americano, Donald Trump, a vitória de Espriella foi recebida com protestos em cidades como Bogotá e Cali, onde manifestantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos e estabeleceram barricadas.
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Aos gritos de “resistência!”, milhares de pessoas ocuparam as ruas das duas cidades. Em alguns pontos, os atos terminaram em confrontos entre manifestantes encapuzados e a tropa de choque da polícia, segundo jornalistas da AFP.
As cenas lembraram a onda de protestos que abalou a Colômbia entre 2019 e 2021. Muitos participantes criticaram propostas de campanha do presidente eleito, como o endurecimento da política de segurança e da repressão às manifestações.
— Não vamos nos conformar com um governo agressivo que queira nos perseguir e nos destruir, como ele já disse que fará — afirmou em Bogotá Isabella Giraldo, empreendedora de 26 anos.
‘Uma nova etapa para o país’: Quem é Espriella, outsider apoiado por Trump que venceu as eleições na Colômbia
O governo de Petro ampliou programas sociais voltados à população mais vulnerável e mantém alta popularidade entre as classes mais baixas. Muitos dos manifestantes temem perder esses benefícios em um dos países mais desiguais do mundo.
— Vamos demonstrar nossa insatisfação porque ele é muito contrário a direitos básicos pelos quais as comunidades e as mulheres lutam há tanto tempo — afirmou Natalia, estudante de marketing de 26 anos.
Eleições na Colômbia: Espriella, advogado de figuras controversas, quer retomar o poder para a direita
Atrás de uma barreira de vidro à prova de balas, o advogado celebrou o início de uma “nova história para a nação”.
A apuração preliminar oficial aponta sua vitória com 49,6% dos votos, contra 48,7% de Cepeda.
— Começa uma nova era, uma mudança de ordem, a Pátria Milagre — disse na cidade caribenha Barranquilla em seu primeiro discurso diante de milhares de simpatizantes, após chegar ao local em um veículo semelhante ao papamóvel.
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De la Espriella, que tem cidadania colombiana e americana, derrotou a esquerda que buscava acordos de paz com todos os grupos armados.
— Aqueles que semearam violência, terror, narcotráfico e corrupção durante todos estes anos, o tempo de vocês acabou — declarou o presidente eleito, que governará até 2030 e que se autodenomina “O Tigre”.
Cepeda declarou que não aceitará a derrota antes da apuração final, que deve demorar alguns dias, e que pretende contestar 33.000 urnas, processo com o qual espera reverter o resultado.
— Não vamos apoiar este governo — disse à AFP Brandon, um estudante de 19 anos que protestava nas ruas de Bogotá. — Ele não me representa como jovem. Veremos mais manifestações.
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De la Espriella afirmou que o presidente dos EUA manifestou apoio em uma ligação telefônica.
Mais tarde, Trump publicou na rede Truth Social a mensagem “Ganhou, GRANDE!” com uma fotografia do presidente eleito.
Apoio da direita latino-americana
A vitória de De la Espriella também foi celebrada por líderes conservadores da América Latina, próximos a Trump. O presidente da Argentina, Javier Milei, foi um dos primeiros a parabenizar o colombiano, afirmando que a maioria dos eleitores escolheu “o caminho da liberdade econômica, da prosperidade e da segurança implacável”.
Em publicação na rede X, Milei declarou ainda que “a liberdade avança em toda a América Latina e já não há volta atrás” e afirmou que “o Leão e o Tigre rugem na América Latina”, em referência aos apelidos adotados por ambos os políticos.
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O presidente do Equador, Daniel Noboa, também comemorou o resultado, afirmando que a Colômbia escolheu “a ordem em vez da impunidade”. Segundo ele, os dois governos compartilham a convicção de que a região precisa de mais segurança e de uma postura firme contra o crime organizado.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, também felicitou De la Espriella “por seu grande triunfo eleitoral”, assim como o líder do Panamá, José Raúl Mulino, que desejou “o maior dos êxitos”.
A Nobel da Paz e líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, previu boas relações com a Colômbia e disse esperar uma aliança com o novo governo em favor de uma transição democrática na Venezuela.
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Em meio a um processo de apuração dos votos que pode declarar sua vitória como presidente do Peru, Keiko Fujimori celebrou que “sopram novos ventos para a América Latina”.
O discurso de De la Espriella a favor de Washington, das forças de segurança e dos empresários é similar ao de outros presidentes na região, como o salvadorenho Nayib Bukele e o argentino Milei.
De la Espriella é alvo de críticas por seus frequentes comentários machistas e homofóbicos e por representar como advogado vários paramilitares e narcotraficantes.
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Em entrevista à AFP, o presidente eleito disse que buscará o apoio dos EUA e de Israel para atacar a guerrilha com bombardeios e fumigações de plantações de drogas no país, o maior produtor mundial de cocaína.
Além disso, ele conquistou votos como “inimigo ferrenho” da esquerda diante dos poucos avanços nas negociações com as máfias e em um contexto de relações tensas com Washington.
A lei colombiana não permite a reeleição e Petro escolheu como candidato Cepeda, um defensor de direitos humanos, de 63 anos, que apostava em fortalecer os programas sociais que beneficiaram os mais pobres e marginalizados em um dos países mais desiguais do mundo.
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Uma década após o acordo de paz com as Farc, a campanha foi marcada pela violência de grupos armados com bombas, drones explosivos e o assassinato de um candidato à presidência.
Contra as máfias
O presidente eleito é contrário à chamada “paz total”, com a qual Petro pretendia enterrar décadas de conflito armado por meio do diálogo com grupos criminosos do narcotráfico e com as guerrilhas.
Especialistas alertam que suas promessas de ofensiva militar podem gerar uma nova espiral de violência.
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Com uma saudação militar, De la Espriella exibe seu talento como cantor em entrevistas ou a vida de luxo que levava na Itália.
— Ele se conecta com um eleitorado que já está muito cansado da insegurança e precisa de soluções de choque, mas também encarna um modelo aspiracional do empresário que construiu sua fortuna — diz Luisa Lozano, especialista da Universidade de La Sabana.
Ele defende o porte de armas, a construção de mega-presídios, a exploração de petróleo com fracking, cortar o Estado em 40% e considera que o “ideal” seria dolarizar a economia.
Também propõe revisar a permanência da Colômbia em organismos internacionais como a ONU e a OEA.
(Com AFP)
Andy Burnham já concorreu duas vezes, sem sucesso, à liderança do Partido Trabalhista, que atualmente governa o Reino Unido. Agora, a vitória decisiva em uma eleição parlamentar suplementar e a renúncia do primeiro-ministro Keir Starmer o aproximam não apenas deste objetivo, como também da possibilidade de se tornar chefe-de-governo.
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Comunicador eloquente, conhecido por sua cordialidade e carisma, Burnham foi prefeito da Grande Manchester durante nove anos, período em que cultivou uma imagem de otimismo, ativismo e de uma franqueza autêntica característica do norte da Inglaterra. Recentemente, ele obteve uma cadeira no Parlamento britânico para representar Makerfield, no noroeste da Inglaterra.
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Os apoiadores de Burnham — que ganhou em Manchester o apelido de “rei do Norte” por sua defesa da região durante a pandemia de Covid-19 — o veem como o potencial salvador do Partido Trabalhista diante do partido populista de direita Reform UK, liderado por Nigel Farage. Seus críticos o retratam como um camaleão político que enfrentaria as mesmas limitações econômicas que dificultaram o governo pouco inspirador de Starmer, além do mesmo eleitorado inquieto e impaciente.
De qualquer forma, ele seria um tipo diferente de líder em relação àquele que deseja substituir.
— Ele é simplesmente otimista, alegre e parece gostar de ser político — disse John McTernan, assessor de Tony Blair quando este era primeiro-ministro e alguém que conhece Burnham desde os tempos em que ele trabalhava como pesquisador para uma parlamentar do sul de Londres. — Os líderes ou inspiram você, ou o deixam um pouco deprimido — acrescentou, observando que vários primeiros-ministros recentes “pareciam gostar do cargo”, incluindo Starmer.
Burnham nasceu em Liverpool em 1970. Seu pai era técnico de telefonia e sua mãe trabalhava como recepcionista de consultório médico. Foi criado em Culcheth, uma vila no condado de Cheshire, não muito distante de Makerfield. De ascendência irlandesa, estudou em escolas públicas católicas e já falou sobre sua fé, incluindo um encontro com o Papa Francisco em 2023.
— Minha mãe estava comigo e, embora eu não seja católico no sentido mais completo da palavra, senti a atração magnética do Vaticano — disse ele, comparando sua fé à sua devoção de toda a vida ao clube de futebol Everton. — [Mesmo que você deixe de ir aos jogos] continua sendo torcedor do Everton; você pode parar de ir à igreja, mas continua sendo católico.
Andy Burnham fala com apoiadores e jornalistas após vencer eleição suplementar que o levou ao Parlamento britânico, em Ashton-in-Makerfield, na Inglaterra
Darren Staples / AFP
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Burnham conquistou uma vaga para estudar Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge e, após se formar, seguiu um caminho comum rumo à projeção política: primeiro como pesquisador de Tessa Jowell, parlamentar do sul de Londres, e depois como assessor de Chris Smith, então secretário de Cultura.
Foi em Cambridge que conheceu Marie-France Van Heel, nascida nos Países Baixos. Os dois mais tarde se casaram e tiveram três filhos.
— Quando minha esposa engravidou, na verdade não planejávamos ter filhos naquele momento porque eu achava que estabilidade era importante. Casamos em outubro de 2000, quando Jimmy tinha oito meses, e eu estava em uma difícil disputa para conseguir a indicação partidária — contou Burnham ao jornal The Guardian em 2009, referindo-se aos seus esforços para concorrer ao Parlamento.
Depois de ser eleito em 2001 para representar Leigh, um distrito do norte da Inglaterra próximo de onde cresceu, tornou-se ministro júnior no governo trabalhista de Tony Blair. Mais tarde foi promovido ao gabinete sob Gordon Brown e ocupou os cargos de secretário-chefe do Tesouro, secretário de Cultura, Mídia e Esportes e, posteriormente, secretário da Saúde.
Em 2009, Burnham foi vaiado durante uma cerimônia em memória dos 20 anos do desastre de Hillsborough, que resultou na morte de 97 torcedores do Liverpool FC esmagados em um estádio. O episódio o marcou profundamente, convencendo-o de que as famílias das vítimas mereciam justiça após a polícia, investigadores e parte da imprensa tentarem retratar os mortos como hooligans e responsabilizá-los pela tragédia. A pressão exercida por Burnham ajudou a garantir uma segunda investigação.
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Depois que o Partido Trabalhista perdeu as eleições gerais de 2010, Burnham disputou a liderança da legenda, terminando em quarto lugar. Em 2015 tentou novamente e começou como favorito, mas acabou derrotado por Jeremy Corbyn, de uma corrente mais à esquerda da sigla, para quem trabalhou mais tarde. Em 2017, Burnham deixou o Parlamento ao concluir que seu futuro político estava fora de Westminster e foi eleito prefeito da Grande Manchester.
Robert Ford, professor de política da Universidade de Manchester, afirmou que Burnham liderou uma economia local dinâmica e demonstrou habilidade política ao ampliar o controle e a regulamentação dos ônibus da cidade — vencendo, nesse processo, uma disputa contra empresas de transporte.
— Ele transformou o que poderia ter sido uma política tecnocrática bastante sem graça — acredite, se Keir Starmer estivesse lá teria sido — em uma luta de Davi contra Golias — disse Ford. — Sua grande força é ser um comunicador muito eficaz, um contador de histórias muito eficiente; ele é bom em transmitir aos eleitores quem ele é, quem ele representa e o que está tentando fazer. Nesses aspectos, ele contrasta bastante com o atual primeiro-ministro trabalhista.
Burnham também assumiu papel de destaque durante a pandemia, reclamando que os lockdowns do governo estavam penalizando regiões como a sua, e fez um discurso no centro de Manchester que se tornou famoso.
Talvez a crítica mais constante dirigida a Burnham — que serviu sob três líderes trabalhistas muito diferentes, Blair, Brown e Corbyn — seja a de que ele é politicamente maleável.
Em 2022, após a última Copa do Mundo de futebol, o próprio Starmer brincou com o antigo colega. Em conversa com jornalistas, disse que Burnham “pôde ver seu time de infância, a Argentina, ganhar a Copa do Mundo”, mas que “foi uma experiência mista porque também viu seu time de infância, a França, perder a final, e seus times de infância Marrocos e Croácia serem eliminados nas semifinais”.
O premier britânico, Keir Starmer, renuncia às funções como chefe de governo e líder do Partido Trabalhista
Henry Nicholls/AFP
McTernan reconheceu que Burnham tem fama de ser um político que “gosta que gostem dele”, mas acrescentou que “um político que busca agradar as pessoas é muito melhor do que um político que as detesta”.
Um tema constante ao longo da carreira de Burnham é a ideia de que a política britânica e os meios de comunicação são excessivamente centrados em Londres e de que a desigualdade regional prejudicou o país — argumento que ele apresentou já em seu primeiro discurso no Parlamento, em 2001. Em uma entrevista recente, afirmou que o Reino Unido estava “no caminho errado há 40 anos”.
Burnham gerou preocupação entre alguns observadores no ano passado ao afirmar que o Partido Trabalhista deveria ir “além de ficar refém dos mercados de títulos públicos” — frase que posteriormente disse ter sido mal interpretada. Mais recentemente, pareceu pouco seguro ao comentar um aspecto da política econômica durante uma entrevista à BBC. Ainda assim, em Manchester adotou políticas favoráveis aos negócios para atrair investimentos.
Segundo o professor Ford, como prefeito, Burnham “se acostumou relativamente a dizer o que pensa”, mas agora “tem recebido uma lição bastante dura sobre a necessidade de pesar as palavras com mais cuidado”.
É difícil prever até que ponto as habilidades demonstradas em Manchester o preparariam para o principal cargo da política britânica.
— É muito diferente quando você navega para a tempestade de Downing Street, onde haverá 150 assuntos sobre sua mesa todos os dias — disse Ford. — Você não tem muito controle sobre quais deles escolher para travar disputas e não tem tempo para refletir.
Uma mulher de 47 anos sobreviveu após ser arrastada por uma onda de grande intensidade para o oceano na costa da Califórnia, nos Estados Unidos. O caso ocorreu na última terça-feira, nas proximidades do píer de Pacifica, e foi registrado por uma câmera instalada na região. A vítima, Bae Cadotte, foi resgatada por pescadores que estavam no local depois de passar vários minutos à deriva.
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Em entrevista à ABC News, Cadotte descreveu o momento em que foi atingida pela correnteza como uma experiência em que se sentiu “engolida” pelo mar.
— Aquilo me engoliu. Eu sabia naquele momento que ela tinha entrado e que eu também iria. Ela ia me pegar. Não tinha como escapar disso — relatou.
As imagens mostram a pescadora sendo derrubada pela força da água e arrastada para cerca de nove metros da costa. Segundo ela, a sensação era de estar dentro de uma máquina de lavar, sendo lançada de um lado para o outro pelas ondas.
Confira:
Resgate e recuperação
Cadotte afirmou que decidiu não lutar contra a correnteza enquanto estava no mar.
— Eu simplesmente deixei acontecer. Não tentei lutar contra aquilo. Não adianta lutar contra uma onda surpresa — disse.
Durante o episódio, ela contou ter feito uma oração ao acreditar que poderia não sobreviver.
— Fechei os olhos e fiz uma oração: “Deus, se esta é a tua vontade, eu entendo, mas, por favor, não me deixes abandonar meu filho”.
Pescadores que presenciaram a cena lançaram uma corda em direção à vítima e conseguiram puxá-la de volta para a areia. Equipes de emergência chegaram pouco depois, e ela foi encaminhada ao Hospital Geral Zuckerberg, em São Francisco. De acordo com informações divulgadas pela imprensa local, a mulher recebeu tratamento para hipotermia e uma lesão cervical provocada pela força do mar e já se recupera em casa.
Moradora de Pacifica, Cadotte também participa de movimentos em defesa da preservação do píer da cidade, atualmente fechado devido a danos estruturais. Em uma publicação nas redes sociais, ela afirmou que a experiência reforçou a importância da estrutura para a segurança dos frequentadores da região.
— O píer salva vidas, as ondas traiçoeiras tiram vidas. O oceano não é nosso amigo. Ele é indiferente. Deve ser respeitado. É bonito e feroz — escreveu.
A pescadora também destacou o papel do píer como ponto de encontro para moradores e visitantes, defendendo que sejam encontradas alternativas para reconstruir e revitalizar o local, que classificou como uma “joia escondida” da comunidade.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou, na manhã desta segunda-feira, sua renúncia ao cargo e à liderança do Partido Trabalhista. No comando da política britânica há menos de dois anos, ele era pressionado em seu partido desde maio, quando os trabalhistas foram os grandes derrotados nas eleições locais. Mal avaliado pelos britânicos, Starmer, no entanto, permanecerá como primeiro-ministro até que o Partido Trabalhista escolha um novo líder.
Fim da linha: Keir Starmer anuncia renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido e liderança do Partido Trabalhista
Andy Burnham: rival de Starmer vence eleição crucial no Reino Unido e ameaça liderança do primeiro-ministro
Para se candidatar, o concorrente precisa do apoio de 81 parlamentares trabalhistas (20% do total), e a decisão final caberia aos membros do partido. Há diversos possíveis concorrentes, e disputas pela liderança às vezes produzem resultados inesperados, mas três nomes são os principais cotados.
Andy Burnham
Andy Burnham fala com apoiadores e jornalistas após vencer eleição suplementar que o levou ao Parlamento britânico, em Ashton-in-Makerfield, na Inglaterra
Darren Staples / AFP
O momento político favorece Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester, no norte da Inglaterra, e o único nome de peso do Partido Trabalhista que parece ser significativamente mais popular entre os eleitores do que Starmer, segundo pesquisas de opinião. Na sexta-feira, Burnham venceu uma eleição suplementar considerada crucial no Reino Unido, garantindo uma cadeira no Parlamento, o que o qualifica para disputar a liderança do Partido.
Burnham já havia dito que desafiaria Starmer pela liderança do Partido Trabalhista e, em seu discurso de vitória, afirmou que o resultado representa uma oportunidade para mudanças dentro da legenda.
— Digo ao meu próprio partido: esta é a última chance de mudar — declarou após conquistar quase 55% dos votos e superar Robert Kenyon, do Reform UK, por mais de 9 mil votos. — Foi isso que as pessoas me disseram diretamente nas centenas de portas em que bati. Precisamos ouvi-las, agir de acordo com o que dizem e fazer isso da maneira certa. Não haverá uma segunda chance. Mas agora existe uma oportunidade.
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Wes Streeting
Wes Streeting, cotado para substituir Keir Starmer como premier do Reino Unido
Brook Mitchell/AFP
Wes Streeting renunciou ao posto de secretário de Saúde no governo de Keir Starmer após a derrota do Partido Trabalhista nas eleições locais de maio. Ele conta com apoio da ala mais à direita do partido e é amplamente reconhecido como um dos comunicadores mais eficazes do governo. Sua imagem, no entanto, foi prejudicada por ligações com Peter Mandelson, demitido do cargo de embaixador do Reino Unido em Washington quando veio à tona a profundidade de sua amizade com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
Angela Rayner
Angela Rayner, cotada para substituir Keir Starmer como premier do Reino Unido
Thomas Krych/Anadolu via AFP
Angela Rayner era a candidata preferida da ala à esquerda dos trabalhista, até Andy Burnham conseguir uma cadeira no Parlamento na última sexta-feira. Ex vice-líder do Partido Trabalhista, ela, porém, renunciou no ano passado em meio a uma controvérsia tributária que ainda não foi resolvida.
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Após a derrota dos trabalhistas nas eleições locais de maio, Rayner foi um dos quadros a aumentar a pressão sobre Starmer quando divulgou uma declaração criticando uma “cultura tóxica de compadrio” dentro do Partido, alertando que a legenda pode estar diante de sua “última chance”. Não seria surpresa se ela desistisse de desafiar Starmer pessoalmente para apoiar a candidatura de Andy Burnham à liderança do Partido Trabalhista.

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