Fim da linha: Keir Starmer anuncia renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido e à liderança do Partido Trabalhista
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Comunicador eloquente, conhecido por sua cordialidade e carisma, Burnham foi prefeito da Grande Manchester durante nove anos, período em que cultivou uma imagem de otimismo, ativismo e de uma franqueza autêntica característica do norte da Inglaterra. Recentemente, ele obteve uma cadeira no Parlamento britânico para representar Makerfield, no noroeste da Inglaterra.
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Os apoiadores de Burnham — que ganhou em Manchester o apelido de “rei do Norte” por sua defesa da região durante a pandemia de Covid-19 — o veem como o potencial salvador do Partido Trabalhista diante do partido populista de direita Reform UK, liderado por Nigel Farage. Seus críticos o retratam como um camaleão político que enfrentaria as mesmas limitações econômicas que dificultaram o governo pouco inspirador de Starmer, além do mesmo eleitorado inquieto e impaciente.
De qualquer forma, ele seria um tipo diferente de líder em relação àquele que deseja substituir.
— Ele é simplesmente otimista, alegre e parece gostar de ser político — disse John McTernan, assessor de Tony Blair quando este era primeiro-ministro e alguém que conhece Burnham desde os tempos em que ele trabalhava como pesquisador para uma parlamentar do sul de Londres. — Os líderes ou inspiram você, ou o deixam um pouco deprimido — acrescentou, observando que vários primeiros-ministros recentes “pareciam gostar do cargo”, incluindo Starmer.
Burnham nasceu em Liverpool em 1970. Seu pai era técnico de telefonia e sua mãe trabalhava como recepcionista de consultório médico. Foi criado em Culcheth, uma vila no condado de Cheshire, não muito distante de Makerfield. De ascendência irlandesa, estudou em escolas públicas católicas e já falou sobre sua fé, incluindo um encontro com o Papa Francisco em 2023.
— Minha mãe estava comigo e, embora eu não seja católico no sentido mais completo da palavra, senti a atração magnética do Vaticano — disse ele, comparando sua fé à sua devoção de toda a vida ao clube de futebol Everton. — [Mesmo que você deixe de ir aos jogos] continua sendo torcedor do Everton; você pode parar de ir à igreja, mas continua sendo católico.
Andy Burnham fala com apoiadores e jornalistas após vencer eleição suplementar que o levou ao Parlamento britânico, em Ashton-in-Makerfield, na Inglaterra
Darren Staples / AFP
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Burnham conquistou uma vaga para estudar Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge e, após se formar, seguiu um caminho comum rumo à projeção política: primeiro como pesquisador de Tessa Jowell, parlamentar do sul de Londres, e depois como assessor de Chris Smith, então secretário de Cultura.
Foi em Cambridge que conheceu Marie-France Van Heel, nascida nos Países Baixos. Os dois mais tarde se casaram e tiveram três filhos.
— Quando minha esposa engravidou, na verdade não planejávamos ter filhos naquele momento porque eu achava que estabilidade era importante. Casamos em outubro de 2000, quando Jimmy tinha oito meses, e eu estava em uma difícil disputa para conseguir a indicação partidária — contou Burnham ao jornal The Guardian em 2009, referindo-se aos seus esforços para concorrer ao Parlamento.
Depois de ser eleito em 2001 para representar Leigh, um distrito do norte da Inglaterra próximo de onde cresceu, tornou-se ministro júnior no governo trabalhista de Tony Blair. Mais tarde foi promovido ao gabinete sob Gordon Brown e ocupou os cargos de secretário-chefe do Tesouro, secretário de Cultura, Mídia e Esportes e, posteriormente, secretário da Saúde.
Em 2009, Burnham foi vaiado durante uma cerimônia em memória dos 20 anos do desastre de Hillsborough, que resultou na morte de 97 torcedores do Liverpool FC esmagados em um estádio. O episódio o marcou profundamente, convencendo-o de que as famílias das vítimas mereciam justiça após a polícia, investigadores e parte da imprensa tentarem retratar os mortos como hooligans e responsabilizá-los pela tragédia. A pressão exercida por Burnham ajudou a garantir uma segunda investigação.
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Depois que o Partido Trabalhista perdeu as eleições gerais de 2010, Burnham disputou a liderança da legenda, terminando em quarto lugar. Em 2015 tentou novamente e começou como favorito, mas acabou derrotado por Jeremy Corbyn, de uma corrente mais à esquerda da sigla, para quem trabalhou mais tarde. Em 2017, Burnham deixou o Parlamento ao concluir que seu futuro político estava fora de Westminster e foi eleito prefeito da Grande Manchester.
Robert Ford, professor de política da Universidade de Manchester, afirmou que Burnham liderou uma economia local dinâmica e demonstrou habilidade política ao ampliar o controle e a regulamentação dos ônibus da cidade — vencendo, nesse processo, uma disputa contra empresas de transporte.
— Ele transformou o que poderia ter sido uma política tecnocrática bastante sem graça — acredite, se Keir Starmer estivesse lá teria sido — em uma luta de Davi contra Golias — disse Ford. — Sua grande força é ser um comunicador muito eficaz, um contador de histórias muito eficiente; ele é bom em transmitir aos eleitores quem ele é, quem ele representa e o que está tentando fazer. Nesses aspectos, ele contrasta bastante com o atual primeiro-ministro trabalhista.
Burnham também assumiu papel de destaque durante a pandemia, reclamando que os lockdowns do governo estavam penalizando regiões como a sua, e fez um discurso no centro de Manchester que se tornou famoso.
Talvez a crítica mais constante dirigida a Burnham — que serviu sob três líderes trabalhistas muito diferentes, Blair, Brown e Corbyn — seja a de que ele é politicamente maleável.
Em 2022, após a última Copa do Mundo de futebol, o próprio Starmer brincou com o antigo colega. Em conversa com jornalistas, disse que Burnham “pôde ver seu time de infância, a Argentina, ganhar a Copa do Mundo”, mas que “foi uma experiência mista porque também viu seu time de infância, a França, perder a final, e seus times de infância Marrocos e Croácia serem eliminados nas semifinais”.
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Henry Nicholls/AFP
McTernan reconheceu que Burnham tem fama de ser um político que “gosta que gostem dele”, mas acrescentou que “um político que busca agradar as pessoas é muito melhor do que um político que as detesta”.
Um tema constante ao longo da carreira de Burnham é a ideia de que a política britânica e os meios de comunicação são excessivamente centrados em Londres e de que a desigualdade regional prejudicou o país — argumento que ele apresentou já em seu primeiro discurso no Parlamento, em 2001. Em uma entrevista recente, afirmou que o Reino Unido estava “no caminho errado há 40 anos”.
Burnham gerou preocupação entre alguns observadores no ano passado ao afirmar que o Partido Trabalhista deveria ir “além de ficar refém dos mercados de títulos públicos” — frase que posteriormente disse ter sido mal interpretada. Mais recentemente, pareceu pouco seguro ao comentar um aspecto da política econômica durante uma entrevista à BBC. Ainda assim, em Manchester adotou políticas favoráveis aos negócios para atrair investimentos.
Segundo o professor Ford, como prefeito, Burnham “se acostumou relativamente a dizer o que pensa”, mas agora “tem recebido uma lição bastante dura sobre a necessidade de pesar as palavras com mais cuidado”.
É difícil prever até que ponto as habilidades demonstradas em Manchester o preparariam para o principal cargo da política britânica.
— É muito diferente quando você navega para a tempestade de Downing Street, onde haverá 150 assuntos sobre sua mesa todos os dias — disse Ford. — Você não tem muito controle sobre quais deles escolher para travar disputas e não tem tempo para refletir.







