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O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou, na manhã desta segunda-feira, sua renúncia ao cargo e à liderança do Partido Trabalhista. No comando da política britânica há menos de dois anos, ele era pressionado em seu partido desde maio, quando os trabalhistas foram os grandes derrotados nas eleições locais. Mal avaliado pelos britânicos, Starmer, no entanto, permanecerá como primeiro-ministro até que o Partido Trabalhista escolha um novo líder.
Fim da linha: Keir Starmer anuncia renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido e liderança do Partido Trabalhista
Andy Burnham: rival de Starmer vence eleição crucial no Reino Unido e ameaça liderança do primeiro-ministro
Para se candidatar, o concorrente precisa do apoio de 81 parlamentares trabalhistas (20% do total), e a decisão final caberia aos membros do partido. Há diversos possíveis concorrentes, e disputas pela liderança às vezes produzem resultados inesperados, mas três nomes são os principais cotados.
Andy Burnham
Andy Burnham fala com apoiadores e jornalistas após vencer eleição suplementar que o levou ao Parlamento britânico, em Ashton-in-Makerfield, na Inglaterra
Darren Staples / AFP
O momento político favorece Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester, no norte da Inglaterra, e o único nome de peso do Partido Trabalhista que parece ser significativamente mais popular entre os eleitores do que Starmer, segundo pesquisas de opinião. Na sexta-feira, Burnham venceu uma eleição suplementar considerada crucial no Reino Unido, garantindo uma cadeira no Parlamento, o que o qualifica para disputar a liderança do Partido.
Burnham já havia dito que desafiaria Starmer pela liderança do Partido Trabalhista e, em seu discurso de vitória, afirmou que o resultado representa uma oportunidade para mudanças dentro da legenda.
— Digo ao meu próprio partido: esta é a última chance de mudar — declarou após conquistar quase 55% dos votos e superar Robert Kenyon, do Reform UK, por mais de 9 mil votos. — Foi isso que as pessoas me disseram diretamente nas centenas de portas em que bati. Precisamos ouvi-las, agir de acordo com o que dizem e fazer isso da maneira certa. Não haverá uma segunda chance. Mas agora existe uma oportunidade.
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Wes Streeting
Wes Streeting, cotado para substituir Keir Starmer como premier do Reino Unido
Brook Mitchell/AFP
Wes Streeting renunciou ao posto de secretário de Saúde no governo de Keir Starmer após a derrota do Partido Trabalhista nas eleições locais de maio. Ele conta com apoio da ala mais à direita do partido e é amplamente reconhecido como um dos comunicadores mais eficazes do governo. Sua imagem, no entanto, foi prejudicada por ligações com Peter Mandelson, demitido do cargo de embaixador do Reino Unido em Washington quando veio à tona a profundidade de sua amizade com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
Angela Rayner
Angela Rayner, cotada para substituir Keir Starmer como premier do Reino Unido
Thomas Krych/Anadolu via AFP
Angela Rayner era a candidata preferida da ala à esquerda dos trabalhista, até Andy Burnham conseguir uma cadeira no Parlamento na última sexta-feira. Ex vice-líder do Partido Trabalhista, ela, porém, renunciou no ano passado em meio a uma controvérsia tributária que ainda não foi resolvida.
Cigarro vetado no Reino Unido: Especialistas avaliam lei histórica e possibilidade no Brasil
Após a derrota dos trabalhistas nas eleições locais de maio, Rayner foi um dos quadros a aumentar a pressão sobre Starmer quando divulgou uma declaração criticando uma “cultura tóxica de compadrio” dentro do Partido, alertando que a legenda pode estar diante de sua “última chance”. Não seria surpresa se ela desistisse de desafiar Starmer pessoalmente para apoiar a candidatura de Andy Burnham à liderança do Partido Trabalhista.

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O presidente eleito da Colômbia, o outsider de extrema direita Abelardo de la Espriella, celebrou no domingo o início de uma “nova era” no país após derrotar, no segundo turno mais apertado da história, o candidato da esquerda, que governou o país pela primeira vez nos últimos quatro anos. A vitória por menos de um ponto percentual foi impulsionada pelo forte apoio dos eleitores colombianos residentes no exterior.
Contexto: Em resultado apertado, Abelardo de la Espriella vence eleição na Colômbia e leva direita apoiada por Trump ao poder
Entenda: Candidato governista pede vigilância a apoiadores após ser derrotado por resultado apertado na Colômbia
O advogado, de 47 anos e sem experiência política, venceu o senador governista Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, no momento em que o país enfrenta a pior onda de violência da última década. Entre os colombianos que vivem fora do país, De la Espriella recebeu 63,8% dos votos e abriu uma vantagem de 177.809 votos sobre o adversário. Quase dois terços da diferença final entre os candidatos vieram desse segmento do eleitorado.
Com o apoio do presidente americano, Donald Trump, a vitória de Espriella foi recebida com protestos em cidades como Bogotá e Cali, onde manifestantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos e estabeleceram barricadas.
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Aos gritos de “resistência!”, milhares de pessoas ocuparam as ruas das duas cidades. Em alguns pontos, os atos terminaram em confrontos entre manifestantes encapuzados e a tropa de choque da polícia, segundo jornalistas da AFP.
As cenas lembraram a onda de protestos que abalou a Colômbia entre 2019 e 2021. Muitos participantes criticaram propostas de campanha do presidente eleito, como o endurecimento da política de segurança e da repressão às manifestações.
— Não vamos nos conformar com um governo agressivo que queira nos perseguir e nos destruir, como ele já disse que fará — afirmou em Bogotá Isabella Giraldo, empreendedora de 26 anos.
‘Uma nova etapa para o país’: Quem é Espriella, outsider apoiado por Trump que venceu as eleições na Colômbia
O governo de Petro ampliou programas sociais voltados à população mais vulnerável e mantém alta popularidade entre as classes mais baixas. Muitos dos manifestantes temem perder esses benefícios em um dos países mais desiguais do mundo.
— Vamos demonstrar nossa insatisfação porque ele é muito contrário a direitos básicos pelos quais as comunidades e as mulheres lutam há tanto tempo — afirmou Natalia, estudante de marketing de 26 anos.
Eleições na Colômbia: Espriella, advogado de figuras controversas, quer retomar o poder para a direita
Atrás de uma barreira de vidro à prova de balas, o advogado celebrou o início de uma “nova história para a nação”.
A apuração preliminar oficial aponta sua vitória com 49,6% dos votos, contra 48,7% de Cepeda.
— Começa uma nova era, uma mudança de ordem, a Pátria Milagre — disse na cidade caribenha Barranquilla em seu primeiro discurso diante de milhares de simpatizantes, após chegar ao local em um veículo semelhante ao papamóvel.
Veja: Quase cem guerrilheiros entregam armas na Colômbia após acordo com Gustavo Petro
De la Espriella, que tem cidadania colombiana e americana, derrotou a esquerda que buscava acordos de paz com todos os grupos armados.
— Aqueles que semearam violência, terror, narcotráfico e corrupção durante todos estes anos, o tempo de vocês acabou — declarou o presidente eleito, que governará até 2030 e que se autodenomina “O Tigre”.
Cepeda declarou que não aceitará a derrota antes da apuração final, que deve demorar alguns dias, e que pretende contestar 33.000 urnas, processo com o qual espera reverter o resultado.
— Não vamos apoiar este governo — disse à AFP Brandon, um estudante de 19 anos que protestava nas ruas de Bogotá. — Ele não me representa como jovem. Veremos mais manifestações.
Presidente eleito: Em discurso de vitória, Espriella diz que herda um país dividido e convoca colombianos à reconciliação
De la Espriella afirmou que o presidente dos EUA manifestou apoio em uma ligação telefônica.
Mais tarde, Trump publicou na rede Truth Social a mensagem “Ganhou, GRANDE!” com uma fotografia do presidente eleito.
Apoio da direita latino-americana
A vitória de De la Espriella também foi celebrada por líderes conservadores da América Latina, próximos a Trump. O presidente da Argentina, Javier Milei, foi um dos primeiros a parabenizar o colombiano, afirmando que a maioria dos eleitores escolheu “o caminho da liberdade econômica, da prosperidade e da segurança implacável”.
Em publicação na rede X, Milei declarou ainda que “a liberdade avança em toda a América Latina e já não há volta atrás” e afirmou que “o Leão e o Tigre rugem na América Latina”, em referência aos apelidos adotados por ambos os políticos.
Nas vésperas do segundo turno: Militares matam 9 membros do principal cartel de narcotráfico da Colômbia
O presidente do Equador, Daniel Noboa, também comemorou o resultado, afirmando que a Colômbia escolheu “a ordem em vez da impunidade”. Segundo ele, os dois governos compartilham a convicção de que a região precisa de mais segurança e de uma postura firme contra o crime organizado.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, também felicitou De la Espriella “por seu grande triunfo eleitoral”, assim como o líder do Panamá, José Raúl Mulino, que desejou “o maior dos êxitos”.
A Nobel da Paz e líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, previu boas relações com a Colômbia e disse esperar uma aliança com o novo governo em favor de uma transição democrática na Venezuela.
Eleições: Justiça proíbe candidato de extrema direita de usar camisa da Colômbia como ‘símbolo’
Em meio a um processo de apuração dos votos que pode declarar sua vitória como presidente do Peru, Keiko Fujimori celebrou que “sopram novos ventos para a América Latina”.
O discurso de De la Espriella a favor de Washington, das forças de segurança e dos empresários é similar ao de outros presidentes na região, como o salvadorenho Nayib Bukele e o argentino Milei.
De la Espriella é alvo de críticas por seus frequentes comentários machistas e homofóbicos e por representar como advogado vários paramilitares e narcotraficantes.
Recuo: Governo da Colômbia retira proposta de Assembleia Constituinte após derrota eleitoral
Em entrevista à AFP, o presidente eleito disse que buscará o apoio dos EUA e de Israel para atacar a guerrilha com bombardeios e fumigações de plantações de drogas no país, o maior produtor mundial de cocaína.
Além disso, ele conquistou votos como “inimigo ferrenho” da esquerda diante dos poucos avanços nas negociações com as máfias e em um contexto de relações tensas com Washington.
A lei colombiana não permite a reeleição e Petro escolheu como candidato Cepeda, um defensor de direitos humanos, de 63 anos, que apostava em fortalecer os programas sociais que beneficiaram os mais pobres e marginalizados em um dos países mais desiguais do mundo.
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Uma década após o acordo de paz com as Farc, a campanha foi marcada pela violência de grupos armados com bombas, drones explosivos e o assassinato de um candidato à presidência.
Contra as máfias
O presidente eleito é contrário à chamada “paz total”, com a qual Petro pretendia enterrar décadas de conflito armado por meio do diálogo com grupos criminosos do narcotráfico e com as guerrilhas.
Especialistas alertam que suas promessas de ofensiva militar podem gerar uma nova espiral de violência.
Após resultado do primeiro turno: Petro apresenta supostas provas de fraude eleitoral e pede auditoria de 5.300 seções de votação na Colômbia
Com uma saudação militar, De la Espriella exibe seu talento como cantor em entrevistas ou a vida de luxo que levava na Itália.
— Ele se conecta com um eleitorado que já está muito cansado da insegurança e precisa de soluções de choque, mas também encarna um modelo aspiracional do empresário que construiu sua fortuna — diz Luisa Lozano, especialista da Universidade de La Sabana.
Ele defende o porte de armas, a construção de mega-presídios, a exploração de petróleo com fracking, cortar o Estado em 40% e considera que o “ideal” seria dolarizar a economia.
Também propõe revisar a permanência da Colômbia em organismos internacionais como a ONU e a OEA.
(Com AFP)
Andy Burnham já concorreu duas vezes, sem sucesso, à liderança do Partido Trabalhista, que atualmente governa o Reino Unido. Agora, a vitória decisiva em uma eleição parlamentar suplementar e a renúncia do primeiro-ministro Keir Starmer o aproximam não apenas deste objetivo, como também da possibilidade de se tornar chefe-de-governo.
Fim da linha: Keir Starmer anuncia renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido e à liderança do Partido Trabalhista
Mais cotados: Quem pode substituir Keir Starmer como primeiro-ministro do Reino Unido?
Comunicador eloquente, conhecido por sua cordialidade e carisma, Burnham foi prefeito da Grande Manchester durante nove anos, período em que cultivou uma imagem de otimismo, ativismo e de uma franqueza autêntica característica do norte da Inglaterra. Recentemente, ele obteve uma cadeira no Parlamento britânico para representar Makerfield, no noroeste da Inglaterra.
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Os apoiadores de Burnham — que ganhou em Manchester o apelido de “rei do Norte” por sua defesa da região durante a pandemia de Covid-19 — o veem como o potencial salvador do Partido Trabalhista diante do partido populista de direita Reform UK, liderado por Nigel Farage. Seus críticos o retratam como um camaleão político que enfrentaria as mesmas limitações econômicas que dificultaram o governo pouco inspirador de Starmer, além do mesmo eleitorado inquieto e impaciente.
De qualquer forma, ele seria um tipo diferente de líder em relação àquele que deseja substituir.
— Ele é simplesmente otimista, alegre e parece gostar de ser político — disse John McTernan, assessor de Tony Blair quando este era primeiro-ministro e alguém que conhece Burnham desde os tempos em que ele trabalhava como pesquisador para uma parlamentar do sul de Londres. — Os líderes ou inspiram você, ou o deixam um pouco deprimido — acrescentou, observando que vários primeiros-ministros recentes “pareciam gostar do cargo”, incluindo Starmer.
Burnham nasceu em Liverpool em 1970. Seu pai era técnico de telefonia e sua mãe trabalhava como recepcionista de consultório médico. Foi criado em Culcheth, uma vila no condado de Cheshire, não muito distante de Makerfield. De ascendência irlandesa, estudou em escolas públicas católicas e já falou sobre sua fé, incluindo um encontro com o Papa Francisco em 2023.
— Minha mãe estava comigo e, embora eu não seja católico no sentido mais completo da palavra, senti a atração magnética do Vaticano — disse ele, comparando sua fé à sua devoção de toda a vida ao clube de futebol Everton. — [Mesmo que você deixe de ir aos jogos] continua sendo torcedor do Everton; você pode parar de ir à igreja, mas continua sendo católico.
Andy Burnham fala com apoiadores e jornalistas após vencer eleição suplementar que o levou ao Parlamento britânico, em Ashton-in-Makerfield, na Inglaterra
Darren Staples / AFP
Andy Burnham: Rival de Starmer vence eleição crucial no Reino Unido e ameaça liderança do primeiro-ministro
Burnham conquistou uma vaga para estudar Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge e, após se formar, seguiu um caminho comum rumo à projeção política: primeiro como pesquisador de Tessa Jowell, parlamentar do sul de Londres, e depois como assessor de Chris Smith, então secretário de Cultura.
Foi em Cambridge que conheceu Marie-France Van Heel, nascida nos Países Baixos. Os dois mais tarde se casaram e tiveram três filhos.
— Quando minha esposa engravidou, na verdade não planejávamos ter filhos naquele momento porque eu achava que estabilidade era importante. Casamos em outubro de 2000, quando Jimmy tinha oito meses, e eu estava em uma difícil disputa para conseguir a indicação partidária — contou Burnham ao jornal The Guardian em 2009, referindo-se aos seus esforços para concorrer ao Parlamento.
Depois de ser eleito em 2001 para representar Leigh, um distrito do norte da Inglaterra próximo de onde cresceu, tornou-se ministro júnior no governo trabalhista de Tony Blair. Mais tarde foi promovido ao gabinete sob Gordon Brown e ocupou os cargos de secretário-chefe do Tesouro, secretário de Cultura, Mídia e Esportes e, posteriormente, secretário da Saúde.
Em 2009, Burnham foi vaiado durante uma cerimônia em memória dos 20 anos do desastre de Hillsborough, que resultou na morte de 97 torcedores do Liverpool FC esmagados em um estádio. O episódio o marcou profundamente, convencendo-o de que as famílias das vítimas mereciam justiça após a polícia, investigadores e parte da imprensa tentarem retratar os mortos como hooligans e responsabilizá-los pela tragédia. A pressão exercida por Burnham ajudou a garantir uma segunda investigação.
Keir Starmer: Quem é o líder ‘sem carisma’ que levou os trabalhistas de volta ao poder e agora deixa o governo britânico
Depois que o Partido Trabalhista perdeu as eleições gerais de 2010, Burnham disputou a liderança da legenda, terminando em quarto lugar. Em 2015 tentou novamente e começou como favorito, mas acabou derrotado por Jeremy Corbyn, de uma corrente mais à esquerda da sigla, para quem trabalhou mais tarde. Em 2017, Burnham deixou o Parlamento ao concluir que seu futuro político estava fora de Westminster e foi eleito prefeito da Grande Manchester.
Robert Ford, professor de política da Universidade de Manchester, afirmou que Burnham liderou uma economia local dinâmica e demonstrou habilidade política ao ampliar o controle e a regulamentação dos ônibus da cidade — vencendo, nesse processo, uma disputa contra empresas de transporte.
— Ele transformou o que poderia ter sido uma política tecnocrática bastante sem graça — acredite, se Keir Starmer estivesse lá teria sido — em uma luta de Davi contra Golias — disse Ford. — Sua grande força é ser um comunicador muito eficaz, um contador de histórias muito eficiente; ele é bom em transmitir aos eleitores quem ele é, quem ele representa e o que está tentando fazer. Nesses aspectos, ele contrasta bastante com o atual primeiro-ministro trabalhista.
Burnham também assumiu papel de destaque durante a pandemia, reclamando que os lockdowns do governo estavam penalizando regiões como a sua, e fez um discurso no centro de Manchester que se tornou famoso.
Talvez a crítica mais constante dirigida a Burnham — que serviu sob três líderes trabalhistas muito diferentes, Blair, Brown e Corbyn — seja a de que ele é politicamente maleável.
Em 2022, após a última Copa do Mundo de futebol, o próprio Starmer brincou com o antigo colega. Em conversa com jornalistas, disse que Burnham “pôde ver seu time de infância, a Argentina, ganhar a Copa do Mundo”, mas que “foi uma experiência mista porque também viu seu time de infância, a França, perder a final, e seus times de infância Marrocos e Croácia serem eliminados nas semifinais”.
O premier britânico, Keir Starmer, renuncia às funções como chefe de governo e líder do Partido Trabalhista
Henry Nicholls/AFP
McTernan reconheceu que Burnham tem fama de ser um político que “gosta que gostem dele”, mas acrescentou que “um político que busca agradar as pessoas é muito melhor do que um político que as detesta”.
Um tema constante ao longo da carreira de Burnham é a ideia de que a política britânica e os meios de comunicação são excessivamente centrados em Londres e de que a desigualdade regional prejudicou o país — argumento que ele apresentou já em seu primeiro discurso no Parlamento, em 2001. Em uma entrevista recente, afirmou que o Reino Unido estava “no caminho errado há 40 anos”.
Burnham gerou preocupação entre alguns observadores no ano passado ao afirmar que o Partido Trabalhista deveria ir “além de ficar refém dos mercados de títulos públicos” — frase que posteriormente disse ter sido mal interpretada. Mais recentemente, pareceu pouco seguro ao comentar um aspecto da política econômica durante uma entrevista à BBC. Ainda assim, em Manchester adotou políticas favoráveis aos negócios para atrair investimentos.
Segundo o professor Ford, como prefeito, Burnham “se acostumou relativamente a dizer o que pensa”, mas agora “tem recebido uma lição bastante dura sobre a necessidade de pesar as palavras com mais cuidado”.
É difícil prever até que ponto as habilidades demonstradas em Manchester o preparariam para o principal cargo da política britânica.
— É muito diferente quando você navega para a tempestade de Downing Street, onde haverá 150 assuntos sobre sua mesa todos os dias — disse Ford. — Você não tem muito controle sobre quais deles escolher para travar disputas e não tem tempo para refletir.
Andy Burnham já concorreu duas vezes, sem sucesso, à liderança do Partido Trabalhista do Reino Unido, que atualmente governa a ilha britânica. Agora, a vitória decisiva em uma eleição parlamentar suplementar e a renúncia do primeiro-ministro Keir Starmer o aproximam não apenas deste objetivo, como também da possibilidade de se tornar chefe-de-governo.
Fim da linha: Keir Starmer anuncia renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido e à liderança do Partido Trabalhista
Mais cotados: Quem pode substituir Keir Starmer como primeiro-ministro do Reino Unido?
Comunicador eloquente, conhecido por sua cordialidade e carisma, Burnham foi prefeito da Grande Manchester durante nove anos, período em que cultivou uma imagem de otimismo, ativismo e de uma franqueza autêntica característica do norte da Inglaterra. Recentemente, ele obteve uma cadeira no Parlamento britânico para representar Makerfield, no noroeste da Inglaterra.
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Os apoiadores de Burnham — que ganhou em Manchester o apelido de “rei do Norte” por sua defesa da região durante a pandemia de Covid-19 — o veem como o potencial salvador do Partido Trabalhista diante do partido populista de direita Reform UK, liderado por Nigel Farage. Seus críticos o retratam como um camaleão político que enfrentaria as mesmas limitações econômicas que dificultaram o governo pouco inspirador de Starmer, além do mesmo eleitorado inquieto e impaciente.
De qualquer forma, ele seria um tipo diferente de líder em relação àquele que deseja substituir.
— Ele é simplesmente otimista, alegre e parece gostar de ser político — disse John McTernan, assessor de Tony Blair quando este era primeiro-ministro e alguém que conhece Burnham desde os tempos em que ele trabalhava como pesquisador para uma parlamentar do sul de Londres. — Os líderes ou inspiram você, ou o deixam um pouco deprimido — acrescentou, observando que vários primeiros-ministros recentes “pareciam gostar do cargo”, incluindo Starmer.
Burnham nasceu em Liverpool em 1970. Seu pai era técnico de telefonia e sua mãe trabalhava como recepcionista de consultório médico. Foi criado em Culcheth, uma vila no condado de Cheshire, não muito distante de Makerfield. De ascendência irlandesa, estudou em escolas públicas católicas e já falou sobre sua fé, incluindo um encontro com o Papa Francisco em 2023.
— Minha mãe estava comigo e, embora eu não seja católico no sentido mais completo da palavra, senti a atração magnética do Vaticano — disse ele, comparando sua fé à sua devoção de toda a vida ao clube de futebol Everton. — [Mesmo que você deixe de ir aos jogos] continua sendo torcedor do Everton; você pode parar de ir à igreja, mas continua sendo católico.
Andy Burnham fala com apoiadores e jornalistas após vencer eleição suplementar que o levou ao Parlamento britânico, em Ashton-in-Makerfield, na Inglaterra
Darren Staples / AFP
Andy Burnham: Rival de Starmer vence eleição crucial no Reino Unido e ameaça liderança do primeiro-ministro
Burnham conquistou uma vaga para estudar Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge e, após se formar, seguiu um caminho comum rumo à projeção política: primeiro como pesquisador de Tessa Jowell, parlamentar do sul de Londres, e depois como assessor de Chris Smith, então secretário de Cultura.
Foi em Cambridge que conheceu Marie-France Van Heel, nascida nos Países Baixos. Os dois mais tarde se casaram e tiveram três filhos.
— Quando minha esposa engravidou, na verdade não planejávamos ter filhos naquele momento porque eu achava que estabilidade era importante. Casamos em outubro de 2000, quando Jimmy tinha oito meses, e eu estava em uma difícil disputa para conseguir a indicação partidária — contou Burnham ao jornal The Guardian em 2009, referindo-se aos seus esforços para concorrer ao Parlamento.
Depois de ser eleito em 2001 para representar Leigh, um distrito do norte da Inglaterra próximo de onde cresceu, tornou-se ministro júnior no governo trabalhista de Tony Blair. Mais tarde foi promovido ao gabinete sob Gordon Brown e ocupou os cargos de secretário-chefe do Tesouro, secretário de Cultura, Mídia e Esportes e, posteriormente, secretário da Saúde.
Em 2009, Burnham foi vaiado durante uma cerimônia em memória dos 20 anos do desastre de Hillsborough, que resultou na morte de 97 torcedores do Liverpool FC esmagados em um estádio. O episódio o marcou profundamente, convencendo-o de que as famílias das vítimas mereciam justiça após a polícia, investigadores e parte da imprensa tentarem retratar os mortos como hooligans e responsabilizá-los pela tragédia. A pressão exercida por Burnham ajudou a garantir uma segunda investigação.
Keir Starmer: Quem é o líder ‘sem carisma’ que levou os trabalhistas de volta ao poder e agora deixa o governo britânico
Depois que o Partido Trabalhista perdeu as eleições gerais de 2010, Burnham disputou a liderança da legenda, terminando em quarto lugar. Em 2015 tentou novamente e começou como favorito, mas acabou derrotado por Jeremy Corbyn, de uma corrente mais à esquerda da sigla, para quem trabalhou mais tarde. Em 2017, Burnham deixou o Parlamento ao concluir que seu futuro político estava fora de Westminster e foi eleito prefeito da Grande Manchester.
Robert Ford, professor de política da Universidade de Manchester, afirmou que Burnham liderou uma economia local dinâmica e demonstrou habilidade política ao ampliar o controle e a regulamentação dos ônibus da cidade — vencendo, nesse processo, uma disputa contra empresas de transporte.
— Ele transformou o que poderia ter sido uma política tecnocrática bastante sem graça — acredite, se Keir Starmer estivesse lá teria sido — em uma luta de Davi contra Golias — disse Ford. — Sua grande força é ser um comunicador muito eficaz, um contador de histórias muito eficiente; ele é bom em transmitir aos eleitores quem ele é, quem ele representa e o que está tentando fazer. Nesses aspectos, ele contrasta bastante com o atual primeiro-ministro trabalhista.
Burnham também assumiu papel de destaque durante a pandemia, reclamando que os lockdowns do governo estavam penalizando regiões como a sua, e fez um discurso no centro de Manchester que se tornou famoso.
Talvez a crítica mais constante dirigida a Burnham — que serviu sob três líderes trabalhistas muito diferentes, Blair, Brown e Corbyn — seja a de que ele é politicamente maleável.
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O premier britânico, Keir Starmer, renuncia às funções como chefe de governo e líder do Partido Trabalhista
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McTernan reconheceu que Burnham tem fama de ser um político que “gosta que gostem dele”, mas acrescentou que “um político que busca agradar as pessoas é muito melhor do que um político que as detesta”.
Um tema constante ao longo da carreira de Burnham é a ideia de que a política britânica e os meios de comunicação são excessivamente centrados em Londres e de que a desigualdade regional prejudicou o país — argumento que ele apresentou já em seu primeiro discurso no Parlamento, em 2001. Em uma entrevista recente, afirmou que o Reino Unido estava “no caminho errado há 40 anos”.
Burnham gerou preocupação entre alguns observadores no ano passado ao afirmar que o Partido Trabalhista deveria ir “além de ficar refém dos mercados de títulos públicos” — frase que posteriormente disse ter sido mal interpretada. Mais recentemente, pareceu pouco seguro ao comentar um aspecto da política econômica durante uma entrevista à BBC. Ainda assim, em Manchester adotou políticas favoráveis aos negócios para atrair investimentos.
Segundo o professor Ford, como prefeito, Burnham “se acostumou relativamente a dizer o que pensa”, mas agora “tem recebido uma lição bastante dura sobre a necessidade de pesar as palavras com mais cuidado”.
É difícil prever até que ponto as habilidades demonstradas em Manchester o preparariam para o principal cargo da política britânica.
— É muito diferente quando você navega para a tempestade de Downing Street, onde haverá 150 assuntos sobre sua mesa todos os dias — disse Ford. — Você não tem muito controle sobre quais deles escolher para travar disputas e não tem tempo para refletir.
Uma mulher de 47 anos sobreviveu após ser arrastada por uma onda de grande intensidade para o oceano na costa da Califórnia, nos Estados Unidos. O caso ocorreu na última terça-feira, nas proximidades do píer de Pacifica, e foi registrado por uma câmera instalada na região. A vítima, Bae Cadotte, foi resgatada por pescadores que estavam no local depois de passar vários minutos à deriva.
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Em entrevista à ABC News, Cadotte descreveu o momento em que foi atingida pela correnteza como uma experiência em que se sentiu “engolida” pelo mar.
— Aquilo me engoliu. Eu sabia naquele momento que ela tinha entrado e que eu também iria. Ela ia me pegar. Não tinha como escapar disso — relatou.
As imagens mostram a pescadora sendo derrubada pela força da água e arrastada para cerca de nove metros da costa. Segundo ela, a sensação era de estar dentro de uma máquina de lavar, sendo lançada de um lado para o outro pelas ondas.
Confira:
Resgate e recuperação
Cadotte afirmou que decidiu não lutar contra a correnteza enquanto estava no mar.
— Eu simplesmente deixei acontecer. Não tentei lutar contra aquilo. Não adianta lutar contra uma onda surpresa — disse.
Durante o episódio, ela contou ter feito uma oração ao acreditar que poderia não sobreviver.
— Fechei os olhos e fiz uma oração: “Deus, se esta é a tua vontade, eu entendo, mas, por favor, não me deixes abandonar meu filho”.
Pescadores que presenciaram a cena lançaram uma corda em direção à vítima e conseguiram puxá-la de volta para a areia. Equipes de emergência chegaram pouco depois, e ela foi encaminhada ao Hospital Geral Zuckerberg, em São Francisco. De acordo com informações divulgadas pela imprensa local, a mulher recebeu tratamento para hipotermia e uma lesão cervical provocada pela força do mar e já se recupera em casa.
Moradora de Pacifica, Cadotte também participa de movimentos em defesa da preservação do píer da cidade, atualmente fechado devido a danos estruturais. Em uma publicação nas redes sociais, ela afirmou que a experiência reforçou a importância da estrutura para a segurança dos frequentadores da região.
— O píer salva vidas, as ondas traiçoeiras tiram vidas. O oceano não é nosso amigo. Ele é indiferente. Deve ser respeitado. É bonito e feroz — escreveu.
A pescadora também destacou o papel do píer como ponto de encontro para moradores e visitantes, defendendo que sejam encontradas alternativas para reconstruir e revitalizar o local, que classificou como uma “joia escondida” da comunidade.
A polícia da Austrália apreendeu 2,7 toneladas de cocaína escondidas em um sistema de bunkers subterrâneos no oeste de Sydney, na maior apreensão da droga já registrada na história do país. A carga, avaliada em 816 milhões de dólares australianos no mercado ilegal (cerca de R$ 2,9 bilhões, na cotação atual), foi encontrada na sexta-feira em uma propriedade na região de Londonderry.
A cocaína estava escondida em compartimentos subterrâneos sob pisos falsos instalados em três contêineres de transporte. Dois homens, de 21 e 25 anos, foram presos no local após, segundo a polícia, tentarem fugir.
Os dois foram acusados de posse de quantidade comercial de uma droga controlada que teria sido importada ilegalmente para a Austrália. Eles compareceram à Justiça no sábado e permaneceram presos após a audiência. Caso sejam condenados, poderão cumprir prisão perpétua, segundo a BBC.
Investigação começou após cocaína aparecer flutuando na água
A apreensão faz parte da Operação Minjiang, iniciada em maio depois que 40 quilos de cocaína foram encontrados flutuando próximo a uma rampa para embarcações em Midge Point, no norte do estado de Queensland.
Segundo a polícia, a carga foi contrabandeada para a Austrália por meio de Midge Point, em uma operação comandada por uma organização criminosa.
As investigações também resultaram na prisão e denúncia de outras seis pessoas nos estados de Queensland e New South Wales. Além disso, uma suposta “embarcação-mãe”, suspeita de participar da operação de contrabando, foi detida nas Ilhas Salomão.
Austrália está entre os mercados mais lucrativos para o tráfico
Apesar do isolamento geográfico, a Austrália é considerada um mercado altamente lucrativo para o tráfico de drogas. Segundo um sistema de monitoramento de drogas ilícitas administrado pela Universidade de New South Wales, a cocaína costuma ser vendida por cerca de A$ 300 por grama (mais de R$ 1 mil, na cotação atual).
De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas das Nações Unidas do ano passado, australianos e neozelandeses apresentam as maiores taxas de consumo de cocaína do mundo.
O comandante da Polícia Federal Australiana, Stephen Jay, afirmou que a operação evidencia o grau de organização das quadrilhas envolvidas no tráfico internacional.
— A apreensão demonstra o quão altamente organizadas e determinadas essas redes criminosas são, e até que ponto estão dispostas a ir em busca de lucro.
Segundo Jay, as investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos na tentativa de introduzir a droga no país.
— As investigações sobre a origem da droga continuam em andamento, e trabalharemos com nossos parceiros nacionais e internacionais das forças de segurança para identificar as organizações criminosas e qualquer outra pessoa envolvida em facilitar essa suposta tentativa de importação de drogas.
O incêndio que atingiu o resort Viva Dominicus Beach by Wyndham, na República Dominicana, e deixou uma vítima fatal, também provocou uma crise para centenas de turistas estrangeiros que perderam documentos durante a evacuação. Segundo responsáveis pelo empreendimento, muitos hóspedes tiveram passaportes e documentos de identidade destruídos pelas chamas e precisaram ser transferidos para outros hotéis enquanto tentam regularizar sua situação.
Vídeo: Megaincêndio em resort na República Dominicana deixa uma pessoa morta e força retirada de 1.700 pessoas
Saiba mais: Italiana que vivia no Caribe é identificada como única vítima fatal de megaincêndio que destruiu resort na República Dominicana
O fogo começou na sexta-feira (19) no complexo turístico localizado em Bayahibe, um dos destinos mais procurados do Caribe. A única morte confirmada foi a da italiana Francesca Valentino, de 46 anos, conhecida por participar de um reality show sobre pessoas que deixam seus países para recomeçar a vida no exterior. De acordo com o serviço de emergência dominicano (DAEH), outras três pessoas foram hospitalizadas e seis receberam atendimento no local.
Hóspedes foram transferidos para outros hotéis
Com o avanço das chamas, cerca de 1.700 hóspedes e funcionários tiveram de deixar o resort. Muitos foram encaminhados para hotéis em Bayahibe e Punta Cana, mas parte deles descobriu posteriormente que seus documentos haviam sido consumidos pelo incêndio.
Amanda Santana, executiva do setor hoteleiro envolvida na operação de acolhimento dos turistas, afirmou ao jornal britânico Daily Mail que equipes estão trabalhando para minimizar os transtornos.
— Infelizmente, eles perderam seus documentos de identidade, incluindo seus passaportes. Temos estado em contato com as embaixadas e os governos desses países para facilitar a entrada desses hóspedes — disse.
Segundo ela, representantes do hotel também atuam em conjunto com autoridades locais para auxiliar na emissão de segundas vias e acelerar os procedimentos necessários para que os visitantes possam retornar aos seus países.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram hóspedes deixando a área enquanto grandes colunas de fumaça tomavam conta do complexo. Outras imagens registram bombeiros combatendo o fogo em diferentes pontos do resort. De acordo com o Centro de Operações de Emergência (COE) da República Dominicana, o incêndio se espalhou rapidamente por causa dos ventos e da presença de coberturas de palha em parte das estruturas. As causas do incêndio e da morte de Francesca Valentino seguem sob investigação.
Apesar dos danos, o COE informou que as atividades turísticas em Bayahibe continuam funcionando normalmente. A República Dominicana é o principal destino turístico do Caribe e recebeu cerca de 5,6 milhões de visitantes nos cinco primeiros meses deste ano, segundo dados oficiais.
O anúncio da renúncia de Keir Starmer ao cargo de primeiro-ministro e à liderança do Partido Trabalhista encerra um ciclo que começou há pouco mais de dois anos, quando o ex-procurador-geral britânico conduziu a legenda a uma vitória histórica nas eleições gerais e pôs fim a 14 anos de governos conservadores.
Aos 63 anos, Starmer afirmou que permanecerá no comando do governo até que seu sucessor seja escolhido.
A trajetória política de Starmer foi relativamente rápida. Ele entrou para o Parlamento há pouco mais de uma década e, em menos de cinco anos à frente do Partido Trabalhista, conseguiu reconstruir uma legenda que havia sofrido sua pior derrota eleitoral desde a década de 1930.
Seu principal movimento foi reposicionar o partido em direção ao centro político, ao mesmo tempo em que explorou o desgaste acumulado pelos governos conservadores.
Quem é Keir Starmer?
Advogado especializado em direitos humanos antes de ingressar na política, Starmer construiu sua reputação como procurador-chefe do Reino Unido.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer deixa o número 10 de Downing Street, no centro de Londres, em 11 de fevereiro de 2026, para participar da sessão semanal de ‘Perguntas ao Primeiro-Ministro’
ADRIAN DENNIS / AFP
Na vida pública, manteve um estilo discreto e técnico, frequentemente descrito por aliados e adversários como sério, pragmático e pouco carismático. Em vez da retórica inflamável, apostou em um discurso voltado para a gestão e a solução prática de problemas.
Durante a campanha que o levou ao poder, evitou grandes demonstrações de entusiasmo e concentrou seus ataques nos escândalos que marcaram os governos conservadores, como o “Partygate”, os contratos relacionados à pandemia de Covid-19 e as acusações de falta de transparência.
Mesmo sem despertar grande entusiasmo popular, conseguiu consolidar a imagem de um líder capaz de devolver credibilidade ao Partido Trabalhista.
Da origem humilde ao comando do Reino Unido
Criado em uma família da classe trabalhadora em Surrey, nos arredores de Londres, Starmer foi o primeiro de sua família a concluir o ensino superior. Estudou na Universidade de Leeds e, depois, cursou direito na Universidade de Oxford.
O premier britânico, Keir Starmer, discursa na Inglaterra: Trabalhista é alvo de pressões por nomeação de ex-embaixador envolvido com Epstein
Peter Nicholls/AFP
Seu nome é uma homenagem a Keir Hardie, sindicalista escocês e primeiro líder do Partido Trabalhista. Ainda jovem, porém, contou que preferia ser chamado de Dave ou Pete.
Como advogado, representou manifestantes processados pela rede McDonald’s antes de assumir o cargo de procurador-chefe do Reino Unido, função que lhe rendeu o título de cavaleiro.
Na política, levou o mesmo perfil técnico para o Parlamento e ganhou notoriedade ao confrontar o então primeiro-ministro Boris Johnson sobre as festas realizadas na residência oficial de Downing Street durante as restrições impostas pela pandemia.
Quando os conservadores levantaram suspeitas de que ele também teria desrespeitado as regras sanitárias ao participar de um jantar com colegas em 2021, Starmer prometeu renunciar caso fosse considerado culpado. A polícia concluiu que ele não havia cometido irregularidades.
Reconstrução do Partido Trabalhista
Ao assumir a liderança do Partido Trabalhista após a derrota eleitoral de 2019, Starmer herdou uma legenda profundamente dividida e desgastada. Inicialmente eleito com o apoio de setores ligados ao então líder Jeremy Corbyn, rapidamente passou a conduzir uma guinada ao centro.
Primeiro-ministro britânico, Keir Starmer foi criticado por ter recebido presentes avaliados em 107 mil libras, cerca de R$ 772 mil, desde 2019
Bnejamim Cremel/Pool/AFP
Entre as principais mudanças promovidas durante sua gestão estiveram o abandono de propostas como a nacionalização da indústria energética, o compromisso de não elevar impostos sobre famílias trabalhadoras e a defesa de uma postura mais firme em temas ligados à defesa nacional.
Também promoveu uma ampla reformulação interna para combater o antissemitismo que havia marcado o partido durante a gestão de Corbyn, chegando a afastar o ex-líder da legenda e restringir a candidatura de nomes identificados com a ala mais à esquerda.
Durante o anúncio de sua renúncia, Starmer citou justamente essas mudanças como parte de seu legado. Disse que encontrou o Partido Trabalhista “politicamente, financeiramente e moralmente falido”, mas afirmou ter demonstrado que aqueles que consideravam a legenda “acabada” estavam errados. Também destacou o trabalho para “erradicar o veneno do antissemitismo” e para restaurar a confiança “na economia, na defesa e na segurança nacional”.
Perfil reservado
Mesmo após chegar ao cargo de primeiro-ministro, Starmer manteve uma postura reservada.
Keir Starmer e a esposa, Victoria, na entrada da sede do governo, em Downing Street
Henry Nicholls/AFP
Casado com Victoria Starmer, especialista em saúde ocupacional do Serviço Nacional de Saúde (NHS), é pai de dois filhos adolescentes, cuja privacidade sempre procurou preservar. A família também mantém algumas tradições judaicas herdadas da família de sua esposa.
Fora da política, é torcedor do Arsenal e costuma jogar futebol regularmente, apesar de já ter passado por uma cirurgia no joelho.
Ao anunciar que deixará Downing Street, Starmer afirmou que, após exercer o que chamou de “o maior cargo do país”, pretende dedicar mais tempo ao que considera sua função mais importante: a família. Em um dos momentos mais emocionados do discurso, disse que deseja ser “o melhor marido” para a esposa, Vic, e “o melhor pai” para seus filhos.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou sua renúncia na manhã desta segunda-feira.
Uma corte da Coreia do Sul condenou nesta segunda-feira o ex-ministro da Justiça Park Sung-jae a 25 anos de prisão por seu papel na declaração de lei marcial decretada pelo então presidente Yoon Suk Yeol, em dezembro de 2024.
Park foi considerado culpado de participar de uma insurreição, informou a agência de notícias Yonhap, com base na decisão da Corte do Distrito Central de Seul.
Yoon decretou a lei marcial em dezembro de 2024, mas a medida durou apenas seis horas. Parlamentares correram até a sede da Assembleia Nacional e aprovaram, em sessão de emergência, a revogação do decreto.
O ex-presidente acabou condenado à prisão perpétua por promover uma insurreição.
Segundo os promotores, Park realizou uma reunião com autoridades do Ministério da Justiça nas primeiras horas da vigência da lei marcial e verificou a capacidade do sistema prisional do país caso opositores fossem presos.
Como ministro da Justiça, Park “instruiu que houvesse cooperação com a lei marcial (…) partindo do pressuposto de que o decreto seria efetivado”, publicou a Yonhap, ao citar a sentença.
Promotores pediram pena menor
Os promotores haviam pedido uma pena de 20 anos de prisão para Park, sob o argumento de que ele transformou a lei “em uma ferramenta de insurreição por meio do abuso de poder e representou uma ameaça ao Estado de Direito”.
A declaração de lei marcial mergulhou a Coreia do Sul em uma crise política sem precedentes, marcada por protestos nas ruas e pelo colapso dos mercados.
Outros aliados de Yoon também foram condenados por envolvimento na medida. O ex-primeiro-ministro Han Duck-soo cumpre pena de 15 anos de prisão, enquanto o ex-ministro do Interior Lee Sang-min foi condenado a nove anos.
A capacidade dos pombos-correio de retornar ao ninho mesmo depois de serem soltos a centenas de quilômetros de distância continua intrigando a ciência. Agora, um estudo publicado na revista Science levanta uma hipótese inusitada: parte desse sofisticado sistema de orientação pode estar ligada ao fígado, e não apenas ao cérebro ou aos órgãos sensoriais tradicionalmente associados à navegação.
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Pesquisadores identificaram no órgão células do sistema imunológico carregadas de ferro, conhecidas como macrófagos, que poderiam atuar como sensores do campo magnético terrestre. A proposta é que essas estruturas ajudem as aves a perceber mudanças magnéticas do ambiente e utilizem essa informação para se localizar, especialmente quando referências visuais não estão disponíveis.
Segundo os autores, o mecanismo seria mais importante em situações de baixa visibilidade, como dias de neblina intensa ou céu encoberto. Nesses cenários, quando o Sol e elementos da paisagem deixam de servir como guia, os macrófagos ricos em ferro poderiam funcionar como uma espécie de sistema de navegação auxiliar.
Para testar a teoria, a equipe realizou experimentos com 34 pombos. Em 18 deles, foi aplicado um tratamento destinado a reduzir a quantidade dessas células, enquanto os demais permaneceram inalterados. Sob condições de nevoeiro, as aves que passaram pela intervenção apresentaram maior dificuldade para retornar ao pombal, enquanto o grupo de controle conseguiu completar um percurso de cerca de 19 quilômetros em aproximadamente 70 minutos.
Quando os testes foram repetidos em dias de céu limpo, porém, a diferença praticamente desapareceu: até mesmo os animais submetidos ao tratamento conseguiram encontrar o caminho de volta. O resultado reforça a hipótese de que a percepção magnética não substitui a navegação visual, mas pode servir como um recurso adicional quando outros pontos de referência deixam de existir.
Apesar do entusiasmo com a descoberta, a interpretação dos resultados ainda divide especialistas. Alguns pesquisadores argumentam que os efeitos observados podem estar relacionados a alterações na cognição, na motivação ou até na capacidade visual das aves, e defendem que estruturas como o ouvido interno continuam sendo as candidatas mais prováveis para explicar a percepção do campo magnético.
Os próprios autores reconhecem que ainda há perguntas sem resposta, como a forma pela qual um eventual sinal produzido no fígado chegaria ao cérebro. Ainda assim, consideram que a pesquisa abre uma nova frente para investigar um dos fenômenos mais impressionantes do reino animal: a habilidade dos pombos-correio de localizar o caminho de casa com uma precisão que desafia cientistas há décadas.

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