Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
O anúncio da renúncia de Keir Starmer do cargo de primeiro-ministro do Reino Unido e da liderança do Partido Trabalhista britânico põe fim ao primeiro Gabinete não conservador em Londres em mais de uma década — e um dos mandatos mais curtos deste século. O ex-procurador-geral, que chegou ao poder com a promessa de “reconstrução” e entrega de grandes reformas econômicas e sociais, deixa o cargo com um alto nível de desaprovação e um legado ainda difícil de avaliar no longo prazo.
Quem é Andy Burnham: Entenda quem é o nome mais cotado para substituir Keir Starmer como premier do Reino Unido
Entenda o caso: Keir Starmer anuncia renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido e à liderança do Partido Trabalhista
O premier demissionário chegou ao Número 10 de Downing Street — sede do governo britânico — em 4 de julho de 2024, após liderar um processo reformista nas fileiras do Partido Trabalhista, que levou a sigla a uma posição mais ao centro. Ex-integrantes expulsos da legenda, como o ex-líder Jeremy Corbyn, manifestaram-se por meio de uma nota do recém-formado movimento político “Your Party”, criticando o premier, que, dizem, “falhou em defender os trabalhadores, criminalizou o direito ao protesto e apoiou os crimes de Israel em Gaza”.
Initial plugin text
Embora a vitória de Starmer tenha encerrado uma sequência de 14 anos de governos conservadores, o novo Gabinete assumiu com uma margem de vantagem curta, que foi sendo corroída pelo cenário de estagnação econômica, tensões geopolíticas e polêmicas — a mais ruidosa delas, a nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, apesar de seus reconhecidos laços com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
A extensão da impopularidade do governo ficou evidenciada nas eleições de maio, quando o Partido Trabalhista foi o maior derrotado na disputa por cargos locais, como conselhos distritais e prefeitos. O pleito também demonstrou a fragmentação política em território britânico, dominado historicamente pela disputa entre conservadores e trabalhistas, com o crescimento da sigla de extrema direita Reform UK. O líder radical Nigel Farage reagiu à renúncia de Starmer nesta segunda com um pedido para que a eleição parlamentar fosse antecipada.
O futuro da liderança política, porém, deve ser definida pela maioria trabalhista, com o nome do prefeito da Grande Manchester Andy Burnham despontando como grande favorito. Recentemente eleito para a cadeira de deputado do distrito eleitoral de Makerfield, em um pleito suplementar, Burnham recebeu o apoio de outras lideranças do partido cotadas para disputar o cargo. A imprensa britânica noticiou que ele estava a caminho de Londres na manhã desta segunda, após o pronunciamento do premier.
Keir Starmer se emociona ao renunciar ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido
Em uma declaração à imprensa em que agradeceu Starmer pelas “liderança e dedicação”, Burnham confirmou que disputará a sucessão, que classificou como uma “transição” — em um indicador que pode significar o desejo de reunir apoio suficiente para evitar uma disputa pelo poder.
— O país espera estabilidade, seriedade e foco contínuo nas questões que mais importam, e é isso que receberá — disse o candidato a sucessor, citando como prioridades o crescimento econômico, o custo de vida e os serviços públicos, entre outros. — O movimento trabalhista sempre foi mais forte quando olha para o futuro com confiança e propósito. É isso que faremos daqui em diante e garantiremos que essa transição seja um processo positivo de renovação para nosso partido e para nosso país.
Caso reúna apoio suficiente para evitar uma disputa, Burnham pode se tornar primeiro-ministro em 17 de julho, antes do recesso parlamentar de verão, previsto para 16 de julho. Segundo Starmer, o Comitê Executivo Nacional do Partido Trabalhista abriria as indicações para sucessores em 9 de julho, com a previsão para conclusão em 16 do mesmo mês.
Se a data se confirmar, Starmer terá conduzido o 3º mandato mais curto entre primeiros-ministros britânicos neste século — somente mais duradouro que a passagem do antecessor Rishi Sunak (1 ano e 255 dias) pelo cargo e o brevíssimo governo Liz Truss, que durou apenas 50 dias.
Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester, é principal concorrente à liderança do Partido Trabalhista
Oli Scarff/AFP
Balanço de governo
Apesar da popularidade criticamente baixa e da perda de confiança por parte do partido de que ele pudesse guiar a legenda a uma futura vitória eleitoral, Starmer recebeu demonstrações de apoio ao anunciar a renúncia. Aliados internos e regionais destacaram relativos sucessos do premier em seu curto mandato.
A secretária de Finanças Rachel Reeves lembrou que Starmer conseguiu politicamente reverter a pior derrota trabalhista na História moderna, levando à vitória em 2024. O vice-premier David Lammy afirmou que a estabilidade à economia e a redução das filas de espera do NHS [sistema público de saúde] estão entre as conquistas do governo Starmer, citando também outras políticas, como a recente limitação ao acesso de menores de idade a redes sociais para proteção a riscos online. Lammy também citou a reaproximação com a Europa.
— Ele [Starmer] recolocou o Reino Unido no centro da Europa, apoiou firmemente a Ucrânia e reconstruiu relações com nossos aliados — disse o vice-premier. — Mudança prometida, mudança defendida e mudança entregue. Esse é o legado de Keir Starmer, e tenho imenso orgulho de ter participado dele.
Zelensky esteve com o premier britânico, Keir Starmer, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, em Londres, na segunda-feira
Adrian Dennis/AFP
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também destacou o papel de Starmer na reaproximação com o bloco europeu e na condução de uma política comum dos aliados em termos estratégicos e de defesa. Em nota, a liderança afirmou que “a segurança europeia e ucraniana está mais forte” por causa do premier.
“Muitos líderes levam anos para se tornar o estadista que você se tornou em apenas dois anos”, escreveu von der Leye no texto, encerrado com um agradecimento endereçado ao “querido Keir”.
Muitas questões seguem sem solução no território britânico, elevando o nível de insatisfação interna. Os salários mal acompanharam o aumento dos preços, segundo dados oficiais, indicadores apontam que é improvável que o país atinja a meta de construir mais 1,5 milhão de casas para suprir a carência crônica de habitação, enquanto o crescimento econômico gira pouco acima de 1% — com previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que esse aumento seja ainda menor, em razão das instabilidades trazidas pela guerra no Oriente Médio e a crise do petróleo provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. (NYT e AFP)

Veja outras postagens

Um brasileiro de 30 anos foi preso no Aeroporto Internacional de Hong Kong após agentes da alfândega encontrarem cerca de 2,85 quilos de cocaína escondidos em sua bagagem despachada. O homem havia embarcado em São Paulo e chegou ao território chinês na sexta-feira, após conexão em Doha, no Catar.
Maior apreensão de cocaína da história da Austrália: quase 3 toneladas da droga estavam escondidas em bunkers subterrâneos; entenda
Mulher é arrastada por onda gigante na Califórnia, faz oração em meio ao mar e sobrevive após resgate de pescadores
Segundo a Alfândega de Hong Kong, a droga foi descoberta durante uma inspeção de rotina realizada na chegada do passageiro. Após a apreensão do entorpecente, o brasileiro foi detido sob suspeita de tráfico de drogas. As autoridades não divulgaram sua identidade.
O caso faz parte de uma operação que resultou na prisão de três passageiros entre os dias 20 e 21 de junho. Além do brasileiro, um malaio de 23 anos e uma chinesa de 27 anos foram detidos após a apreensão de aproximadamente 29 quilos de cetamina em malas que chegaram em voos procedentes de Roma, na Itália. O valor estimado das drogas apreendidas nos três casos é de cerca de 13 milhões de dólares de Hong Kong (aproximadamente R$ 9 milhões).
Cocaína apreendida em mala de brasileiro em Hong Kong
Governo de Hong Kong
As autoridades informaram que o brasileiro foi formalmente acusado por tráfico de droga perigosa e compareceria nesta segunda-feira ao Tribunal de Magistrados de West Kowloon. As investigações sobre os outros dois casos continuam em andamento.
A legislação de Hong Kong prevê punições severas para crimes relacionados ao tráfico de drogas. De acordo com a alfândega local, os condenados podem receber pena de prisão perpétua e multa de até 5 milhões de dólares de Hong Kong.
O episódio ocorre poucas semanas após outra apreensão envolvendo uma passageira vinda do Brasil. Em 6 de junho, uma mulher de 23 anos foi presa ao desembarcar em Hong Kong com cerca de 3,4 quilos de cocaína escondidos dentro de duas estátuas transportadas na mala.
O ex-ministro dos Transportes espanhol, José Luis Ábalos, figura chave na ascensão de Pedro Sánchez ao poder, foi condenado nesta segunda-feira a 24 anos de prisão por corrupção, numa sentença que poderá enfraquecer o primeiro-ministro socialista na reta final do seu mandato. O Supremo Tribunal condenou Ábalos por organização criminosa, suborno, peculato e tráfico de influência, num caso relacionado com a compra de máscaras durante a pandemia da Covid-19, informou o poder judicial em comunicado.
‘Decidi continuar’: Premier da Espanha abandona ideia de renúncia após esposa virar alvo da extrema direita
Acusação falha: MP espanhol pede arquivamento de investigação contra esposa de Pedro Sánchez
Seu braço direito, Koldo García, foi condenado a 19 anos pelos mesmos crimes. O terceiro réu, o empresário Víctor de Aldama, que atuava como intermediário entre políticos e empresários, foi condenado a quatro anos e meio de prisão, mas não cumprirá pena devido à sua cooperação com a justiça neste caso.
A sentença representa um revés para Sánchez, somando-se a seus outros problemas legais, com seu irmão recentemente julgado por tráfico de influência, sua esposa Begoña Gómez prestes a ser julgada e privada de seu passaporte também por tráfico de influência, e com outro colaborador próximo, Santos Cerdán, também acusado de corrupção.
A isso se soma a acusação contra José Luis Rodríguez Zapatero, ex-presidente do governo socialista e aliado próximo de Sánchez, por supostamente influenciar o Executivo em troca de comissões ilegais.
O líder da oposição, o conservador Alberto Núñez Feijóo (Partido Popular), pediu a renúncia de Sánchez e a convocação de eleições.
— O primeiro-ministro é politicamente responsável pela corrupção dos seus ministros em exercício, é indecente que ele permaneça no Gabinete do primeiro-ministro por mais um minuto — disse Feijóo à imprensa. A única saída para esse colapso é convocar eleições gerais imediatamente.
Initial plugin text
‘Organização criminosa’
A sentença no caso Ábalos “conclui que os três réus formaram uma organização criminosa com divisão de funções que cometeu graves crimes de corrupção”, afirmou o judiciário em comunicado.
“Considera comprovados os crimes na atribuição do fornecimento de treze milhões de máscaras aos Portos Estatais e à Adif a uma empresa ligada à Aldama” e outros factos, como os 10 mil euros mensais que Ábalos recebia do esquema ou “a contratação de dois conhecidos do antigo ministro em empresas públicas”.
O tribunal também destaca “a grave deterioração da confiança pública no sistema político causada pela corrupção, que mina a arquitetura democrática do Estado”.
Contexto: Premier da Espanha ameaça renunciar após esposa virar alvo de investigação por denúncia da extrema direita
Durante o julgamento, o ex-ministro denunciou uma tentativa de “politizar” o caso e criticou duramente a oposição conservadora, que apresentou a queixa inicial, por fazer um “uso distorcido da justiça”. Ele também rejeitou as acusações de Aldama, que afirmava que a conspiração atingiu níveis mais altos do poder político, mencionando o próprio Sánchez, embora este não tenha sido acusado.
A sentença representa um duro golpe para o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) e para o governo, que tentaram se distanciar de alguém que foi, durante anos, um dos principais arquitetos da ascensão de Sánchez ao poder.
Na sua posição de secretário de organização, o ex-ministro foi responsável por liderar a moção de censura que, em 2018, destituiu o conservador Mariano Rajoy do poder devido a uma condenação por corrupção contra o seu partido.
Um momento delicado
A decisão surge num momento politicamente delicado, com o Executivo em minoria parlamentar, incapaz de aprovar orçamentos e sob pressão das várias frentes jurídicas que afetam o seu círculo interno, faltando apenas um ano para o fim da legislatura.
Apesar da condenação, o futuro jurídico do ex-ministro Ábalos não está encerrado. Outras linhas de investigação decorrentes do mesmo caso permanecem abertas no Tribunal Nacional e podem levar a novos processos no futuro.
Para a oposição, a decisão confirma a existência de uma rede de corrupção no âmago do governo socialista, enquanto o Executivo insiste em dissociar esses eventos da atual liderança política.
Com esta decisão, o sistema judicial espanhol encerra, por agora, a primeira parte importante do chamado “caso Koldo”, mas deixa em aberto várias ramificações que continuarão a moldar a agenda política nos próximos meses.
O advogado milionário Abelardo de la Espriella governará a Colômbia alinhado aos princípios da direita que recupera terreno no continente, com propostas de construir megapresídios e se aliar sem reservas aos Estados Unidos para combater o narcotráfico. Com um discurso de mão dura e contra a política tradicional, o empresário de 47 anos foi eleito no domingo para seu primeiro cargo eletivo e, a partir de agosto, presidirá o país com o último conflito armado ativo do Hemisfério ocidental.
Contexto: Em resultado apertado, Abelardo de la Espriella vence eleição na Colômbia e leva direita apoiada por Trump ao poder
Entenda: Candidato governista pede vigilância a apoiadores após ser derrotado por resultado apertado na Colômbia
Suas propostas disruptivas incluem cortar drasticamente o Estado, bombardear guerrilheiros e outros narcotraficantes com apoio do presidente americano, Donald Trump, e revisar a permanência da Colômbia em organismos de cooperação como as Nações Unidas.
De la Espriella venceu por menos de um ponto percentual o senador Iván Cepeda, aliado do primeiro presidente de esquerda do país, Gustavo Petro. Sua vitória encerra o parêntese aberto pela esquerda há quatro anos em um país que, durante dois séculos, foi governado por elites de direita.
Também fortalece “o bloco que está sendo gerado na América Latina”, disse à AFP Juan David Cárdenas, especialista da Universidade de La Sabana. É “uma volta do pêndulo à direita na região, que claramente também é consequência do papel muito forte que Trump teve nos processos políticos locais”, acrescentou.
‘Uma nova etapa para o país’: Quem é Espriella, outsider apoiado por Trump que venceu as eleições na Colômbia
Plano Colômbia II
A Colômbia, maior produtora mundial de cocaína, volta a ser governada por um aliado dos Estados Unidos em um momento em que Trump intensifica a perseguição às máfias na região.
Com Petro, as relações com Washington ficaram tensas, e a Colômbia foi excluída da aliança anticrime “Escudo das Américas”, integrada por países americanos e liderada por Trump.
De la Espriella, cidadão colombiano e americano que se identifica como “republicano”, busca incorporar o país a essa aliança e prometeu combater duramente o narcotráfico com bombardeios, erradicação de cultivos ilícitos com herbicidas e presença de bases militares americanas em território colombiano. Ele batizou sua iniciativa de “Plano Colômbia II”, em referência à cooperação milionária de Washington com Bogotá no início do século, que encurralou as guerrilhas.
Eleições na Colômbia: Espriella, advogado de figuras controversas, quer retomar o poder para a direita
— Não haverá zonas proibidas para o Estado, não haverá criminosos impunes e intocáveis. Não haverá organizações acima da Constituição e da lei — advertiu no domingo, em seu primeiro discurso como presidente eleito.
Megapresídios e armas
Inspirado nos presidentes de El Salvador, Nayib Bukele, e do Equador, Daniel Noboa, De la Espriella quer construir dez megapresídios para prender criminosos “a dez andares abaixo da terra”, onde serão alimentados com “pão e água”, prometeu. Esse tipo de prisão de segurança máxima gerou alertas de organizações sobre possíveis violações de direitos humanos.
Os adversários de De la Espriella veem traços autoritários em seu discurso, e especialistas alertam para uma possível escalada da violência decorrente dessa estratégia.
O presidente eleito também propõe flexibilizar o porte de armas para civis.
Veja: Quase cem guerrilheiros entregam armas na Colômbia após acordo com Gustavo Petro
— As pessoas que demonstrarem aptidão física e psicológica para portar uma arma, na era de El Tigre (como se autodenomina), terão uma arma — afirmou durante a campanha.
Dolarização, fracking, menos Estado
De la Espriella recebe um país com déficit fiscal próximo a 7% do PIB, o segundo maior da região depois do Brasil, após um período de elevado gasto público para financiar programas sociais durante o governo Petro. Na campanha, afirmou que o “ideal” seria dolarizar a economia colombiana como parte do plano econômico de seu “país milagre”.
Também propõe impulsionar o fracking para aumentar a produção energética, reduzir o tamanho do Estado em 40%, inspirado por Javier Milei na Argentina, e baixar impostos para as empresas.
Adeus às Nações Unidas?
Em matéria de cooperação, De la Espriella afirma que está disposto a revisar a permanência da Colômbia em entidades como as Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos (OEA).
Atualmente na presidência pro tempore do Conselho de Segurança da ONU, a Colômbia teve papel em debates sobre paz e segurança na região.
Initial plugin text
De la Espriella considera que essas organizações são um “diretório político da esquerda” e que “não serviram para nada”.
O jurista também sugeriu a possibilidade de retirar a Colômbia da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que considera uma “farsa”.
Ele também quer fechar parte das embaixadas da Colômbia no exterior e transformar as que permanecerem abertas em centros de negócios.
A mais recente guerra entre Israel e o movimento islamista pró-Irã Hezbollah destruiu completamente mais de 11.000 edifícios e causou prejuízos estimados em R$ 1,38 bilhão (cerca de R$ 7 bilhões), informaram nesta segunda-feira uma agência da ONU e um centro de pesquisa libanês.
Contexto: Líbano denuncia ataque de Israel após cessar-fogo acordado com Hezbollah; Ofensiva fez EUA e Irã adiarem início das negociações
Explosivos, mísseis e drones subterrâneos: Israel diz ter encontrado complexo militar do Hezbollah sob aldeia no sul do Líbano; veja vídeo
“No total, 11.095 edifícios foram completamente destruídos, o que afetou 17.891 residências, enquanto 2.242 edifícios sofreram danos parciais (…) e 9.311 edifícios sofreram danos menores”, explicaram o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS), um instituto público.
O estudo comparou imagens de satélite do final de abril, quase dois meses após o início do conflito, com imagens capturadas em outubro de 2025. Por isso, os dados não incluem as semanas finais do conflito.
Initial plugin text
“Os resultados indicam que os danos diretos aos edifícios no sul do Líbano são estimados em US$ 1,38 bilhão”, acrescentou o comunicado.
O Hezbollah envolveu o Líbano no conflito regional em 2 de março, ao lançar foguetes contra Israel em apoio ao Irã, seu principal aliado.
Veja: Em meio a cessar-fogo, ataques de Israel no Líbano deixam mais de 20 mortos, e Irã fecha Estreito de Ormuz
Israel respondeu com intensos bombardeios aéreos e uma invasão terrestre. Tropas israelenses passaram a operar em uma faixa de território ao longo da fronteira, avançando cerca de 12 quilômetros dentro do Líbano, onde realizaram extensas operações de demolição e remoção de estruturas.
Nenhum dos lados respeitou um cessar-fogo firmado em 17 de abril, e os combates só foram interrompidos no último sábado, após ameaçarem comprometer um acordo assinado na semana passada entre Irã e Estados Unidos para encerrar o conflito mais amplo no Oriente Médio.
Nos últimos dois dias, alguns moradores começaram a retornar ao sul do país para avaliar os danos em casas e estabelecimentos comerciais. O Exército libanês, porém, pediu que a população adie o retorno às aldeias e cidades próximas à fronteira.
Análise: Netanyahu ativa estratégia contra acordo entre Irã e EUA
No domingo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que as forças israelenses permanecerão no sul do Líbano “pelo tempo que for necessário”.
Autoridades libanesas afirmam que os ataques israelenses desde 2 de março mataram mais de 4.100 pessoas e deslocaram mais de um milhão de moradores.
Estados Unidos e Irã concordaram nesta segunda-feira em estabelecer linhas de comunicação para manter o Estreito de Ormuz aberto e interromper a guerra no Líbano, afirmaram fontes dos países e mediadores, após a primeira rodada de negociações na Suíça ser concluída com a confirmação de concessões. O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a suspensão de sanções ao petróleo de Teerã até 21 de agosto, enquanto o vice-presidente americano, JD Vance, afirmou que as autoridades iranianas concordaram com em permitir a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no país — um passo que pode ser fundamental em um futuro acordo nuclear.
‘Entrevista: ‘A guerra foi destrutiva para os iranianos, mas deu resultados do ponto de vista político’
A conta da guerra: Custando bilhões, conflito entre EUA, Israel e Irã deixa rastro de mortes e crise econômica
As equipes de negociação, lideradas por Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, iniciaram na Suíça um processo de dois meses que visa o fim do conflito. Os países mediadores, Paquistão e Catar, destacaram a “atmosfera positiva e construtiva” das deliberações iniciadas no domingo em um comunicado, em que informaram que “[as partes definiram] um mapa do caminho para alcançar um acordo final em 60 dias, estabelecendo as bases para o início imediato de novas conversações técnicas”.
Initial plugin text
Os acenos são mais positivos do que o clima tensa que permeou as negociações no fim de semana. A agência de notícias iraniana IRNA chegou a publicar que a delegação diplomática do país teria deixado as conversas em razão de ameaças do presidente americano, Donald Trump. No sábado, o governo do Irã anunciou o fechamento de Ormuz, em razão dos descumprimentos envolvendo a continuidade das hostilidades no Líbano. O panorama apresentado nesta segunda apontava para entendimentos.
Oão mencionou avanços para criar um mecanismo para conversas” técnicas”, incluindo um canal de contatos estabelecido para “evitar incidentes e falhas de comunicação” em Ormuz. Em Teerã, a delegação iraniana retornou se referindo a “18 horas de discussões intensas”, com o Ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, O apontando que “a incansável mediação paquistanesa e catari” possibilitou “grandes avanços para acabar com a guerra no Líbano”.
Vance, que liderou a comitiva americana integrada pelo genro de Donald Trump, Jared Kushner, e o negociador Steve Witkoff, comparou o acordo final a uma “casa”, afirmando que embora não estivesse finalizado, uma “base sólida” havia sido lançada na Suíça. O vice-presidente citou como compromisso perseguido pelos EUA uma garantia iraniana para permitir a entrada dos inspetores da AIEA no país — o que não foi confirmado até o momento por Teerã.
— Este é um marco importante para o povo americano e o primeiro passo rumo à desnuclearização permanente — disse Vance.
O Irã suspendeu a cooperação com a agência da ONU há um ano, proibindo a entrada de inspetores no país desde os bombardeadas americanos e israelenses na guerra de 12 dias. A nação persa, que nega perseguir o desenvolvimento de armas nucleares, ampliou o enriquecimento de urânio desde a saída dos EUA do acordo nuclear da era Obama, no primeiro mandato de Trump. Sobre as negociações atuais, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, declarou nesta segunda que houve “uma discussão muito breve sobre a questão nuclear, mas nenhum detalhe foi discutido”.
Alívio ao Irã
Uma medida que confirma na prática o sinal retórico por parte de Washington partiu do Departamento do Tesouro americano, com a liberação das sanções sobre o petróleo iraniano até às 00h01 do dia 21 de julho. Uma licença publicada no site do órgão indica que “todas as transações” antes “proibidas” e relacionadas à produção, venda e transporte de hidrocarbonetos de origem iraniana ficam autorizadas até a data.
O chanceler do Irã afirmou que além da suspensão de embargos sobre as exportações de petróleo e produtos petroquímicos , “alguns ativos” financeiros congelados no exterior teriam sido “liberados”. O diplomata mencionou também o lançamento de “um importante plano de reconstrução e desenvolvimento”.
Vance, que classificou o encontro como “histórico”, expressou esperança de “virar a página e transformar nossa relação com o povo iraniano”. Acompanhado por Witkoff e Kushner, ele questionou se seria possível “mudar permanentemente as relações no Oriente Médio” ou se seria necessário voltar “a fazer as coisas à moda antiga”. O vice-presidente também disse que os EUA garantiriam que o descongelamento dos ativos “não contribuirá para financiar o terrorismo”.
Fator Líbano
O presidente libanês, Joseph Aoun, recebeu um telefonema dos Estados Unidos e do Catar em meio às negociações na Suíça, focadas na criação de uma célula preventiva para pôr fim à guerra com Israel, anunciou a presidência libanesa nesta segunda-feira.
Segundo a presidência, Aoun “recebeu um telefonema do vice-presidente dos EUA, JD Vance, do conselheiro sênior do presidente dos EUA, Jared Kushner, e do primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani”.
A conversa abordou “a consolidação do cessar-fogo no Líbano, o fim da escalada militar israelense e as medidas necessárias para avançar nessa direção, incluindo a possibilidade de criação de uma célula para esse fim”, acrescentou o comunicado.
Após uma rodada inicial de negociações na Suíça, Washington e Teerã concordaram em estabelecer uma “célula de gestão de conflitos” para interromper os combates entre Israel e o movimento pró-Irã Hezbollah, de acordo com mediadores paquistaneses e catarianos. (Com AFP)

A tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 no Brasil deve seguir travada no Senado em uma semana esvaziada pelas festas de São João, pelo jogo do Brasil contra a Escócia e pelos trabalhos semipresenciais na Casa.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mantém a PEC 221 de 2019 em sua mesa, sem despachá-la para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Como a comissão não marcou reuniões para esta semana, a expectativa é que a PEC siga parada, completando um mês, no próximo sábado (27), desde a aprovação na Câmara dos Deputados

Notícias relacionadas:

O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), não marca reuniões em semanas semipresenciais, quando os parlamentares podem votar remotamente, devido ao baixo quórum.

A assessoria da CCJ informou à Agência Brasil que não houve sinalização de Alcolumbre para liberar a PEC. Já a assessoria do presidente do Senado não respondeu à reportagem.

Com o feriado de São João no Nordeste, na quarta-feira (24), e também dia do jogo do Brasil contra a Escócia pela Copa do Mundo, a expectativa é de uma semana esvaziada no Parlamento.

Na semana passada, o senador Paulo Paim (PT-RS) cobrou, no plenário, a votação da PEC. “Não temos mais por que demorar”, afirmou.

“O que afinal está faltando para que o Senado vote a matéria, já que debatemos esse tema há anos?”, questionou Paim.

A PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais foi aprovada na Câmara por ampla maioria. Apenas 22 dos 513 deputados votaram contra. Mesmo assim, o tema não avança no Senado, onde enfrenta resistência da oposição, que apresentou PEC alternativa para manter a escala 6×1 e permitir contratos por hora. 

A proposta da oposição foi despachada à CCJ por Alcolumbre no mesmo dia em que foi apresentada, no dia seguinte à aprovação da PEC do fim da 6×1 na Câmara.

O senador Otto Alencar informou que vai priorizar a PEC do fim da escala 6×1, por ter iniciado a tramitação antes da proposta da oposição.

Na semana seguinte à aprovação na Câmara, Alcolumbre criticou a pressão para despachar a matéria, sugerindo que ela poderia ser melhorada no Senado e passar por comissões antes do plenário.  

“Tenho certeza de que, como outros senadores, seria razoável que o Senado pudesse melhorar um texto dessa importância e debater o tema com calma”, defendeu Alcolumbre.

As altas temperaturas que atingem a Europa causaram a morte de três pessoas na França durante o fim de semana, enquanto autoridades de diversos países emitiram alertas diante de uma intensa onda de calor que eleva os termômetros para além dos 40ºC em partes do continente, segundo informações da agência Reuters. Ao mesmo tempo em que milhares de escolas francesas fecharam ou adaptaram seus horários, o Reino Unido emitiu um raro alerta máximo para calor extremo em áreas da Inglaterra.
Contexto: Onda de calor extremo na Europa é ‘lembrete brutal’ da crise climática, diz ONU
Entenda: França ativa célula de crise para enfrentar onda de calor antes de festival que reúne milhões de pessoas nas ruas
Na região de Bordeaux, no sudoeste da França, três idosos entre 80 e 95 anos morreram durante o fim de semana em decorrência de problemas de saúde agravados pelas altas temperaturas, segundo autoridades locais. Nesta segunda-feira, os termômetros poderiam ultrapassar os 42°C na cidade, enquanto 49 departamentos franceses estavam sob alerta vermelho para calor extremo.
— Estamos caminhando para, no mínimo, vários dias de calor muito, muito intenso. Ainda não sabemos quando as temperaturas começarão a cair — afirmou a ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, à emissora TF1.
Initial plugin text
No Reino Unido, o Met Office, serviço meteorológico nacional, emitiu o nível mais alto de alerta para calor em áreas do centro e do sul da Inglaterra para quarta e quinta-feira. O aviso abrange cidades como Londres, Birmingham e Bath.
“Espera-se um período excepcional de tempo quente e úmido nesta região”, informou o órgão em comunicado. Meteorologistas britânicos alertam que as temperaturas podem superar os 39°C em algumas localidades, quebrando com folga o recorde histórico para o mês de junho, de 35,6°C, registrado em 1957 e 1976.
Veja: França autoriza banho nos canais de Paris para enfrentar calor de até 40ºC
O alerta foi emitido cerca de um mês após o Reino Unido registrar o maio mais quente de sua história, quando os termômetros alcançaram 35,1°C.
Na Espanha, a agência meteorológica Aemet colocou o País Basco, região no norte do país, sob alerta vermelho. Em San Sebastián, cidade conhecida por temperaturas mais amenas, a máxima prevista era de 40°C, acima dos registros habituais para esta época do ano e superior à esperada em cidades tradicionalmente mais quentes, como Sevilha e Córdoba.
‘Europa fritando’: calor extremo e temporal atingem Berlim, e temperaturas podem chegar a 42°C nos próximos dias
Segundo a Aemet, algumas regiões espanholas registram temperaturas entre 5°C e 10°C acima da média histórica para o período. Durante a noite, o calor também tem persistido, com termômetros acima de 25°C e, em alguns locais, acima de 30°C.
Dados de monitoramento climático indicam que a Europa registrava nesta segunda-feira o maior desvio em relação à sua média histórica de temperatura entre todos os continentes, com máximas cerca de 4°C acima dos padrões observados entre 1961 e 1990.
Os efeitos da onda de calor também têm sido sentidos na Itália, onde turistas buscavam aliviar o calor em fontes e áreas climatizadas de Roma, e na Bélgica, onde centros de reabilitação de animais silvestres registraram aumento expressivo no número de aves resgatadas após sofrerem com as temperaturas extremas.
Calor de 43°C em Paris: Rio Sena fica abarrotado de pessoas durante onda de calor histórica na França; vídeo
Na Espanha, o Ministério do Trabalho informou que monitora o cumprimento das regras que permitem aos trabalhadores reduzir ou adaptar a jornada durante alertas meteorológicos severos. A legislação também prevê até quatro dias de licença remunerada para funcionários impossibilitados de chegar ao trabalho devido às condições climáticas.
(Com AFP)
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou sua renúncia à liderança do Partido Trabalhista nesta segunda-feira e, em consequência, à chefia do governo britânico. Starmer será sucedido por quem vencer a disputa pela liderança dos trabalhistas, e o seu sucessor será o sétimo premier britânico em uma década.
Quer saber mais? Siga o Canal O GLOBO NO MUNDO em seu WhatsApp
Será ele? Quem é Andy Burnham, nome mais cotado para substituir Keir Starmer como premier do Reino Unido
No sistema de governo britânico, que é uma monarquia parlamentarista, o monarca atua como chefe de Estado, e o primeiro-ministro como chefe de Governo. Quem lidera o partido com maioria no Parlamento se torna premier.
Initial plugin text
Keir Starmer se tornou primeiro-ministro quando os trabalhistas alcançaram a maioria do Parlamento numa vitória esmagadora em julho de 2024. No dia seguinte, seguindo o protocolo, o rei Charles III o convidou para formar um governo em seu nome. Como os trabalhistas ainda mantém a maioria no Parlamento, cabe ao Partido escolher um novo líder. Uma vez escolhido, o rei o convidará a formar o governo.
Positivos e negativos: Renúncia de premier do Reino Unido põe fim a governo que fortaleceu laços com a Europa, mas não superou crises internas
‘Sem carisma’: quem é Keir Starmer, que levou os trabalhistas de volta ao poder e agora deixa o governo britânico
De acordo com Starmer, o Partido Trabalhista abrirá o período de candidaturas à liderança em 9 de julho e encerrará antes do recesso do Parlamento, no dia 16. A expectativa é que o novo líder esteja escolhido antes do retorno do Parlamento, no dia 1º de setembro. Enquanto isso, Starmer continua no cargo.
Como o Partido Trabalhista escolhe seu líder?
Os candidatos à liderança dos trabalhistas precisam ter o apoio de 20% dos legisladores do partido, o que significa 81 deles. Além disso, precisam atingir níveis mínimos de apoio de grupos de base do partido e de organizações afiliadas, como sindicatos de trabalhadores.
Se mais de um candidato se qualificar, o vencedor será decidido por uma votação de todos os membros e afiliados do partido. Mas, se apenas um candidato atingir o nível mínimo de apoio, não haverá votação: ele será eleito sem oposição como líder dos trabalhistas e se tornará primeiro-ministro.

Com candidatura em análise pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Arthur Henrique (PL) foi o mais votado para o cargo de governador do estado de Roraima, em eleição suplementar ocorrida nesse domingo (21). Ele e o candidato a vice, subtenente Velton, receberam 160.004 votos, 60,87% dos votos válidos.  

O resultado da apuração foi anunciado ainda na noite de ontem, mas os candidatos só poderão ser declarados eleitos após o TSE analisar uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do estado (TRE-RR) que indeferiu o registro dos candidatos por descumprimento do prazo legal de desincompatibilização (afastamento do cargo para disputar eleição).

Notícias relacionadas:

Arthur Henrique ocupava o cargo de prefeito de Boa Vista e, após a cassação do então governador Antonio Denarium (Republicanos) e de seu vice Edilson Damião (UNIÃO), desligou-se da gestão para concorrer à eleição suplementar.

O afastamento seguiu o prazo estabelecido pelo TRE-RR por resolução, de apenas 24 horas. No entanto do Supremo Tribunal Federal derrubou a decisão, por considerar o prazo em desacordo com a Lei Complementar 64/1990, que prevê um prazo mínimo de três meses.

Os candidatos Soldado Sampaio e Tayla Peres (Republicanos) receberam 93.897 votos válidos (35,72%). A chapa de Nelita Frank (PT) e Bartô Macuxi (PSol), 8.948 votos – o equivalente a 3,40% dos votos válidos na eleição suplementar.

O presidente eleito da Colômbia, o outsider de extrema direita Abelardo de la Espriella, celebrou no domingo o início de uma “nova era” no país após derrotar, no segundo turno mais apertado da história, o candidato da esquerda, que governou o país pela primeira vez nos últimos quatro anos. A vitória por menos de um ponto percentual foi impulsionada pelo forte apoio dos eleitores colombianos residentes no exterior.
Contexto: Em resultado apertado, Abelardo de la Espriella vence eleição na Colômbia e leva direita apoiada por Trump ao poder
Entenda: Candidato governista pede vigilância a apoiadores após ser derrotado por resultado apertado na Colômbia
O advogado, de 47 anos e sem experiência política, venceu o senador governista Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, no momento em que o país enfrenta a pior onda de violência da última década. Entre os colombianos que vivem fora do país, De la Espriella recebeu 63,8% dos votos e abriu uma vantagem de 177.809 votos sobre o adversário. Quase dois terços da diferença final entre os candidatos vieram desse segmento do eleitorado.
Com o apoio do presidente americano, Donald Trump, a vitória de Espriella foi recebida com protestos em cidades como Bogotá e Cali, onde manifestantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos e estabeleceram barricadas.
Initial plugin text
Aos gritos de “resistência!”, milhares de pessoas ocuparam as ruas das duas cidades. Em alguns pontos, os atos terminaram em confrontos entre manifestantes encapuzados e a tropa de choque da polícia, segundo jornalistas da AFP.
As cenas lembraram a onda de protestos que abalou a Colômbia entre 2019 e 2021. Muitos participantes criticaram propostas de campanha do presidente eleito, como o endurecimento da política de segurança e da repressão às manifestações.
— Não vamos nos conformar com um governo agressivo que queira nos perseguir e nos destruir, como ele já disse que fará — afirmou em Bogotá Isabella Giraldo, empreendedora de 26 anos.
‘Uma nova etapa para o país’: Quem é Espriella, outsider apoiado por Trump que venceu as eleições na Colômbia
O governo de Petro ampliou programas sociais voltados à população mais vulnerável e mantém alta popularidade entre as classes mais baixas. Muitos dos manifestantes temem perder esses benefícios em um dos países mais desiguais do mundo.
— Vamos demonstrar nossa insatisfação porque ele é muito contrário a direitos básicos pelos quais as comunidades e as mulheres lutam há tanto tempo — afirmou Natalia, estudante de marketing de 26 anos.
Eleições na Colômbia: Espriella, advogado de figuras controversas, quer retomar o poder para a direita
Atrás de uma barreira de vidro à prova de balas, o advogado celebrou o início de uma “nova história para a nação”.
A apuração preliminar oficial aponta sua vitória com 49,6% dos votos, contra 48,7% de Cepeda.
— Começa uma nova era, uma mudança de ordem, a Pátria Milagre — disse na cidade caribenha Barranquilla em seu primeiro discurso diante de milhares de simpatizantes, após chegar ao local em um veículo semelhante ao papamóvel.
Veja: Quase cem guerrilheiros entregam armas na Colômbia após acordo com Gustavo Petro
De la Espriella, que tem cidadania colombiana e americana, derrotou a esquerda que buscava acordos de paz com todos os grupos armados.
— Aqueles que semearam violência, terror, narcotráfico e corrupção durante todos estes anos, o tempo de vocês acabou — declarou o presidente eleito, que governará até 2030 e que se autodenomina “O Tigre”.
Cepeda declarou que não aceitará a derrota antes da apuração final, que deve demorar alguns dias, e que pretende contestar 33.000 urnas, processo com o qual espera reverter o resultado.
— Não vamos apoiar este governo — disse à AFP Brandon, um estudante de 19 anos que protestava nas ruas de Bogotá. — Ele não me representa como jovem. Veremos mais manifestações.
Presidente eleito: Em discurso de vitória, Espriella diz que herda um país dividido e convoca colombianos à reconciliação
De la Espriella afirmou que o presidente dos EUA manifestou apoio em uma ligação telefônica.
Mais tarde, Trump publicou na rede Truth Social a mensagem “Ganhou, GRANDE!” com uma fotografia do presidente eleito.
Apoio da direita latino-americana
A vitória de De la Espriella também foi celebrada por líderes conservadores da América Latina, próximos a Trump. O presidente da Argentina, Javier Milei, foi um dos primeiros a parabenizar o colombiano, afirmando que a maioria dos eleitores escolheu “o caminho da liberdade econômica, da prosperidade e da segurança implacável”.
Em publicação na rede X, Milei declarou ainda que “a liberdade avança em toda a América Latina e já não há volta atrás” e afirmou que “o Leão e o Tigre rugem na América Latina”, em referência aos apelidos adotados por ambos os políticos.
Nas vésperas do segundo turno: Militares matam 9 membros do principal cartel de narcotráfico da Colômbia
O presidente do Equador, Daniel Noboa, também comemorou o resultado, afirmando que a Colômbia escolheu “a ordem em vez da impunidade”. Segundo ele, os dois governos compartilham a convicção de que a região precisa de mais segurança e de uma postura firme contra o crime organizado.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, também felicitou De la Espriella “por seu grande triunfo eleitoral”, assim como o líder do Panamá, José Raúl Mulino, que desejou “o maior dos êxitos”.
A Nobel da Paz e líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, previu boas relações com a Colômbia e disse esperar uma aliança com o novo governo em favor de uma transição democrática na Venezuela.
Eleições: Justiça proíbe candidato de extrema direita de usar camisa da Colômbia como ‘símbolo’
Em meio a um processo de apuração dos votos que pode declarar sua vitória como presidente do Peru, Keiko Fujimori celebrou que “sopram novos ventos para a América Latina”.
O discurso de De la Espriella a favor de Washington, das forças de segurança e dos empresários é similar ao de outros presidentes na região, como o salvadorenho Nayib Bukele e o argentino Milei.
De la Espriella é alvo de críticas por seus frequentes comentários machistas e homofóbicos e por representar como advogado vários paramilitares e narcotraficantes.
Recuo: Governo da Colômbia retira proposta de Assembleia Constituinte após derrota eleitoral
Em entrevista à AFP, o presidente eleito disse que buscará o apoio dos EUA e de Israel para atacar a guerrilha com bombardeios e fumigações de plantações de drogas no país, o maior produtor mundial de cocaína.
Além disso, ele conquistou votos como “inimigo ferrenho” da esquerda diante dos poucos avanços nas negociações com as máfias e em um contexto de relações tensas com Washington.
A lei colombiana não permite a reeleição e Petro escolheu como candidato Cepeda, um defensor de direitos humanos, de 63 anos, que apostava em fortalecer os programas sociais que beneficiaram os mais pobres e marginalizados em um dos países mais desiguais do mundo.
Análise: Polarização entre extrema direita e esquerda no segundo turno força limites institucionais na Colômbia
Uma década após o acordo de paz com as Farc, a campanha foi marcada pela violência de grupos armados com bombas, drones explosivos e o assassinato de um candidato à presidência.
Contra as máfias
O presidente eleito é contrário à chamada “paz total”, com a qual Petro pretendia enterrar décadas de conflito armado por meio do diálogo com grupos criminosos do narcotráfico e com as guerrilhas.
Especialistas alertam que suas promessas de ofensiva militar podem gerar uma nova espiral de violência.
Após resultado do primeiro turno: Petro apresenta supostas provas de fraude eleitoral e pede auditoria de 5.300 seções de votação na Colômbia
Com uma saudação militar, De la Espriella exibe seu talento como cantor em entrevistas ou a vida de luxo que levava na Itália.
— Ele se conecta com um eleitorado que já está muito cansado da insegurança e precisa de soluções de choque, mas também encarna um modelo aspiracional do empresário que construiu sua fortuna — diz Luisa Lozano, especialista da Universidade de La Sabana.
Ele defende o porte de armas, a construção de mega-presídios, a exploração de petróleo com fracking, cortar o Estado em 40% e considera que o “ideal” seria dolarizar a economia.
Também propõe revisar a permanência da Colômbia em organismos internacionais como a ONU e a OEA.
(Com AFP)

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress