— A população demonstrou compreensão e simpatia pelos nossos apelos sobre a urgência de uma mudança importante de política — declarou Takaichi em entrevista coletiva em Tóquio. — Estou ciente da grande responsabilidade de tornar o Japão mais forte e mais próspero.
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O Partido Liberal Democrata de Takaichi (PLD), garantiu sozinho 316 cadeiras, superando com folga a maioria absoluta de 261 assentos na Câmara Baixa, composta por 465 membros e a mais poderosa das duas casas do Parlamento japonês. É um recorde desde a fundação do partido, em 1955, e o melhor resultado da legenda desde 2017. Com as 36 cadeiras conquistadas por seu novo aliado, o Partido da Inovação do Japão, a coalizão governista alcançou 352 assentos.
A eleição foi convocada por Takaichi apenas três meses após assumir a posição, em outubro, sucedendo o ex-primeiro-ministro Shigeru Ishiba, que renunciou ao cargo por estar pressionado pelos fracassos eleitorais de seu partido nas eleições legislativas durante seu mandato. Ao dissolver a Câmara em 19 de janeiro, ela apostou em uma campanha relâmpago de 16 dias para capitalizar sua popularidade inicial e conter o desgaste do PLD, atingido nos últimos anos por escândalos de financiamento e controvérsias envolvendo questões religiosas.
Primeira mulher a liderar o governo do Japão, Takaichi prometeu “trabalhar, trabalhar, trabalhar” — e seu estilo tem conquistado eleitores jovens que não se interessavam por política. Ao mesmo tempo, a oposição parece fragmentada: composta pelo antigo parceiro do PLD, o pacifista Komeito, apoiado por budistas, e pelo Partido Democrático Constitucional do Japão, liberal, a aliança caiu para menos de um terço de sua participação pré-eleitoral de 167 cadeiras.
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O resultado abre caminho para mudanças nas áreas de segurança e defesa. Takaichi prometeu revisar até dezembro as políticas do setor para fortalecer as capacidades militares ofensivas do Japão, incluindo a flexibilização da proibição de exportação de armas. A proposta representa um novo afastamento dos princípios pacifistas adotados pelo país após a Segunda Guerra Mundial. Ela também defende o aumento dos gastos militares, em meio às tensões regionais e à pressão dos Estados Unidos para que Tóquio amplie sua contribuição na área.
“Parabéns à primeira-ministra Takaichi por uma VITÓRIA ESMAGADORA na importantíssima votação de hoje. Ela é uma líder altamente respeitada e muito popular”, escreveu o presidente dos EUA, Donald Trump, na rede Truth Social. Em outra mensagem, afirmou: “Foi uma honra apoiá-la e sua coalizão. Desejo grande sucesso na implementação de seu programa conservador, centrado na paz por meio da força.” Takaichi agradeceu as “palavras calorosas” e disse que pretende reforçar a “unidade inabalável” entre os dois países.
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A primeira grande tarefa de Takaichi quando a Câmara Baixa se reunir novamente neste mês, porém, será trabalhar em um projeto de orçamento, atrasado por causa da eleição, para financiar medidas econômicas que enfrentem o aumento do custo de vida e os salários estagnados. A premier anunciou um pacote de estímulo de US$ 135 bilhões para mitigar os efeitos da inflação e prometeu suspender o imposto sobre o consumo de alimentos. A dívida pública japonesa é equivalente ao dobro do tamanho da economia.
Embora Takaichi tenha afirmado que busca conquistar apoio para políticas consideradas divisivas no Japão, ela evitou em grande parte discutir como financiar o aumento vertiginoso dos gastos militares, como reduzir as tensões diplomáticas com a China e outras questões. A premier tem defendido políticas mais rígidas em relação à imigração, a imposição de requisitos mais severos para proprietários estrangeiros e um limite para residentes de fora do país — iniciativas que ressoam junto à extrema direita, mas que, segundo especialistas, podem minar direitos civis.
— Com o aumento dos preços, o que mais me importa é quais políticas serão adotadas para enfrentar a inflação — declarou à AFP Chika Sakamoto, uma eleitora de 50 anos.
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Enquanto isso, os países asiáticos acompanharão de perto se Takaichi vai elevar ou moderar o tom, depois de ter gerado ruídos com a China em novembro com seus comentários sobre Taiwan. Com apenas 15 dias no cargo, ela sugeriu que o Japão poderia intervir militarmente caso Pequim tentasse tomar a ilha — de regime democrático e que Pequim considera parte do seu território — à força. Nesta segunda, o governo chinês prometeu uma “resposta contundente” caso as “forças de extrema direita no Japão façam uma leitura equivocada da situação e atuem de forma imprudente”. Takaichi, no entanto, disse que está aberta ao diálogo:
— Já temos trocas de pontos de vista. Continuaremos com as conversas. Mas vamos tratá-los de maneira serena e adequada — afirmou.
(Com AFP)







