Hillary Clinton: Ex-secretária de Estado acusa governo Trump de ‘encobrir’ arquivos de Epstein e cobra divulgação total
Leia também: Novos e-mails indicam que Jeffrey Epstein dizia querer casar com filha adolescente de ex-namorada
“Eu não posso demiti-lo”, disse a prefeita à CNN, observando que apenas o conselho diretor da organização sem fins lucrativos responsável pelas Olimpíadas de Los Angeles pode substituí-lo. “Eu tenho uma opinião. Minha opinião é que ele deveria renunciar.”
Bass, do Partido Democrata, é a autoridade eleita de mais alto escalão a pedir publicamente que Wasserman deixe o cargo. Sua declaração contraria a posição dos organizadores dos Jogos, que na semana passada manifestaram apoio ao dirigente e reiteraram confiança em sua permanência na presidência.
As declarações da prefeita ocorreram três dias depois de Wasserman, 51 anos, executivo do setor de entretenimento em Los Angeles e um dos responsáveis pela elaboração da candidatura vencedora da cidade, anunciar que venderia sua empresa porque suas “interações limitadas” há duas décadas com Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein haviam se tornado uma “distração”.
Epstein usava vistos de estudante, cursos de inglês e casamentos de fachada para ludibriar mulheres e mantê-las em sua órbita
Em memorando enviado a seus 4 mil funcionários, Wasserman informou que deixaria o controle diário de sua agência de talentos e marketing esportivo, que leva seu nome, para se concentrar em seu papel cívico como chefe dos Jogos de 2028.
Ele já havia pedido desculpas por e-mails que vieram a público na mais recente leva de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na investigação sobre Epstein, financista acusado de crimes sexuais e que mantinha relações com líderes influentes.
As trocas de mensagens de teor sugestivo com Maxwell não indicam conduta ilegal por parte de Wasserman, que tinha 29 anos na época, nem dela. Casado e com filhos pequenos naquele período, o executivo discutiu um possível encontro com Maxwell e escreveu a ela: “Eu penso em você o tempo todo.”
Na semana passada, o comitê executivo das Olimpíadas de Los Angeles divulgou nota em apoio a Wasserman, afirmando que, embora “leve alegações de má conduta a sério”, realizou uma revisão independente de suas interações passadas com Maxwell e Epstein e decidiu mantê-lo na presidência.
Os e-mails são de 2003, vários anos antes de Epstein ser preso pela primeira vez e acusado de má conduta sexual, e quase duas décadas antes de Maxwell ser condenada a 20 anos de prisão por tráfico sexual e outros crimes relacionados à conspiração com Epstein para explorar sexualmente menores de idade.
Ainda assim, críticos avaliam que as mensagens fazem parte de um padrão de comportamento. Elas se somam a uma reportagem de tabloide publicada em 2024 que acusou Wasserman de manter diversos casos extraconjugais, inclusive com funcionárias.
Nas últimas semanas, dezenas de líderes de Los Angeles e clientes da empresa de Wasserman — incluindo artistas e atletas de destaque — condenaram sua associação com Epstein e Maxwell e manifestaram preocupação tanto em serem representados por sua agência quanto em tê-lo como representante da cidade nos Jogos de 2028.
O anúncio de que se afastaria da gestão de sua empresa, feito na noite de sexta-feira, às vésperas de um feriado, foi visto como uma tentativa de conter a indignação pública.
As declarações da prefeita à CNN, porém, indicam que a crise pode não ter chegado ao fim.
“O conselho tomou uma decisão”, disse Bass. “Eu acho que essa decisão foi infeliz. Eu não apoio a decisão. Eu acho que precisamos analisar a liderança. No entanto, meu trabalho como prefeita de Los Angeles é garantir que nossa cidade esteja completamente preparada para realizar as melhores Olimpíadas da história.”
Este artigo foi publicado originalmente pelo The New York Times.








