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Contexto: Presidente interina da Venezuela presta homenagem a 32 militares cubanos mortos em operação dos EUA contra Maduro
Desde os primeiros anos do governo Hugo Chávez, a cooperação entre Venezuela e Cuba — inicialmente centrada em áreas como saúde e educação — abriu espaço para a presença gradual de assessores e agentes cubanos em estruturas estratégicas do chavismo. Ao longo da última década, essa atuação se estendeu para os campos de inteligência, contrainteligência e segurança presidencial, em uma parceria sustentada por afinidade política e intercâmbio estratégico.
O arranjo ganhou ainda mais peso sob Maduro, que, em meio a crises internas e episódios de deserção nas Forças Armadas, passou a desconfiar da própria cúpula militar e ampliou o papel de cubanos em posições-chave de sua guarda e da segurança do Palácio de Miraflores.
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Ao mesmo tempo, o líder venezuelano, que afirmava com frequência ser alvo de planos de assassinato, levou sua equipe a reforçar o primeiro anel de proteção: a Guarda de Honra Presidencial, composta por agentes selecionados em conjunto entre os serviços de segurança da Venezuela e os de assessores cubanos. Esse núcleo sofreu mudanças na chefia após as eleições de 28 de julho de 2014, quando, diante da crise política e das denúncias de fraude, Maduro promoveu uma reformulação de sua estrutura de segurança e adotou protocolos mais rígidos de proteção.
A partir daí, as medidas ganharam caráter cada vez mais preventivo. Segundo fontes ouvidas pelo New York Times, em dezembro, o presidente passou a alternar com frequência os locais onde dormia e os aparelhos de celular que utilizava, numa tentativa de reduzir o risco de uma ação cirúrgica ou de uma incursão de forças especiais americanas. Essas precauções teriam se intensificado a partir de setembro, quando os Estados Unidos reforçaram sua presença militar no Caribe e iniciaram ataques contra embarcações que, segundo a Casa Branca, estariam ligadas ao tráfico de drogas.
Agora, informações oficiais indicam que 32 desses cubanos teriam morrido quando as forças americanas invadiram o país no sábado. A Venezuela informou no domingo que o número preliminar total de mortos nos ataques era de 80, noticiou o New York Times.
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Quase dois dias depois da operação militar dos EUA na Venezuela, foi de Havana que veio a primeira confirmação de vítimas. Em uma nota oficial, o governo cubano confirmou a morte de 32 militares do país que integravam o anel de segurança de Maduro no momento em que o presidente foi capturado.
“Como resultado do ataque criminoso perpetrado pelo governo dos Estados Unidos contra a irmã República Bolivariana da Venezuela, realizado na madrugada de 3 de janeiro de 2026, perderam a vida em ações combativas 32 cubanos, que cumpriam missões em representação das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior, a pedido de órgãos homólogos do país sul-americano”, afirma um comunicado do Ministério do Interior de Cuba, publicado nas redes sociais.
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O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que as vítimas eram membros das Forças Armadas ou do Ministério do Interior que estavam em missão a pedido da Venezuela, segundo a mídia estatal cubana. Apesar de admitir publicamente, pela primeira vez, que seus agentes atuam no país aliado, Díaz-Canel não detalhou a função desempenhada pelas tropas ou sequer revelou a identidade dos mortos. Ele decretou dois dias de luto.
“Nossos compatriotas cumpriram seu dever com dignidade e heroísmo e caíram, após resistência feroz, em combate direto contra os agressores ou como resultado dos bombardeios”.
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‘Valentia e compromisso com a paz’, ressalta presidente interina
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, publicou nesta segunda-feira uma nota oficial em homenagem aos militares cubanos que integravam a guarda de Maduro e foram mortos durante o que o governo venezuelano classificou como uma “agressão criminosa” dos Estados Unidos contra o território nacional.
No texto, Rodríguez afirma que os soldados cubanos atuavam no âmbito da cooperação entre Estados soberanos e desempenhavam funções de proteção e defesa institucional. Segundo a nota, o grupo morreu na madrugada de 3 de janeiro, durante a ação militar dos EUA, considerada pelo governo venezuelano uma violação direta da soberania nacional.
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A presidente interina destacou a “valentia, disciplina e compromisso inquebrantável com a paz e a estabilidade regional” dos cubanos e expressou pesar ao governo e ao povo de Cuba.
Rodríguez também agradeceu publicamente ao presidente cubano e ao general Raúl Castro Ruz, líder da Revolução Cubana, pelo apoio e “solidariedade” manifestados após os acontecimentos. (Com New York Times)









